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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Godzilla, a Lenda II

Godzilla vs Zilla

GODZILLA, de Robert Emmerich, foi a primeira reimaginação do original de 1954 para o público internacional. Com um monstro maior, mais amistoso e geralmente menos ameaçador. Tão distante do seu predecessor que também é apresentado em GODZILLA: FINAL WARS, como Zilla, "o monstro que os americanos achavam ser Godzilla".


Podia reflectir bastante sobre as mudanças abruptas que esta personagem sofre nas suas longas-metragens, como a sua personalidade e o próprio aspecto físico sofrem alterações constantes. Mas não vale a pena, a única mudança digna de nota é a do Godzilla de Emmerich, um filme que falha em muitos aspectos, seja o argumento imbecil ou as personagens irritantes. No entanto, a adaptação de 1998 incomoda-me, em primeiro lugar, com o design pouco imaginativo do monstro. A influência de Jurrassic Park (1993) é mais que clara, até somos presenteados com grupo maior, mais hilariante de velociraptors, Godzilla é reduzido uma lagartixa gigante (T-Rex?), tão ameaçadora como uma iguana domestica. Antes uma personagem orgulhosa, agora um simples animal selvagem que só chateia por ser grande.

Godzilla pode ter alterado a identidade do rei dos monstros, mas dificilmente será esse o único motivo do fracasso que é o filme. O argumento é medonho, ninguém parece saber o que está a fazer, as personagens têm demasiados momentos de completa morte cerebral, e Jean Reno no papel de francês condescendente, magnifico. Emmerich faz um trabalho menos que medíocre, já pouco espero dele, mas ainda assim me desilude, sequências tão incoerentes e noções absurdas de espaço não me permitem desfrutar deste filme. Não se trata de ser ou não um filme do Godzilla, obviamente não é, trata-se, sim, de uma fraca tentativa a um filme cómico e trágico, que não é cómico nem trágico. Apenas um autêntico aborrecimento.

Um Último Confronto

Felizmente, o Zilla não durou muito e uns anos mais tarde Godzilla surge por uma última vez, para afirmar a sua posição dominante como Rei dos Monstros. Num guerra em grande escala com os seus maiores inimigos, Godzilla: Final Wars, de Ryûhei Kitamura, relembra-nos do que realmente resplandece nos filmes do seu franchise, puro divertimento. Antes do novo reboot da Legendary Pictures tomar as rédeas, Final Wars promete diversão caótica e disparatada, sem preocupações.


As suas raízes de destruição insensata já foram abandonadas à muito, Godzilla luta para proteger o mundo, a qualquer custo. Desta vez, contra extraterrestres que o querem conquistar, e os seus monstros de estimação. Juntamente com a Earth Defence Force, nenhuma cidade está a salvo da destruição que se avizinha. Derrotando um a um, à volta do planeta, Godzilla é rápido e determinado, até ter de enfrentar o mais forte dos seus adversários, Monstro X. - Entretenimento garantido à custa de integridade. Mas devíamos ter de nos preocupar com tais trivialidades? Tendo em conta o que já sabemos que vamos ver. Acredito que não.

Talvez a adaptação de 1998 perca ainda mais pela falta de consciência dos seus objectivos. Enquanto Final Wars ganha, na medida em que é objectivo nas suas intenções e não promete para lá disso. Penso que, quando todo o franchise foi direccionado para o público mais novo, tornou-se mais complicado revertê-lo às suas origens mais maturas e Godzilla (1998) sofreu por isso. Aí Final Wars lembra, antes de mais, os disparatados cartoons e anime, com o que realmente gostávamos de ver quando éramos mais novos. Um exercício em nostalgia - a melhor maneira que tenho para o descrever - que rapidamente se engrena com as vinte e muitas memórias anteriores.


Título Original: Godzilla (EUA/Japão, 1998)
Realizador: Roland Emmerich
Argumento: Dean Devlin, Roland Emmerich
Intérpretes: Matthew Broderick, Jean Reno, Maria Pitillo, Hank Azaria, Kevin Dunn, Michael Lerner
Música: David Arnold, Michael Lloyd
Fotografia: Ueli Steiger
Género: Acção, Ficção Científica, Thriller
Duração: 139 minutos


 

Título Original: Gojira: Fainaru uôzu (Japão/Austrália/China, 2004)
Realizador: Ryûhei Kitamura
Argumento: Isao Kiriyama, Ryûhei Kitamura, Wataru Mimura, Shogo Tomiyama
Intérpretes: Masahiro Matsuoka, Rei Kikukawa, Don Frye, Maki Mizuno, Kazuki Kitamura, Kane Kosugi
Música: Keith Emerson, Nobuhiko Morino, Daisuke Yano
Fotografia: Takumi Furuya
Género: Acção, Aventura, Ficção Científica
Duração: 125 minutos


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

300: Rise of an Empire (2014)

Do realizador Noam Murro e com a participação de Zack Snyder, nasce a sequela do filme 300 na tentativa de recriar o sucesso entre o público. 300: RISE OF AN EMPIRE retrata a continuação da guerra entre a Grécia e a Persa mas desta feita, pela prespecitva ateniense.


Themistokles (Sullivan Stapleton) é um general ateniense encarregado de unir a Grécia e preparar a defesa contra a ofensiva militar persa liderada por Xerxes (Rodrigo Santoro). A acção vai se desenrolar em paralelo com a do primeiro filme mas desta vez, no mar onde a poderosa frota persa controlada por Artemisia (Eva Green) dominava. Mais uma vez, os gregos são colocados numa situação de uma colossal desvantagem numérica que Themistokles tem que lidar, usando astucia e estratégias militares para impedir o avanço persa.

O filme anterior era apenas sobre guerreiros bem treinados em combate diário com inovadoras cenas de acção que impressionam o espectador e não deixava de transmitir um certo heroísmo pelo sacrifício destes trezentos heróis. Este filme no entanto, trata-se apenas de sangue em 3D. Do início ao fim somos banhados no constante sangue que jorra dos ferimentos dos persas enquanto são trinchados em slow motion aleatório e planos que mais parecem retirados de um jogo gore, onde as personagens deverão decerto ser descendentes de deuses pois de outra forma não sei como seriam capazes de sobreviver certos feitos definitivamente inumanos.

Não sei se a ideia era transmitir o misticismo inerente a mitologia grega mas certos pontos do enredo podem ser consideradas simplesmente treta. A tentativa de ilustrar a transformação de Xerxes em Rei-Deus que tão cedo me deixou céptico em relação ao resto do filme e a estranha cena de sexo são dois bons exemplos disso.

No entanto, a inferioridade de 300: O Início de um Império em comparação com o filme de 2004 não o impediu de receber boas críticas, certamente influenciadas pelo papel de Eva Green como Artemisa, capitã da frota persa que viveu a infância torturada e abusada por captores gregos, sendo afectada por um ódio profundo e uma sede de vingança pela Grécia. A grande actuação da viciosa e implacável Artemisa conseguia sempre prender a atenção, e constitui um ponto positivo do filme.

Para os que apreciaram o filme antecessor, deverão ser capazes de ver este filme com algum interesse. Se não são fãs do sague e violência do primeiro, será um filme a evitar pois é apenas um aumento no gore a juntar a maus efeitos especiais e piores slow motions.


Título Original: 300: Rise of an Empire (EUA, 2014)
Realizador: Noam Murro
Argumento: Zack Snyder, Kurt Johnstad
Intérpretes: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, David Wenham, Rodrigo Santoro
Música: Junkie XL
Fotografia: Simon Duggan
Género: Acção, Fantasia
Duração: 102 minutos


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Noah (2014)

NOAH, de Darren Aronofsky, é um drama adaptado da narrativa da Bíblia referente à Arca de Noé mas com algumas discrepâncias com a introdução de uma época feudal, incluindo até guerras estilo fantasia.


A base da história não é muito diferente da que estamos habituados a ouvir. Noah, (Russel Crowe) descendente de Adão, tenta sobreviver rodeado de homens marcados pela corrupção e pecado que ameaçam a sua vida pacífica. Através dos seus sonhos, prevê a iminente destruição da humanidade pelo Criador, através de um dilúvio capaz de limpar o mal e castigar os pecadores. De forma a poupar os inocentes, Noah é encarregado de construir uma arca capaz de suportar e proteger os animais durante a chuva, para que eles se reproduzam no novo mundo.

Na tentativa de expressar a história por imagens, o esforço de revelar respostas a problemas éticos poderiam impressionar se o desenrolar da acção não fosse tão lento e enfadonho, de quase adormecer, perguntando quanto tempo falta para acabar um filme de duas horas que mais parecem quatro. Podia ter alguém a ler-me a história bíblica, que não ficaria mais aborrecido.

Tenho pena em notar que Russel Crowe continua a baixar os seus parâmetros em relação à sua participação em filmes depois de protagonizações tão marcantes, com este desempenho do elenco, em geral, presos a personagens com pouca evolução e formas de pensar fechadas e contraditórias.

Quanto aos efeitos especiais, há uma combinação do Criacionismo com Darwinismo para explicar o início da Terra e o criador revela a sua existência através de truques de magia, anjos caídos muito pouco realistas e nada impressionantes. Verdade seja dita, esses truques milagrosos conseguem ser tão aborrecidas como a acção.

Para quem não seja assim tão fácil de impressionar, este filme é  mais uma dor de cabeça longa e dolorosa, e cerca de duas horas desperdiçadas.


Título Original: Noah (EUA, 2014)
Realizador: Darren Aronofsky
Argumento: Darren Aronofsky, Ari Handel
Intérpretes: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman
Música: Clint Mansell
Fotografia: Matthew Libatique
Género: Acção, Aventura, Drama
Duração: 138 minutos


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Maleficent (2014)

Cruel, impiedosa e vingativa. Quem se recorda do açucarado clássico da Disney The Sleeping Beauty, decerto se lembra também da torpe vilã, Malévola a fada malvada. Essa, que tão somente por lhe faltar um simples convite à celebração do nascimento de uma princesa, era capaz de semear o caos em todo um reino. Um modelo para os vilões que a sucederam, que acaba por se tornar o alicerce para a dualidade existencial entre o bem e o mal já vislumbrada por Tchaikovsky no seu segundo ballet.


Em 1959 chega-nos, pois, o colorido e encantador (mas, por vezes, assustador) desenho animado que se tornou um marco para a animação cinematográfica ao ser o mais dispendioso cartoon produzido pela Walt Disney Pictures até à data.

Cinco décadas depois estreia nas salas de cinema a mais recente adaptação em live-action desse mesmo clássico, MALEFICENT. Um verdadeiro passeio alegórico pela catarse nostálgica que era a Bela Adormecida.

Incluindo a participação de Angelina Jolie (cuja prestação é digna de louvor)  no papel de protagonista, o filme conta a história que todos conhecemos ao revés adoptando uma inovadora perspectiva, a de Malévola. Lamentavelmente, aquilo que podia ter sido um passeio agradável por The Moors e redondezas converteu-se numa prova de 400 com barreiras, a qual em cada obstáculo parecia quebrar mais e mais a essência do conto de fadas.

Em primeiro lugar, sente-se o tempo marcadamente acelerado em Maleficent. Quase como se houvesse alguma pressa por parte de Robert Stromberg em projectar no pano a mixórdia de ideias que lhe passavam pela cabeça. Segundo, a metragem (a meu ver) sofre de incoerência em vários instantes, por exemplo, levando a cabo o âmago da questão: a dualidade bem vs mal/ amor vs ganância. Por que motivo a fada malvada, após ter sido atraiçoada pelo humano que amava (e já depois de ter lançado a maldição sobre Aurora), continuou a olhar pela princesa, inclusive salvando-a em algumas situações? Assuntos filosóficos à parte, note-se a inutilidade da construção da "barreira" de metal, a qual tanto trabalho deu àqueles pobres plebeus encarregues pelo rei, que se empenharam dia e noite, incessantemente! Tudo isto para chegar lá a nossa antagonista/protagonista e desviar-se com incrível facilidade dos espinhos de metal.

Ponto número três, as batalhas anti-climáticas...

Com o arsenal tecnológico ao dispor das grandes companhias de produção dos dias que correm, não creio que fosse pedir muito temperarem as poucas cenas de acção com uma pitada de épico. Mesmo num clássico da Disney. Infelizmente não é o caso, pelo menos não em Maleficent. Atrevo-me, mesmo, a dizer que o original de 1959 consegue reproduzir a batalha final de forma mais sublime.

Sem embargo, o filme não é imerecido de alguns feitos. Ele é visualmente deslumbrante, evocando mesmo certos elementos característicos de um James Cameron. Joga com as personagens do conto, de forma a inverter os papeis de herói e de vilão, procurando sempre introduzir o seu quê moralista no final que não a díade princepe/princesa. E acima de tudo, ele tenta. Tenta ser diferente da fórmula Disney que durante tanto tempo enfeitiçou o grande ecrã dando início, possivelmente, a uma nova fórmula mágica.

Perplexo perante esta nova adaptação daquele que considero ser o mais icónico dos títulos da era das princesas Disney, faço das palavras de Paulo Coelho as minhas: «Em cada instante das nossas vidas temos um pé nos contos de fadas e outro no abismo». Neste sentido, Maleficent aparenta estar na corda bamba, mas consegue equilibrar-se  nos limites do plausível.


Título Original: Maleficent (EUA, 2014)
Realizador: Robert Stromberg
Argumento: Linda Woolverton (baseado no filme Sleeping Beauty)
Intérpretes: Angelina JolieElle FanningSharlto Copley 
Música: James Newton Howard
Fotografia: Dean Semler
Género: Acção, Fantasia
Duração: 97 minutos


sábado, 15 de novembro de 2014

Dawn of the Planet of the Apes (2014)

DAWN OF THE PLANET OF THE APES, de Matt Reeves, sobressai pela sua clara superioridade em relação ao seu predecessor. Uma melhoria em quase todos os aspectos, fundamentalmente divertido e visualmente cativante, não desaponta nem impressiona.


Dez anos após a fuga de Caesar (Andy Serkis) e os restantes macacos em cativeiro, um vírus arrasou grande parte da população humana, os que restam vivem em comunidades segregadas. Os macacos, por sua vez, prosperam e vivem numa pequena cidade primitiva na floresta. Quando a necessidade de energia obriga os humanos a invadirem, inconscientemente, o território dos macacos, estes sentem-se ameaçados e sem razão nenhuma para confiar nos humanos. Num ambiente de grande tensão, onde o mínimo erro poderá desencadear uma guerra, tudo pode correr mal para qualquer um dos lados.

Dawn é simplesmente incrível, tal como Rise of the Planet of the Apes veio surpreender as massas com um filme que, literalmente, salvou um franchise morto, esta sequela promete-nos melhor para o que o futuro nos reserva, esperançosamente. Com desempenhos dignos por parte do elenco, visuais e efeitos especiais de cortar a respiração e o que considero ser o melhor trabalho de Reeves até à data. Infelizmente, o argumento não é o melhor. Tudo se perde, pouco chega realmente a ser coerente, e os problemas de continuidade, serão sempre, para mim, uma falha grave.

Definitivamente, um dos grandes filmes do ano. Apenas resta esperar que as futuras sequelas melhorem gradualmente, resolvam os problemas de argumento e um possível aumento de elenco... Talvez seja melhor não exagerar nas expectativas.


Título Original: Dawn of the Planet of the Apes (EUA, 2014)
Realizador: Matt Reeves
Argumento: Mark Bomback, Rick Jaffa, Amanda Silver
Intérpretes: Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russell, Toby Kebbell, Kodi Smit-McPhee, Terry Notary
Música: Michael Giacchino
Fotografia: Michael Seresin
Género: Acção, Ficção-Científica
Duração: 130 minutos


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Rise of the Planet of the Apes (2011)

Realizado por Rupert Wyatt, surge em 2011 a prequela/reboot (chamemos-lhe preboot) da saga do “Planeta dos Macacos”, mostrando como tudo começou: RISE OF THE PLANET OF THE APES.


O enredo roda à volta de um símio não igual aos outros, nascido de uma mãe cujo papel como cobaia num ensaio clínico para cura de Alzheimer , acaba for lhe fornecer intelecto capaz de se aproximar ao de um humano. Salvo em bebé por Will Rodman (James Franco) conseguimos ter acesso a todas as vivências deste chimpanzé enquanto o vemos crescer como personagem e perceber tudo aquilo que ele sente e a forma como reage ao que o rodeia. O nome do chimpanzé é Caesar (acabando por ser irónico tendo em conta o seu papel de líder tanto na fuga do abrigo como em toda a revolução primata) e embora seja uma personagem CGI, Andy Serkis faz um excelente trabalho de motion capture, como já nos habitou noutras performances, em dar vida e realismo ao movimentos do macaco, e em fazer-nos criar empatia com a personagem. James Franco faz também um bom trabalho como Will, aparecendo num papel um pouco desviado da sua norma, mas também conseguindo fazer credível a relação de pai/ filho que tem com Caesar, assim como toda a sua preocupação com o doença de seu pai e toda a sua luta em alcançar uma cura para o salvar.

Este filme tem também, a meu ver, uma das cenas mais “wow” do ano em que saiu, vindo de uma das melhores personagens também desse ano: A primeira vez que se ouve Caesar “falar” no abrigo de macacos, quando se dirigindo a Dodge Lando (Tom Felton), daqueles momentos que quando vistos à primeira vez é capaz de fazer cair o queixo, tendo em conta todo o contexto do filme,

Vindo numa altura de Hollywood em que ideias originais são difíceis de se encontrar, e este filme sendo um preboot, como antes mencionei, acaba por fugir aos seus reles companheiros cinematográficos que apenas têm intenção fazer dinheiro fácil, e consegue-nos trazer um argumento sólido, com uma boa história, boa representação, culminando  num muito bom filme.


Título Original: Rise of the Planet of the Apes (EUA, 2011)
Realizador: Rupert Wyatt
Argumento: Rick Jaffa, Amanda Silver
Intérpretes: Andy Serkis, James Franco, Christopher Gordon, Karin Konoval, Terry Notary, Freida Pinto
Música: Patrick Doyle,
Fotografia: Andrew Lesnie
Género: Acção, Ficção Cientifica
Duração: 105 minutos


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

John Wick (2014)

Continuo a achar curioso quando alguém que habitualmente desempenha outras funções no Cinema decide dar o salto para a realização. Não se trata de nenhuma aversão prévia ou de qualquer outro tipo de preconceito, atenção; apenas gosto de tentar perceber o domínio da linguagem cinematográfica, nos seus diferentes aspectos, de quem transita de uma determinada tarefa para a outra. David Leitch e Chad Stahelski, que se estreiam na direcção com JOHN WICK, começaram como duplos.


Leitch e Stahelski deixaram de ser, pois, os homens à frente dos homens, mas atrás das câmaras, passando, simplesmente, a homens atrás das câmaras. A transição não foi, de todo, infeliz: John Wick, por ser o enorme bailado de pancadaria que é, permitiu-lhes a adaptação da dialéctica fílmica que já possuíam às suas novas atribuições. Nesse ponto, estamos conversados.

A grande surpresa surge, no entanto, quando nos apercebemos que os duplos convertidos em realizadores também não são nada incapazes na outra dança que ensaiam, a dos enquadramentos e planos. Não serão nenhuns virtuosos, é certo, mas conseguem tirar um par de coisas bastante interessantes da cartola. Nesse ponto, nota positiva, igualmente.

Há, em especial, um plano que justifica o encómio: Wick, interpretado por um Keanu Reeves inexpressivo quanto baste (não creio que haja outro), recebe uma auréola vermelha na discoteca que se prepara para transformar em matadouro. Banhado a luzes néonicas, o nosso hitman é santificado pela lente - e não terá o espectador, também ele, já santificado Wick quando lhe roubam o carro e matam o cão? - que espera o massacre. Wick é, assim, o santo pecador, a personificação do anjo da morte que precipita a sua fúria vingativa sobre aqueles que o privaram novamente da presença da mulher.

Expiar a morte pela matança (a impressão que me fica é que o filme se faz todo à volta do luto) parece tão absurdo como bombardear pela paz. Mas a cada ferida infligida, a cada bala disparada, a cada corpo que tomba, Wick aproxima-se da catarse. Tanto que, no final, já pode ir buscar outro cachorro.

Leitch e Stahelski exploram com um à-vontade raro em estreantes a dessensibilização da audiência face à violência com que é presenteada. No fundo, o que mais incomoda nem são as mortes gráficas a que Wick sujeita os mafiosos russos (os prevaricadores merecem o que os espera); é assistir ao corpo ferido do animal estendido junto ao do homem, à segunda morte da mulher de um homem que se move nos interstícios entre o Bem e o Mal, entre o sagrado e o profano - o monólogo de Michael Nyqvist sobre destinos amaldiçoados, a fazer lembrar o de Budd em Kill Bill, de Quentin Tarantino, deixa, de resto, bem clara essa ideia. Quem dança com o Diabo - perdão, com o Santo Diabo -, arrisca-se a perder a alma.


Título Original: John Wick (Canadá/China/EUA, 2014)
Realizador: David Leitch, Chad Stahelski
Argumento: Derek Kolstad
Intérpretes: Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Adrianne Palicki, Ian McShane
Música: Tyler Bates, Joel J. Richard
Fotografia: Jonathan Sela
Género: Acção, Crime, Thriller
Duração: 101 minutos


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Lucy (2014)

A mesma mente que nos apresentou Léon, Taken e The Fifth Element (entre outras obras) brinda-nos com LUCY, o mais recente trabalho escrito e realizado por Luc Besson, com toda a idiossincrasia que seria de esperar do cineasta francês. Uma mente que, certamente, neste filme se faz transbordar de ideias, conceitos e constructos lamentavelmente mal executados e fugazes das palmas do corpo que a contém. Afinal, já Ícaro demonstrara em tempos de outrora o que acontece a um homem que voa demasiado perto do sol.


Confesso que após assistir ao trailer não fiquei com grandes expectativas, o que talvez tenha valido a favor do filme, visto que não o achei por de mais tão terrível quanto tanta gente o fazia parecer. Está bem, é certo que este dá um grande pontapé na realidade  ao trazer à baila a história dos 10% do potencial cognitivo humano, ou  da "capacidade cerebral", parafraseando a película (note-se que há muito se sabe que isto não passa de um mito). Como se isso não bastasse, a heroína, Lucy, ganha uma imensidão de poderes tremendamente absurdos que vão para além de toda compreensão suportável ao pensamento humano.

[Mas, ei!, não vamos nós esquecer-nos que isto se trata de um filme de ficção-científica. Tudo é possível, segundo a lógica do realizador.]

É claro que as coisas acontecem por uma razão.  Aparentemente, se ingerirmos uma quantidade enorme o suficiente de droga temos a possibilidade de passar férias ao período mesozóico. Pelo menos foi o que se passou com a nossa protagonista quando adquiriu o poder de manipular o espaço-tempo a seu bel-prazer (e que belo exemplo a transmitir a uma plateia que incuba milhões de adolescentes) . Mas isso são outros quinhentos.

Se pusermos de lado o carácter pretensioso do filme e em vez disso o virmos mais como uma tentativa de Besson em produzir uma epígrafe de super heróis, este torna-se bastante mais tragável.

A sequência inicial tem como intuito dar a entender a premissa do filme. Ela mostra-nos um hominídeo Australopiteco (o qual presumo representar os primórdios da espécie humana), seguindo-se uma curta narrativa de Scarlett Johansson: «A vida foi-nos dada à mil milhões de anos. E o que fizemos nós com ela?».

A transição para o plano seguinte leva-nos ao Taipei dos tempos modernos. Lá contamos, com a charmosa Scarlett numa galante actuação enquanto Lucy - uma jovem americana - que estava à porta de um hotel com o homem com quem dizia namorar há uma semana. O sujeito tinha como missão entregar uma mala a um tal Jang que se encontrava nesse mesmo hotel. Relutante em completar a tarefa, ele procura convencer Lucy a tomar o seu lugar. Acaba por conseguir quando finalmente a algema à mala, afirmando que só Jang possuía a chave. Posto isto, Lucy vê-se envolvida numa rede de tráfico de droga que,  por sua vez, faz dela uma mula de contrabando. Os malfeitores colocam nas entranhas de Lucy e de mais 3 "mulas" sacos detentores de uma nova droga que ia circular as ruas. Para azar o deles, um dos  capangas (não o mais inteligente decerto) decide, porventura, dar uma tareia à nossa personagem principal libertando a droga no seu organismo e despoletando todo o enredo que se segue.

A história de Lucy é intercalada com cenas de palestras, cujo orador é a nossa personagem secundária, o professor Norman - aqui interpretado por Morgan Freeman, não fosse o filme perder toda a sua credibilidade -, com um propósito elucidativo para o espectador. Isto é, elas vão servir para nos contextualizar em termos conceituais dando-nos uma ideia (embora errada) da hipótese subjacente por detrás da premissa.

O filme vai, deste modo, escalando numa panóplia de situações enquanto Lucy procura um propósito para a sua nova forma de existência à medida que a sua capacidade cerebral aumenta em pontos percentuais.

Desde a aquisição dos infames super-poderes, até perseguições de carros em alta velocidade pelas ruas de Paris. De dilemas morais, até confrontos armados entre gangsters coreanos e policias franceses. Até mesmo com alguma pornografia animal à mistura (prometo que não estou a inventar nada disto), Este é um título que, seguramente, será diferente de tudo o que já viram este ano, para o melhor ou para o pior e  que, quanto muito, vos dará alguns objectos de reflexão. Eu, por exemplo, acho reconfortante a ideia de que, aquando do alcance do ápex da dita capacidade cerebral, a espécie humana evoluirá para uma pen drive.


Título Original: Lucy (França, 2014)
Realizador: Luc Besson
Argumento: Luc Besson
Intérpretes: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Amr WakedPilou Asbæk, Analeigh Tipton
Música: Eric Serra
Fotografia: Thierry Arbogast
Género: Acção, Ficção-Científica, Thriller
Duração: 89 minutos


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Teenage Mutant Ninja Turtles (2014)

TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES trata-se do que se havia de esperar de mais um filme de Michael Bay: completa destruição; pânico geral; um desprezo total pelas leis da física; muitas, muitas explosões que enchem os olhos até a exaustão; e, ainda, Megan Fox.


No que é mais uma tentativa de espremer o dinheiro de uma franchise o produtor entrega-nos um filme que estaria melhor colocado na secção de crianças com um enredo completamente batido e em algumas situações plenamente absurdas e ainda um conjunto de actuações que pouco importam mencionar. De um modo geral, pouco vale o dinheiro que pretendem que paguemos para assistir a este filme.

No entanto, mesmo sendo um filme reconhecivelmente mau, devo admitir que gostei de ver as tartarugas mutantes especialmente quando comparado a Transformers: Age of Extinction que conta também com a participação de Michael Bay (como realizador). Talvez pelos efeitos especiais que agora nos possibilitam ver estes heróis ao nível tecnológico que esta década nos permite e constituem um dos pontos altos do filme, talvez porque para os fãs das tartarugas pode trazer a dose necessária de diversão que associamos à colecção de banda desenhada. No final creio que podemos ponderar se um filme mau pode ser compensado apenas pelo entretenimento que transmite.

Para os interessados em ver quatro tartarugas mutantes, adolescentes e ainda ninjas a fazer as piadas tradicionais, a lutar vilões, a salvar uma cidade de perigos e uma personagem principal que vende mais o aspecto que o talento, assistam a este filme pois poderão ficar com uma ideia de um filme divertido ao contrário das pessoas que o pretendam ver com algum tipo de seriedade em mente.


Título Original: Teenage Mutant Ninja Turtles (EUA, 2014)
Realizador: Jonathan Liebesman
Argumento: Josh Appelbaum, André Nemec, Evan Daugherty (baseado nas personagens de Peter Laird e Kevin Eastman)
Intérpretes: Megan Fox, Will Arnett, William Fichtner, Alan Ritchson, Noel Fisher, Johnny Knoxville, Jeremy Howard, Tohoru Masamune
Música: Brian Tyler
Fotografia: Lula Carvalho
Género: Acção, Aventura, Comédia
Duração: 101 minutos
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

8 ½ Festa do Cinema Italiano 2013: a família-Estado e a Máfia-negócio, no aperitivo para o fim-de-semana

Admito que é tentador comparar os primeiros dias de um festival de Cinema ao aperitivo de uma refeição. Ainda para mais, sendo o festival dedicado ao Cinema italiano - como é este 8 ½ Festa do Cinema Italiano -, país dado a estas aventuras gastro-cinematográficas. E com comensais habituados a comer tão bem - com os olhos, é claro -, a fasquia só poderia ser elevada.

Sirva-se, portanto, È STATO IL FIGLIO e L’INTERVALLO, obras de estreia a solo de Daniele Ciprì e Leonardo di Costanzo, respectivamente, aperitivos à altura para uma manjar satisfatório. Uma, a estória - ou será história? - de uma família tornada Estado, adepta de tornar desgraças em ganhos, a outra, prisão de dois adolescentes rechonchudos num prédio devoluto, cortesia da Máfia local. Sem indigestões - guardadas para ocasiões futuras -, está aberto o apetite!

È STATO IL FIGLIO, de Daniele Ciprì (Itália, 2012)

Creio, não querendo ser injusto para com o autor, que o grande problema de È STATO IL FIGLIO reside no excesso de ambição cultivado por Daniele Ciprì na sua estreia a solo em longas-metragens. Não que a ambição, principalmente quando bem gerida, seja má (e já lá voltaremos), mas a sensação com que fiquei no final no filme foi a de um passo que, por ser claramente maior do que a perna, saiu em falso. E que, exactamente por não ter onde se apoiar, resulta num trambolhão.

Louve-se, no entanto, o tema escolhido por Ciprì - que acumula a direcção de fotografia com a cadeira de realizador -, bem como alguns dos mecanismos encontrados para o desenvolver. Principalmente o contador-de-desgraças, sentado numa repartição das Finanças, que conta a quem o queira ouvir a história de uma família de classe baixa seduzida pela promessa de dinheiro. A alegoria pensada, ao transformar a família num falso-Estado - que se endivida para saldar outras dívidas e "hipoteca" os próprios filhos a troco do bem-estar económico - perde-se, infelizmente, na impaciência de Ciprì em explorar, redundando em planos frequentemente inconsequentes e ângulos estrambólicos que não encontram justificação em qualquer opção estética coerente. È stato il figlio vale, ainda assim, pelo clímax - filmado com rara clarividência -, momento ímpar de intensidade dentro da obra. Pena que o resto se quede tantos furos abaixo. (ATF)





L’INTERVALLO, de Leonardo di Costanzo (Alemanha/Itália/Suíça, 2012)

Mas se há momentos escrevi que o excesso de ambição prejudicou a estreia a solo de Ciprì, o mesmo não posso dizer da de Leonardo di Costanzo, que a soube dosear melhor. O que faz com que L’INTERVALLO - talvez por ser anti-climático, e, por isso, não viver apenas para um momento - pareça um filme bastante mais equilibrado do que È stato il figlio, fazendo maravilhas de um espaço, à partida, limitador.

Influenciado pela estética neorrealista - e, já agora, pelo cinéma vérité, na câmara que, pela proximidade, provoca os sujeitos -, di Costanzo prende dois adolescentes num prédio abandonado e desprovido de qualquer personalidade. E que, de tão vazio, os obriga, enquanto ocupantes forçados daquele espaço, a interagir com ele, quebrando as suas limitações. Às tantas, imaginam que estão num reality show e levam flores a um fantasma que se julga vaguear pelos corredores quando anoitece. Há qualquer coisa de muito inteligente na obra de di Costanzo, na ideia de não querer ficar agarrado a convenções que não lhe servem. A Máfia aqui também não é a de outros filmes - a de Gomorra, por exemplo, de Matteo Garrone, um monumento do Cinema moderno à sua maneira, é um visão quase-hollywoodesca, com as personagens a citarem Tony Montana -, longe da violência que lhe é habitualmente associada, mais interessada em negociar os termos da libertação da rapariga (o rapaz só lá está para a guardar).

E já que estamos em maré de comparações - e voltando às linhas iniciais -, percebe-se que, em comunidades governadas pelo crime organizado, se consegue mais com menos. No Cinema, o caso é semelhante. E L'intervallo, não sendo perfeito, prova-o bem, especialmente quando comparado a filmes como È stato il figlio. No fim, sobram as decisões tomadas. (ATF)

domingo, 24 de março de 2013

Bullet to the Head (2012)

Juntar o pior dos buddy films com o que sobrou de Sylvester Stallone - que, em abono da verdade, também não abundará em qualidade - nunca poderia produzir um bom resultado. E, sem qualquer argumento, BULLET TO THE HEAD, de Walter Hill, prova a teoria. Mas mais interessante do que analisar o filme - até porque não há muito por onde lhe pegar -, será, porventura, compará-lo com o último de Arnold Schwarzenegger.

Escreva-se, antes de mais, que Sly ainda se encontra numa forma física invejável - bem melhor do que a actual de Schwarzenegger -, especialmente se tivermos em conta os seus 66 anos. E é exactamente essa boa condição física que ajuda a que as cenas de luta de Bullet to the Head convençam mais do que as de The Last Stand. Fora isso, e admitindo que ambos os filmes evocam memórias do cinema de acção dos anos 80, o filme de Stallone perde em todos os departamentos - com a montagem, das piores de que tenho memória, à cabeça - para o do austríaco.

O que faz com que Bullet to the Head seja, manifestamente, muito mais fraco como filme. De Stallone já nem digo nada - nem tão pouco estranho a empresa -, mas julgava que Walter Hill tivesse juízo de sobra para não se meter em coisas destas. Parece que, afinal, me enganei.


Título original: Bullet to the Head (EUA, 2012)
Realizador: Walter Hill
Argumento: Alessandro Camon (baseado na novela gráfica de Alexis Nolent)
Intérpretes: Sylvester Stallone, Sung Kang, Sarah Shahi, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Jason Momoa, Christian Slater, Jon Seda, Holt McCallany
Música: Steve Mazzaro
Fotografia: Lloyd Ahern II
Género: Acção, Crime, Thriller
Duração: 92 minutos


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Gangster Squad (2013)

Cedo se percebeu - desde o infame tiroteio num cinema norte-americano - que GANGSTER SQUAD não estrearia livre de polémica. Isto porque o seu trailer incluía uma cena em que se disparava na direcção da audiência através de uma tela - num caso ominoso da vida a imitar a arte, e vice-versa - que o tal incidente levou à extracção do filme. Adiou-se a estreia e mandou-se a fita para trás para que pudessem ser rodadas novas cenas em substituição da cortada. Mas não será esse o único problema da mais recente obra de Ruben Fleischer.


Tentativa óbvia de reproduzir a atmosfera noir de outros filmes a cores - e o paradoxo não será assim tão descabido, principalmente ao recordar filmes como L.A. Confidential, de Curtis Hanson, ou The Black Dahlia, de Brian De Palma -, ecoam na estória alguns dos arquétipos mais tradicionais do cinema norte-americano. Gangsters e polícias durões - e canastrões, como o de Josh Brolin - pertencem ao imaginário de Hollywood, e por esse prisma se justificará a homenagem que se lhes tenta prestar. O resultado é, no entanto, demasiado artificial para que se lhe reconheça sucesso. Há uma certa desadequação entre o que se filma e como se filma, um estilo que não encontra continuidade no conteúdo.

Essa desadequação empurra os intérpretes para alguma estranheza - principalmente Sean Penn e Ryan Gosling -, reduzindo as personagens a conjuntos de maneirismos ridículos. E se Fleischer surpreendeu há uns anos com a sua paródia zombie - e Zombieland assumia-se mesmo como refrescante e original -, confirma-se aqui como tarefeiro medíocre,  incapaz de desenvolver o filme para lá de um par de sequências razoavelmente planeadas - como aquela em que se chegam a formar trincheiras usando carros -, abusando sempre que possível de ralentis e doutros mecanismos que acabam por se revelar desnecessários. Demasiado factício para ser levado a sério, e mesmo tendo em conta que a necessidade de inclusão de cenas novas terá interferido com o rumo inicialmente planeado, Gangster Squad falha o alvo por muito. Para já, uma das grandes desilusões da temporada.


Título original: Gangster Squad (EUA, 2013)
Realizador: Ruben Fleischer
Argumento: Will Beall (baseado no livro de Paul Lieberman)
Intérpretes: Josh Brolin, Ryan Gosling, Sean Penn, Emma Stone, Mireille Enos, Anthony Mackie, Robert Patrick, Michael Peña, Giovanni Ribisi, Sullivan Stapleton, Nick Nolte
Música: Steve Jablonsky
Fotografia: Dion Beebe
Género: Acção, Crime, Drama, Thriller
Duração: 113 minutos


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

The Haunted World of El Superbeasto (2009)

Tenho para mim, desde que vi pela primeira vez o videoclip da Dragula, que o Rob Zombie é a personagem carnavalesca perfeita. Um homem de maquilhagem putrefacta e longas barbas, que assina um vídeos em que aparecem os mais diversos monstros. Mas se com o passar dos anos Zombie se foi desmultiplicando em cada vez menos máscaras, em THE HAUNTED WORLD OF EL SUPERBEASTO recupera-as. Começando logo pelo protagonista.


Até porque nem é a primeira vez que uma personagem de um dos filmes de Zombie fica conhecida por nunca mostrar a face. Se em Halloween, o assassino era quem escondia a cara - acentuando o tal carácter de monstro -, aqui é o (anti-)herói que anda mascarado. El Superbeasto, mistura de pornógrafo javardo com caçador de monstros, torna-se assim uma espécie de reflexo distorcido do próprio Zombie - a tal máscara, de filme de terror em filme de terror -, dividindo-se em ocupações e talentos.

Ou pode ser que se esteja a complicar demasiado a coisa , e que The Haunted World of El Superbeasto não passe de um esforço de divertir através da sua rudimentar animação pensada para adultos e carregadinha de exploitation do primeiro ao último minuto. Curiosamente - ou talvez nem tanto, analisando o que ficou para trás -, pouco mais de uma hora de bonecada profana e algo reprovável revela-se o melhor que Zombie já realizou. E como é Carnaval, ninguém levará a mal.


Título Original: The Haunted World of El Superbeasto (EUA, 2009)
Realizador: Rob Zombie
Argumento: Rob Zombie, Tom Papa (baseado na banda-desenhada de Rob Zombie)
Intérpretes: Tom Papa, Sheri Moon Zombie, Paul Giamatti, Geoffrey Lewis, Rosario Dawson, Danny Trejo, Bill Moseley, Sid Haig
Música: Tyler Bates
Género: Acção, Animação, Aventura, Comédia, Fantasia, Terror
Duração: 77 minutos



domingo, 27 de janeiro de 2013

Django Unchained (2012)

A mais recente obra-prima de Quentin Tarantino não deixa nada por contar, não tem limites e deixa qualquer um preso à cadeira do inicio ao fim. DJANGO UNCHAINED possui tudo que se podia esperar de um filme do Tarantino, violência extrema, personagens caóticas, uma visão obscura e realista de um tema taboo e um estilo de realização e originalidade que apenas Tarantino nos pode proporcionar. A espera foi grande e o resultado compensa e satisfaz todos os desejos depravados dos fãs de Tarantino enquanto nos injecta com uma lição moralista e bastante directa.


Pessoalmente já aguardava esta estreia com imensa ansiedade e dela esperava grandes coisas, felizmente não me desiludiu e até ultrapassou as expectativas. A caracterização das personagens e o desempenho dos actores são óptimas, a destacar Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio, cujas personalidades se contrabalançam na perfeição, um caçador de prémios que despreza a escravidão, é calmo e inteligente, e o dono de uma grande plantação que ganha a vida com lutas entre escravos, que por sua vez é mentalmente instável e narcisista. Depois temos Jamie Foxx que mostra do que é capaz e dá vida ao protagonista vingativo e determinado, Django, com um desempenho ao qual se deve dar grande mérito, num papel que muitos teriam grandes dificuldades em desempenhar, Foxx vai para além do que seria de esperar.

Django (Jamie Foxx) é comprado, à força, por Dr. King Schultz (Christoph Waltz) que acaba por lhe oferecer a liberdade. Esta dupla junta-se para apanhar e matar criminosos durante o inverno após o qual partem para salvar a mulher de Django, Broomhilda (Kerry Washington), das mãos de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), um magnata das lutas de mandigos que dificilmente dá o braço a torcer.

Django Unchained é divertido de ver, facilmente nos apercebemos que muitos dos actores também se divertem nos papeis que desempenham, uma junção de comédia sem consideração por quem possa ofender, acção sangrenta e destrutiva e uma pitada de romance e heroísmo. Nem todos poderão apreciar o filme pelo que ele realmente é, uma crítica assertiva a uma das épocas mais cinzentas dos Estados Unidos, e poderão ficar ligeiramente ofendidos. Isto é uma das coisas que temos que admirar em Tarantino, a sua capacidade inigualável de não ter qualquer tipo de preocupação pelo que possam vir a achar do seu projecto e o faz como quer e bem lhe apetece, apenas quer transmitir a sua mensagem à sua maneira. E como seria de esperar, Tarantino dá o ar da sua graça com uma aparição breve no filme e ainda que não acrescente nada à narrativa, continua a ser uma adição engraçada aos seus filmes.

Posso garantidamente afirmar que é um grande começo de ano para o cinema. Já com algumas nomeações para os Oscares, aqui no Matinée temos os dedos cruzados para que algum vá para Django Unchained, pois é merecido. Escusado será dizer que se trata de um filme a não perder, teve estreia nacional na passada quinta-feira, e este é um filme que irão querer ver numa sala de cinema pelo menos uma vez. 


Título Original: Django Unchained (EUA, 2012)
Realizador: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Intérpretes: Jamie Foxx; Christoph Waltz; Leonardo DiCaprio; Kerry Washington; Samuel L. Jackson; James Remar
Fotografia: Robert Richardson
Género: Aventura, Acção, Drama, Western
Duração: 165 minutos




domingo, 20 de janeiro de 2013

The Dark Knight Rises (2012)

Sete anos após o seu inicio, a saga épica do cavaleiro das trevas chega finalmente ao seu último capítulo. Conhecendo Christopher Nolan, era de esperar um final grandioso que, fundamentalmente, agradasse toda a sua enorme legião de fãs. Isto acabou por se demonstrar complicado quando THE DARK KNIGHT RISES é posto em comparação com o seu antecessor The Dark Knight, que não só foi bastante aclamado mas também subiu a fasquia para níveis que seriam impossíveis de ultrapassar. 

Uma nova ameaça tenta tomar controlo sobre Gotham, Bane (Tom Hardy). Para combater este mal, Bruce Wayne (Christian Bale) volta do seu isolamento para tornar a assumir a sua antiga persona, Batman. No entanto, Bane demonstra ser um adversário muito acima das capacidades deste Batman abatido por feridas antigas, o que levará Bruce numa busca pela regeneração física e mental para que consiga salvar Gotham dos planos malignos de Bane.


Começando do principio, as expectativas para este terceiro e ultimo filme da saga eram inimaginavelmente grandes. Depois do grande sucesso que foi o anterior, dificilmente Nolan conseguiria estar à altura e tal se verificou, não se trata de algo que ultrapasse a qualidade cinematográfica de The Dark Knight mas garanto que é definitivamente um final apropriado para uma trilogia soberba. Tem tudo o que se poderia querer, um vilão carismático e poderoso, planos grandiosos de destruição em massa que apenas Nolan nos pode proporcionar e, claro, o herói com problemas de garganta que todos temos vindo a adorar.

Como já referi, não é de certeza livre de falhas, falhas essas que são demasiado evidentes para serem ignoradas e roubam todo o ímpeto que o filme ganha. Surpreendentemente, todas as falhas fatais ocorrem na ultima hora de filme em vários níveis. O vilão, inicialmente ameaçador, acaba reduzido a uma mera sombra do que julgamos que é, os planos de destruição massiva sofrem um desfecho pouco satisfatório e confuso, o nosso herói parece perder noção do que se passa, aparvalha, e o suposto contributo da Catwoman (Anne Hathaway) é completamente fútil e desnecessário para todo o enredo. Quase parece que chegaram a meio do argumento e regrediram mentalmente, uma total desilusão. Tudo é tratado como e explicado da maneira mais confusa possível, acabando por tirar toda a energia acumulada em quase duas horas de filme, deixando o público insatisfeito.

Nem tudo é perdido e ainda se aproveita bastante do entretenimento e êxtase que o filme proporciona. Sendo realista, o peso das expectativas e das exigências por parte dos fãs terá influenciado o resultado final e a necessidade de atingir algo de calibre superior revelou ser areia demais para Nolan, que mesmo com a pressão gigantesca continua a oferecer-nos uma experiência cinematográfica excelente. The Dark Knight Rises pode ter ficado aquém da grandeza, mas não deixa de ser o final de uma grande trilogia, que até à data provou, vezes sem conta, ser a melhor saga de super-heróis transferida para o cinema.  


Título Original: The Dark Knight Rises (EUA/Reino Unido, 2012)
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan; Jonathan Nolan; David S. Goyer
Intérpretes: Christian Bale; Gary Oldman; Tom Hardy; Joseph Gordon-Levitt; Anne Hathaway; Morgan Freeman
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Wally Pfister
Género: Acção, Thriller, Crime
Duração: 165 minutos



sábado, 5 de janeiro de 2013

Jack Reacher (2012)

Não vale a pena andar aqui a engonhar, JACK REACHER é o epítome dos vícios daquilo que é tradicionalmente identificado como thriller de acção. E não vale a pena engonhar porque a intenção é clara desde o início. O homem que não pode ser encontrado mas que subitamente se faz visível a quem o procura, a aura de mistério e secretismo que o rodeia, o crime que tem de resolver, as cenas de pancadaria bem coreografadas, tudo se alinha de modo a encaixotar o filme dentro de um modelo popular e bem delimitado. E depois ainda se tem Tom Cruise disparando graçolas durante duas horas, perto do seu Ethan Hunt e irresistível para as mulheres com quem se cruza. Os limites apertam-se ainda mais.

Da narrativa simples salta à vista a falta de vontade em introduzir algo de original no filme e a incapacidade de Christopher McQuarrie - mais conhecido pelos seus argumentos, nos quais se contam, entre outros, The Usual Suspects, Valkyrie e The Tourist - em dirigir de forma mais competente uma fita que, per se, precisava de pouco cuidado. O que alguns acusaram de misoginia - ou da objectificação das mulheres da estória, da empregada burra à advogada brilhante mas embeiçada por Reacher - mais não é, quer-me parecer, do que falta de subtileza no tratamento do argumento e das personagens. Não sendo excelente, escapa, no entanto, ao pretensiosismo de querer ser o que não é. Razoável.


Título Original: Jack Reacher (EUA, 2012)
Realizador: Christopher McQuarrie
Argumento: Christopher McQuarrie (baseado no livro de Lee Child)
Intérpretes: Tom Cruise, Rosamund Pike, Richard Jenkins, David Oyelowo, Werner Herzog, Jai Courtney, Alexia Fast, Robert Duvall
Música: Joe Kraemer
Fotografia: Caleb Deschanel
Género: Acção, Crime, Thriller
Duração: 130 minutos