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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mientras duermes (2011)

Desconfio que para Jaume Balagueró, um dos realizadores do Fantástico mais acarinhados pelo público português, MIENTRAS DUERMES signifique o encerrar de alguns ciclos. Para trás ficam as co-realizações com Paco Plaza - os dois últimos capítulos de [Rec] foram planeados do ponto de vista da direcção a solo - e um sentido de terror ligado ao sobrenatural. Não se estranhe, portanto, que o catalão feche também outros tantos capítulos dentro do próprio filme.

O pânico provocado pela invasão do domicílio, cortesia de um zelador sociopata - Luis Tosar, em mais uma construção meticulosa da personagem -, serve de mote para a fita. Como César não consegue ser feliz faz da infelicidade dos que o rodeiam a sua missão. O seu alvo preferido é a residente do quinto andar, moça jovem e bonita, de bom temperamento e sorriso fácil. Assiste-se à escalada, lenta e progressiva, da violação da privacidade e do dano provocado. O fim, mesmo quando se afigura próximo, nunca aparenta estar à vista.

Pela premissa, traçar um paralelo entre Mientras duermes e The Resident, de Antti Jokinen, parece fácil. Ambos os títulos fazem uso da figura do zelador como ameaça aos moradores do prédio. Contudo, depressa se torna evidente a diferença de qualidade entre as duas fitas, com a de Balagueró a superiorizar-se pelo seu desenvolvimento. Aposta segura num mercado saturado, não fosse realizada por quem foi e facilmente poderia ter passado despercebida a público e crítica. Não passou, e ainda bem. É preciso ter cuidado com os monstros que se escondem debaixo da cama, principalmente com os de carne e osso.


Título Original: Mientras duermes (Espanha, 2011)
Realizador: Jaume Balagueró
Argumento: Alberto Marini
Intérpretes: Luis Tosar, Marta Etura, Alberto San Juan, Petra Martínez, Iris Almeida
Música: Lucas Vidal
Fotografia: Pablo Rosso
Género: Terror, Thriller
Duração: 102 minutos



sábado, 1 de dezembro de 2012

Blancanieves (2012)

A alegria do movimento.

À luz do ano que passou, é difícil evitar tecer algumas comparações envolvendo este BLANCANIEVES, de Pablo Berger. A primeira será, porventura, o aparecimento deste filme, candidato espanhol ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, meros meses após uma outro fita muda - The Artist, de Michel Hazanavicius - ter arrecadado o galardão da Academia para o Melhor Filme. Há, pois, uma tentativa espanhola, mesmo que discreta, de jogar com o academismo dos vizinhos franceses e tentarem eles mesmos a sorte com uma receita semelhante. O paralelo cai, no entanto, por terra com relativa facilidade: Blancanieves não parece cinema mudo, é cinema mudo. A proeza, aliás, é tamanha que nos faz olhar com certa desconfiança - em retrospectiva é sempre mais fácil duvidar - para o rival gaulês e demais homenagens àquela época.


A outra analogia prende-se, sobretudo, com as duas adaptações da estória dos Irmãos Grimm que por cá estrearam recentemente - Mirror Mirror e Snow White and the Huntsman. Mas essa é desmontada ainda mais depressa do que a anterior. Para começar, porque tematicamente, e mesmo que todos os elementos clássicos lá estejam - e porque estão, da madrasta à maçã, passando pelo caçador e até mesmo pelo espelho, apenas baralhados e escondidos, pedindo alguma atenção à audiência - a relação entre os filmes é ténue; não há em Blancanieves castelos literais nem uma presença do Fantástico na sua verdadeira acepção. Depois, porque Macarena García, mesmo sem se fazer ouvir, consegue ser infinitamente mais expressiva do que as homólogas anglófonas. Assim, Berger consegue suportar a pressão dirigida de lados opostos - o estilístico e o narrativo - e impor a sua visão como obra de mérito próprio.

Conto-de-fadas de inspiração gótica - impregnado de um certo expressionismo que se vai fazendo sentir na imagética - Blancanieves aproxima-se tentadoramente do melodrama. O exagero do pathos mistura-se deliciosamente com a faena e o flamenco, num vaivém de planos por vezes freneticamente montados e que emprestam alegria e cor, passe a expressão, à história. É quando a câmara trava ou se fixa num qualquer ponto que a tristeza se instala. Filmada com uma beleza e cuidado impressionantes e seguida por uma banda-sonora esmerada, dificilmente se poderia imaginar homenagem mais bonita ao cinema europeu dos anos 20. Merecedor de todos os elogios - e mais alguns - que lhe são dirigidos.


Título Original: Blancanieves (Espanha, 2012)
Realizador: Pablo Berger
Argumento: Pablo Berger
Intérpretes: Macarena García, Sofía Oria, Maribel Verdú, Daniel Giménez Cacho, Imma Cuesta, Ángela Molina, Pere Ponce, Emilio Gavira
Música: Alfonso Vilallonga
Fotografia: Kiko de la Rica
Género: Drama
Duração: 104 minutos


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Antevisão CineFiesta 2012 #2

Depois de referenciarmos algumas das obras de ficção presentes na edição deste ano do CineFiesta, o o nosso olhar recai agora sobre os documentários e filmes de Víctor Erice (homenageado pelo festival) seleccionados para o certame.

Entre eles contam-se:

  • EL CUADERNO DE BARRO, de Isaki Lacuesta


  • EL ESPÍRITU DE LA COLMENA, de Víctor Erice


  • EL SUR, de Víctor Erice

Também de Víctor Erice será exibido EL SOL DEL MEMBRILLO. Na secção de documentários serão exibidos ainda GUEST e AL FINAL DEL TUNEL.

Podem consultar o programa e outras informações no site oficial do CineFiesta.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Antevisão CineFiesta 2012 #1

Entre 26 de Novembro e 2 de Dezembro vai realizar-se a secção portuense - cidade que, de resto, empresta o gentílico a este espaço - do CineFiesta 2012, mostra do Cinema espanhol. A selecção do festival combina longas-metragens de ficção, documentários, animações e uma merecida homenagem ao realizador Víctor Erice. As sessões serão divididas entre o Dolce Vita, a Biblioteca Almeida Garrett e o Teatro do Campo Alegre.

Fica uma breve antevisão da ficção a ser exibida no certame:

  • ARRUGAS, de Ignacio Ferreras

  • MIENTRAS DUERMES, de Jaume Balagueró

  • BLANCANIEVES, de Pablo Berger

Os destaques mais óbvios vão para BLANCANIEVES, candidato espanhol a esta edição do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e MIENTRAS DUERMES, de Jaume Balagueró - um dos criadores da franquia [Rec], e já um velho conhecido do público português. As animações ARRUGAS, de Ignacio Ferreras, e LAS AVENTURAS DE TADEO JONES, de Enrique Gato, também serão apostas interessantes. As restantes fitas da secção de ficção, exibidas no Dolce Vita, incluem GRUPO 7, TENGO GANAS DE TI, FIN, LA CHISPA DE LA VIDA, TAMBIÉN LA LLUVIA e EL SEXO DE LOS ÁNGELES.

Podem consultar a programação do festival (e mais informações) no site oficial do CineFiesta.