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domingo, 7 de outubro de 2012

V/H/S (2012)



V/H/S, de vários (EUA, 2012)

Uma antologia será quase sempre, até por definição, uma obra desequilibrada. Ligar segmentos que podem variar na qualidade não é tarefa fácil, dando lugar, muitas vezes, a resultados insatisfatórios. Em V/H/S é esse o caso. Um grupo de delinquentes entra à socapa numa casa com a missão de encontrar uma cassete que lhes foi encomendada. Em vez de uma encontram várias cassetes e, como quem não quer a coisa (até porque o dono da casa parece morto), põem-se a ver as filmagens.

Nos tempos que correm, a cassete é já um objecto tão "pré-histórico" que corre-se o risco de toda uma geração não perceber grande parte do filme. Depois há a questão das historietas. Dos cinco segmentos (mais as transições), quatro dos realizadores optaram por meter o sobrenatural ao barulho. Curiosamente, o único que não o fez - Ti West, que contava já no seu currículo com o curioso The Innkeepers - foi o que se saiu melhor. West percebeu que aproximar o vídeo ao snuff era o passo lógico a tomar, e a ideia de um psicopata bem humano que viola a privacidade do nosso quarto de hotel enquanto dormimos acaba por assustar mais do que as criaturas escolhidas pelos outros. Os outros segmentos vão aparecendo, sem particular interesse ou engenho; entre a súcuba e a possuída, passando pelo bicho que não pode ser filmado e pelas criancinhas demoníacas, não há nada de novo. Tudo bem embalado em formato found footage e homevideo.

Filmar porque sim - e porque se tem uma câmara à mão - é algo com que todos nos identificamos. O mais "normal" acaba também por ser o mais assustador. E quando o assunto acaba, fica a pergunta que já se fazia na curta de Ti West: «apagaste as imagens?».

domingo, 17 de junho de 2012

Little Deaths (2011)

Poucas cinematografias sabem explorar os benefícios de uma antologia como a britânica. Desde os anos 50, passando pelo período áureo da Hammer uma década mais tarde, os súbitos de Sua Majestade cedo perceberam que colecções de pequenas histórias lhes permitiam explorar num só filme vários conceitos cinematográficos enquanto reuniam diferentes realizadores sob uma mesma batuta. Infelizmente, Little Deaths não foi capaz de aproveitar a oportunidade, resultando apenas numa enorme confusão de fluídos corporais. Sangue e sexo, temas condutores da trama, estão presentes em abundância, mesmo que figurativamente, nos três segmentos da película, não fosse o seu nome derivado de uma metáfora francesa para "orgasmo". Já por aí se afiguram as linhas gerais pelas quais esta obra se guia.

As estórias vão melhorando com o filme. Se a primeira é assumidamente má e a segunda sofrível, a terceira é, no mínimo, interessante. Todas sobre casais que vivem a sexualidade de forma pouca convencional, todas sobre aspectos sombrios que se escondem dentro das casas de cada um. Sádicos raptores de raparigas sem-abrigo, mutantes cujo esperma em forma de comprimidos (sim, leram bem) cria outros mutantes e sadomasoquistas cansados dos jogos de poder da relação. Curioso conjunto de personagens que peca, talvez, por exagerar na bizarria. Os primeiros têm mais olhos do que barriga, os segundos, ela uma prostituta, ele o seu antigo chulo agora apaixonado por ela, têm mais barriga do que olhos, os últimos não têm barriga nem olhos, mas acabam por ser os melhores. O que levanta uma série de questões interessantes. Quando se trata de atribuir pesos relativos a filmes, como se avalia uma antologia? Pelo grosso da obra ou pelas melhores partes? Somam-se as partes ou faz-se uma média de tudo? Vale a pena ver 90 minutos de filme apenas pelos últimos 30? Há meses, aquando do Fantasporto 2012, publicou-se no blog uma crítica a The Theatre Bizarre, filme apresentado em moldes semelhantes, e os mesmos problemas levantaram-se, quais fantasmas prontos a assombrar qualquer tentativa de crítica. No final, optou-se por somar todas as partes envolvidas e calcular algo parecido com uma média de tudo o que se viu em filme. 60 minutos de seca para encontrar algum oásis num pedaço de terror psicológico transformado em drama familiar. Quanto a mim, vale a pena, mas que custa, lá isso custa.


Título Original: Little Deaths (Reino Unido, 2011)
Realizador: Sean Hogan, Andrew Parkinson, Simon Rumley
Argumento: Sean Hogan, Andrew Parkinson, Simon Rumley
Intérpretes: Luke de Lacey, Holly Lucas, Siubhan Harrison, Jodie Jameson, Rob 'Sluggo' Boyce, Daniel Brocklebank, Tom Sawyer, Kate Braithwaite
Música: Richard Chester
Fotografia: Milton Kam
Género: Terror
Duração: 94 minutos


quarta-feira, 7 de março de 2012

The Theatre Bizarre (2011)

Muitas vezes o público é intimidado pelos trailers dos filmes ou até mesmo pelas sinopses, sendo feito acreditar que estará prestes a ver uma coisa de um nível de terror tremendo, mas quando acaba de o visualizar apenas uma questão vem à cabeça: 'É só isto?', e este é um desses casos. Baseado no lendário teatro Grand Guignol de Paris, vemos agora Theatre Bizarre, de Douglas Buck, Buddy Giovinazzo, David Gregory, Karim Hussain, Tom Savini e Richard Stanley, que consiste numa antologia de seis pequenos contos de terror que culminam numa história principal. 

O filme começa com uma rapariga jovem que que decide visitar o interior de um teatro que julga estar abandonado, depressa descobre que tal não é o caso e aparentemente à uma peça a decorrer à qual ela assiste. Nisto, a ela são contadas seis histórias diferentes que no teatro são representadas por fantoches, cada um dos realizadores do filme é independentemente responsável por cada uma dessas histórias, e por um narrador que no inicio da peça é representado por um fantoche.

A primeira história, "Mother of Toads", é sobre um casal que se encontra a passar férias em França, infelizmente as coisas não correm como planeado quando são vitimas de acontecimentos estranhos causados por uma bruxa francesa e pela curiosidade insaciável do marido - escusado será dizer que 'a curiosidade matou o gato'. De todos, este será provavelmente o pior e mais aborrecido segmento do filme, já que os assuntos são pouco aprofundados e um tanto vagos. Vale pelas suas breves referências a Lovecraft mas com actuações muito pouco favoráveis.

Na segunda história, "I Love You", continua como algo completamente aborrecido e ridículo, sobre um casal que se vê separado, visto que a mulher, que confessa ser uma oferecida, se farta do marido e decide ir-se embora com um amigo do mesmo, o que leva a que o marido tenha um surto de raiva e violência. Mais uma vez, muito mau, com más actuações.

A seguinte história, "Wet Dreams", sobe a fasquia e revela não ser tão má como as anteriores, com actuações ainda pouco satisfatórias. É sobre as desavenças de um casal, onde o marido é infiel e tem sonhos em que é castrado, e onde a mulher sonha com a morte do marido e da amante, culminando num final que quebra todas as barreiras da realidade e da sanidade.

A quarta história, "The Accident", demonstra o ponto de vista de uma criança face a acontecimentos chocantes, outra vez, muito pouco satisfatória e aborrecido, num assunto que teria potencial para ser mais explorado.

A penúltima história, "Vision Stains", volta com um assunto bem interessante e com cenas bem mais macabras que as sequências anteriores. Trata-se de uma mulher, que após descobrir que consegue absorver as memórias das outras pessoas no momento das suas mortes ao transferir o liquido ocular das vitimas para ela, e decide tornar-se uma biografa, desejo esse que a leva a quebrar os limites do que é permitido a um mero mortal.

Finalmente, a sexta e ultima história, "Sweets", é definitivamente a mais bizarra e perturbante, explorando o vicio de comida de um casal que é levado ao limite. Nesta sequência vemos como um fetiche pode afectar o ser humano que não o sabe controlar.

Tudo acaba com o regresso ao teatro do inicio do filme onde ao longo das histórias ocorreu uma transformação bizarra e inexplicável, tanto ao narrador fantoche como à jovem rapariga na plateia.

Resumindo, é uma antologia pouco satisfatória para não dizer fraca e se procuram algo mais agressivo ou mais coeso aconselho a procurar noutro lado. Numa visão geral poderá-se dizer que entre todas as histórias  há uma ligeira referência religiosa e aos sete pecados mortais, embora um pouco incoerente e nada precisa. 


                                                          Título original: The Theatre Bizarre
Realizador: Douglas Buck; Buddy Giovinazzo; David Gregory; Karim Hussain; Jeremy Kasten; Tom Savini; Richard Stanley
Argumento: Zach Chassler; Richard Stanley; Scarlett Amaris; Emiliano Ranzani; Buddy Giovanazzo; John Esposito; Douglas Buck; Karim Hussain; David Gregory
Intérpretes: Udo Kier; Virginia Newcomb; Shane Woodward; Catriona MacColl; Victoria Maurette; André Hennické; Suzan Anbeh; Debbie Rochon; Tom Savini; James Gill; Lena Kleine; Mélodie Simard; Kaniehtiio Horn; Lindsay Goranson; Guilford Adams
Música: Simon Boswell; Susan DiBona; Pierre Marchand; Mark Raskin
Fotografia: Eduardo Fierro; John Honoré; Karim Hussain; Michael Kotschi
Género: Gore, Terror
Duração: 114 minutos