segunda-feira, 4 de junho de 2012

Citações: "Sherlock Holmes" #1

Watson: «Your boys have done a magnificent job of obliterating any potential evidence.»
Sherlock Holmes: «Yes, but at least they never miss an opportunity... to miss an opportunity.»

Robert Downey Jr. e Jude Law em Sherlock Holmes.

domingo, 3 de junho de 2012

Battle: Los Angeles (2011)

Se a Terra algum dia for vítima de uma invasão alienígena o mais certo é que alguns dos primeiros alvos a abater se situem nos EUA. Em Battle: Los Angeles os extra-terrestres atacam vinte cidades costeiras de dezassete países. Como o título indica, Los Angeles é uma delas e acção passar-se-á por lá. Como o título também indica, das vinte cidades só uma resistirá às ofensivas dos invasores, com os americanos a serem os únicos com a organização e os recursos necessários para fazer frente à investida alienígena. Estes, personificados nas figuras de um sargento perseguido pelos seus demónios pessoais (Aaron Eckhart, a merecer um papel melhor do que o que recebeu) e da sua fiel tropa de bem treinados Marines (onde se destaca Michelle Rodriguez, em mais do mesmo a que já nos habitou), irão liderar a humanidade na resposta aos ataques vindos de outro mundo, e recuperar uma cidade destruída por uma guerra, ao início, desequilibrada. Havia outros sítios mais óbvios por onde começar a contra-ofensiva, mas como Hollywood costuma dar-se mais importância do que realmente tem escolheu-se Los Angeles. Tudo bem, também não será por aí que o filme peca.

Que os norte-americanos gostam de se ver como os paladinos do Mundo já não é novidade para ninguém. Sejam extra-extraterrestre malignos, zombies devoradores de gente ou vampiros sedentos de sangue, são eles que contêm a ameaça e preparam a contra-ofensiva. Ao princípio podia parecer engraçado, mas vários anos do mesmo esgotaram-lhe o falso sentimento de heroísmo e puseram a descoberto a visão redutora que os EUA (e, em particular, Hollywood) têm do resto do Mundo. Este Battle: Los Angeles não foge à regra (como poderia?) e vai servindo como publicidade para os patrióticos Marines, sempre dispostos a derramar o seu sangue, e, já agora, o dos seus adversários, em nome da sua nação. Variando entre boletim de informação, com o coro de vozes a ecoar em comunicações por rádio e avisos à navegação, e modo de guerrilha urbana, a fita funciona como bom entretenimento, leve e desenhado a pensar em quem não o quer fazer. Não é tão mau quanto alguns possam julgar, mas está longe de ser o melhor dentro do seu género. Muito longe.


Título Original: Battle: Los Angeles (EUA, 2011)
Realizador: Jonathan Liebesman
Argumento: Christopher Bertolini
Intérpretes: Aaron Eckhart, Ramon Rodriguez, Cory Hardrict, Ne-Yo, James Hiroyuki Liao, Will Rothhaar, Bridget Moynahan, Jim Parrack, Michelle Rodriguez
Música: Brian Tyler
Fotografia: Lukas Ettlin
Género: Acção, Ficção-Científica
Duração: 116 minutos


Trailer de "The Amazing Spider-Man"

Com a estreia a aproximar-se, não param de surgir na web trailers de The Amazing Spider-Man. Este é um antevisão de 4 minutos do que está para vir. O reboot cinematográfico da famosa BD da Marvel conta com realização de Marc Webb [(500) Days of Summer] e com nomes como Andrew Garfield (Peter Parker), Emma Stone (Gwen Stacy) e Rhys Ifans (The Lizard) nos principais papéis da produção. O filme chega às salas de cinema nacionais dia 5 de Julho.


sábado, 2 de junho de 2012

Valhalla Rising (2009)

Vi Valhalla Rising pela primeira vez na edição de 2010 do Fantasporto. Na altura não gostei. Alguns meses mais tarde, provavelmente mais de um ano depois, voltaria a ter contacto com o filme. À segunda já me pareceu melhor. Mas continuei a não gostar totalmente da fita.

Voltemos ao início. Quando apanhei a película dinamarquesa naquela agora distante edição do Fantasporto era já o último dia do festival. Os filmes premiados pelos júris estavam a ser exibidos, e o cansaço acumulado durante uma semana de muito cinema já se fazia notar, eliminando quase totalmente a disposição para ver filmes de difícil digestão. Valhalla Rising havia recebido "apenas" uma menção especial do júri da secção de Cinema Fantástico, tornando-o menos atractivo para o público do que os filmes realmente premiados e empurrando-o para o horário do início da tarde. A seu favor tinha uma sinopse que o descrevia como um filme de acção passado no tempo dos vikings e a realização de Nicolas Winding Refn, à data a gozar o sucesso de Bronson, a sua anterior aventura cinematográfica. Os prós pesavam mais do que os contras, e a decisão de o ir ver parecia natural. Parecia, só.

Na verdade, Valhalla Rising estava longe de ser algo sequer parecido com o publicitado nos programas do festival. One Eye (Mads Mikkelsen) é um escravo mudo dotado de uma força sobrenatural. Obrigado a lutar, anseia por um paraíso a que não tem a certeza se pertencerá. O problema é que One Eye é demasiado bom no que faz, e os corpos dos seus adversários vão-se amontoando à sua passagem. A morte tarda a vi-lo reclamar, afastando cada vez mais dele o tão esperado paraíso. Até que, com a ajuda de um rapaz chamado Are, One Eye foge aos seus senhores escoceses e se junta a um grupo de vikings de partida para Jerusalém. Cristãos, os nórdicos sonham reconquistar a Terra Santa. Será esse o paraíso que One Eye espera encontrar?

Mais do que de difícil digestão, o filme é de complicada compreensão. Dividida em capítulos e concebida como uma espécie de trip de ácidos (palavras do próprio realizador), o intrincado simbolismo dificulta o entendimento da obra, e a falta de diálogo não ajuda à tarefa. Para Refn, parece que a espiritualidade nasce do encontro da terra com o céu (conforme representado por vários planos e enquadramentos escolhidos) e que a religião surge do sangue e da violência. O olho que falta ao protagonista pode muito bem ser o que também falta a Odin, ficando explicadas as visões que One Eye tem do futuro.Visões banhadas a sangue, primeiro dos outros, depois do seu. O nevoeiro vai-se adensando com a confusão em relação a um paraíso cada vez inatingível. Entre os escoceses e os vikings é difícil determinar quais os piores. Serão os que o obrigam a lutar sem nenhuma razão maior? Ou os que justificam as suas mortes com Deus?

À segunda visualização já dá para ir percebendo melhor alguns dos aspectos da fita. E para dar valor à interpretação de Mads Mikkelsen, que passa o filme todo sem dizer uma única palavra. No final, o sacrifício de One Eye acaba por ser também o seu. A violência característica do trabalho de Refn encontra-se bem presenta nesta obra.Visceral, é capaz de incomodar sem nunca obrigar a tirar os olhos do ecrã. Quem tiver visto Drive antes das restantes obras do dinamarquês poderá ter ficado a pensar que a violência gráfica seria artifício de um filme só. Pois bem, tem-se em Valhalla Rising uma boa oportunidade para comprovar o contrário. Refn é já um nome destacado no panorama do cinema europeu. Sozinho, atrás das câmaras, vai manipulando luz e sombra, planos e ângulos, personagens e história. No entanto, apreciador do ritmo lento, o seu estilo de realização não agradará a todos.

Valhalla Rising vai melhorando com o número de visualizações. Mas não o suficiente para valer o tempo gasto em sucessivas análises ou em vãs tentativas de o compreender na sua totalidade. A vontade de encontrar razões para lhe dar uma nota melhor é muita, mas facilmente nos apercebemos que tal, se não impossível, é complicado. Encontrá-lo a meio da escala pontual? Talvez um pouco mais acima? Parece justo. Refn bem pode agradecer a Mads, ao seu director de fotografia (Morten Søborg fez um trabalho espantoso) e ao seu próprio talento. Fora essas excepções, Valhalla Rising não passa de um devaneio filosófico do nórdico.


Título Original: Valhalla Rising (Dinamarca/Reino Unido, 2009)
Realizador: Nicolas Winding Refn
Argumento: Roy Jacobsen, Nicolas Winding Refn
Intérpretes: Mads Mikkelsen, Maarten Stevenson, Ewan Stewart, Gary Lewis, Alexander Morton
Música: Peter Kyed, Peterpeter
Fotografia: Morten Søborg
Género: Acção, Aventura, Histórico
Duração: 93 minutos



Citações: "The Tree of Life"

«Where were you when I laid the foundations of the Earth, when the morning stars sang together, and all the sons of God shouted for joy?»
Job 38:4,7

«I wanted to be loved cause I was great, a Big Man. Now I'm nothing. Look. The glory around... trees, birds... I dishonored it all and didn't notice the glory. A foolish man. »
Mr. O'Brien

«Nature only wants to please itself. Get others to please it too. Likes to lord it over them. To have its own way. It finds reasons to be unhappy when all the world is shining around it. And love is smiling through all things.»
Mrs. O'Brien

Brad Pitt e Hunter McCracken em The Tree of Life.