sábado, 5 de janeiro de 2013

Alex Cross (2012)

Das poucas regras que tentamos sempre seguir neste espaço no que toca às críticas publicadas uma delas - e, porventura, a mais importante - é a de respeitar o trabalho de quem faz filmes, independentemente da qualidade dos seus esforços. E se é verdade que, por vezes, ao entusiasmarmo-nos, podemos ultrapassar esses limites auto-impostos, também o será que tentamos nunca julgar um filme para lá do necessário. Começar uma resenha com tal aviso atenuador - quase-folhetinesco daquilo que achamos ter de mais próximo de uma linha editorial stricto sensu - pode parecer suspeito, mas adequa-se a qualquer filme de Tyler Perry, especialmente se realizado por Rob Cohen. Para quem não se encontra familiarizado com as duas figuras em  questão bastará escrever que o primeiro é o criador e corpo de Madea, velha afro-americana atrevida e com alguns quilos a mais, e o segundo responsável por duas das franquias mais pobres da última década - Fast and the Furious e xXx -, ambas ainda sem fim à vista. Da união entre os dois, um actor-tornado-realizador e um produtor-tornado-realizador - especialmente grave se tivermos em conta que nenhum dos dois revela particular talento para qualquer dos papéis que ocasionalmente desempenha -, nasceu ALEX CROSS, nova adaptação cinematográfica dos policiais de James Patterson.

A personagem epónima - já interpretada por Morgan Freeman em Kiss the Girls e Along Came a Spider - é um psicólogo e detective, investigador cerebral de homicídios difíceis de resolver. No seu caminho cruzam-se assassinos-em-série, psicopatas, enfim, gente perturbada. Mas se nos filmes anteriores os principais problemas manifestavam-se, sobretudo, ao nível do enredo demasiado convoluto e pejado de buracos, em Alex Cross a questão reduz-se à mais completa das previsibilidades. É possível antecipar, sem ter de pensar muito, tudo o que acontece no filme, da acção aos diálogos. E mais não escrevo, porque mais não há sobre o que escrever. Facilmente um dos piores de 2012.


Título Original: Alex Cross (EUA, 2012)
Realizador: Rob Cohen
Argumento: Marc Moss, Kerry Williamson (baseado no livro de James Patterson)
Intérpretes: Tyler Perry, Edward Burns, Matthew Fox, Jean Reno, Carmen Ejogo, Cicely Tyson, Rachel Nichols, John C. McGinley
Música: John Debney
Fotografia: Ricardo Della Rosa
Género: Acção, Crime, Mistério, Thriller
Duração: 101 minutos


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Les Misérables (2012)

Adaptar uma adaptação musical, e passe a redundância, de um romance intemporal assumia-se, já de si e sem mais complicações, uma empresa de proporções desmedidas. Ao contrário do outro - o de Bille August, datado de 1998 - o LES MISÉRABLES de Tom Hooper é baseado na peça da Broadway originada pela obra homónima de Victor Hugo. São Jean Valjean, Javert e companhia cantantes - ao vivo, ou melhor, durante a rodagem, um dos mecanismos mais interessantes introduzidos na fita -, melodramáticos  e percorridos por um sentimentalismo amiúde exagerado.


À primeira vista - e logo durante a primeira meia-hora de filme - é fácil perceber que toda a gente ali se sente intimidada com alguma coisa: as personagens com outras personagens, a câmara com a dimensão da história e os actores com a câmara que insiste em segui-los sem descanso. Mas, no fundo, tudo se resume à falta de unhas de Tom Hooper para esta guitarra. A incapacidade em enquadrar - que se manifesta, entre outras coisas, pela tal câmara que raramente pára - traduz-se numa direcção hiperactiva que, mesmo sem o querer, ofusca os actores. Só quando Hooper acalma os seus ânimos e filma de forma mais ou menos estática é que o melhor da fita vem à superfície, caso da absolutamente arrepiante - e um dos seus melhores momentos - I Dreamed A Dream cantada por Anne Hathaway na mais pura das intimidades.

Esses breves sintomas de qualidade provam a força do romance de Victor Hugo e o potencial que ficou por aproveitar - sobretudo com tão generoso orçamento - nesta sua transposição para o grande ecrã. É nos planos dos indigentes e dos estudantes revolucionários nas ruas de Paris que acaba por se encontrar o melhor de Les Misérables, precisamente - e pasme-se - na sua representação da miséria. E quando se tem à disposição tamanho talento nos departamentos - figurino, fotografia e direcção artística superiorizam-se - e no elenco reunido, já para não falar do material que lhe serve de origem, a obrigação é sempre de fazer melhor. Infelizmente, e não obstante os raros mas belos momentos que cria, Tom Hooper sucumbiu ao peso dessa obrigação, atrapalhando-se no (des)equilíbrio criativo que tenta manter.

No final, os miseráveis continuam miseráveis, mas redimidos. A luz brilha no Paraíso - as barricadas, agora enormes e assomadas de gente - e canta-se a música dos que viverão de novo em liberdade; sinal da quebra com o Destino fatalista ao qual se submetiam em vida. E apesar de sobrar a consciência da mediania de Les Misérables como filme - e haverá, como sempre e ainda bem, quem discorde desta análise -, sai-se da sala a assobiar os temas que lhe dão vida e profundamente emocionado pelo que se acabou de ver. É o enlevo da canção que se faz ouvir - capaz de toldar o julgamento em toda a sua beleza e paixão -, manchado pela constante necessidade da realização de provar o seu valor.


Título Original: Les Misérables (Reino Unido, 2012)
Realizador: Tom Hooper
Argumento: William Nicholson, James Fenton (baseado no musical de Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil, baseado no romance de Victor Hugo)
Intérpretes: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Samantha Barks, Daniel Huttlestone, Aaron Tveit, Isabelle Allen, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter
Fotografia: Danny Cohen
Género: Drama, Musical, Romance
Duração: 157 minutos


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

2012, ano de chicotadas

Desengane-se o leitor que, ao ler o título da mensagem, pensou que se escreveria aqui da crise em que o país se encontra mergulhado. Escreve-se antes de chicotadas cinéfilas, pequenas constatações mais ou menos óbvias nas quais fomos tropeçando ao longo do ano. Breves ingenuidades que mantínhamos em relação Cinema e que se foram dissipando com o volume de filmes visto.

A primeira - e talvez a mais importante - foi a do absurdo que é escrever sobre Cinema. Ou, aliás, não tanto do absurdo, mas da impossibilidade de o fazer com total objectividade. Cada filme que se vê - seja blockbuster ou de autor, bom ou mau, extraordinário ou comezinho - alimenta-se de um pouco de quem o vê, revelando-se, antes de mais, uma experiência subjectiva. Claro que há guidelines, considerações a ter em conta quando se julga um filme, mas, no fundo, o que importa é a nossa própria - e muito pessoal - experiência sobre o que se assistiu. Quiçá por isso seja importante reiterar que nada do que se publica neste espaço tem carácter categórico ou qualquer pretensão de verdade absoluta, correspondendo apenas à análise individual de vários objectos. Seguem-se as restantes lombas.


O tempo não dá tempo.

Infelizmente é verdade. O tempo prossegue indiferente às vontades de quem o vive, e é quando mais se precisa das horas que mais depressa elas se esgotam. Quem gosta de Cinema - e particularmente quem tem como actividade, mesmo que amadora, escrever sobre ele - conhece a seriedade do problema e as limitações por ele impostas. Se de um lado há a necessidade de ver o maior número de obras possível, do outro sobra a certeza de que a pressa é inimiga da perfeição. Se se visualizam muitos filmes, ainda mais ficam por visualizar. 2012 foi o ano em que a condição se fez sentir com maior gravidade entre os membros da redacção, levando a que algumas obras de renome escapassem ao nosso olhar crítico. Fitas como O GEBO E A SOMBRA, de Manoel de Oliveira, ou DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO, de Joaquim Sapinho, constam dessa lista, entrando e saindo de sala este ano sem que, infelizmente, as tivéssemos visto. E nem consideramos os filmes visualizados por apenas um ou dois de nós, caso contrário o rol não teria fim.

Cobrir um festival é cansativo.

Este foi um falso-tropeção: que cobrir um festival era tarefa cansativa já nós imaginávamos, só não contávamos que fosse tanto. Mas vale a pena. No ano em que o Matinée Portuense realizou a sua primeira cobertura intensiva - ou extensiva, conforme a preferência - de um festival, os seus editores sentiram na pele as mazelas de assistir a três ou quatro filmes por dia. Não que a empresa seja particularmente dramática - e também não será caso para tanto, ou não haveria ninguém, excepto masoquistas, a seguir festivais -, mas deixa algumas marcas. Permite, no entanto, a descoberta de algumas pérolas cinematográficas que, não fosse a sua presença nestes certames, passariam despercebidas ao público nacional. Caso, por exemplo, de EL ARTIFICIO, de Jose Enrique March, merecedor de elogios pela sua invulgar magia e amor à Arte.

A shaky camera raramente resulta de acordo com o pretendido.

Mas parece que há cada vez mais gente a achar o efeito engraçado. Principalmente realizadores com poucas obras no currículo - e uns quantos mais experientes - que se vêem à frente de filmes de acção e/ou terror. E se é verdade que em 2012 funcionou em prol de algumas fitas que dela fizeram uso - CHRONICLE, de Josh Trank e PROJECT X, de Nima Nourizadeh -, também o é que foram mais os casos em que a intenção saiu gorada. Escreve-se, entre outros, de THE HUNGER GAMES, de Gary Ross, de V/H/S, antologia de Terror, ou de RED DAWN, de Dan Bradley, cuja tremedeira incessante prejudicou o acompanhamento da acção. Pedia-se mais estabilidade.

O Cinema Português merece ser visto com olhos de ver.

E em sala, de preferência. Num dos seus melhores anos de sempre, com alguns filmes a receberem prémios e aclamação da crítica estrangeira, o Cinema Português provou a impossibilidade de ser encaixotado como um todo nos estereótipos acerca dele mantidos, muitas vezes pelos próprios portugueses. Acabou-se - ou deveria ter acabado - aquela noção dos filmes muito parados e monótonos, feitos a uma só velocidade; ou a de que os filmes lusos eram só mulheres nuas e homens rudes tentados por elas. Claro que ainda há fitas que se inserem nesses dois tipos, é verdade, mas quem se deu ao trabalho de comprovar encontrou em 2012 muitos - e bons - filmes que fogem à(s) regra(s). Dos vistos, de destacar TABU, de Miguel Gomes, e FLORBELA, de Vicente Alves do Ó; nas co-produções contam-se ainda os muito razoáveis COSMOPOLIS, de David Cronenberg, e BONSÁI, de Cristián Jiménez. Por isso, impõe-se a pergunta: em ano de qualidade acima da média, por que razão foram BALAS & BOLINHOS - O ÚLTIMO CAPÍTULO, de Luis Ismael, e MORANGOS COM AÇÚCAR - O FILME, de Hugo de Sousa - e não colocando em causa o mérito relativo de ambos -, os filmes nacionais com mais espectadores durante 2012? Pedia-se, novamente e como já é hábito, mais.

Filmar sobre Cinema não implica, obrigatoriamente, filmar filmes.

Tudo bem, admito que a epígrafe possa ser confusa. Mas pareceu-me o título adequado para a reflexão em causa e assim ficou. 2012 continuou a tendência manifestada activamente em 2011, a de prestar homenagem ao Cinema através do Cinema. Nada contra a (boa) intenção, mas todos sabemos que delas está o Inferno cheio. Provou-se uma vez mais que a subtileza costuma ser o melhor caminho a seguir. Assim, e sem grande surpresa, filmes como BLANCANIEVES, de Pablo Berger, e HOLY MOTORS, de Leos Carax, encantaram-nos mais do que THE ARTIST, de Michel Hazanavicius, e MY WEEK WITH MARILYN, de Simon Curtis, por exemplo, que esparramaram o seu objectivo por toda a obra.

Quem sabe o que faz nunca esquece como o fazer.

Leos Carax voltou às longas-metragens depois de treze anos de interregno, Manoel de Oliveira, Ridley Scott, Chantal Akerman, Alain Resnais e Michael Haneke mostraram o porquê de serem considerados alguns dos melhores naquilo que fazem. E depois há Abel Ferrara, o mais herético dos católicos, que se esmerou, colocando dois filmes - GO GO TALES e 4:44 LAST DAY ON EARTH - no top anual da Cahiers du Cinéma. Valendo o que vale - até porque um dos títulos data de 2007 -, é razão suficiente para lhe(s) bater palmas.

E por último, e já em jeito de apêndice, a mais óbvia das verdades relembradas:

Nem só de excrementos (e demais fluídos) pode viver um filme.

Não pode, nem deve querer fazê-lo. Porque se a graçola ainda cola durante os primeiros minutos - como em ZOMBIE'S ASS, de Noboru Iguchi -, depressa vai perdendo interesse ao longo do filme. Mas o pior acontece quando uma fita que faz uso desses mecanismos, quer pelas (duvidosas) potencialidades cómicas, quer pelas dramáticas, deseja ser levado a sério. Assobiando para o ar, aponta-se na direcção de THE PAPERBOY, de Lee Daniels, abjecto e frustrado na sua tentativa de chocar, conseguindo apenas provocar certo aborrecimento na audiência. Terá sido, porventura, a chicotada mais desagradável de levar.

António Tavares de Figueiredo

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Trailer de "Man of Steel"

Os reboots andam na ordem do dia em Hollywood. Depois de Batman e Homem-Aranha - e, porque não, do próprio Super-Homem (Superman Returns, de Bryan Singer) -, chegou a vez de Zack Snyder e Christopher Nolan - como realizador e produtor, respectivamente - pegarem no Homem-de-Aço. Contando, entre outros, com Henry Cavill, Russell Crowe, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner e Diane Lane, Man of Steel tem estreia marcada em Portugal para 27 de Junho.


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Trailer de "Star Trek Into Darkness"

Depois de um primeiro capítulo, J.J. Abrams parece interessado em apostar no seu lado mais trekkie. Star Trek Into Darkness é o título que se segue e contará no seu elenco, entre outros, com Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Benedict Cumberbatch, Karl Urban e Simon Pegg. O filme tem estreia agendada em Portugal para 6 de Junho.