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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Los amantes pasajeros (2013)

Não me lembro de alguma vez ter começado uma resenha neste espaço - ou noutro qualquer, verdade seja dita - pelos próprios títulos. Que é como quem diz, pelo início em si. Também por aí se verá a rara habilidade de Pedro Almodóvar, do qual sou confesso admirador, enquanto autor, avançando logo com uns néons coloridos - e quase epilépticos - ao som de um Für Elise latino. É nesse tom alegre que abre, e se prolonga, LOS AMANTES PASAJEROS, vaudeville aeronáutico de uma tripulação que voa, literalmente, em círculos.


E voa-se em círculos porque não se pode aterrar. Ou porque, aterrando, não haveria filme. Assim, temos um grupo de pessoas, passageiros da primeira classe, hospedeiros e pilotos, presos num mesmo espaço; e, já agora, a um mesmo destino. E enquanto se procura uma solução para o problema, vão-se entregando ao deboche algo kitsch urdido por Almodóvar - apenas ele conseguiria imaginar algo assim -, cenas tão insólitas que, encaixadas, só poderiam fazer sentido. E que, isoladas, não fariam nenhum. Vejam-se, por exemplo, as primeiras cenas na cabina: a torrente de disparates disparados por um dos hospedeiros, amante do piloto, que, incapaz de mentir, admite toda a trapalhada aos passageiros que irromperam por ali adentro. Segue-se uma outra confissão do co-piloto - todos muito honestos -, pretenso heterossexual, que tentou uma felação ao piloto, sem sucesso. Parecendo que não - e admito que, sem o ver, ainda menos sentido fará a sequência conforme descrita -, as peças funcionam em conjunto.

De resto, as principais características do Cinema almodovariano mantêm-se: a cor rica e vibrante, as personagens extravagantes - e há-as para todos os gostos, da vidente virgem aos hospedeiros gays, passando pela dominatrix veterana e paranóica -, a exploração sexual, simultâneamente saudável e viciada. E viciante, que, às tantas, já ninguém quer parar. E confunde-se tudo numa orgia, entre gente acordada e adormecida - fabuloso paralelismo entre os casais, que invertem a posse da consciência na relação -, gente sóbria e intoxicada. Com o som a rebentar nos limites do volume, envolvendo tudo e todos naquele avião possivelmente condenado.

Depois dos labirintos hitchcockianos de uma outra Toledo - e, nem de propósito, o avião sobrevoa a mesma cidade quando se conhece o imbróglio -, uma comédia a romper com os dramalhões aos quais se havia colado. Obra menor ou não - e haverá sempre quem sinta a necessidade de a catalogar com tão injusto rótulo -, é refrescante dar de caras com um filme tão descaradamente vivo e alegre, com momentos tão burlescos como três hospedeiros efeminados a interpretarem um número de cabaret de I'm So Excited, das Pointer Sisters, em pleno corredor da primeira classe. Ou o próprio final, uma nova orgia, desta feita de espuma, que congela o último plano, um chapéu de piloto lançado para o ar. Los amantes pasajeros abraça, em toda a sua despreocupação, a pulsão idiossincrática de Almodóvar, a vontade de transgredir convenções sociais ultrapassadas. Existissem mais filmes assim, tão dados ao nonsense do Cinema em si, e o Mundo seria um lugar melhor. Se não, pelo menos um mais feliz.


Título Original: Los amantes pasajeros (Espanha, 2013)
Realizador: Pedro Almodóvar
Argumento: Pedro Almodóvar
Intérpretes: Javier Cámara, Carlos Areces, Raúl Arévalo, Lola Dueñas, Cecilia Roth, Antonio de la Torre, Hugo Silva, José Luis Torrijo, José María Yazpik, Guillermo Toledo, Blanca Suárez, Antonio Banderas, Penélope Cruz
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Género: Comédia
Duração: 90 minutos


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Lo imposible (2012)

Não são raros os casos em que um trailer é capaz de tirar ao espectador a vontade de ver o filme. Principalmente os que revelam toda a narrativa assim de chofre, manchando a necessidade de descoberta geralmente associada ao Cinema. Quem tivesse visto o material promocional de LO IMPOSIBLE saberia à partida que a família da história seria separada pelo tsunami do sudeste asiático e que andariam durante o filme todo uns à procura dos outros, apenas para se reencontrarem no final. E seriam todos mais felizes e humildes pela experiência vivida, não fosse essa a habitual formulação do género. E, efectivamente, é isso que ali se passa, sem tirar nem pôr. Há, contudo, algo mais a escrever sobre a nova fita de Juan Antonio Bayona.


O espanhol guia o seu segundo filme - depois do curioso El orfanato, que versava também a separação de uma família - com segurança, apesar da dimensão do projecto; toma-lhe as rédeas e confirma o talento que se lhe tinha detectado no título anterior. De forma mais ou menos surpreendente, faz das melhores utilizações recentes da câmara trémula - cuja utilização encontra em Lo imposible o sentido que normalmente lhe falta -, alternando-a eficazmente com planos estáveis e travellings bem encaixados. A direcção fluída de Bayona retira o melhor dos actores - Naomi Watts e Tom Holland misturam quase na perfeição vulnerabilidade e força; Ewan McGregor tem uma das suas interpretações mais sólidas dos últimos anos, capaz de tornar uma simples chamada para casa num dos momentos cinematográficos mais tocantes do ano -, que se superiorizam à banalidade do enredo.

O talento envolvido na recriação do desastre - e daquela sequência em que Watts e Holland navegam à deriva pelas ruas alagadas da cidade - justifica a inclusão de Lo imposible na lista dos filmes visualmente mais impressionantes de 2012. E mesmo que Bayona nem sempre consiga resistir às tentações do melodrama excessivo - que o leva a prolongar interminavelmente os desencontros entre os membros da família - e da universalização da história, o catalão revela-se cada vez menos uma promessa e mais uma certeza. Do based on a true story às vulgares convenções do género, transforma-se uma obra de potencial comezinho num dos filmes-catástrofe mais ambiciosos da última década. Aposta segura.


Título Original: Lo imposible (Espanha, 2012)
Realizador: Juan Antonio Bayona
Argumento: Sergio G. Sánchez, María Belón
Intérpretes: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Geraldine Chaplin, Marta Etura, Sönke Möhring
Música: Fernando Velázquez
Fotografia: Óscar Faura
Género: Drama, Thriller
Duração: 114 minutos



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Cesare deve morire (2012)

Foi com este CESARE DEVE MORIRE que os irmãos Taviani foram a Berlim buscar o Urso de Ouro e o Prémio do Júri Ecuménico. E não sem mérito, acrescente-se. Num festival cujos prémios normalmente se revestem de consciência social - vejam-se, por exemplo, os galardões concedidos a Tropa de Elite em 2008 ou a La teta asustada no ano seguinte -, ignorando muitas vezes filmes superiormente executados, seria quase natural desconfiar à partida da qualidade desta obra. E estar-se-ia, pois, a cometer um erro gravíssimo e enorme injustiça, perante aquele que será, porventura, um dos objectos cinematográficos mais curiosos do ano.

Filmar Shakespeare - ou uma das suas peças - atribuindo-lhe subtexto político não constituirá novidade; ainda para mais tratando-se de Julius Caesar, obra que versa a morte de tiranos que tentam a usurpação do poder. Muito menos o será filmar o teatro como ponto de partida. Mas rumo aonde? Ora, à liberdade, aonde mais haveria de ser? Postas as questões pertinentes - e ainda serão algumas -, parte-se de uma produção teatral de prisão. Escolhe-se representar uma peça que tem algo de motim em si, um grito de revolta sem heróis nem vilões. As celas e o pátio servem de cenários para os ensaios - e na verdade filma-se mais dos ensaios do que da representação final - com os prisioneiros-actores a identificarem-se, amiúde, com as personagens que interpretam. Há uma relação próxima entre sujeito e objecto, uma transposição da ficção para o real.

É nesse cruzamento entre dimensões - a documental e a ficcional, a da liberdade e a do encarceramento - que os irmãos Taviani, herdeiros contemporâneos do neorrealismo italiano, encontram a sua maior virtude. Através de um equilíbrio estudado - evidente também pela fotografia e sonoplastia cuidadas - criam uma libertação dentro do próprio presídio. Não é por acaso que se começa pelo final da peça - pelas palmas, ovações e conseguinte re-encarceramento -, para depois o repetir no final do filme. Da sua natureza circular sobressai a monotonia do quotidiano dos actores-prisioneiros (às tantas invertem-se os termos), presos não só ao edifício, mas também aos seus próprios pensamentos. Quando se esperava que abrandassem, fruto dos seus oitenta anos, os irmãos Taviani entregam em Cesare deve morire uma das suas obras mais ambiciosas, produto inteligente e de incontestável engenho. Está alcançada a (fugaz) libertação.


Título Original: Cesare deve morire (Itália, 2012)
Realizador: Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Argumento: Paolo Taviani, Vittorio Taviani (baseado na peça de William Shakespeare)
Intérpretes: Cosimo Rega, Salvatore Striano, Giovanni Arcuri, Antonio Frasca, Juan Dario Bonetti, Vincenzo Gallo, Rosario Majorana, Fabio Cavalli
Música: Giuliano Taviani, Carmelo Travia
Fotografia: Simone Zampagni
Género: Documentário, Drama
Duração: 76 minutos


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mientras duermes (2011)

Desconfio que para Jaume Balagueró, um dos realizadores do Fantástico mais acarinhados pelo público português, MIENTRAS DUERMES signifique o encerrar de alguns ciclos. Para trás ficam as co-realizações com Paco Plaza - os dois últimos capítulos de [Rec] foram planeados do ponto de vista da direcção a solo - e um sentido de terror ligado ao sobrenatural. Não se estranhe, portanto, que o catalão feche também outros tantos capítulos dentro do próprio filme.

O pânico provocado pela invasão do domicílio, cortesia de um zelador sociopata - Luis Tosar, em mais uma construção meticulosa da personagem -, serve de mote para a fita. Como César não consegue ser feliz faz da infelicidade dos que o rodeiam a sua missão. O seu alvo preferido é a residente do quinto andar, moça jovem e bonita, de bom temperamento e sorriso fácil. Assiste-se à escalada, lenta e progressiva, da violação da privacidade e do dano provocado. O fim, mesmo quando se afigura próximo, nunca aparenta estar à vista.

Pela premissa, traçar um paralelo entre Mientras duermes e The Resident, de Antti Jokinen, parece fácil. Ambos os títulos fazem uso da figura do zelador como ameaça aos moradores do prédio. Contudo, depressa se torna evidente a diferença de qualidade entre as duas fitas, com a de Balagueró a superiorizar-se pelo seu desenvolvimento. Aposta segura num mercado saturado, não fosse realizada por quem foi e facilmente poderia ter passado despercebida a público e crítica. Não passou, e ainda bem. É preciso ter cuidado com os monstros que se escondem debaixo da cama, principalmente com os de carne e osso.


Título Original: Mientras duermes (Espanha, 2011)
Realizador: Jaume Balagueró
Argumento: Alberto Marini
Intérpretes: Luis Tosar, Marta Etura, Alberto San Juan, Petra Martínez, Iris Almeida
Música: Lucas Vidal
Fotografia: Pablo Rosso
Género: Terror, Thriller
Duração: 102 minutos



sábado, 1 de dezembro de 2012

Blancanieves (2012)

A alegria do movimento.

À luz do ano que passou, é difícil evitar tecer algumas comparações envolvendo este BLANCANIEVES, de Pablo Berger. A primeira será, porventura, o aparecimento deste filme, candidato espanhol ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, meros meses após uma outro fita muda - The Artist, de Michel Hazanavicius - ter arrecadado o galardão da Academia para o Melhor Filme. Há, pois, uma tentativa espanhola, mesmo que discreta, de jogar com o academismo dos vizinhos franceses e tentarem eles mesmos a sorte com uma receita semelhante. O paralelo cai, no entanto, por terra com relativa facilidade: Blancanieves não parece cinema mudo, é cinema mudo. A proeza, aliás, é tamanha que nos faz olhar com certa desconfiança - em retrospectiva é sempre mais fácil duvidar - para o rival gaulês e demais homenagens àquela época.


A outra analogia prende-se, sobretudo, com as duas adaptações da estória dos Irmãos Grimm que por cá estrearam recentemente - Mirror Mirror e Snow White and the Huntsman. Mas essa é desmontada ainda mais depressa do que a anterior. Para começar, porque tematicamente, e mesmo que todos os elementos clássicos lá estejam - e porque estão, da madrasta à maçã, passando pelo caçador e até mesmo pelo espelho, apenas baralhados e escondidos, pedindo alguma atenção à audiência - a relação entre os filmes é ténue; não há em Blancanieves castelos literais nem uma presença do Fantástico na sua verdadeira acepção. Depois, porque Macarena García, mesmo sem se fazer ouvir, consegue ser infinitamente mais expressiva do que as homólogas anglófonas. Assim, Berger consegue suportar a pressão dirigida de lados opostos - o estilístico e o narrativo - e impor a sua visão como obra de mérito próprio.

Conto-de-fadas de inspiração gótica - impregnado de um certo expressionismo que se vai fazendo sentir na imagética - Blancanieves aproxima-se tentadoramente do melodrama. O exagero do pathos mistura-se deliciosamente com a faena e o flamenco, num vaivém de planos por vezes freneticamente montados e que emprestam alegria e cor, passe a expressão, à história. É quando a câmara trava ou se fixa num qualquer ponto que a tristeza se instala. Filmada com uma beleza e cuidado impressionantes e seguida por uma banda-sonora esmerada, dificilmente se poderia imaginar homenagem mais bonita ao cinema europeu dos anos 20. Merecedor de todos os elogios - e mais alguns - que lhe são dirigidos.


Título Original: Blancanieves (Espanha, 2012)
Realizador: Pablo Berger
Argumento: Pablo Berger
Intérpretes: Macarena García, Sofía Oria, Maribel Verdú, Daniel Giménez Cacho, Imma Cuesta, Ángela Molina, Pere Ponce, Emilio Gavira
Música: Alfonso Vilallonga
Fotografia: Kiko de la Rica
Género: Drama
Duração: 104 minutos


domingo, 11 de novembro de 2012

Ward No. 6 (2009)

A linha que separa a loucura da sanidade é tão ténue que amiúde se torna indistinguível e cessa de existir. Aí, o sábio torna-se um pobre de espírito e o perturbado passa a iluminado. Nem sempre é discernível em qual das categorias, já de si pouco estanques, se encaixa alguém extraordinário. O conceito não é novo, nem a abordagem que Aleksandr Gornovsky e Karen Shakhnazarov lhe dedicam, mas WARD NO. 6 acaba por oferecer uma visão diferente sobre a questão. Em jeito de documentário - falso, mas que podia ser mais verdadeiro do que alguns que declaradamente o são, o que nos leva a perguntar onde se devem traçar os limites do género - começa-se por entrevistar meia-dúzia de internados num hospício soviético (a Rússia parece não ter chegado ainda ao local). Falam da sua vida na instituição e do seu antigo director. Proeminente psiquiatra de larga reputação, vê-se preso numa pequena cidade que, segundo ele, é incapaz de apreciar cultura e arte. Criatura de hábitos fixos - não dispensa a sua leitura diária (clássicos da literatura) nem o copo de vodka após o almoço - entra numa espiral descendente rumo à alienação quando conhece um paciente que partilha da sua visão. A figura, que lhe surge algo enquadrada na imagem de profeta, faz dele seu apóstolo e leva-o a abandonar a vida de médico.

Shakhnazarov, um dos mais influentes cineastas russos da sua geração, director-geral da Mosfilm (histórica produtora responsável por obras de gente como Sergei Eisenstein, Andrei Tarkovsky e Akira Kurosawa, entre outros), oscila entre o falso documentário e uma narrativa mais convencional. Tudo muito diegético, excepção feita à sequência da visita do Doutor e do seu vizinho à capital, barulhenta e desorganizada, e pachorrento. A lentidão e passividade da fita imitam as da vida rural e custam a passar. Às tantas, também o público, "preso" à cadeira, restringido àquela sala de cinema que torna real a ficção de Chekov que passa no ecrã, sente a dor do médico. Quando há pouco para fazer os ponteiros do relógio tendem a mover-se mais devagar. Não é o melhor filme de Shakhnazarov (quanto ao outro realizador, que confesso não conhecer, não posso adiantar o mesmo) e pela densidade e rigor pode ser difícil de assistir para quem estiver formatado para um Cinema mais ocidentalizado, mas Ward No. 6 revela-se uma obra competente e sólida, da qual vale a pena recordar um par de cenas potencialmente memoráveis - vem-me à memória, por exemplo, o baile no final do filme. Como na vida, é quando o cansaço se começa a manifestar que se perde a vontade de distinguir entre o real e o imaginado.


Título Original: Palata N°6 (Rússia, 2009)
Realizador: Aleksandr Gornovsky, Karen Shakhnazarov
Argumento: Aleksandr Borodyanskiy, Karen Shakhnazarov (baseado no conto de Anton Chekhov)
Intérpretes: Vladimir Ilin, Aleksey Vertkov, Aleksandr Pankratov-Chyornyy, Evgeniy Stychkin, Viktor Solovyov
Música: Evgeny Kadimsky
Fotografia: Aleksandr Kuznetsov
Género: Documentário, Drama
Duração: 83 minutos


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Colombiana (2011)

Luc Besson é um nome incontornável do Cinema Francês. Da sua cabeça saíram filmes como Nikita, Léon, The Fifth Element, as sagas Taxi e The Transporter ou, mais recente ainda, Taken. É também fruto da sua cabeça este COLOMBIANA, realizado por Olivier Megaton e com Zoe Saldana em evidência. Besson prova mais uma vez que não dorme em serviço - logo ele, que criou e definiu grande parte do cinema de acção francês dos últimos anos - e apresenta um produto curioso, que não se queda muito longe da sua habitual fórmula. Há uma assassina, há vingança, há trabalho a fazer e pouco tempo para a diversão. Esqueçam os carros modificados, as filhas raptadas e as agências secretas. Cataleya trabalha por conta própria, eliminando os nomes fornecidos pelo tio, e sempre à procura de vingar a morte dos pais às mãos de Don Luis, senhor do submundo de Bogotá, e do seu cartel.

A estrutura é familiar, o enredo genérico, o elenco adequado. Não havendo nada que se destaque, não há nada também que salte à vista pela negativa. Não sendo excelente, é, pelo menos, agradável. A bem dizer, havia pouco por onde errar: argumento simples, uma Zoe Saldana sexy como nunca o foi antes - faz-me lembrar cada vez mais Rosario Dawson - e acção sem parar do primeiro ao último minuto. Colombiana é um one woman show, com Saldana a tomar as rédeas de assalto e manipulando o filme a seu favor. O tio não a consegue controlar, o namorado quase nunca lhe põe os olhos em cima, a polícia parece incapaz de a deter, e até os vilões, com pouca ou nenhuma expressão na estória, parecem saber que, quando o filme acabar, vão estar inevitavelmente mortos. Os homens parecem fracos, a única mulher no ecrã chega para os domar a todos. Competente do ponto de vista técnico, Megaton faz um bom trabalho (à semelhança do que fez no último tomo de The Transporter) e deixa que a sua protagonista brilhe. De resto, não haverá muito que fique por referir. E a dupla Megaton/Besson volta a reunir-se em 2012, desta feita para Taken 2.


Título Original: Colombiana (França, 2011)
Realizador: Olivier Megaton
Argumento: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Intérpretes: Zoe Saldana, Cliff Curtis, Lennie James, Amandla Stenberg, Michael Vartan, Jordi Mollà, Beto Benites, Jesse Borrego
Música: Nathaniel Méchaly, Craig Walker
Fotografia: Romain Lacourbas
Género: Acção, Crime, Drama, Thriller
Duração: 108 minutos



terça-feira, 10 de julho de 2012

La Piel Que Habito (2011)

Almodóvar, nome maior da cinematografia espanhola, não é um cineasta vulgar. Autor num tempo de realizadores, as dinâmicas e romances insólitos entre protagonistas são peça central da sua obra. Em La Piel Que Habito não se quebra a regra, aliando-se a violência ao sexo, o masculino ao feminino naquela que será, porventura, a obra mais artística e perturbadora do passado recente do espanhol. Em jeito quase hitchcockiano, Almodóvar conduz o seu público através de um labirinto meticulosamente construído dentro da estória, controlando na perfeição o tempo em que cada pedaço de informação é divulgado.

Baseado em Mygale (Tarântula) de Thierry Jonquet, a fita assume desde cedo contornos de thriller psicossexual. A rapariga trancada num quarto, prisioneira de um Frankenstein moderno, ajuda a essa formulação. Presume-se que Vera (Elena Anaya) é amante do rico médico dono da propriedade, Robert (Antonio Banderas), mesmo que, em retrospectiva, nada nos seja mostrado nesse sentido. Marilia (Marisa Paredes), a governanta é cúmplice na trama, por motivos na altura desconhecidos. O que levaria alguém, ainda para mais uma mulher, a manter trancada dentro de um quarto artisticamente minimalista uma jovem aparentemente inocente? Através de flashbacks, confidências e sonhos vai-se descobrindo o passado e os segredos de cada personagem, os acontecimentos em comum entre eles e a relação que são forçados a ter uns com os outros. Vera nem sempre foi Vera, Robert não abomina as suas criações/aberrações, Marilia tem demasiado a esconder da sua vida. Almodóvar constrói um thriller competente, fazendo valer os seus galões de brilhante realizador, sobretudo, nos primeiros 40 minutos da fita. O acumular da tensão é notável, a tentativa de suicídio, o retorno do filho pródigo, a faísca que, ardendo, impulsiona a estória. Assentar um filme numa sensação de desconforto que nunca chega a desaparecer não é fácil. Nem com a chegada de Zeca, El Tigre, personagem insólita, a aura se dissipa. O melhor que o ladrão vestido de felídeo selvagem consegue fazer é arrancar alguns risos nervosos à audiência antes de também ele contribuir para a tensão vivida naquela casa.


Almodóvar volta a assumir-se como um dos melhores realizador da actualidade. Capaz de tirar o melhor dos seus actores, capta com a sua câmara o que de mais verdadeiro as suas personagens conseguem transmitir. Elena Anaya, deslumbrante, e Jan Cornet no papel de Vicente complementam-se bem e entregam interpretações de enorme qualidade. Até Banderas surge em bom nível, viril e sexual como de costume, encarnando de forma credível o cientista louco que lhe coube no filme. Entre o descontrolo e a frieza, a musa masculina do cineasta espanhol vai levando a sua avante, calando, por momentos, aqueles que o acusam de vir a perder o fulgor de outros tempos. Os secundários, mais discretos, não se afastam da competência dos principais. Todos eles vão vivendo, convivendo e sobrevivendo numa Toledo quente e quase turística, a ritmos diferentes que, infelizmente para uns, felizmente para outros, se cruzam, formando e desfazendo triângulos de vértices e lados diferentes. Aliás, a figura geométrica é mesmo conceito recorrente na fita, pautando as relações entre as personagens, guiando dinâmicas entre trios, raramente surgindo em cena mais do que três figuras em simultâneo.

Longe do dramalhão, La Piel Que Habito aproxima-se mais do romance de faca e alguidar. Mas uma faca e alguidar cirúrgicos. Tudo no filme tem propósito. Nada aparece por acaso. Almodóvar esperou quase trinta anos para apresentar a sua obra mais artística e bizarra. Em campos hitchcockianos o espanhol guia-se bem, mantendo algumas das características mais marcantes que já nos habituamos a ver no seu cinema. Estética visual vibrante e rica (a direcção de fotografia é soberba), mulheres fortes, mesmo que não nasçam assim, romances estranhos e arriscados. O rasto que fica atrás é de sangue e sofrimento, o futuro é incerto. O sadismo e o voyeurismo como objectos de estudo do cinema. Deste lado da tela, nós, público, que observamos personagens que nos são desconhecidas; do outro, Robert, que observa num ecrã gigante oportunamente montado no seu quarto uma mulher que ele mesmo criou mas que a cada dia que passa vai sabendo menos quem é. Pode nem ser o melhor trabalho de Almodóvar, mas é um dos que mais prazer dá ver.


Título Original: La Piel Que Habito (Espanha, 2011)
Realizador: Pedro Almodóvar
Argumento: Pedro Almodóvar, Agustín Almodóvar (baseado no romance de Thierry Jonquet)
Intérpretes: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Blanca Suárez, Eduard Fernández
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Género: Drama, Terror, Thriller
Duração: 117 minutos


sábado, 2 de junho de 2012

Valhalla Rising (2009)

Vi Valhalla Rising pela primeira vez na edição de 2010 do Fantasporto. Na altura não gostei. Alguns meses mais tarde, provavelmente mais de um ano depois, voltaria a ter contacto com o filme. À segunda já me pareceu melhor. Mas continuei a não gostar totalmente da fita.

Voltemos ao início. Quando apanhei a película dinamarquesa naquela agora distante edição do Fantasporto era já o último dia do festival. Os filmes premiados pelos júris estavam a ser exibidos, e o cansaço acumulado durante uma semana de muito cinema já se fazia notar, eliminando quase totalmente a disposição para ver filmes de difícil digestão. Valhalla Rising havia recebido "apenas" uma menção especial do júri da secção de Cinema Fantástico, tornando-o menos atractivo para o público do que os filmes realmente premiados e empurrando-o para o horário do início da tarde. A seu favor tinha uma sinopse que o descrevia como um filme de acção passado no tempo dos vikings e a realização de Nicolas Winding Refn, à data a gozar o sucesso de Bronson, a sua anterior aventura cinematográfica. Os prós pesavam mais do que os contras, e a decisão de o ir ver parecia natural. Parecia, só.

Na verdade, Valhalla Rising estava longe de ser algo sequer parecido com o publicitado nos programas do festival. One Eye (Mads Mikkelsen) é um escravo mudo dotado de uma força sobrenatural. Obrigado a lutar, anseia por um paraíso a que não tem a certeza se pertencerá. O problema é que One Eye é demasiado bom no que faz, e os corpos dos seus adversários vão-se amontoando à sua passagem. A morte tarda a vi-lo reclamar, afastando cada vez mais dele o tão esperado paraíso. Até que, com a ajuda de um rapaz chamado Are, One Eye foge aos seus senhores escoceses e se junta a um grupo de vikings de partida para Jerusalém. Cristãos, os nórdicos sonham reconquistar a Terra Santa. Será esse o paraíso que One Eye espera encontrar?

Mais do que de difícil digestão, o filme é de complicada compreensão. Dividida em capítulos e concebida como uma espécie de trip de ácidos (palavras do próprio realizador), o intrincado simbolismo dificulta o entendimento da obra, e a falta de diálogo não ajuda à tarefa. Para Refn, parece que a espiritualidade nasce do encontro da terra com o céu (conforme representado por vários planos e enquadramentos escolhidos) e que a religião surge do sangue e da violência. O olho que falta ao protagonista pode muito bem ser o que também falta a Odin, ficando explicadas as visões que One Eye tem do futuro.Visões banhadas a sangue, primeiro dos outros, depois do seu. O nevoeiro vai-se adensando com a confusão em relação a um paraíso cada vez inatingível. Entre os escoceses e os vikings é difícil determinar quais os piores. Serão os que o obrigam a lutar sem nenhuma razão maior? Ou os que justificam as suas mortes com Deus?

À segunda visualização já dá para ir percebendo melhor alguns dos aspectos da fita. E para dar valor à interpretação de Mads Mikkelsen, que passa o filme todo sem dizer uma única palavra. No final, o sacrifício de One Eye acaba por ser também o seu. A violência característica do trabalho de Refn encontra-se bem presenta nesta obra.Visceral, é capaz de incomodar sem nunca obrigar a tirar os olhos do ecrã. Quem tiver visto Drive antes das restantes obras do dinamarquês poderá ter ficado a pensar que a violência gráfica seria artifício de um filme só. Pois bem, tem-se em Valhalla Rising uma boa oportunidade para comprovar o contrário. Refn é já um nome destacado no panorama do cinema europeu. Sozinho, atrás das câmaras, vai manipulando luz e sombra, planos e ângulos, personagens e história. No entanto, apreciador do ritmo lento, o seu estilo de realização não agradará a todos.

Valhalla Rising vai melhorando com o número de visualizações. Mas não o suficiente para valer o tempo gasto em sucessivas análises ou em vãs tentativas de o compreender na sua totalidade. A vontade de encontrar razões para lhe dar uma nota melhor é muita, mas facilmente nos apercebemos que tal, se não impossível, é complicado. Encontrá-lo a meio da escala pontual? Talvez um pouco mais acima? Parece justo. Refn bem pode agradecer a Mads, ao seu director de fotografia (Morten Søborg fez um trabalho espantoso) e ao seu próprio talento. Fora essas excepções, Valhalla Rising não passa de um devaneio filosófico do nórdico.


Título Original: Valhalla Rising (Dinamarca/Reino Unido, 2009)
Realizador: Nicolas Winding Refn
Argumento: Roy Jacobsen, Nicolas Winding Refn
Intérpretes: Mads Mikkelsen, Maarten Stevenson, Ewan Stewart, Gary Lewis, Alexander Morton
Música: Peter Kyed, Peterpeter
Fotografia: Morten Søborg
Género: Acção, Aventura, Histórico
Duração: 93 minutos



sexta-feira, 18 de maio de 2012

El Artificio (2011), por António Tavares de Figueiredo e Wladimir Jr. Ribeiro

«El cine es (...) el artificio.»

Numa rara ocasião em que duas cabeças pensam mesmo melhor do que uma, os editores do Matinée Portuense decidiram juntar esforços para vos falar de El Artificio, a grande revelação do Fantasporto 2012. O filme que para muitos poderá ter passado despercebido revelou-se uma das mais recentes pérolas do cinema europeu, capaz de entreter, maravilhar e arrebatar quem o decidiu ver.

Quique (Enrique Belloch num papel semi-biográfico) é um realizador que se vê incapaz de realizar. Temendo estar a perder a sua sanidade, Quique pede ajuda a Marta (Maria Josep Peris), sua irmã, numa tentativa de se agarrar ao que lhe ainda é familiar. Marta aceita, na condição de contratarem um enfermeiro para a ajudar a cuidar de Quique. O escolhido é Amador (Paco Martínez Novell), um jovem enfermeiro pouco ligado ao mundo das artes, mas bem intencionado.  O trio de protagonistas vai ter de aprender a viver junto, num convívio nem sempre fácil, mas benéfico para todas as partes envolvidas,

Desengane-se quem pensa que El Artificio se fica pela sua camada superficial. O filme tem muito mais para oferecer do que aquilo que pode parecer à primeira vista. As referências cinematográficas, que vão aparecendo com alguma frequência na fita, e a exploração das várias dicotomias abordadas (cinema/teatro, irmão/irmã, loucura/lucidez) conferem à fita uma riqueza conceptual que se estende por várias camadas de filme. Contudo, o que torna este filme interessante torna-o também pesado e inacessível a grande parte do grande público: não é certo que toda a gente que o veja seja capaz de ultrapassar a superficialidade inicial da película, como também não é certo que todos consigam captar todas as referências cinematográficas presentes em El Artificio.

Filme que preste homenagem a All About Eve, Howard Hawks e Humphrey Bogart será quase sempre capaz de ganhar o coração dos membros desta humilde redacção. El Artificio é capaz de juntar a essas virtudes uma realização arrojada da parte de Jose Enrique March, um meticuloso trabalho de edição e uma fotografia com qualidade bem acima da média. Curiosamente, parte o elenco, com o próprio Belloch à cabeça, é constituída por actores com formação em teatro, o que se vai notando na maneira de abordarem o espaço e os diálogos. Nada de muito preocupante, mas mais um elemento estranho num filme já por si pouco convencional.

De filmes todos nós gostamos, de cinema já não será tanto assim. El Artificio aborda exactamente esse amor do realizador March, do actor Belloch e da personagem Quique pela 7ª arte, transformando-o em algo quase contagiante. Belloch, que à esporádica carreira de actor junta as de encenador teatral e realizador de cinema, diz que este é o seu projecto mais pessoal dentro do seu próprio universo cinematográfico. O resultado final traduz essa sua visão bastante pessoal sobre El Artificio, tornando-o um exercício de cinema muito especial. Mais do que cinema, esta é uma fita que almeja ao estatuto de cinema sobre cinema, honra reservada apenas aos melhores. A perfeição não é alcançada por pouco, talvez devido ao peso conferido à obra, mas no final isso pouco interessará: 30 anos depois de Pestañas Postizas, Enrique Belloch volta a ter um filme digno de culto dentro do panorama do cinema europeu, este por razões mais honrosas.


Título Original: El Artificio (Espanha, 2011)
Realizador: Jose Enrique March
Argumento: Pablo Peris
Intérpretes: Enrique Belloch, Paco Martínez Novell, Maria Josep Peris
Fotografia: Paco Belda
Género: Drama
Duração: 91 minutos




sábado, 24 de março de 2012

Rose (2011)


Sem querer ser insensível, após ver Rose o clip acima foi a primeira coisa que me veio à cabeça. O realizador, Wojtek Smarzowski, criou o que será provavelmente o filme mais triste do ano, com acontecimento mau atrás de acontecimento mau, que simplesmente nos deixa aparvalhados. Um drama que realmente define o género dramático, mais um que não esperava ver no Fantasporto.

Uma história de sobrevivência numa era pós-Segunda Guerra Mundial na Polónia, centrada nas vidas de Tadeusz (Marcin  Dorocinski), um ex-soldado, e Róza (Agata Kulesza), mãe víuva que face às barbaridades do exercito Russo ainda presente na Polónia encontra algum conforto na companhia de Tadeusz que tenta protegê-la a todo o custo. Infelizmente de nada serve a protecção do ex-soldado que se vê incapaz de impedir as constantes violações diárias a Róza, e se isso não chegasse também se encontram em risco de serem deportados, e se como se isso não chegasse Róza e a família são vitimas de tragédias atrás de tragédias diariamente. (Agora já devem perceber a referência ao clip acima)

Todo o filme tem um ambiente muito trágico, melancólico e um pouco cinzento, típico de filmes com uma temática da Segunda Guerra Mundial, mas este procura explorar as vidas difíceis após a guerra, com uma grande falta de qualquer tipo de ordem ou leis, onde sobrevivem apenas os que conseguem. As actuações são bastante boas por parte dos dois protagonistas, com menção especial para Agata Kulesza que desempenha um papel muito bom e transmite-o de maneira eficaz e real, com uma grande influência em todo o ambiente do filme. No entanto tem um argumento muito puxado, não que isso seja algo negativo mas é um pouco forte, com muita tragédia envolvida onde quando pensamos que a situação não pode piorar ela piora.

Em geral, é um filme perfeito para amantes do drama trágico, que certamente vos deixa boquiabertos com alguns momentos mas que contribuem, às vezes de forma um pouco exagerada, para a mensagem transmitida e ajuda imenso a absorver todo o ambiente da época desde os cenários às personagens. Recomendo a ver se conseguirem, até podem gostar mas aviso que não será um feito fácil.



Título Original: Róza (Polónia, 2011)
Realizador: Wojtek Smarzowski
Argumento: Michal Szczerbic
Intérpretes: Marcin Dorocinski; Agata Kulesza; Malwina Buss; Kinga Preis; Jacek Braciak
Música: Mikolaj Trzaska
Fotografia: Piotr Sobocinski Jr.
Género: Drama
Duração: 95 minutos



sexta-feira, 23 de março de 2012

Immaturi (2011)

Simples e descomprometido. É assim que Immaturi, de Paolo Genovese, se assume logo à partida, colocando de lado qualquer pretensão de ser mais do que aquilo que deve ser. Um grupo de amigos vê-se obrigado a repetir os seus exames finais de liceu, reencontrando-se vinte anos depois dos seus caminhos se terem separado.

É esta a premissa de Immaturi, a partir da qual se desenvolvem todas as situações e peripécias características de uma comédia deste tipo. Nada em Immaturi é novidade, o que não invalida que o argumento tenha sido bem trabalhado e remodelado à sua maneira. As piadas, apesar de quase gastas, são bem aproveitadas, variando entre o humor de índole sexual e o cómico de situação. No capítulo técnico, o filme cumpre, embora não deslumbre. As interpretações são bem conseguidas, com cada personagem a contribuir com algo diferente para a história. Um breve destaque para Lorenzo, a personagem de Ricky Memphis, responsável por alguns dos momentos mais engraçados e risíveis da película.

Immaturi é um filme feito à imagem da nova comédia italiana. A película foge ao mau gosto típico de algumas comédias norte-americanas, apresentando-se como uma alternativa a ter em conta dentro do universo das comédias ligeiras. Immaturi serve de prova de que a simplicidade, por vezes, é mesmo a melhor solução.


Título Original: Immaturi (Itália, 2011)
Realizador: Paolo Genovese
Argumento: Marco Alessi, Paolo Genovese
Intérpretes: Isabelle Adriani, Ambra Angiolini, Luca Bizzarri, Barbora Bobulova, Raoul Bova, Paolo Kessisoglu, Ricky Memphis
Música: Andrea Guerra
Fotografia: Fabrizio Lucci
Género: Comédia
Duração: 108 minutos



quinta-feira, 22 de março de 2012

Avé (2011)

Este ano o Fantasporto esteve um pouco fraco em filmes do género fantástico, numa edição onde reinou o drama e a comédia dramática senti a falta daquilo que inicialmente nos puxa para o festival. Avé, de Konstantin Bojanov, também não é mais do que um simples drama, talvez com uma história mais profunda do que possa parecer à primeira vista.

É a história de um pobre rapaz, que numa tentativa de apanhar boleia para o funeral do melhor amigo, começa a ser importunado por uma rapariga que lhe vira a vida do avesso. Tudo começa com uma inocente partilha de boleia, o que rapidamente se desenvolve numa teia de mentiras e relacionamentos estranhos e complicados entre os dois, onde o rapaz é de certa forma manipulado e enganado pela rapariga que parece não olhar a meios para atingir um determinado fim.

Apesar de o filme ser visualmente apelativo, com as paisagens campestres da Bulgária, é algo que a mim, pessoalmente, me deixa a desejar. Toda a história é um pouco aborrecida, sim, tem um significado muito bonito e tal mas não é algo de extraordinário que me impeça de bocejar. Parabéns às actuações das duas personagens principais, penso que desempenharam o seu papel da melhor maneira possível e foi ainda um daqueles poucos pontos positivos que não deixaram que adormecesse, ao menos isso. O filme foi premiado em vários festivais de cinema europeus, incluindo o Fantasporto, no qual ganhou o de melhor filme na Semana dos Realizadores, que penso não ter sido a escolha mais acertada tendo em conta todos os outros filmes que passaram nessa mesma semana e que eram, a meu ver, claramente melhores.

Pessoalmente, é um filme que não voltarei a ver, foi um daqueles que me ficou um pouco 'entranhado na garganta', no entanto não é um mau filme, aliás até é bom. Resumidamente é um daqueles filmes que é simplesmente um drama com uma história bonita que ou agrada ou irrita, depende muito dos gostos de cada um. Se são fãs do género de filme com significados profundos, cheio de metáforas para a vida, uma história de amor quase impossível, situações tristes e com ambiente depressivo, unicórnios e arco-íris então este filme é perfeito para vocês e devem de certeza dar-lhe uma vista de olhos. 


Título Original: Avé (Bulgária, 2011)
Realizador: Konstantin Bojanov
Argumento: Konstantin Bojanov; Arnold Barkus
Intérpretes: Angela Nedialkova; Ovanes Torosian
Música: Tom Paul
Fotografia: Nenad Boroevich; Radoslav Gochev
Género: Drama
Duração: 86 minutos




quarta-feira, 21 de março de 2012

The Truth of Lie (2011)

Quem julga que os capítulos das sagas Saw e Hostel são o expoente máximo do cinema sobre tortura (e não são tão poucos quanto isso) anda bem enganado. Na Europa produzem-se algumas peças cinematográficas bem mais agressivas do que as citadas acima, provando que nem sempre é preciso gastar litros e litros de sangue artificial ou milhares de dólares em efeitos especiais para proporcionar à audiência momentos de verdadeiro desconforto.

The Truth of Lie é um desses filmes. O que não é de admirar se considerarmos que foi criado por Roland Reber, o cineasta alemão responsável por filmes como 24/7: The Passion of Life ou Angels With Dirty Wings. Em The Truth of Lie um escritor contrata duas mulheres para prender e torturar durante cinco dias. O seu objectivo é simples: levá-las ao limite, e documentar o processo para o seu novo livro. Mas os cinco dias passam sem que as raparigas cedam, e o que ao início era uma situação retorcida, mas legal, depressa assume contornos ainda mais bizarros, com o escritor a aprisionar as raparigas por tempo indeterminado até conseguir alcançar o seu objectivo.

Roland Reber aposta, mais uma vez, em chocar as audiências com um filme controverso. The Truth of Lie parece pior do realmente é, causando mais desconforto do que medo. A película tem os seus momentos, uns quantos minutos de diálogo tolerável, um par de cenas interessantes, mas fica-se por aí. A obra de Reber não é fácil de classificar, mas talvez seja justo encontrá-la a meio da escala pontual. Mais importante, Reber volta a provar que qualquer publicidade é boa publicidade.


Título Original: Die Wahrheit der Lüge (Alemanha, 2011)
Realizador: Roland Reber
Argumento: Roland Reber
Intérpretes: Christoph Baumann, Marina Anna Eich,
Julia Jaschke, Antje Mönning
Música: Mira Gittner
Fotografia: Mira Gittner
Género: Drama
Duração: 98 minutos 



segunda-feira, 19 de março de 2012

The Holding (2011)

Pareceu-me que o que mais houve no Fantasporto 2012 foram filmes sobre psicopatas ou assassinos desmiolados e The Holding foi apenas mais um. Susan Jacobson que se estreou na realização de uma longa-metragem não parece que se tenha esforçado para que a sua estreia a pusesse no mapa, se tal não foi o caso então mais valia nem se ter dado ao trabalho.

Cassie Naylor (Kierston Wareing) é dona de uma quinta e vive com as duas filhas, a mais nova que tem uma obsessão pouco saudável pela religião e a mais velha que para além de ter uma boca deslavada acha que tudo gira à volta dela. Para grande surpresa de todos, aparece um homem (Vincent Regan) que diz ser amigo do ex marido da mulher e praticamente se faz de convidado na quinta à troca de uns quantos trabalhos manuais para ajudar a senhora e as duas filhas, quem diria que este viria a ter um surto de raiva e começasse a ter comportamentos psicologicamente perturbantes e pouco amigáveis.

Não vou dizer que o filme é muito mau, porque não é, mas com tantos outros que são sobre a mesma coisa e com melhor qualidade é muito difícil apreciar este filme, é demasiado previsível, aborrecido e numa forma geral pouco satisfatório. As actuações até são boas, parabéns ao casting, e toda a realização também não fica atrás, aliás pode se dizer que todos os elementos técnico, à parte do argumento, são bastante apreciáveis mas infelizmente não chegam para afastar todo o tédio que o filme causa ao público e isso é um dos pilares fundamentais que suportam um bom filme, o facto de não aborrecer. Não há nada no filme que já não tenha sido feito antes de melhor maneira até.

Resumidamente, passa-se bem sem ter que visualizar The Holding, é um daqueles filmes que normalmente vão directos para DVD e costumamos encontrar quando vamos alugar um filme, nas alturas em que não temos nada para fazer. Sinceramente, não há mais nada que possa dizer, apenas estaria a repetir-me (tal como o filme) é um filme sólido que se aguenta mas nada de muito entusiasmante ou apelador.


Título Original: The Holding (Reino Unido, 2011)
Realizador: Susan Jacobson
Argumento: James Dormer
Intérpretes: Kriesten Wareing; Vincent Regan; David Bradley; Skye Lourie; Maisie Lloyd
Música: James Edward Barker; Natilie Ann Holt
Fotografia: Nic Lawson
Género: Thriller
Duração: 93 minutos



quinta-feira, 15 de março de 2012

Life in One Day (2009)

Quando li a sinopse de Life in One Day no programa do Fantas 2012 desenvolvi quase de imeadiato uma animosidade em relação ao filme. Os filmes românticos tendem a cansar-me, principalmente aqueles com histórias de amor bonitas e fáceis. Por coincidência, durante o mesmo horário iria ser exibido um filme que ainda me interessava menos ver na outra sala do Rivoli. Decidi-me então por Life in One Day, esperando consegui-lo suportar sem adormecer. E, se entrei na sala já desanimado com algo que ainda não tinha visto, de lá saí completamente maravilhado com o que tinha acabado de ver na tela.

Passo a explicar para quem ainda não o tiver visto: Life in One Day foge completamente ao formato convencional de filme romântico, evitando os facilitismos e a verborreia típica de filmes do género. A história de amor não é bonita, nem, muito menos, fácil. Benny e Gini vivem num mundo onde toda a vida é vivida num só dia. Todas as acções são únicas não havendo lugar (nem tempo) para repetições. Apaixonados, decidem escapar para o inferno, um lugar onde os dias e os acontecimentos se repetem, decididos a viverem o seu amor vez após vez. Só que o inferno é o inferno, e nem tudo será tão fácil quanto estariam à espera que fosse.

E se a premissa que o filme apresenta é singular, a sua realização não lhe fica nada atrás. A primeira meia hora do filme tem o mérito de introduzir o espectador à história, mas é a segunda parte da película que o prende e encanta. O ecrã dividido de início pode parecer vir apenas dificultar o entendimento do filme, mas alguns minutos chegam para se perceber que era exactamente o que se pedia para sustentar a carga emocional de Life in One Day, com a sincronização entre a acção de cada um dos ecrãs a permitir um entendimento alargado do filme. A um trabalho de edição cuidado e a uma realização arrojada junta-se uma fotografia de grande nível, capaz de deslumbrar visualmente quem vê o filme. O jovem par de protagonistas, Matthijs van de Sande Bakhuyzen e Lois de Jong, mostra-se capaz de aguentar uma película que, à partida, não seria de fácil representação. As restantes personagens surgem discretas, não acrescentado quase nada ao filme.

Life in One Day é um filme que explora, em última análise, as diferentes reacções que cada membro de um casal tem face a uma separação. Mas fá-lo tão bem que quem o vê quase não se apercebe de que esse é o seu objectivo. Todo o filme caminha para um reencontro final (torna-se mais ou menos óbvio a meio do filme de que esse será o seu desfecho), a derradeira catarse dos protagonistas, o fim do seu inferno pessoal (a expiação dos pecados cometidos na sua outra vida, se quiserem). Life in One Day encantará quem o decidir ver. Provavelmente seria um dos grandes vencedores desta edição do Fantasporto, tivesse sido exibido dentro de uma das secções oficiais do festival; infelizmente, a sua data de produção impossibilitou tal de acontecer. Cinema europeu de enorme qualidade, a provar que as histórias de amor não têm de ser todas iguais.


Título Original: Het leven uit een dag (Países Baixos, 2009)  
Realizador: Mark de Cloe
Argumento: Mark de Cloe (baseado no livro de A.F. Th. van der Heijden)
Intérpretes: Matthijs van de Sande Bakhuyzen, Lois de Jong, Tygo Gernandt, Egbert Jan Weeber, Hadewych Minis
Música: Johan Hoogewijs
Fotografia: Jasper Wolf
Género: Drama, Fantasia
Duração: 94 minutos


Meat (2010)

Alguma vez apanharam tamanho murro nas gónadas que chega para provocar o vómito? Se não, então preparem-se pois este filme irá fazer isso mesmo e não será nada misericordioso. Meat, de Victor Nieuwenhujis e Maartje Seyferth, pode ser considerado por muitos algo bastante experimental e surreal, enquanto que por outros será como levar com um saco de cimento, cheio de informação confusa e inútil, na cara. De certeza algo que redefine o significado de 'mau'.

Todo o enredo do filme é confuso e um pouco aleatória mas percebe-se claramente que trata da vida de um talhante, com um severo problema no que toca a limites e ética de trabalho, que se diverte a fornicar com a namorada (?) enquanto trabalha e nos intervalos tenta seduzir a sua jovem empregada com o que serão, provavelmente, os comentários eróticos mais porcos e elaborados da história de todos os comentários eróticos. Bem, entretanto, no meio de uma confusão de eventos estranhos, o pobre talhante acaba morto e mais curiosamente o detective encarregue do caso é incrivelmente parecido com o talhante (é o mesmo actor). A partir disto tudo descarrila como um comboio sem rodas a alta velocidade, entre fetiches, violações, suicídios, bovinos e suínos que aparecem de surpresa e cenas pornográficas de baixa qualidade tudo acontece levando a um clímax final ainda mais estranho com uma música bastante apropriada.

Não existem muitos filmes que considere difíceis de ver mas Meat entra definitivamente nessa lista, aliás não é bem o facto de ser difícil de ver, que até nem é assim tanto, é mais pelo facto de me ter deixado completamente furioso após a visualização, ainda por cima numa sessão da uma da manhã depois de um dia cheio de desilusões cinematográficas.

Existe no filme uma certa tentativa de criar algo com um estilo de art cinema ao mostrar os cantos mais horrendos das perversão e prazer do ser humano, infelizmente fica-se por aí. A extrema falta de coesão entre toda a história e os eventos faz com que tudo caía por terra, mesmo os pontos minimamente positivos que suportam o filme, como palitos suportam um elefante adulto, acabam por passar completamente despercebidos ao público, que fica indeciso se deverá soltar umas grandes gargalhadas ou sair a meio e exigir o dinheiro de volta. Há também uma mistura imensa e aparentemente aleatória de tipos de filmagem diferentes durante o filme, desde planos completamente absurdos a visões nocturnas, câmaras de mão, cores invertidas e fast-motion, tudo isto e muito mais filmado pelas mãos de orangotangos, mas como isso também não era o suficiente a edição também piora já que parece algo feito à ultima da hora num computador do século passado.

Toda a imagem do filme é grotesca e, surpreendentemente, transmite de forma eficaz o tema, mas continua a ser apenas mediana. As actuações são minimamente aceitáveis mas, como já referi anteriormente, não chegam para suster todo o peso do que é um dos maiores pedaços de excremento cinematográfico que existe. Uma realização que chega a ser ridícula, se não soubesse diria que foi tudo produto de uma má trip causada por algum super alucinogénico.

Se possível, este é o filme a evitar, completamente desnecessário e exasperante que ninguém devia ver. Só sinto pena por todos os pobres espectadores do Fantasporto 2012 que pagaram bilhete para a sessão deste filme.



Título Original: Vlees (Países Baixos, 2010)
Realizador: Victor Nieuwenhujis; Maartje Seyferth
Argumento: Maartje Seyferth
Intérpretes: Titus Muizelaar; Nellie Benner; Hugo Metsers; Elvira Out 
Fotografia: Victor Nieuwenhujis
Género: Crime, Drama
Duração: 85 minutos



terça-feira, 13 de março de 2012

Hell (2011)


(Cliquem no "Play" para criar uma atmosfera agradável para a crítica que se segue)

Já puseram a música a dar? Ainda bem. Para quem não sabe, ou, simplesmente, estiver distraído, esta bela melodia que vos chega aos ouvidos dá pelo nome de Neunundneunzig Luftballons (99 Red Balloons, em inglês), e é da autoria de Nena. Um clássico da década de 80 do século passado, esta música serve também de tema principal em Hell, o filme vencedor do prémio de Melhor Filme na Secção Oficial do Cinema Fantástico do Fantasporto 2012. Curiosamente, Hell foi também o último filme visto pela redação do Matinée durante esta última edição do Fantasporto, já depois de ter recebido o prémio anteriormente mencionado.

Antes demais, não devemos esquecer que Hell é produto alemão, e não inglês: o título, que significa qualquer coisa como "brilhante", não é tradução fácil para "inferno". Mas podia ser. Num futuro não tão distante quanto isso, a temperatura na Terra aumentou o suficiente para tornar insuportável viver sob o Sol. Os recursos como a água ou a gasolina tornaram-se escassos, fazendo colapsar a sociedade. O cenário habitual nos filmes do género, portanto.

O erro de Hell é tentar passar de thriller emocionante para filme de terror ligeiro: enquanto a primeira parte do filme é suficientemente interessante para atrair o espectador, a segunda, carregada de clichés, é demasiado previsível para alguém que goste de cinema Fantástico e esteja habituado a ver filmes do género. Hannah Herzsprung, uma das actrizes alemãs em destaque nos últimos anos, acaba por ser o grande trunfo do filme, "monopolizando" o tempo de ecrã, e assinando uma interpretação bastante sólida, com o resto do elenco a seguir-lhe as pegadas. No capítulo técnico, não há nada a destacar, nem pela positiva, nem pela negativa.

Com uma produção assinada por Roland Emmerich, Hell não acrescenta nada de novo a um género já muito explorado, quedando-se pela mediania. Quem estiver habituado ao Fantástico europeu encontrará no filme alguns dos elementos presentes em produções anteriores; quem não estiver, poderá ficar admirado com o que vir em Hell, e, quem sabe, começar a gostar de um género ainda desconhecido para uma parte considerável do grande público.


Titulo Original: Hell (Alemanha/Suíça, 2011)
Realizador: Tim Fehlbaum
Argumento: Tim Fehlbaum, Oliver Kahl, Thomas Woebke
Intérpretes: Hannah Herzsprung, Lisa Vicari, Lars Eidinger,
Stipe Erceg, Michael Kranz, Anne Sarah Hartung
Música: Lorenz Dangel
Fotografia: Markus Förderer
Género: Ficção-Científica, Terror, Thriller
Duração: 89 minutos



Lobos De Arga (2011)

Um dos grandes sucessos do Fantasporto 2012, um filme que garante reacender aquela pequena chama que arde pelos bons velhos filmes de lobisomens. Lobos de Arga, de Juan Martinez Moreno, é provavelmente a mistura perfeita de comédia e terror, que deixará o público com um sorriso na cara, mesmo depois de hora e meia de gargalhadas valentes. Já cá fazia falta um bom filme de lobisomens.

Tomás (Gorka Otxoa), é um escritor com muito pouco sucesso e quando a inspiração lhe falha ele decide voltar às suas raízes, na velha província de Arga. Infelizmente nem tudo corre como previsto quando se vê atacado pelas pessoas que conhecia desde criança e oferecido como sacrifício para acabar com uma antiga maldição, antes que esta active a segunda maldição que potencialmente atormentará toda a aldeia. Tudo piora quando apenas tem um cão, um velho amigo e um agente literário para o ajudar.

Definitivamente, um filme bastante divertido e que garante um tempo bem passado. O elemento de terror não é muito pesado, devido ao elemento cómico, mas também não passa despercebido. O filme está de feito de forma tão boa que mesmo algo tão 'batido' como lobisomens, maldições e paródias, dão-nos a sensação de novidade, algo que ainda não tínhamos visto e que nos prende à cadeira o tempo todo. O trabalho dos actores envolvidos é excelente, incluindo o cão que desempenha um papel fenomenal em muitos dos melhores momentos de todo o filme, dando um crédito extra a Carlos Areces pela sua personagem, Calixto, que faz um contributo tremendo à parte cómica do filme.

Em termos de realização, o filme está muito bom - parabéns a Juan Martinez. Embora a caracterização dos lobisomens seja daquela um pouco duvidosa e pouco desenvolvida, é um dos aspectos que nos faz relembrar os filmes de lobisomens dos anos 70-80, o que até considero um ponto a favor. Para além disso, há também uma paródia, que achei muito boa, às maldições, atribuídas a lobisomens e este tipo de monstros, que é bastante inteligente e nos leva a rever todos os filmes de maldições que já vimos, por estas e outras razões é um filme que é, mas ao mesmo tempo não é uma paródia a outros filmes, já que possuí aquele toque de novidade e exclusividade. Claramente um dos filmes a ver e que promete não desiludir, seja qual for a audiência.


Titulo Original: Lobos de Arga
Realizador: Juan Martinez Moreno
Argumento: Juan Martinez Moreno
Intérpretes: Carlos Areces; Gorka Otxoa; Secun De La Rosa; Mavel Ribera; Manuel Maquiña; Luis Zahera
Música: Sergio Moure
Fotografia: Carlos Ferro
Género: Comédia, Terror
Duração: 100 minutos