domingo, 7 de outubro de 2012

Sunday Stills #6: "Psycho" (1960)













A obra de Alfred Hitchcock tem sido alvo de reavaliação desde a sua morte. Recentemente a publicação britânica Sight & Sound, em associação com a comunidade de críticos de cinema, elevou Vertigo ao primeiro lugar da sua lista decenal de melhores filmes de sempre, destronando Citizen Kane, de Orson Welles. Outro dos filmes do cineasta britânico também em foco nesta corrente revisionista é PSYCHO (1960), obra seminal no seio do cinema de terror. Às duas sequelas na década de 80 juntou-se um remake plano-por-plano da autoria de Gus Van Sant datado de 1998, que muitos acusaram ter desvirtuado o material original. Da obra Hitchcockiana ficam aqui quatro stills da mítica cena do chuveiro, com Janet Leigh como Marion Crane, vítima de Norman Bates e da omnipresente Mãe. A dissolução do ralo do chuveiro no olho de Marion e o remoinhar da câmara que se afasta do rosto da actriz emulando a água sanguinolenta na banheira formam uma das sequência mais eternas do Cinema. Quarenta anos mais tarde, colorida e saturada, faltaria impacto à (imitação da) mesma cena, e tudo pareceria simplesmente ridículo. Claro que também faltaria Janet Leigh no ecrã, mas essas seriam outras contas.

sábado, 6 de outubro de 2012

Banda Sonora: "Skyfall"

Skyfall, de Adele.





Skyfall, o mais recente filme de James Bond, ainda por estrear, já tem tema oficial. A cantiga homónima, escrita por Adele e Paul Epworth e interpretada pela britânica, foi divulgada ontem. Skyfall conta com realização de Sam Mendes e tem estreia agendada em Portugal para 26 de Outubro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A minha vida é um filme do Cronenberg

Algo de errado se passa quando começas a associar a tua vida a cenas Cronenberguianas. A mim aconteceu-me esta semana, quando fui retirar uma tala do nariz e me senti saído do VIDEODROME (1983).

Red State (2011) e Iron Sky (2012)

O Cinema sempre foi um veículo predilecto para a crítica social. A força das imagens aliada à possibilidade de discurso cedo alargou os horizontes daqueles que julgam ter algo a dizer a quem os quiser ouvir. Só que, como tudo na vida, há quem o faça melhor e pior. Nos anos recentes, fruto dos tempos, o alvo predilecto tem caído quase sempre sobre os EUA e as suas políticas. RED STATE e IRON SKY foram dois dos elos mais recentes dessa corrente, embora abordando metodologias e resultados diferentes.

RED STATE, de Kevin Smith (EUA, 2011)

É sempre curioso quando um cineasta como Kevin Smith aproveita um filme para espingardar em todas as direcções. A religião é uma seca, o governo não o entende, poucos lhe reconhecem o talento que ele mesmo vê quando olha ao espelho. A televisão também não passa nada de jeito e os US of A meteram-se num buraco ideológico do qual não vêem saída. A solução óbvia - para Smith, pelo menos - passa pela crítica cinematográfica aos pastores de cultos homofóbicos e à inaptidão das autoridades. Longe vão os tempos de Clerks. e a mensagem é agora mais agressiva. Se bem que se torna algo complicado perceber ao certo qual é.

Smith traduz o seu descontentamento num fraco exercício de cinema, atacando tudo e todos no processo como um cão raivoso. Pelo meio há muitos tiros, gente doida, John Goodman (sim, esse John Goodman) como agente federal, adolescentes excitados, ainda mais tiros e uma das figuras religiosas mais assustadores do Cinema recente. Aliás, será no Pastor de Michael Parks - figura quase mitológica da cinematografia série B - que Red State terá um dos seus maiores pontos fortes, entre discursos inflamados e êxtase armado. No final sobra pouco, atam-se as pontas soltas com nós pouco seguros e atira-se ao espectador qualquer coisa como a ideia de que o Governo e as autoridades norte-americanas querem evitar a todo o custo um novo Waco. Quase como quando Smith desistiu de vender os direitos de distribuição do filme em Sundance, num dos momentos mais mediáticos do festival, para evitar que o filme caísse nas mãos de um qualquer idiota que não o soubesse tratar. Ó, ironia!





IRON SKY, de Timo Vuorensola (Alemanha/Austrália/Finlândia, 2012)

Os nazis fugiram da Terra depois da II Guerra Mundial e montaram base na Lua. Como, ninguém sabe, mas montaram. Agora querem voltar ao planeta-mãe e tomar de assalto toda a raça humana. No seu caminho encontram-se apenas um astronauta negro (de novo, ó, ironia), uma professora nazi que vivia enganada e indoutrinada e uma Presidente em busca da reeleição. Por muito ridícula que a premissa de Iron Sky pareça, a verdade é que cumpre de forma competente o papel de crítica social. Há qualquer coisa na ideologia nazi que inquieta os corações, mesmo que se trate de uma óbvia comédia, e Timo Vuorensola soube tirar proveito dessa urgência. Mais uma vez, sofre do problema de Red State (pouca substância, muita pirotecnia), mas aqui desculpa-se o "erro"; pelo menos dá para rir.

Bebe-se de várias fontes - há uma cena, em jeito de sátira, igual àquela de Downfall em que Hitler descompõe os seus generais, a chegada dos nazis à Terra parece saída dos filmes de invasão da década de 50, o The Great Dictator de Chaplin, cortesia da montagem, serve como ferramenta de propaganda do Quarto Reich - e até há espaço para colocar uma personagem em tudo semelhante a Sarah Pallin como presidente dos Estados Unidos. Não é, por isso, surpreendente que o filme, uma co-produção alemã, tenha gozado de estreia em Berlim e de uma passagem pelos principais festivais europeus de Cinema Fantástico. A colagem saiu bem.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Trailer de "Fat Kid Rules the World"

Sou só eu que acho que isto pode ser uma das melhores cenas de sempre? Ai sou? Pronto, está bem. Aguardo ansiosamente a oportunidade de ver este Fat Kid Rules the World, a história de um rapaz obeso que se torna o baterista de uma banda punk. Prevê-se mais um clássico instantâneo para toda uma geração de hipsters, sejam lá eles quem forem.





Para quem se deu ao trabalho de ir verificar a ficha técnica ao IMDb, sim, é realizado pelo Matthew Lillard. Pode ser que a realização seja o seu verdadeiro talento no mundo do Cinema. Ou talvez não. Já agora, e em jeito de nota de rodapé, qual será a tradução portuguesa do título?