segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Trailer de "Dark Skies"

De Scott Charles Stewart (Legion, Priest) chega em 2013 Dark Skies. Pelo trailer não parece mal. Ou isso, ou as minhas expectativas baixaram consideravelmente pelo currículo que o realizador tem vindo a construir.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Sunday Stills #14: "Miracle on 34th Street"



É a partir de Dezembro que se espera mais fervorosamente pelo Natal. No primeiro domingo do mês começa-se uma contagem informal nesta rubrica, lembrando algumas das imagens mais marcantes referentes a este quadra. Esta, o título de MIRACLE ON 34TH STREET (1947), de George Seaton, não podia faltar.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Os 10 melhores de 2012 para a Sight & Sound

Depois da francesa Cahiers du Cinéma ter publicado o seu top anual para 2012 chegou a vez dos colaboradores da Sight & Sound fazerem o mesmo. Destaque de novo para TABU, do português Miguel Gomes, que encontra o seu lugar no 2º posto da lista.

Estes são, por ordem, os dez melhores filmes do ano para a revista britânica editada pelo BFI:

  1. THE MASTER, de Paul Thomas Anderson
  2. TABU, de Miguel Gomes
  3. AMOUR, de Michael Haneke
  4. HOLY MOTORS, de Leos Carax
  5. BEASTS OF THE SOUTHERN WILD, de Benh Zeitlin
  6. BERBERIAN SOUND STUDIO, de Peter Strickland
  7. MOONRISE KINGDOM, de Wes Anderson
  8. BEYOND THE HILLS, de Christian Mungiu
COSMOPOLIS, de David Cronenberg 
ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA, de Nuri Bilge Ceylan
THIS IS NOT A FILM, de Jafar Pahani e Mojtaba Mirtahmaseb

Blancanieves (2012)

A alegria do movimento.

À luz do ano que passou, é difícil evitar tecer algumas comparações envolvendo este BLANCANIEVES, de Pablo Berger. A primeira será, porventura, o aparecimento deste filme, candidato espanhol ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, meros meses após uma outro fita muda - The Artist, de Michel Hazanavicius - ter arrecadado o galardão da Academia para o Melhor Filme. Há, pois, uma tentativa espanhola, mesmo que discreta, de jogar com o academismo dos vizinhos franceses e tentarem eles mesmos a sorte com uma receita semelhante. O paralelo cai, no entanto, por terra com relativa facilidade: Blancanieves não parece cinema mudo, é cinema mudo. A proeza, aliás, é tamanha que nos faz olhar com certa desconfiança - em retrospectiva é sempre mais fácil duvidar - para o rival gaulês e demais homenagens àquela época.


A outra analogia prende-se, sobretudo, com as duas adaptações da estória dos Irmãos Grimm que por cá estrearam recentemente - Mirror Mirror e Snow White and the Huntsman. Mas essa é desmontada ainda mais depressa do que a anterior. Para começar, porque tematicamente, e mesmo que todos os elementos clássicos lá estejam - e porque estão, da madrasta à maçã, passando pelo caçador e até mesmo pelo espelho, apenas baralhados e escondidos, pedindo alguma atenção à audiência - a relação entre os filmes é ténue; não há em Blancanieves castelos literais nem uma presença do Fantástico na sua verdadeira acepção. Depois, porque Macarena García, mesmo sem se fazer ouvir, consegue ser infinitamente mais expressiva do que as homólogas anglófonas. Assim, Berger consegue suportar a pressão dirigida de lados opostos - o estilístico e o narrativo - e impor a sua visão como obra de mérito próprio.

Conto-de-fadas de inspiração gótica - impregnado de um certo expressionismo que se vai fazendo sentir na imagética - Blancanieves aproxima-se tentadoramente do melodrama. O exagero do pathos mistura-se deliciosamente com a faena e o flamenco, num vaivém de planos por vezes freneticamente montados e que emprestam alegria e cor, passe a expressão, à história. É quando a câmara trava ou se fixa num qualquer ponto que a tristeza se instala. Filmada com uma beleza e cuidado impressionantes e seguida por uma banda-sonora esmerada, dificilmente se poderia imaginar homenagem mais bonita ao cinema europeu dos anos 20. Merecedor de todos os elogios - e mais alguns - que lhe são dirigidos.


Título Original: Blancanieves (Espanha, 2012)
Realizador: Pablo Berger
Argumento: Pablo Berger
Intérpretes: Macarena García, Sofía Oria, Maribel Verdú, Daniel Giménez Cacho, Imma Cuesta, Ángela Molina, Pere Ponce, Emilio Gavira
Música: Alfonso Vilallonga
Fotografia: Kiko de la Rica
Género: Drama
Duração: 104 minutos


28 Days Later (2002)

Algumas vezes é complicado poder realmente apreciar um bom filme, talvez por ter como tema central algo já bastante explorado ou simplesmente por o enredo se enrolar sobre si mesmo e tornar-se um pouco extenso. 28 Days Later é um bom exemplo disso, as suas quase duas horas de filme arrastam-se de tal maneira que se torna difícil segurar as pestanas. Apesar de tudo, não deixa de ser um filme bastante bonito, com uma concepção bastante boa, um ambiente criado na perfeição e uma história, que ainda com os problemas de ritmo, aprazível.

O filme apenas retrata a tentativa de sobrevivência de um grupo de pessoas num mundo devastado por um vírus da 'raiva', que torna os humanos em animais extremamente agressivos. O que inicialmente poderá parecer enfadonho e com pouco significado, acaba por se tornar num enredo profundo e distinto de outros filmes de 'zombie apocalypse'. No entanto o filme prolonga-se maioritariamente sobre planos grandes das cidades desertas e é esse aspecto mais artístico que poderá demorar algum tempo a tornar-se claro. Não só isto, mas também o facto de se abordar o tema com um ambiente mais melancólico e sombrio tornam este filme em algo mais 'sério', definitivamente um clássico moderno.

Considero 28 Days Later a segunda melhor realização de Boyle, depois de Trainspotting, embora admite que o trabalho no primeiro seja uma evolução do último referido. Admiro os planos de Londres deserta, julgo ter sido um dos grandes feitos do filme juntamente com as cenas mais violentas. Apesar de à primeira parecer pouco intragável, não passa de um gosto superficial que afugenta quem se limita a olhar pelo canto do olho. Ultrapassa-se isso e torna-se, certamente, num filme de topo digno de uma visualização mais atenta e apreciativa. 


Título Original: 28 Days Later (Reino Unido, 2002)
Realizador: Danny Boyle
Argumento: Alex Garland
Intérpretes: Cillian Murphy; Naomie Harris; Noah Hurtley; Brendan Gleeson; Megan Burns; Bindu De Stoppani
Música: John Murphy
Fotografia: Anthony Dod Mantis
Género: Terror; Thriller
Duração: 113 minutos