sexta-feira, 30 de março de 2012

Evangelion 1.0: You Are (Not) Alone (2007)

O filme que marca um novo inicio à famosa série de anime de 1995, Neon Genesis Evangelion, que procura recontar a história original. É o primeiro de quatro filmes planeados sendo que o ultimo terá uma conclusão diferente da série original.

Existem seres monstruosos, aparentemente mecânicos, denominados de Angels, que buscam a destruição da raça humana. NERV é uma organização criada para somente para eliminação desses seres usando os EVAS, máquinas humanóides controladas por jovens pilotos. Não é claro se a destruição dos Angels é a única motivação da organização.

Quem já é familiarizado com a série original irá notar um grande update em todo o visual, contudo, não sendo já um fã da série, o filme será muito aborrecido. Penso que há muito, senão demasiado, desenvolvimento emocional de personagens e muito pouco contributo para a história em si, uma desproporção que é muito difícil de deixar passar, com um excesso no factor melodramático. Maior parte do filme é, basicamente, lamentações repetidas da personagem principal, que limita-se a queixar-se de tudo e a ter súbitos acessos de raiva. De resto, desde a banda sonora, aos cenários e a toda a arte visual é um filme que entretém qualquer fã do anime de género, no entanto para os restantes não irá ser tão aprazível.



Título Original: Evangerion Shin Gekijôban: Jo (Japão, 2007)
Realizador: Masayuki; Kazuya Tsurumaki; Hideaki Anno
Argumento: Hideaki Anno; Yoshiki Sakurai
Intérpretes (vozes): Megumi Ogata; Megumi Hayashibara; Kotono Mitsuishi
Música: Shirô Sagisu
Género: Anime; Drama; Ficção-Científica; Mecha





quarta-feira, 28 de março de 2012

Afro Samurai: Ressurection (2009)

A adaptação animada da manga de sucesso, Afro Samurai, regressa com uma longa-metragem de animação. Novamente com produção de Samuel L. Jackson, que volta a dar a voz a Afro e Ninja Ninja, os dois protagonistas da série original.

Pegando onde a série original deixou, Afro após ganhar a fita nº1 passa anos isolado do mundo numa tentativa de deixar para trás o seu passado de assassino assim como a fita nº1. Agora Afro vê-se obrigado a voltar ao campo de batalha outra vez em busca do possuidor da fita nº1 da qual tinha abdicado, mas agora simplesmente para recuperar os restos do seu pai, os quais foram roubados da campa, com a companhia de Ninja Ninja volta a enfrentar o seu passado que parece não querer deixá-lo em paz.

Se já a série original tinha uns visuais fantásticos, Afro Samurai: Ressurection veio melhora-los, mais uma vez com uma banda sonora alucinante e recheado de acção e sangue. Infelizmente este filme altera alguns dos acontecimentos passados na série original, o que para os fãs será um pouco confuso e potencialmente irritante, algo que parece um pouco mal concebido mas também abre portas para uma visão diferente e mais aprofundada da história.

Contudo, é bastante divertido e cheio de acção, sendo, portanto, uma fonte sólida de entretenimento. Definitivamente é algo que fãs de anime de estilo seinen não devem perder, nem que seja só pelas falas ridículas e comportamentos estranhos de Ninja Ninja.


Título Original: Afro Samurai: Ressurection (Japão/EUA, 2009)
Realizador: Fuminori Kizaki
Argumento: Eric S. Calderon; Leo Chu; Eric Garcia; Yasuyuki Muto; Takashi Okazaki
Intérpretes: Samuel L. Jackson; Lucy Liu; Yuri Lowenthal
Música: RZA
Género: Acção; Anime; Aventura; Gore
Duração: 101 minutos



segunda-feira, 26 de março de 2012

Jail Bait (1954)

Este ano no Fantasporto 2012 houve várias retrospectivas de realizadores memoráveis, entre os quais Edward D. Wood Jr. conhecido por muitos como «o pior cineasta de todos os tempos». Tive o privilégio de visualizar uma das pérolas deste senhor, Jail Bait, um filme carregado com clichés, más actuações e cenas tão ridículas que é quase impossível uma pessoa não rebolar no chão a rir.

Don Gregor (Clancy Malone) é um homem jovem que se envolve com um criminoso mesquinho, Vic Brady (Timothy Farrel), e quando são vistos a cometer um assalto matam sem querer um segurança, a mulher que os viu no assalto vai directa à policia e tanto Don como Vic são obrigados a esconderem-se. Infelizmente Don não aguenta a pressão de ter morto uma pessoa e tenta entregar-se à policia, coisa que não convém a Vic que quer tudo menos parar na prisão, as coisas não correm bem para Don quando procura a ajuda do pai, um famoso cirurgião plástico.

Ora bem, o filme tem toda aquela aura de film noir, contudo cai no ridículo da situação graças a más ligações entre cenas, cenários repetitivos e actuações tão más que sempre que uma personagem fala só nos apetece desatar a rir. A realização é pessima e para quem já conhece outros trabalhos de Ed Wood, como Glen or Glenda ou Plan 9 From Outer Space, já devem saber que tipo de qualidade sai de Jail Bait. A música! Ai meu Deus a música, sempre a mesma, sempre a dar, seja qual a cena está sempre a dar a mesma música durante o filme todo, irritante, mas bastante cómico no início. O argumento é simplesmente estúpido, todas as falas das personagens são ridículas, completamente cómicas de tão mau que tudo é, mas o pior de tudo é que nada no filme se aproveita, até as mortes são de tamanha estupidez que deixa uma pessoa aparvalhada. Que mais poderei dizer... É um mau filme.

No entanto, recomendo a verem, até pode ser considerado uma comédia, já que se passa quase o filme todo a rir das situações, e então visto em grupo só aumentará a diversão. Um filme tipicamente de Ed Wood, «Tão mau que é bom».



Título Original: Jail Bail (EUA, 1954)
Realizador: Edward D. Wood Jr.
Argumento:  Alex Gordon; Edward D. Wood Jr.
Intérpretes: Clancy Malone; Timothy Farrel; Herbert Rawlinson; Lyle Talbot; Dolores Fuller; Steve Reeves; Theodora Thurman
Música: Hoyt Curtin
Fotografia: William C. Thompson
Género: Comédia, Crime, Film noir, Thriller
Duração: 72 minutos



This Must Be the Place (2011)


 «Home is where I want to be.» - Cheyenne (Sean Penn) é uma antiga estrela de rock deslocada do mundo em que vive. Os seus dias passam indistintos entre si, marcados pela letargia característica de um homem que nunca soube o que era crescer. Quando descobre que o seu pai está a morrer, Cheyenne resolve visitá-lo, não chegando a tempo, porém, de o encontrar com vida. Cheyenne decide, então, embarcar numa viagem pelo interior Americano em busca do homem que torturou o seu pai durante a II Guerra Mundial.

This Must Be the Place é um claro piscar de olho ao road movie, um dos géneros mais queridos do público americano. Contudo, o filme escapa à tentação de se aproximar demasiado da cinematografia norte-americana, preferindo manter alguns dos elementos particulares do cinema europeu. Os enredos secundários expandem-se para além da narrativa principal, conferindo ao filme profundidade, embora nem sempre sejam claros ou fiquem completamente resolvidos. Quase irrepreensível do ponto de vista técnico, a fotografia de Lucas Bigazzi destaca-se pela sua beleza e qualidade bem acima da média. A banda sonora original da autoria de Will Oldham e David Byrne é um deleite para os fãs da pop dos anos 80, com o vocalista dos Talking Heads a fazer uma breve aparição no filme como ele próprio.

A grande atracção do filme é, no entanto, um Sean Penn caracterizado à la Robert Smith, vocalista dos The Cure, mas com personalidade muito própria. Penn apresenta-nos uma personagem marcada pelas suas inseguranças, que vai crescendo e perdendo a sua aparente fragilidade ao longo do filme. Judd Hirsch surge também em bom plano como o caçador de nazis Mordecai Midler. O elenco conta ainda com Frances McDormand e Harry Dean Stanton.

Por esta altura, Sorrentino é já um nome bem conhecido de quem acompanha o que de melhor se faz no cinema europeu. O ritmo lento que o realizador italiano confere ao filme não agradará a toda a gente, mas é exactamente o que se pedia para uma obra como esta, permitindo explorar em profundidade todo o potencial da história. This Must Be the Place é, essencialmente, um filme de auto-descoberta e reconciliação com o passado. O Prémio do Júri Ecuménico do Festival de Cannes e as honras de encerramento na 32ª edição do Fantasporto justificam-se, portanto, para aquele que é, discutivelmente, um dos melhores filmes de 2011.


Título Original: This Must Be the Place (França/Irlanda/Itália, 2011)
Realizador: Paolo Sorrentino
Argumento: Umberto Contarello, Paolo Sorrentino
Intérpretes: Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch,
Eve Hewson, Harry Dean Stanton
Música: David Byrne, Will Oldham
Fotografia: Luca Bigazzi
Género: Comédia, Drama
Duração: 118 minutos

 

sábado, 24 de março de 2012

Rose (2011)


Sem querer ser insensível, após ver Rose o clip acima foi a primeira coisa que me veio à cabeça. O realizador, Wojtek Smarzowski, criou o que será provavelmente o filme mais triste do ano, com acontecimento mau atrás de acontecimento mau, que simplesmente nos deixa aparvalhados. Um drama que realmente define o género dramático, mais um que não esperava ver no Fantasporto.

Uma história de sobrevivência numa era pós-Segunda Guerra Mundial na Polónia, centrada nas vidas de Tadeusz (Marcin  Dorocinski), um ex-soldado, e Róza (Agata Kulesza), mãe víuva que face às barbaridades do exercito Russo ainda presente na Polónia encontra algum conforto na companhia de Tadeusz que tenta protegê-la a todo o custo. Infelizmente de nada serve a protecção do ex-soldado que se vê incapaz de impedir as constantes violações diárias a Róza, e se isso não chegasse também se encontram em risco de serem deportados, e se como se isso não chegasse Róza e a família são vitimas de tragédias atrás de tragédias diariamente. (Agora já devem perceber a referência ao clip acima)

Todo o filme tem um ambiente muito trágico, melancólico e um pouco cinzento, típico de filmes com uma temática da Segunda Guerra Mundial, mas este procura explorar as vidas difíceis após a guerra, com uma grande falta de qualquer tipo de ordem ou leis, onde sobrevivem apenas os que conseguem. As actuações são bastante boas por parte dos dois protagonistas, com menção especial para Agata Kulesza que desempenha um papel muito bom e transmite-o de maneira eficaz e real, com uma grande influência em todo o ambiente do filme. No entanto tem um argumento muito puxado, não que isso seja algo negativo mas é um pouco forte, com muita tragédia envolvida onde quando pensamos que a situação não pode piorar ela piora.

Em geral, é um filme perfeito para amantes do drama trágico, que certamente vos deixa boquiabertos com alguns momentos mas que contribuem, às vezes de forma um pouco exagerada, para a mensagem transmitida e ajuda imenso a absorver todo o ambiente da época desde os cenários às personagens. Recomendo a ver se conseguirem, até podem gostar mas aviso que não será um feito fácil.



Título Original: Róza (Polónia, 2011)
Realizador: Wojtek Smarzowski
Argumento: Michal Szczerbic
Intérpretes: Marcin Dorocinski; Agata Kulesza; Malwina Buss; Kinga Preis; Jacek Braciak
Música: Mikolaj Trzaska
Fotografia: Piotr Sobocinski Jr.
Género: Drama
Duração: 95 minutos