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domingo, 3 de março de 2013

Sunday Stills #27: "Bellflower"



Em semana de Fantas, calha bem relembrar um dos nossos favoritos da edição anterior. Jessie Wiseman em BELLFLOWER, de Evan Glodell, uma espécie de Mad Max dos anos zero-zero.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ward No. 6 (2009)

A linha que separa a loucura da sanidade é tão ténue que amiúde se torna indistinguível e cessa de existir. Aí, o sábio torna-se um pobre de espírito e o perturbado passa a iluminado. Nem sempre é discernível em qual das categorias, já de si pouco estanques, se encaixa alguém extraordinário. O conceito não é novo, nem a abordagem que Aleksandr Gornovsky e Karen Shakhnazarov lhe dedicam, mas WARD NO. 6 acaba por oferecer uma visão diferente sobre a questão. Em jeito de documentário - falso, mas que podia ser mais verdadeiro do que alguns que declaradamente o são, o que nos leva a perguntar onde se devem traçar os limites do género - começa-se por entrevistar meia-dúzia de internados num hospício soviético (a Rússia parece não ter chegado ainda ao local). Falam da sua vida na instituição e do seu antigo director. Proeminente psiquiatra de larga reputação, vê-se preso numa pequena cidade que, segundo ele, é incapaz de apreciar cultura e arte. Criatura de hábitos fixos - não dispensa a sua leitura diária (clássicos da literatura) nem o copo de vodka após o almoço - entra numa espiral descendente rumo à alienação quando conhece um paciente que partilha da sua visão. A figura, que lhe surge algo enquadrada na imagem de profeta, faz dele seu apóstolo e leva-o a abandonar a vida de médico.

Shakhnazarov, um dos mais influentes cineastas russos da sua geração, director-geral da Mosfilm (histórica produtora responsável por obras de gente como Sergei Eisenstein, Andrei Tarkovsky e Akira Kurosawa, entre outros), oscila entre o falso documentário e uma narrativa mais convencional. Tudo muito diegético, excepção feita à sequência da visita do Doutor e do seu vizinho à capital, barulhenta e desorganizada, e pachorrento. A lentidão e passividade da fita imitam as da vida rural e custam a passar. Às tantas, também o público, "preso" à cadeira, restringido àquela sala de cinema que torna real a ficção de Chekov que passa no ecrã, sente a dor do médico. Quando há pouco para fazer os ponteiros do relógio tendem a mover-se mais devagar. Não é o melhor filme de Shakhnazarov (quanto ao outro realizador, que confesso não conhecer, não posso adiantar o mesmo) e pela densidade e rigor pode ser difícil de assistir para quem estiver formatado para um Cinema mais ocidentalizado, mas Ward No. 6 revela-se uma obra competente e sólida, da qual vale a pena recordar um par de cenas potencialmente memoráveis - vem-me à memória, por exemplo, o baile no final do filme. Como na vida, é quando o cansaço se começa a manifestar que se perde a vontade de distinguir entre o real e o imaginado.


Título Original: Palata N°6 (Rússia, 2009)
Realizador: Aleksandr Gornovsky, Karen Shakhnazarov
Argumento: Aleksandr Borodyanskiy, Karen Shakhnazarov (baseado no conto de Anton Chekhov)
Intérpretes: Vladimir Ilin, Aleksey Vertkov, Aleksandr Pankratov-Chyornyy, Evgeniy Stychkin, Viktor Solovyov
Música: Evgeny Kadimsky
Fotografia: Aleksandr Kuznetsov
Género: Documentário, Drama
Duração: 83 minutos


sábado, 16 de junho de 2012

Monster Brawl (2011)

«I haven't seen an abdomen attack like this since King Hippo back in '88.»

Um campeonato de luta-livre, ao estilo WWF, pelo título de campeão mundial entre oito dos monstros mais conhecidos. Ora, aqui está algo que nunca pensei chegar a ver e as origens de tal ideia serão, eternamente, um mistério para mim. Monster Brawl, realizado por Jessie T. Cook, é algo que nunca irei compreender como chegou a ser, muito menos com um elenco de actores bastante conhecidos, entre os quais Art Hindle, Dave Foley e Lance Henriksen, tendo em conta o orçamento relativamente baixo.

O campeonato é dividido em duas categorias, a categoria de mortos-vivos e a categoria de criaturas. Cada uma das categorias possui dois monstros que lutam pelo titulo de peso-médio da respectiva categoria, na categoria das criaturas temos Witch Bitch, uma bruxa perseguida pela sua aldeia, e Cyclops, que procura vingar-se do deus grego Hades, e na categoria dos mortos vivos temos Lady Vampire, a última da sua espécie, e The Mummy, antigo faraó egípcio King Khafra. Depois temos os combates de peso-pesado de cada categoria que levam à final entre o vencedor dos mortos-vivos e o vencedor das criaturas, na categoria das criaturas temos Werewolf, que busca vingar-se de todos os monstros, e Swap Gut, um monstro do pântano em vias de extinção que odeia a poluição, e na categoria de mortos-vivos, Frankenstein (Robert Maillet), «It's actually the Frankenstein Monster, if you wanna be a dick about it», e Zombie Man, um zombie treinado num quartel militar pelo Colonel Crookshank (Kevin Nash). Como seria de esperar, ao longo das lutas contamos com os comentários de Buzz Chambers (Dave Foley) e Sasquatch Sid Tucker (Art Hindle), que fazem lembrar os comentadores icónicos da WWF e WWE, e para manter a integridade dos combates, Herb Dean é o árbitro escolhido. Para juntar a toda esta trapalhada, o locutor não é nada mais, nada menos, que o mundialmente reconhecido "Mouth From The South", Jimmy Hart.

Escusado será dizer que isto não é receita para ser um bom filme, tirando as participações de cara já conhecidas, tanto no cinema como no mundo da WWF, e a narração de Lance Henriksen, isto é um filme do mais rasca possível. Os comentários dos combates são, definitivamente, o ponto alto de Monster Brawl. A maquilhagem usada para os monstros é algo que já não se via desde os anos '80 com efeitos especiais péssimos, e tendo em conta que quase nunca são usados. As actuações são más e é tudo tão falso que é óbvio que não foi algo feito para ser sério, mas sim para entreter os amantes hardcore de terror e de wrestling, enquanto cria umas gargalhadas valentes face às situações ridículas e desempenhos rídiculos.

Se forem fãs da WWF, WWE, UFC, etc., e fãs de terror clássico então Monster Brawl é um filme que não vão querer perder, no entanto devem encará-lo como uma paródia e uma grande piada pois não será mais que isso. É típico filme para se ver em grupo, e claramente um filme de festival, mas não fiquem desiludidos se o vosso monstro de eleição não leve o título para casa.


Título Original: Monster Brawl (EUA, 2011)
Realizador: Jessie T. Cook
Argumento: Jessie T. Cook
Intérpretes: Dave Foley; Art Hindle; Jimmy Hart; Robert Maillet; Herb Dean; Kevin Nash; Jason David Brown; Lance Henriksen; Rico Montana; Holly Letkerman; Kelly Couture; Ari Millen; John Geddes
Música: Todor Kobakov
Fotografia: Brendan Uegama
Género: Comédia; Terror
Duração: 89 minutos


sexta-feira, 18 de maio de 2012

El Artificio (2011), por António Tavares de Figueiredo e Wladimir Jr. Ribeiro

«El cine es (...) el artificio.»

Numa rara ocasião em que duas cabeças pensam mesmo melhor do que uma, os editores do Matinée Portuense decidiram juntar esforços para vos falar de El Artificio, a grande revelação do Fantasporto 2012. O filme que para muitos poderá ter passado despercebido revelou-se uma das mais recentes pérolas do cinema europeu, capaz de entreter, maravilhar e arrebatar quem o decidiu ver.

Quique (Enrique Belloch num papel semi-biográfico) é um realizador que se vê incapaz de realizar. Temendo estar a perder a sua sanidade, Quique pede ajuda a Marta (Maria Josep Peris), sua irmã, numa tentativa de se agarrar ao que lhe ainda é familiar. Marta aceita, na condição de contratarem um enfermeiro para a ajudar a cuidar de Quique. O escolhido é Amador (Paco Martínez Novell), um jovem enfermeiro pouco ligado ao mundo das artes, mas bem intencionado.  O trio de protagonistas vai ter de aprender a viver junto, num convívio nem sempre fácil, mas benéfico para todas as partes envolvidas,

Desengane-se quem pensa que El Artificio se fica pela sua camada superficial. O filme tem muito mais para oferecer do que aquilo que pode parecer à primeira vista. As referências cinematográficas, que vão aparecendo com alguma frequência na fita, e a exploração das várias dicotomias abordadas (cinema/teatro, irmão/irmã, loucura/lucidez) conferem à fita uma riqueza conceptual que se estende por várias camadas de filme. Contudo, o que torna este filme interessante torna-o também pesado e inacessível a grande parte do grande público: não é certo que toda a gente que o veja seja capaz de ultrapassar a superficialidade inicial da película, como também não é certo que todos consigam captar todas as referências cinematográficas presentes em El Artificio.

Filme que preste homenagem a All About Eve, Howard Hawks e Humphrey Bogart será quase sempre capaz de ganhar o coração dos membros desta humilde redacção. El Artificio é capaz de juntar a essas virtudes uma realização arrojada da parte de Jose Enrique March, um meticuloso trabalho de edição e uma fotografia com qualidade bem acima da média. Curiosamente, parte o elenco, com o próprio Belloch à cabeça, é constituída por actores com formação em teatro, o que se vai notando na maneira de abordarem o espaço e os diálogos. Nada de muito preocupante, mas mais um elemento estranho num filme já por si pouco convencional.

De filmes todos nós gostamos, de cinema já não será tanto assim. El Artificio aborda exactamente esse amor do realizador March, do actor Belloch e da personagem Quique pela 7ª arte, transformando-o em algo quase contagiante. Belloch, que à esporádica carreira de actor junta as de encenador teatral e realizador de cinema, diz que este é o seu projecto mais pessoal dentro do seu próprio universo cinematográfico. O resultado final traduz essa sua visão bastante pessoal sobre El Artificio, tornando-o um exercício de cinema muito especial. Mais do que cinema, esta é uma fita que almeja ao estatuto de cinema sobre cinema, honra reservada apenas aos melhores. A perfeição não é alcançada por pouco, talvez devido ao peso conferido à obra, mas no final isso pouco interessará: 30 anos depois de Pestañas Postizas, Enrique Belloch volta a ter um filme digno de culto dentro do panorama do cinema europeu, este por razões mais honrosas.


Título Original: El Artificio (Espanha, 2011)
Realizador: Jose Enrique March
Argumento: Pablo Peris
Intérpretes: Enrique Belloch, Paco Martínez Novell, Maria Josep Peris
Fotografia: Paco Belda
Género: Drama
Duração: 91 minutos




sexta-feira, 30 de março de 2012

Evangelion 1.0: You Are (Not) Alone (2007)

O filme que marca um novo inicio à famosa série de anime de 1995, Neon Genesis Evangelion, que procura recontar a história original. É o primeiro de quatro filmes planeados sendo que o ultimo terá uma conclusão diferente da série original.

Existem seres monstruosos, aparentemente mecânicos, denominados de Angels, que buscam a destruição da raça humana. NERV é uma organização criada para somente para eliminação desses seres usando os EVAS, máquinas humanóides controladas por jovens pilotos. Não é claro se a destruição dos Angels é a única motivação da organização.

Quem já é familiarizado com a série original irá notar um grande update em todo o visual, contudo, não sendo já um fã da série, o filme será muito aborrecido. Penso que há muito, senão demasiado, desenvolvimento emocional de personagens e muito pouco contributo para a história em si, uma desproporção que é muito difícil de deixar passar, com um excesso no factor melodramático. Maior parte do filme é, basicamente, lamentações repetidas da personagem principal, que limita-se a queixar-se de tudo e a ter súbitos acessos de raiva. De resto, desde a banda sonora, aos cenários e a toda a arte visual é um filme que entretém qualquer fã do anime de género, no entanto para os restantes não irá ser tão aprazível.



Título Original: Evangerion Shin Gekijôban: Jo (Japão, 2007)
Realizador: Masayuki; Kazuya Tsurumaki; Hideaki Anno
Argumento: Hideaki Anno; Yoshiki Sakurai
Intérpretes (vozes): Megumi Ogata; Megumi Hayashibara; Kotono Mitsuishi
Música: Shirô Sagisu
Género: Anime; Drama; Ficção-Científica; Mecha





quarta-feira, 28 de março de 2012

Afro Samurai: Ressurection (2009)

A adaptação animada da manga de sucesso, Afro Samurai, regressa com uma longa-metragem de animação. Novamente com produção de Samuel L. Jackson, que volta a dar a voz a Afro e Ninja Ninja, os dois protagonistas da série original.

Pegando onde a série original deixou, Afro após ganhar a fita nº1 passa anos isolado do mundo numa tentativa de deixar para trás o seu passado de assassino assim como a fita nº1. Agora Afro vê-se obrigado a voltar ao campo de batalha outra vez em busca do possuidor da fita nº1 da qual tinha abdicado, mas agora simplesmente para recuperar os restos do seu pai, os quais foram roubados da campa, com a companhia de Ninja Ninja volta a enfrentar o seu passado que parece não querer deixá-lo em paz.

Se já a série original tinha uns visuais fantásticos, Afro Samurai: Ressurection veio melhora-los, mais uma vez com uma banda sonora alucinante e recheado de acção e sangue. Infelizmente este filme altera alguns dos acontecimentos passados na série original, o que para os fãs será um pouco confuso e potencialmente irritante, algo que parece um pouco mal concebido mas também abre portas para uma visão diferente e mais aprofundada da história.

Contudo, é bastante divertido e cheio de acção, sendo, portanto, uma fonte sólida de entretenimento. Definitivamente é algo que fãs de anime de estilo seinen não devem perder, nem que seja só pelas falas ridículas e comportamentos estranhos de Ninja Ninja.


Título Original: Afro Samurai: Ressurection (Japão/EUA, 2009)
Realizador: Fuminori Kizaki
Argumento: Eric S. Calderon; Leo Chu; Eric Garcia; Yasuyuki Muto; Takashi Okazaki
Intérpretes: Samuel L. Jackson; Lucy Liu; Yuri Lowenthal
Música: RZA
Género: Acção; Anime; Aventura; Gore
Duração: 101 minutos



segunda-feira, 26 de março de 2012

Jail Bait (1954)

Este ano no Fantasporto 2012 houve várias retrospectivas de realizadores memoráveis, entre os quais Edward D. Wood Jr. conhecido por muitos como «o pior cineasta de todos os tempos». Tive o privilégio de visualizar uma das pérolas deste senhor, Jail Bait, um filme carregado com clichés, más actuações e cenas tão ridículas que é quase impossível uma pessoa não rebolar no chão a rir.

Don Gregor (Clancy Malone) é um homem jovem que se envolve com um criminoso mesquinho, Vic Brady (Timothy Farrel), e quando são vistos a cometer um assalto matam sem querer um segurança, a mulher que os viu no assalto vai directa à policia e tanto Don como Vic são obrigados a esconderem-se. Infelizmente Don não aguenta a pressão de ter morto uma pessoa e tenta entregar-se à policia, coisa que não convém a Vic que quer tudo menos parar na prisão, as coisas não correm bem para Don quando procura a ajuda do pai, um famoso cirurgião plástico.

Ora bem, o filme tem toda aquela aura de film noir, contudo cai no ridículo da situação graças a más ligações entre cenas, cenários repetitivos e actuações tão más que sempre que uma personagem fala só nos apetece desatar a rir. A realização é pessima e para quem já conhece outros trabalhos de Ed Wood, como Glen or Glenda ou Plan 9 From Outer Space, já devem saber que tipo de qualidade sai de Jail Bait. A música! Ai meu Deus a música, sempre a mesma, sempre a dar, seja qual a cena está sempre a dar a mesma música durante o filme todo, irritante, mas bastante cómico no início. O argumento é simplesmente estúpido, todas as falas das personagens são ridículas, completamente cómicas de tão mau que tudo é, mas o pior de tudo é que nada no filme se aproveita, até as mortes são de tamanha estupidez que deixa uma pessoa aparvalhada. Que mais poderei dizer... É um mau filme.

No entanto, recomendo a verem, até pode ser considerado uma comédia, já que se passa quase o filme todo a rir das situações, e então visto em grupo só aumentará a diversão. Um filme tipicamente de Ed Wood, «Tão mau que é bom».



Título Original: Jail Bail (EUA, 1954)
Realizador: Edward D. Wood Jr.
Argumento:  Alex Gordon; Edward D. Wood Jr.
Intérpretes: Clancy Malone; Timothy Farrel; Herbert Rawlinson; Lyle Talbot; Dolores Fuller; Steve Reeves; Theodora Thurman
Música: Hoyt Curtin
Fotografia: William C. Thompson
Género: Comédia, Crime, Film noir, Thriller
Duração: 72 minutos



This Must Be the Place (2011)


 «Home is where I want to be.» - Cheyenne (Sean Penn) é uma antiga estrela de rock deslocada do mundo em que vive. Os seus dias passam indistintos entre si, marcados pela letargia característica de um homem que nunca soube o que era crescer. Quando descobre que o seu pai está a morrer, Cheyenne resolve visitá-lo, não chegando a tempo, porém, de o encontrar com vida. Cheyenne decide, então, embarcar numa viagem pelo interior Americano em busca do homem que torturou o seu pai durante a II Guerra Mundial.

This Must Be the Place é um claro piscar de olho ao road movie, um dos géneros mais queridos do público americano. Contudo, o filme escapa à tentação de se aproximar demasiado da cinematografia norte-americana, preferindo manter alguns dos elementos particulares do cinema europeu. Os enredos secundários expandem-se para além da narrativa principal, conferindo ao filme profundidade, embora nem sempre sejam claros ou fiquem completamente resolvidos. Quase irrepreensível do ponto de vista técnico, a fotografia de Lucas Bigazzi destaca-se pela sua beleza e qualidade bem acima da média. A banda sonora original da autoria de Will Oldham e David Byrne é um deleite para os fãs da pop dos anos 80, com o vocalista dos Talking Heads a fazer uma breve aparição no filme como ele próprio.

A grande atracção do filme é, no entanto, um Sean Penn caracterizado à la Robert Smith, vocalista dos The Cure, mas com personalidade muito própria. Penn apresenta-nos uma personagem marcada pelas suas inseguranças, que vai crescendo e perdendo a sua aparente fragilidade ao longo do filme. Judd Hirsch surge também em bom plano como o caçador de nazis Mordecai Midler. O elenco conta ainda com Frances McDormand e Harry Dean Stanton.

Por esta altura, Sorrentino é já um nome bem conhecido de quem acompanha o que de melhor se faz no cinema europeu. O ritmo lento que o realizador italiano confere ao filme não agradará a toda a gente, mas é exactamente o que se pedia para uma obra como esta, permitindo explorar em profundidade todo o potencial da história. This Must Be the Place é, essencialmente, um filme de auto-descoberta e reconciliação com o passado. O Prémio do Júri Ecuménico do Festival de Cannes e as honras de encerramento na 32ª edição do Fantasporto justificam-se, portanto, para aquele que é, discutivelmente, um dos melhores filmes de 2011.


Título Original: This Must Be the Place (França/Irlanda/Itália, 2011)
Realizador: Paolo Sorrentino
Argumento: Umberto Contarello, Paolo Sorrentino
Intérpretes: Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch,
Eve Hewson, Harry Dean Stanton
Música: David Byrne, Will Oldham
Fotografia: Luca Bigazzi
Género: Comédia, Drama
Duração: 118 minutos

 

sábado, 24 de março de 2012

Rose (2011)


Sem querer ser insensível, após ver Rose o clip acima foi a primeira coisa que me veio à cabeça. O realizador, Wojtek Smarzowski, criou o que será provavelmente o filme mais triste do ano, com acontecimento mau atrás de acontecimento mau, que simplesmente nos deixa aparvalhados. Um drama que realmente define o género dramático, mais um que não esperava ver no Fantasporto.

Uma história de sobrevivência numa era pós-Segunda Guerra Mundial na Polónia, centrada nas vidas de Tadeusz (Marcin  Dorocinski), um ex-soldado, e Róza (Agata Kulesza), mãe víuva que face às barbaridades do exercito Russo ainda presente na Polónia encontra algum conforto na companhia de Tadeusz que tenta protegê-la a todo o custo. Infelizmente de nada serve a protecção do ex-soldado que se vê incapaz de impedir as constantes violações diárias a Róza, e se isso não chegasse também se encontram em risco de serem deportados, e se como se isso não chegasse Róza e a família são vitimas de tragédias atrás de tragédias diariamente. (Agora já devem perceber a referência ao clip acima)

Todo o filme tem um ambiente muito trágico, melancólico e um pouco cinzento, típico de filmes com uma temática da Segunda Guerra Mundial, mas este procura explorar as vidas difíceis após a guerra, com uma grande falta de qualquer tipo de ordem ou leis, onde sobrevivem apenas os que conseguem. As actuações são bastante boas por parte dos dois protagonistas, com menção especial para Agata Kulesza que desempenha um papel muito bom e transmite-o de maneira eficaz e real, com uma grande influência em todo o ambiente do filme. No entanto tem um argumento muito puxado, não que isso seja algo negativo mas é um pouco forte, com muita tragédia envolvida onde quando pensamos que a situação não pode piorar ela piora.

Em geral, é um filme perfeito para amantes do drama trágico, que certamente vos deixa boquiabertos com alguns momentos mas que contribuem, às vezes de forma um pouco exagerada, para a mensagem transmitida e ajuda imenso a absorver todo o ambiente da época desde os cenários às personagens. Recomendo a ver se conseguirem, até podem gostar mas aviso que não será um feito fácil.



Título Original: Róza (Polónia, 2011)
Realizador: Wojtek Smarzowski
Argumento: Michal Szczerbic
Intérpretes: Marcin Dorocinski; Agata Kulesza; Malwina Buss; Kinga Preis; Jacek Braciak
Música: Mikolaj Trzaska
Fotografia: Piotr Sobocinski Jr.
Género: Drama
Duração: 95 minutos



sexta-feira, 23 de março de 2012

In The Dark Half (2012)

Um estreia muito fraca no grande ecrã por parte de Alastair Siddons. In The Dark Half é aquele tipo de filme que deixa o público com um grande vazio, um desejo por algo mais e que nunca conseguirá dar. De certeza uma das grandes desilusões do Fantasporto 2012.

Marie (Jessica Barden), uma jovem de 15 anos com uma aparente personalidade perturbada, tenta satisfazer os espíritos da terra ao criar uma espécie de santuário onde enterra os animais mortos pelo seu vizinho, Filthy (Tony Curran), que vive com o seu filho Sean. Uma noite, Sean morre subitamente enquanto Marie tomava conta dele visto que Filthy tinha ido caçar, este acaba por entrar numa depressão profunda e Marie culpa-se por não ter conseguido controlar os espíritos, que acha serem os responsáveis. A partir daqui tudo se desenvolve à volta da relação que Filthy e Marie criam um com o outro, a relação pouco afectiva entre Marie e a mãe e os acontecimentos assombrosos que acontecem após a morte de Sean.

Ao príncipio pode não parecer mas todo o argumento não é muito imaginativo e a sinopse pode ser bastante enganadora. A falta de originalidade em toda a concepção do filme destrói por completo toda a experiência, desde cenas pouco ou nada explicativas em relação a certos acontecimentos a momentos confusos e um pouco aleatórios, isto faz com que se perca um pouco o valor de algumas das actuações, nomeadamente a de Jessica Barden. Todo o ambiente de drama ofusca as situações de terror que tenta atingir em partes, deixando o público um pouco confuso face ao que está a visualizar, assim como certos aspectos do tema misterioso que é o dos espíritos, que nunca chega a ser explicado com clareza, tem umas referências aqui  acolá mas desaparece passado uns minutos. A juntar ao argumento pouco original e claro a realização também não é muito satisfatória, algo que não merece desculpa mesmo face ao baixo orçamento do filme, algo entre as 300.000£.

Não chega a ser completamente inapreciável, até é algo que se vê e a mensagem é passada, mas como já disse deixa um vazio enorme no público e podem haver pessoas, claro, que fiquem bastante insatisfeitas e o odeiem, no entanto não acho que seja nada de muito aterrador ou aborrecido. Para quem gostar de mistérios e filmes de fantasmas penso que não perderão nada em vê-lo, esteve no Fantasporto em regime de antestreia e deve estrear algures ainda este ano.


Título Original: In The Dark Half (Reino Unido, 2012)
Realizador: Alastair Siddons
Argumento: Lucy Catherine
Intérpretes: Jessica Barden; Tony Curran; Lyndsey Marshal
Música: Dan Jones
Fotografia: Neus Ollé-Soronellas
Género: Thriller; Mistério
Duração: 90 minutos



Immaturi (2011)

Simples e descomprometido. É assim que Immaturi, de Paolo Genovese, se assume logo à partida, colocando de lado qualquer pretensão de ser mais do que aquilo que deve ser. Um grupo de amigos vê-se obrigado a repetir os seus exames finais de liceu, reencontrando-se vinte anos depois dos seus caminhos se terem separado.

É esta a premissa de Immaturi, a partir da qual se desenvolvem todas as situações e peripécias características de uma comédia deste tipo. Nada em Immaturi é novidade, o que não invalida que o argumento tenha sido bem trabalhado e remodelado à sua maneira. As piadas, apesar de quase gastas, são bem aproveitadas, variando entre o humor de índole sexual e o cómico de situação. No capítulo técnico, o filme cumpre, embora não deslumbre. As interpretações são bem conseguidas, com cada personagem a contribuir com algo diferente para a história. Um breve destaque para Lorenzo, a personagem de Ricky Memphis, responsável por alguns dos momentos mais engraçados e risíveis da película.

Immaturi é um filme feito à imagem da nova comédia italiana. A película foge ao mau gosto típico de algumas comédias norte-americanas, apresentando-se como uma alternativa a ter em conta dentro do universo das comédias ligeiras. Immaturi serve de prova de que a simplicidade, por vezes, é mesmo a melhor solução.


Título Original: Immaturi (Itália, 2011)
Realizador: Paolo Genovese
Argumento: Marco Alessi, Paolo Genovese
Intérpretes: Isabelle Adriani, Ambra Angiolini, Luca Bizzarri, Barbora Bobulova, Raoul Bova, Paolo Kessisoglu, Ricky Memphis
Música: Andrea Guerra
Fotografia: Fabrizio Lucci
Género: Comédia
Duração: 108 minutos



quinta-feira, 22 de março de 2012

Avé (2011)

Este ano o Fantasporto esteve um pouco fraco em filmes do género fantástico, numa edição onde reinou o drama e a comédia dramática senti a falta daquilo que inicialmente nos puxa para o festival. Avé, de Konstantin Bojanov, também não é mais do que um simples drama, talvez com uma história mais profunda do que possa parecer à primeira vista.

É a história de um pobre rapaz, que numa tentativa de apanhar boleia para o funeral do melhor amigo, começa a ser importunado por uma rapariga que lhe vira a vida do avesso. Tudo começa com uma inocente partilha de boleia, o que rapidamente se desenvolve numa teia de mentiras e relacionamentos estranhos e complicados entre os dois, onde o rapaz é de certa forma manipulado e enganado pela rapariga que parece não olhar a meios para atingir um determinado fim.

Apesar de o filme ser visualmente apelativo, com as paisagens campestres da Bulgária, é algo que a mim, pessoalmente, me deixa a desejar. Toda a história é um pouco aborrecida, sim, tem um significado muito bonito e tal mas não é algo de extraordinário que me impeça de bocejar. Parabéns às actuações das duas personagens principais, penso que desempenharam o seu papel da melhor maneira possível e foi ainda um daqueles poucos pontos positivos que não deixaram que adormecesse, ao menos isso. O filme foi premiado em vários festivais de cinema europeus, incluindo o Fantasporto, no qual ganhou o de melhor filme na Semana dos Realizadores, que penso não ter sido a escolha mais acertada tendo em conta todos os outros filmes que passaram nessa mesma semana e que eram, a meu ver, claramente melhores.

Pessoalmente, é um filme que não voltarei a ver, foi um daqueles que me ficou um pouco 'entranhado na garganta', no entanto não é um mau filme, aliás até é bom. Resumidamente é um daqueles filmes que é simplesmente um drama com uma história bonita que ou agrada ou irrita, depende muito dos gostos de cada um. Se são fãs do género de filme com significados profundos, cheio de metáforas para a vida, uma história de amor quase impossível, situações tristes e com ambiente depressivo, unicórnios e arco-íris então este filme é perfeito para vocês e devem de certeza dar-lhe uma vista de olhos. 


Título Original: Avé (Bulgária, 2011)
Realizador: Konstantin Bojanov
Argumento: Konstantin Bojanov; Arnold Barkus
Intérpretes: Angela Nedialkova; Ovanes Torosian
Música: Tom Paul
Fotografia: Nenad Boroevich; Radoslav Gochev
Género: Drama
Duração: 86 minutos




quarta-feira, 21 de março de 2012

The Truth of Lie (2011)

Quem julga que os capítulos das sagas Saw e Hostel são o expoente máximo do cinema sobre tortura (e não são tão poucos quanto isso) anda bem enganado. Na Europa produzem-se algumas peças cinematográficas bem mais agressivas do que as citadas acima, provando que nem sempre é preciso gastar litros e litros de sangue artificial ou milhares de dólares em efeitos especiais para proporcionar à audiência momentos de verdadeiro desconforto.

The Truth of Lie é um desses filmes. O que não é de admirar se considerarmos que foi criado por Roland Reber, o cineasta alemão responsável por filmes como 24/7: The Passion of Life ou Angels With Dirty Wings. Em The Truth of Lie um escritor contrata duas mulheres para prender e torturar durante cinco dias. O seu objectivo é simples: levá-las ao limite, e documentar o processo para o seu novo livro. Mas os cinco dias passam sem que as raparigas cedam, e o que ao início era uma situação retorcida, mas legal, depressa assume contornos ainda mais bizarros, com o escritor a aprisionar as raparigas por tempo indeterminado até conseguir alcançar o seu objectivo.

Roland Reber aposta, mais uma vez, em chocar as audiências com um filme controverso. The Truth of Lie parece pior do realmente é, causando mais desconforto do que medo. A película tem os seus momentos, uns quantos minutos de diálogo tolerável, um par de cenas interessantes, mas fica-se por aí. A obra de Reber não é fácil de classificar, mas talvez seja justo encontrá-la a meio da escala pontual. Mais importante, Reber volta a provar que qualquer publicidade é boa publicidade.


Título Original: Die Wahrheit der Lüge (Alemanha, 2011)
Realizador: Roland Reber
Argumento: Roland Reber
Intérpretes: Christoph Baumann, Marina Anna Eich,
Julia Jaschke, Antje Mönning
Música: Mira Gittner
Fotografia: Mira Gittner
Género: Drama
Duração: 98 minutos 



terça-feira, 20 de março de 2012

Shiver (2012)

O Fantasporto 2012 contou com umas quantas antestreias mundiais e Shiver, de Julian Richards, foi uma delas. Recheada com um elenco de actores moderadamente conhecidos, entre os quais, Danielle Harris (Halloween, Urban Legend e Boy Scout), John Farrat (Wolf Creek e Savages Crossing) e Casper Van Dien (Starship Troopers e Sleepy Hollow), mas infelizmente acompanhados de um argumento pouco imaginativo e original. 

 É o nosso típico filme sobre um psicopata aparentemente imparável e obcecado por mulheres jovens, as quais ele usa para ganhar a ilusão de poder semelhante a um deus, isto até que se encontra com a personagem principal, Wendy (Danielle Harris) que é a única que lhe escapa e parece ser imune a qualquer tentativa de assassinato. Sem esquecer também o papel do detective encarregue do caso (Casper Van Dien) que, como é óbvio, desenvolve uma relação mais íntima com a personagem principal. 

Mais uma vez, é um daqueles temas que já foi tão batido que o público consegue prever os acontecimentos mesmo sem ver o filme, com um assassino que ninguém consegue matar porque é invencível, uma personagem principal feminina que consegue ser ainda mais invencível e gira tudo à volta deste conceito, nada de novo portanto. As actuações são medianas, nada de extraordinário, e a realização também nem é nada má, contudo não é isso que chegará para tornar isto num êxito de bilheteira, é simplesmente um pouco tedioso. 

 Não se perde nada em ir vê-lo, será, no entanto, apenas mais uma adição à lista infindável de thrillers de psicopatas obssessivo-compulsivos. Até chega a ser melhor que muitos outros, nomeadamente Savages Crossing onde John Farrat também é o antagonista, por isso se acham que estão com vontade de ver um thriller que entretenha durante uma hora e meia provavelmente esta seria uma boa escolha. 


Título Original: Shiver (EUA, 2012)
Realizador: Julian Richards
Argumento: Robert D. Weinbach; Brian Harper
Intérpretes: Danielle Harris; John Farrat; Casper Van Dien; Ray Dawn Chong
Música: Richard Band
Fotografia: Zoran Popovic
Género: Thriller
Duração: 92 minutos



segunda-feira, 19 de março de 2012

The Holding (2011)

Pareceu-me que o que mais houve no Fantasporto 2012 foram filmes sobre psicopatas ou assassinos desmiolados e The Holding foi apenas mais um. Susan Jacobson que se estreou na realização de uma longa-metragem não parece que se tenha esforçado para que a sua estreia a pusesse no mapa, se tal não foi o caso então mais valia nem se ter dado ao trabalho.

Cassie Naylor (Kierston Wareing) é dona de uma quinta e vive com as duas filhas, a mais nova que tem uma obsessão pouco saudável pela religião e a mais velha que para além de ter uma boca deslavada acha que tudo gira à volta dela. Para grande surpresa de todos, aparece um homem (Vincent Regan) que diz ser amigo do ex marido da mulher e praticamente se faz de convidado na quinta à troca de uns quantos trabalhos manuais para ajudar a senhora e as duas filhas, quem diria que este viria a ter um surto de raiva e começasse a ter comportamentos psicologicamente perturbantes e pouco amigáveis.

Não vou dizer que o filme é muito mau, porque não é, mas com tantos outros que são sobre a mesma coisa e com melhor qualidade é muito difícil apreciar este filme, é demasiado previsível, aborrecido e numa forma geral pouco satisfatório. As actuações até são boas, parabéns ao casting, e toda a realização também não fica atrás, aliás pode se dizer que todos os elementos técnico, à parte do argumento, são bastante apreciáveis mas infelizmente não chegam para afastar todo o tédio que o filme causa ao público e isso é um dos pilares fundamentais que suportam um bom filme, o facto de não aborrecer. Não há nada no filme que já não tenha sido feito antes de melhor maneira até.

Resumidamente, passa-se bem sem ter que visualizar The Holding, é um daqueles filmes que normalmente vão directos para DVD e costumamos encontrar quando vamos alugar um filme, nas alturas em que não temos nada para fazer. Sinceramente, não há mais nada que possa dizer, apenas estaria a repetir-me (tal como o filme) é um filme sólido que se aguenta mas nada de muito entusiasmante ou apelador.


Título Original: The Holding (Reino Unido, 2011)
Realizador: Susan Jacobson
Argumento: James Dormer
Intérpretes: Kriesten Wareing; Vincent Regan; David Bradley; Skye Lourie; Maisie Lloyd
Música: James Edward Barker; Natilie Ann Holt
Fotografia: Nic Lawson
Género: Thriller
Duração: 93 minutos



Un Cuento Chino (2011)

Vacas a caírem do céu, chineses incompreensíveis e Ricardo Darín como protagonista. Tudo isso junto dá Un Cuento Chino, de Sebastián Borensztein, uma das mais recentes perólas da cinematografia argentina.

Roberto, a personagem de Darín, é um homem solitário e amargurado, dono de uma drogaria. A sua vida vai, no entanto, mudar quando conhece Jun (Ignacio Huang), um jovem chinês que não fala espanhol, e o acolhe em sua casa. A comunicação entre os dois nem sempre é fácil, mas Roberto e Jun ajudam-se mutuamente, mesmo sem se aperceberem. E assim começa uma série de aventuras e desventuras entre as duas personagens, com um desfecho nem sempre tão previsível quanto isso.

Um filme que conte com Ricardo Darín como protagonista corre sempre o sério risco de ter qualidade acima da média. Darín volta a dar cartas num papel dramático, provando que continua a ser um dos melhores actores de língua espanhola do momento. Ignacio Huang, mesmo falando um idioma incompreensível para a grande maioria da audiência, segue as pisadas de Darín na película, com Muriel Santa Ana (a Mari do filme) a não lhes ficar muito atrás.

Quase sem notar, acabei por ver Un Cuento Chino duas vezes durante o Fantasporto. O filme tem um potencial de entretenimento enorme, sendo capaz de encantar virtualmente qualquer pessoa que o veja. Falha nalguns aspectos, mas não o suficiente para deixar de ser um bom filme. Un Cuento Chino tem de tudo, no momento certo: drama, comédia e romance, sem, no entanto, se tornar cansativo (a duração do filme, pouco mais de hora e meia, é perfeita para o que se pretendia). Quem o quiser ver pode encontrá-lo nos cinemas portugueses a partir de 24 de Maio.


Título Original: Un Cuento Chino (Argentina/Espanha, 2011)
Realizador: Sebastián Borensztein
Argumento: Sebastián Borensztein
Intérpretes: Ricardo Darín, Ignacio Huang, Muriel Santa Ana
Música: Lucio Godoy
Fotografia: Rolo Pulpeiro
Género: Comédia, Drama
Duração: 93 minutos




The Whisperer in Darkness (2011)

Na última década, os títulos inspirados em estórias escritas por H.P. Lovecraft tem-se sucedido a uma velocidade vertiginosa. Esta ano a sugestão do Fantasporto passou por The Whisperer in Darkness, de Sean Branney, baseado vagamente no conto homólogo do autor norte-americano.

Albert Wilmarth é um professor universitário de folclore, conhecido pelo seu cepticismo. Depois de ter sido arrasado num debate transmitido pela rádio, Wilmarth recebe a visita de um rapaz que diz ser filho de um agricultor com quem Wilmarth se tem correspondido. O rapaz trás com ele provas da existência de estranhos seres, e pede a Wilmarth que viaje até à quinta do pai para investigar as criaturas e as suas intenções. Wilmarth de início recusa, mas, após o desaparecimento do rapaz, decide visitar Akeley, o agricultor. Longe estava Wilmarth de saber que aquela pequena quinta em Vermont escondia tantos segredos.

Metade do elenco, com o realizador incluído no lote, já esteve involvida noutros projectos relacionados com Lovecraft; a outra metade vem de filmes de baixo orçamento desconhecidos da grande maioria do público. É, portanto, seguro afirmar que o filme não se destaca pelas interpretações. A fotografia a preto e branco confere um toque engraçado ao filme, aproximando-o do cinema noir clássico, mas fica-se por aí, estando longe de deslumbrar. Contudo, o principal defeito do filme, no capítulo técnico, são os seus efeitos especiais, com os seres extra-dimensionais a não conseguirem convencer.

Lovecraft é um dos "grandes" da ficção-científica, sendo compreensível o porquê da sua obra servir de inspiração para tantos produtores e realizadores de filmes do género. The Whisperer in Darkness não é a melhor adaptação de um conto de Lovecraft para o grande ecrã, mas também está longe de ser a pior, tentando agradar tanto a fãs do autor como a desconhecedores da obra. Apesar dos seus defeitos, não seria justo pedir muito mais de uma produção como esta. Vê-lo sem grandes expectativas será aconselhável.


Título Original: The Whisperer in Darkness (EUA, 2011)  
Realizador: Sean Branney
Argumento: Sean Branney, Andrew Leman (inspirado no conto de H.P. Lovecraft)
Intérpretes: Matt Foyer, Barry Lynch, Daniel Kaemon,
Autumn Wendel, Joe Sofranko, Matt Lagan, Stephen Blackehart
Música: Troy Sterling Nies
Fotografia: David Robertson
Género: Ficção-Científica, Mistério
Duração: 90 minutos


domingo, 18 de março de 2012

Guilty of Romance (2011)

O cinema asiático parece talhado para produzir filmes capazes de chocar as audiências ocidentais. Um dos mais recentes exemplos dessa capacidade é Guilty of Romance, que promete surpreender os espectadores mais desprevenidos.

A história de Guilty of Romance centra-se numa dona de casa que, para compensar a falta de atenção que lhe é dada pelo marido, decide entrar no mundo da pornografia e da prostituição. Mas o que ao princípio apenas parece a expressão de uma liberdade recém-adquirida, cedo se revela uma complicada teia de relações, mentiras e ilusões. Simultâneamente, é-nos contada, de uma forma demasiado apressada e superficial, a história de uma investigação policial relacionada com o enredo principal do filme.

Para muitos, Guilty of Romance será uma introdução ao pink cinema, o género que marcou a indústria cinematográfica japonesa durante quase duas décadas do século passado. Visualmente, o filme resulta, com a sua fotografia vibrante a funcionar como um dos maiores trunfos da película logo desde o início. A música faz lembrar Bach, mas, estranhamente, não destoa do ambiente global do filme.

Para os mais batidos em filmes do género, Guilty of Romance torna-se, em certos momentos, demasiado fácil de prever. Não obstante, é um bom filme, aspirando à condição de ensaio sobre as relações humanas e a procura de prazer, com O Castelo de Kafka a ser tema recorrente da obra. Não será filme para toda a gente, mas quem conseguir ultrapassar o choque inicial do deboche quase constante de Guilty of Romance poderá ficar agradavelmente surpreendido com que o tem pela frente.


Título Original: Koi No Tsumi (Japão, 2011)
Realizador: Shion Sono
Argumento: Shion Sono
Intérpretes: Miki Mizuno, Makoto Togashi, Megumi Kagurazaka, Kazuya Kojima,
Satoshi Nikaido, Hisako Ohkata
Música: Yasuhiro Morinaga
Fotografia: Sôhei Tanikawa (director de fotografia)
Género: Crime, Drama
Duração: 144 minutos, 112 minutos (versão internacional)




Exit Humanity (2011)

Parece que todos os anos é nos mandado à cara uns quantos filmes de zombies e essa exploração excessiva do tema não parece desencorajar realizadores. Exit Humanity, de John Geddes, é apenas mais um a juntar a uma lista infindável do género que pouco ou nada de novo lhe adiciona, no entanto é uma história um tanto séria focando-se maioritariamente no factor dramático chegando a uma altura em que a praga de mortos-vivos não passa de um elemento de fundo.

Após a Guerra Civil Americana houve um surto de uma praga de mortos-vivos e Edward Young (Mark Gibson) regressa à sua terra natal, apenas para ver a sua mulher e filho serem devorados por zombies. Sozinho no mundo decide fazer uma ultima viagem para levar as cinzas do seu filho para o único lugar onde encontrava paz enquanto estava na guerra. Pelo caminho encontra Isaac (Adam Seybold), também um sobrevivente que lhe pede ajuda para recuperar a sua filha que foi raptada por um grupo liderado por um general que busca a cura para a pandemia.

Tanto a maneira como os zombies são caracterizados como todo o ambiente do filme fazem lembrar The Walking Dead, com um foco enorme no factor sobrevivência das personagens. O filme é dividido em capitulos sendo que cada capitulo à um segmento de em animação, que na minha opinião é um dos pontos mais altos do filme e toda a forma como a mudança de capítulos juntando a narração de Brian Cox fazem deste filme algo único e bastante consistente.

Toda a história é contada muito lentamente com muita melancolia e tragédia, algo que nem sempre é apreciado mas que, tendo em conta o tema, até era apropriado e bem conseguido. O realizador fez um trabalho fantástico neste filme, toda a paisagem e aquilo que as personagens nos transmitem dão mesmo a sensação que estamos em 1870, mas, infelizmente, toda a lentidão a que tudo se passa deixa o público um pouco desapontado, um público que provavelmente apenas busca mutilação atrás de mutilação.

Julgo que não haja muito mais a dizer, tanto de mau como de bom, como já disse, tudo que envolva este género já foi bem explorado e isso tira um pouco aquele elemento de novidade. No entanto, não deixa ser um filme apreciável, talvez não para aqueles que procuram violência extrema e mortes sem sentido, se é isso que querem este filme não é para vocês mas sim para o público que procura uma história mais profunda e séria que leve o seu tempo a ser contada, com bastante pormenor e cuidado.


Título Original: Exit Humanity (Canadá, 2011)
Realizador: John Geddes
Argumento: John Geddes
Intérpretes: Mark Gibson; Jordan Hayes; Dee Wallace; Adam Seybold; Bill Moseley; Stephen McHattie
Música: Jeff Graville; Nate Kreiswirth; Ben Nudds
Fotografia: Brendan Uegama
Género: Drama, Terror
Duração: 113 minutos


sábado, 17 de março de 2012

Kill List (2011)

Kill List opta por representar os seus assassinos contratados como pessoas normais, com família e vida fora do trabalho. Aqui não há lugar para homens solitários, envoltos em auras de mistério, nem capazes dos mais incríveis feitos sobre-humanos. Os assassinos de Kill List são bem reais, de carne e osso. Esse será o primeiro ponto a favor do filme, desde logo.

Jay e Gal são dois amigos que, após deixarem o exército, se tornaram assassinos a soldo. Oito meses depois de um trabalho desastroso em Kiev, a vida familiar de Jay degrada-se lentamente bem defronte dos seus olhos, com a família a passar por dificuldades económicas, fruto da inactividade de Jay. Determinado a dar a volta à situação, Jay aceita um novo trabalho sugerido por Gal. O objectivo é simples: matar três pessoas cujos nomes constam numa lista que lhes foi entregue por um sujeito misterioso. Mas Jay e Gal cedo se apercebem de que aquilo para que foram contratados é muito mais complicado e tenebroso do que inicialmente pensavam.

Kill List chegou ao Fantasporto 2012 referenciado pelo IFG como um dos melhores filmes britânicos do ano, numa lista em que, curiosamente, não figurava Shame. A selecção, embora discutível, é compreensível: Kill List é, antes de mais, um filme diferente. Tão diferente, que, por vezes, se chega a tornar incompreensível, sobretudo aos olhos de um público que não esteja disposto a ver para além das suas falhas. Para quem o vê, Kill List não consegue deixar de parecer uma montagem descarada entre duas películas distintas: um drama familiar, narrado quase ao jeito de um documentário, e um thriller criminal a roçar o terror realista. E se a primeira parte está bem construída e faz antever um filme de qualidade superior, a segunda deita tudo a perder, muito por culpa de uma sobreposição excessiva de ideias que torna vã qualquer tentativa de entender o final da película.

Os apreciadores do Realismo britânico têm em Kill List muito com que se entreter. O seu final decepcionante prejudica a qualidade global da obra, mas não chegará para a destruir por completo. O filme cumpre no capítulo técnico, com as interpretações a não lhe ficarem atrás. A melhor maneira de julgar Kill List será mesmo vê-lo, pelos bons e maus motivos.


Título original: Kill List (Reino Unido, 2011)
Realizador: Ben Wheatley
Argumento: Amy Jump, Ben Wheatley
Intérpretes: Neil Maskell, MyAnna Buring, Harry Simpson,
Michael Smiley, Emma Fryer, Struan Rodger
Música: Jim Williams
Fotografia: Laurie Rose (directora de fotografia)
Género: Crime, Drama, Terror, Thriller
Duração: 95 minutos