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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Brave (2012)

É curioso como BRAVE, a mais recente produção da Pixar, nasce da necessidade de explorar um nicho de mercado deixado anos ao abandono pela companhia. Não será por isso de estranhar que Merida seja uma espécie de proto-feminista que, imagine-se a afronta, quer poder escolher com quem casar. Ela que atira como uma profissional e monta o seu cavalo deixando a sua desgrenhada cabeleira ruiva solta ao vento é, afinal de contas, uma princesa escocesa com a responsabilidade de manter a paz entre os quatro clãs do seu reino. A sua mãe bem lhe ensinou que é dever das rainhas fazerem-se ouvir; o rei só lá está, quanto mais não seja, para caçar ursos e entreter os convidados. É transparente a vontade de seguir Tangled, radicalizando-o.

Os três realizadores apostam numa história mais simples - mas nem por isso menos adulta - do que o comum nos filmes do estúdio. O que significa que, apesar de se perder algum tempo (demasiado?) a apresentar as personagens e a narrativa, o storytelling é reduzido em relação aos anteriores filmes da Pixar, tornando tudo muito directo. Sabe-se o que se quer e para onde se vai desde o primeiro minuto.

Brave é uma animação que, à primeira vista, não se parece com uma animação. Veja-se o nível de detalhe dos primeiros establishing shots, o realismo da paisagem em toda a sua profundidade. A pormenorização estende-se às personagens, principalmente a Merida e aos seus cabelos ruivos. E aos olhos, sempre os olhos, janelas da alma e elemento essencial da trama. Contudo, quanto mais nos aventuramos no filme, mais fácil se torna descobrir nele falhas. E a animação acaba por parecer o que sempre foi. Apesar de menos marcante do que a maioria dos seus antecessores, Brave é uma aposta ganha. E isso, juntamente com os divertidos sotaques dos highlanders, bastará para o ver.


Título Original: Brave (EUA, 2012)
Realizador: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell
Argumento: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell, Irene Mecchi
Intérpretes: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, Craig Ferguson
Música: Patrick Doyle
Género: Animação, Acção, Aventura, Comédia, Família, Fantasia
Duração: 93 minutos



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ParaNorman (2012)

«It's all fun and games until someone raises the dead.»

A animação tem sido um campo cada vez menos destinado exclusivamente às crianças. PARANORMAN, produzido pela Laika - estúdio que há uns anos maravilhou meio Mundo com Coraline, de Henry Selick -, comprova essa tendência, combinando elementos de terror clássico com uma história que requer alguma maturidade para ser entendida. Não que o filme se demarque completamente da audiência infantil, mas nota-se a aproximação progressiva (quase como o que se tentou há duas ou três décadas) da indústria do género a um público mais adulto.


Parte homenagem cinematográfica ao Terror - as referências vão desde os anos 50 aos 80 -, parte moral a ser apreendida, a sequência que abre ParaNorman, das melhores do ano dentro do género, deixa logo claros dois dos seus principais objectivos: introduzir os mais jovens a um tipo de filmes (Terror) que, porventura, ainda não conhecerão, e reunir os mais crescidos com a sua criança interior. De resto, há qualquer coisa de burtoniano na narrativa - o menino inadaptado, marginalizado pela sociedade por um dom que não escolheu possuir e que o torna diferente - ao mesmo tempo que se brinca com algumas convenções do género. Os estereótipos do atleta burro, da loira desmiolada, do arauto e até mesmo da marrona - todos enunciados em The Cabin In the Woods, da dupla Goddard/Whedon - são subvertidos a favor da história e da meta que se pretende alcançar. A diferença é bonita e merece ser abraçada.

Chris Butler e Sam Fell dirigem um fantástico conjunto de vozes, cedidas por um ecléctico grupo de actores, enumerado na nostálgica sequência final, que acrescentam uma outra dimensão à expressividade das figuras, já de si incríveis. A película é catapultada para outro plano - um capaz de colocar a Laika a competir com gigantes como a Pixar ou a DreamWorks - pelo cuidado com que lida com todos os aspectos da produção cinematográfica envolvidos, da direcção artística à fotografia, passando pela excelente banda sonora de Jon Brion. Se calhar até já o escrevi algures nestas linhas, mas vale a pena repeti-lo: ParaNorman é, sem dúvida, um dos melhores do ano.


Título Original: ParaNorman (EUA, 2012)
Realizador: Chris Butler, Sam Fell
Argumento: Chris Butler
Intérpretes: Kodi Smit-McPhee, Tucker Albrizzi, Anna Kendrick, Casey Affleck, Christopher Mintz-Plasse, Leslie Mann, Jeff Garlin, Elaine Stritch, Bernard Hill, Alex Borstein, John Goodman
Música: Jon Brion
Fotografia: Tristan Oliver
Género: Animação, Aventura, Comédia, Família, Fantasia, Terror
Duração: 92 minutos