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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Godzilla, a Lenda II

Godzilla vs Zilla

GODZILLA, de Robert Emmerich, foi a primeira reimaginação do original de 1954 para o público internacional. Com um monstro maior, mais amistoso e geralmente menos ameaçador. Tão distante do seu predecessor que também é apresentado em GODZILLA: FINAL WARS, como Zilla, "o monstro que os americanos achavam ser Godzilla".


Podia reflectir bastante sobre as mudanças abruptas que esta personagem sofre nas suas longas-metragens, como a sua personalidade e o próprio aspecto físico sofrem alterações constantes. Mas não vale a pena, a única mudança digna de nota é a do Godzilla de Emmerich, um filme que falha em muitos aspectos, seja o argumento imbecil ou as personagens irritantes. No entanto, a adaptação de 1998 incomoda-me, em primeiro lugar, com o design pouco imaginativo do monstro. A influência de Jurrassic Park (1993) é mais que clara, até somos presenteados com grupo maior, mais hilariante de velociraptors, Godzilla é reduzido uma lagartixa gigante (T-Rex?), tão ameaçadora como uma iguana domestica. Antes uma personagem orgulhosa, agora um simples animal selvagem que só chateia por ser grande.

Godzilla pode ter alterado a identidade do rei dos monstros, mas dificilmente será esse o único motivo do fracasso que é o filme. O argumento é medonho, ninguém parece saber o que está a fazer, as personagens têm demasiados momentos de completa morte cerebral, e Jean Reno no papel de francês condescendente, magnifico. Emmerich faz um trabalho menos que medíocre, já pouco espero dele, mas ainda assim me desilude, sequências tão incoerentes e noções absurdas de espaço não me permitem desfrutar deste filme. Não se trata de ser ou não um filme do Godzilla, obviamente não é, trata-se, sim, de uma fraca tentativa a um filme cómico e trágico, que não é cómico nem trágico. Apenas um autêntico aborrecimento.

Um Último Confronto

Felizmente, o Zilla não durou muito e uns anos mais tarde Godzilla surge por uma última vez, para afirmar a sua posição dominante como Rei dos Monstros. Num guerra em grande escala com os seus maiores inimigos, Godzilla: Final Wars, de Ryûhei Kitamura, relembra-nos do que realmente resplandece nos filmes do seu franchise, puro divertimento. Antes do novo reboot da Legendary Pictures tomar as rédeas, Final Wars promete diversão caótica e disparatada, sem preocupações.


As suas raízes de destruição insensata já foram abandonadas à muito, Godzilla luta para proteger o mundo, a qualquer custo. Desta vez, contra extraterrestres que o querem conquistar, e os seus monstros de estimação. Juntamente com a Earth Defence Force, nenhuma cidade está a salvo da destruição que se avizinha. Derrotando um a um, à volta do planeta, Godzilla é rápido e determinado, até ter de enfrentar o mais forte dos seus adversários, Monstro X. - Entretenimento garantido à custa de integridade. Mas devíamos ter de nos preocupar com tais trivialidades? Tendo em conta o que já sabemos que vamos ver. Acredito que não.

Talvez a adaptação de 1998 perca ainda mais pela falta de consciência dos seus objectivos. Enquanto Final Wars ganha, na medida em que é objectivo nas suas intenções e não promete para lá disso. Penso que, quando todo o franchise foi direccionado para o público mais novo, tornou-se mais complicado revertê-lo às suas origens mais maturas e Godzilla (1998) sofreu por isso. Aí Final Wars lembra, antes de mais, os disparatados cartoons e anime, com o que realmente gostávamos de ver quando éramos mais novos. Um exercício em nostalgia - a melhor maneira que tenho para o descrever - que rapidamente se engrena com as vinte e muitas memórias anteriores.


Título Original: Godzilla (EUA/Japão, 1998)
Realizador: Roland Emmerich
Argumento: Dean Devlin, Roland Emmerich
Intérpretes: Matthew Broderick, Jean Reno, Maria Pitillo, Hank Azaria, Kevin Dunn, Michael Lerner
Música: David Arnold, Michael Lloyd
Fotografia: Ueli Steiger
Género: Acção, Ficção Científica, Thriller
Duração: 139 minutos


 

Título Original: Gojira: Fainaru uôzu (Japão/Austrália/China, 2004)
Realizador: Ryûhei Kitamura
Argumento: Isao Kiriyama, Ryûhei Kitamura, Wataru Mimura, Shogo Tomiyama
Intérpretes: Masahiro Matsuoka, Rei Kikukawa, Don Frye, Maki Mizuno, Kazuki Kitamura, Kane Kosugi
Música: Keith Emerson, Nobuhiko Morino, Daisuke Yano
Fotografia: Takumi Furuya
Género: Acção, Aventura, Ficção Científica
Duração: 125 minutos


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Noah (2014)

NOAH, de Darren Aronofsky, é um drama adaptado da narrativa da Bíblia referente à Arca de Noé mas com algumas discrepâncias com a introdução de uma época feudal, incluindo até guerras estilo fantasia.


A base da história não é muito diferente da que estamos habituados a ouvir. Noah, (Russel Crowe) descendente de Adão, tenta sobreviver rodeado de homens marcados pela corrupção e pecado que ameaçam a sua vida pacífica. Através dos seus sonhos, prevê a iminente destruição da humanidade pelo Criador, através de um dilúvio capaz de limpar o mal e castigar os pecadores. De forma a poupar os inocentes, Noah é encarregado de construir uma arca capaz de suportar e proteger os animais durante a chuva, para que eles se reproduzam no novo mundo.

Na tentativa de expressar a história por imagens, o esforço de revelar respostas a problemas éticos poderiam impressionar se o desenrolar da acção não fosse tão lento e enfadonho, de quase adormecer, perguntando quanto tempo falta para acabar um filme de duas horas que mais parecem quatro. Podia ter alguém a ler-me a história bíblica, que não ficaria mais aborrecido.

Tenho pena em notar que Russel Crowe continua a baixar os seus parâmetros em relação à sua participação em filmes depois de protagonizações tão marcantes, com este desempenho do elenco, em geral, presos a personagens com pouca evolução e formas de pensar fechadas e contraditórias.

Quanto aos efeitos especiais, há uma combinação do Criacionismo com Darwinismo para explicar o início da Terra e o criador revela a sua existência através de truques de magia, anjos caídos muito pouco realistas e nada impressionantes. Verdade seja dita, esses truques milagrosos conseguem ser tão aborrecidas como a acção.

Para quem não seja assim tão fácil de impressionar, este filme é  mais uma dor de cabeça longa e dolorosa, e cerca de duas horas desperdiçadas.


Título Original: Noah (EUA, 2014)
Realizador: Darren Aronofsky
Argumento: Darren Aronofsky, Ari Handel
Intérpretes: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman
Música: Clint Mansell
Fotografia: Matthew Libatique
Género: Acção, Aventura, Drama
Duração: 138 minutos


sábado, 8 de novembro de 2014

Interstellar (2014)

«Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.»

Christopher Nolan teve a sorte e o azar de ter começado a carreira perto da viragem do século. A sorte, porque tal lhe permitiu dispor já dos meios tecnológicos e da filmografia de base - Stanley Kubrick, Andrei Tarkovsky e Terrence Malick, citando apenas os mais importantes - que tornaram possível a criação de INTERSTELLAR. O azar, porque o advento da Era da Informação o deixou mais vulnerável às falhas (e ainda são algumas) que lhe apontam enquanto realizador. A verdade, contudo, é que, a cada filme que passa (e vamos no nono), Nolan continua a entregar obras capazes de homogeneizar a opinião de grande parte da crítica e, sobretudo, do público.


Uma equipa de astronautas, face ao esgotamento dos recursos da Terra, é enviada para o espaço em busca de um novo planeta que sirva de lar à Humanidade. É essa a premissa de Interstellar, o mais evidente à superfície, ainda que o seu verdadeiro escopo seja imenso, demasiado para que caiba numa sinopse tão simples.

Nolan volta a brincar às sinédoques e aos duplicados - o todo pela parte, a parte pelo todo -, como já o havia feito em The Prestige, trocando a humanidade das suas personagens pela Humanidade em geral. Vejamos, o pathos do indivíduo - e os filmes do inglês sempre viveram muito desse sentimento de dor e angústia - passa aqui a pathos de toda uma espécie que enfrenta a extinção, ao mesmo tempo que todo o seu destino se encontra depositado sobre os ombros de um só homem. E Cooper, o [h]omem (um Matthew McConaughey acabadinho de sair da sua consagração), honra o peso da responsabilidade que carrega com as suas decisões, confundindo-se, outrossim, com todos os seus semelhantes - a certa altura uma das personagens repara que o Brand de Michael Caine hipotecou a sua humanidade em prol da Outra -, conservando a [H]umanidade.

Tal como Malick em The Tree of Life, Nolan pergunta, afinal, o que é ser humano. A resposta que encontra vai para além da mera sobrevivência: trata-se de conservar a compaixão, o altruísmo e, às tantas percebe-se, o Amor. É essa a mensagem enfiada nas quase três horas de filme.

E pese embora Nolan nem sempre se revela à altura das suas influências - falta-lhe, por exemplo, o génio analítico de Kubrick, a poesia de Malick, ou a veia filosófica de Tarkovsky -, é de lhe admirar o desejo de criar um épico à sua imagem, o exercício de cinefilia a que tão profundamente se entrega. Quer isto dizer que Nolan, mesmo não se tratando de um exímio tarefeiro - será, sobretudo,  um cineasta de público -, consegue, ainda assim, uma obra merecedora das que lhe antecederam, uma vénia muito digna aos Mestres do passado.

Talvez se venha a escrever sobre Interstellar, daqui a vinte, trinta, quarenta anos, com o mesmo carinho com que hoje se escreve sobre 2001: A Space Odyssey ou  Solyaris (filmes superiores, daqueles que nos assombram muito após os termos deixado). Ou talvez se perca entre a restante filmografia de Nolan - à semelhança do que aconteceu com Insomnia e The Prestige, ofuscados pela maior dimensão mediática de obras menores - como uma nota de rodapé do que foi o Cinema de início deste século. Aconteça o que acontecer, Interstellar deverá ser relembrado como o filme que devolveu Nolan à sua melhor forma. E isso, quanto a mim, já lhe justifica o elogio rasgado, rasgadíssimo, que hoje lhe faço.


Título Original: Interstellar (EUA/Reino Unido, 2014)
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Intérpretes: Matthew McConaughey, Mackenzie Foy, Anne Hathaway, Michael Caine, Jessica Chastain, Matt Damon
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Hoyte Van Hoytema
Género: Comédia, Drama
Duração: 169 minutos


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Teenage Mutant Ninja Turtles (2014)

TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES trata-se do que se havia de esperar de mais um filme de Michael Bay: completa destruição; pânico geral; um desprezo total pelas leis da física; muitas, muitas explosões que enchem os olhos até a exaustão; e, ainda, Megan Fox.


No que é mais uma tentativa de espremer o dinheiro de uma franchise o produtor entrega-nos um filme que estaria melhor colocado na secção de crianças com um enredo completamente batido e em algumas situações plenamente absurdas e ainda um conjunto de actuações que pouco importam mencionar. De um modo geral, pouco vale o dinheiro que pretendem que paguemos para assistir a este filme.

No entanto, mesmo sendo um filme reconhecivelmente mau, devo admitir que gostei de ver as tartarugas mutantes especialmente quando comparado a Transformers: Age of Extinction que conta também com a participação de Michael Bay (como realizador). Talvez pelos efeitos especiais que agora nos possibilitam ver estes heróis ao nível tecnológico que esta década nos permite e constituem um dos pontos altos do filme, talvez porque para os fãs das tartarugas pode trazer a dose necessária de diversão que associamos à colecção de banda desenhada. No final creio que podemos ponderar se um filme mau pode ser compensado apenas pelo entretenimento que transmite.

Para os interessados em ver quatro tartarugas mutantes, adolescentes e ainda ninjas a fazer as piadas tradicionais, a lutar vilões, a salvar uma cidade de perigos e uma personagem principal que vende mais o aspecto que o talento, assistam a este filme pois poderão ficar com uma ideia de um filme divertido ao contrário das pessoas que o pretendam ver com algum tipo de seriedade em mente.


Título Original: Teenage Mutant Ninja Turtles (EUA, 2014)
Realizador: Jonathan Liebesman
Argumento: Josh Appelbaum, André Nemec, Evan Daugherty (baseado nas personagens de Peter Laird e Kevin Eastman)
Intérpretes: Megan Fox, Will Arnett, William Fichtner, Alan Ritchson, Noel Fisher, Johnny Knoxville, Jeremy Howard, Tohoru Masamune
Música: Brian Tyler
Fotografia: Lula Carvalho
Género: Acção, Aventura, Comédia
Duração: 101 minutos
 
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Night Train to Lisbon (2013)

Parece-me que NIGHT TRAIN TO LISBON nunca será um filme consensual. Onde muitos verão monotonia, outros tantos descobrirão belos momentos de Cinema - e escreva-se logo a abrir que a fotografia é deslumbrante - plenos de significado. Aliás, o próprio filme, girando em torno de coincidências e da Filosofia - os protagonistas são um professor da disciplina e um médico dado a reflexões existenciais -, permite essa dualidade de opiniões.


Um homem salva uma rapariga que se quer matar. Ela foge, deixando-lhe um casaco vermelho - cor importantíssima durante o filme - e um livro em português. O homem, impressionado pelo que lê, e descobrindo um bilhete de comboio no interior do livro, parte imediatamente rumo a Lisboa. Quer conhecer o autor da obra, mas ele já morreu. Dedica-se, pois, a desvendar o mistério da sua vida.

Night Train to Lisbon faz-se entre o road movie e o filme de mistério - não chegando, no entanto, a pertencer inteiramente a nenhum dos géneros -, um exercício de calma na maneira como Bille August filma o passado, mas, sobretudo, o presente. Capaz de, mais uma vez, aliciar um elenco internacional de qualidade comprovada - a Jeremy Irons e Mélanie Laurent juntam-se nomes como os de August Diehl, Martina Gedeck, Bruno Ganz, Charlotte Rampling Lena Olin, Christopher Lee, Beatriz Batarda, Marco D'Almeida e José Wallenstein -, o dinamarquês debruça-se sobre uma das épocas mais negras da História portuguesa. E se o retrato dos anos de ditadura nem sempre sai exacto - evita-se abordar a dimensão social em toda a sua plenitude -, o esforço será, pelo menos, de louvar, ainda para mais num país que insiste em esquecer - e bem se diz a meio que «quando a ditadura é um facto, a revolução é um dever» - as suas décadas mais obscuras.

Apesar de algumas decisões criativas mais duvidosas - a questão linguística, com as personagens a falarem todas automaticamente em inglês, ou a visão algo turística com que August filma Lisboa -, Night Train to Lisbon revela-se um filme interessante. A mim, pelo menos - e admitindo que para muitos nunca passará de um mero pastel dramático e pseudo-filosófico -, proporcionou uma das mais belas viagens cinematográficas dos últimos anos.


Título original: Night Train to Lisbon (Alemanha/Portugal/Suiça, 2013)
Realizador: Bille August
Argumento: Greg Latter, Ulrich Herrmann (baseado no romance de Pascal Mercier)
Intérpretes: Jeremy Irons, Mélanie Laurent, Jack Huston, Martina Gedeck, Tom Courtenay, August Diehl, Bruno Ganz, Lena Olin, Charlotte Rampling, Marco D'Almeida, Christopher Lee, Adriano Luz
Música: Annette Focks
Fotografia: Filip Zumbrunn
Género: Aventura, Mistério, Romance, Thriller
Duração: 111 minutos


sábado, 16 de março de 2013

Jack the Giant Slayer (2013)

Não há como negar o interesse renovado que o Digital e a CGI provocaram nos contos-de-fadas. As potencialidades oferecidas pelas tecnologias na (re)criação de novos - e velhos - universos revelaram-se por si só mais do que suficientes para seduzir uns quantos realizadores de renome a aventurarem-se por aqueles terrenos. Bryan Singer é uma das mais recentes adições à lista - que já vai longa -, com o seu JACK THE GIANT SLAYER.


Cedo se percebe o rumo pretendido para o filme. Orientando para um público jovem - Jack é tão cool que se passeia pelo pé-de-feijão de casaco de couro -, usa e abusa-se dos habituais lugares-comuns e convenções do género. Previsível e vulgar, há, contudo, um aparente cuidado em trabalhar essas noções - e a do boy meets girl é especialmente bem aproveitada - a favor da narrativa. Essa inteligência, habitualmente demonstrada nas obras de Singer, permite a Jack the Giant Slayer manter-se à tona.

E não fosse o norte-americano um cineasta inteligente - mesmo quando os filmes não lhe saem tão bem -, o caldo estaria entornado. De um argumento algo desinspirado consegue tirar um par de cenas bem conseguidas, excepções num filme incapaz de se arrancar da mediania. E se a direcção de actores deixa algo a desejar - já para não falar do 3D, que aqui não consegue ser mais do que um estorvo -, é a habilidade de Singer que impede males maiores.

Subtilmente simétrico, recheado de aventura e humor infantil, Jack the Giant Slayer, não sendo um filme extraordinário - nem para lá perto caminhar -, cumpre, pelo menos, com o que se lhe pede.


Título original: Jack the Giant Slayer (EUA, 2013)
Realizador: Bryan Singer
Argumento: Darren Lemke, Christopher McQuarrie, Dan Studney, David Dobkin
Intérpretes: Nicholas Hoult, Eleanor Tomlinson, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Eddie Marsan, Ian McShane, Bill Nighy
Música: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Género: Aventura, Drama, Fantasia
Duração: 114 minutos


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

The Haunted World of El Superbeasto (2009)

Tenho para mim, desde que vi pela primeira vez o videoclip da Dragula, que o Rob Zombie é a personagem carnavalesca perfeita. Um homem de maquilhagem putrefacta e longas barbas, que assina um vídeos em que aparecem os mais diversos monstros. Mas se com o passar dos anos Zombie se foi desmultiplicando em cada vez menos máscaras, em THE HAUNTED WORLD OF EL SUPERBEASTO recupera-as. Começando logo pelo protagonista.


Até porque nem é a primeira vez que uma personagem de um dos filmes de Zombie fica conhecida por nunca mostrar a face. Se em Halloween, o assassino era quem escondia a cara - acentuando o tal carácter de monstro -, aqui é o (anti-)herói que anda mascarado. El Superbeasto, mistura de pornógrafo javardo com caçador de monstros, torna-se assim uma espécie de reflexo distorcido do próprio Zombie - a tal máscara, de filme de terror em filme de terror -, dividindo-se em ocupações e talentos.

Ou pode ser que se esteja a complicar demasiado a coisa , e que The Haunted World of El Superbeasto não passe de um esforço de divertir através da sua rudimentar animação pensada para adultos e carregadinha de exploitation do primeiro ao último minuto. Curiosamente - ou talvez nem tanto, analisando o que ficou para trás -, pouco mais de uma hora de bonecada profana e algo reprovável revela-se o melhor que Zombie já realizou. E como é Carnaval, ninguém levará a mal.


Título Original: The Haunted World of El Superbeasto (EUA, 2009)
Realizador: Rob Zombie
Argumento: Rob Zombie, Tom Papa (baseado na banda-desenhada de Rob Zombie)
Intérpretes: Tom Papa, Sheri Moon Zombie, Paul Giamatti, Geoffrey Lewis, Rosario Dawson, Danny Trejo, Bill Moseley, Sid Haig
Música: Tyler Bates
Género: Acção, Animação, Aventura, Comédia, Fantasia, Terror
Duração: 77 minutos



domingo, 27 de janeiro de 2013

Django Unchained (2012)

A mais recente obra-prima de Quentin Tarantino não deixa nada por contar, não tem limites e deixa qualquer um preso à cadeira do inicio ao fim. DJANGO UNCHAINED possui tudo que se podia esperar de um filme do Tarantino, violência extrema, personagens caóticas, uma visão obscura e realista de um tema taboo e um estilo de realização e originalidade que apenas Tarantino nos pode proporcionar. A espera foi grande e o resultado compensa e satisfaz todos os desejos depravados dos fãs de Tarantino enquanto nos injecta com uma lição moralista e bastante directa.


Pessoalmente já aguardava esta estreia com imensa ansiedade e dela esperava grandes coisas, felizmente não me desiludiu e até ultrapassou as expectativas. A caracterização das personagens e o desempenho dos actores são óptimas, a destacar Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio, cujas personalidades se contrabalançam na perfeição, um caçador de prémios que despreza a escravidão, é calmo e inteligente, e o dono de uma grande plantação que ganha a vida com lutas entre escravos, que por sua vez é mentalmente instável e narcisista. Depois temos Jamie Foxx que mostra do que é capaz e dá vida ao protagonista vingativo e determinado, Django, com um desempenho ao qual se deve dar grande mérito, num papel que muitos teriam grandes dificuldades em desempenhar, Foxx vai para além do que seria de esperar.

Django (Jamie Foxx) é comprado, à força, por Dr. King Schultz (Christoph Waltz) que acaba por lhe oferecer a liberdade. Esta dupla junta-se para apanhar e matar criminosos durante o inverno após o qual partem para salvar a mulher de Django, Broomhilda (Kerry Washington), das mãos de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), um magnata das lutas de mandigos que dificilmente dá o braço a torcer.

Django Unchained é divertido de ver, facilmente nos apercebemos que muitos dos actores também se divertem nos papeis que desempenham, uma junção de comédia sem consideração por quem possa ofender, acção sangrenta e destrutiva e uma pitada de romance e heroísmo. Nem todos poderão apreciar o filme pelo que ele realmente é, uma crítica assertiva a uma das épocas mais cinzentas dos Estados Unidos, e poderão ficar ligeiramente ofendidos. Isto é uma das coisas que temos que admirar em Tarantino, a sua capacidade inigualável de não ter qualquer tipo de preocupação pelo que possam vir a achar do seu projecto e o faz como quer e bem lhe apetece, apenas quer transmitir a sua mensagem à sua maneira. E como seria de esperar, Tarantino dá o ar da sua graça com uma aparição breve no filme e ainda que não acrescente nada à narrativa, continua a ser uma adição engraçada aos seus filmes.

Posso garantidamente afirmar que é um grande começo de ano para o cinema. Já com algumas nomeações para os Oscares, aqui no Matinée temos os dedos cruzados para que algum vá para Django Unchained, pois é merecido. Escusado será dizer que se trata de um filme a não perder, teve estreia nacional na passada quinta-feira, e este é um filme que irão querer ver numa sala de cinema pelo menos uma vez. 


Título Original: Django Unchained (EUA, 2012)
Realizador: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Intérpretes: Jamie Foxx; Christoph Waltz; Leonardo DiCaprio; Kerry Washington; Samuel L. Jackson; James Remar
Fotografia: Robert Richardson
Género: Aventura, Acção, Drama, Western
Duração: 165 minutos




domingo, 20 de janeiro de 2013

The Dark Knight Rises (2012)

Sete anos após o seu inicio, a saga épica do cavaleiro das trevas chega finalmente ao seu último capítulo. Conhecendo Christopher Nolan, era de esperar um final grandioso que, fundamentalmente, agradasse toda a sua enorme legião de fãs. Isto acabou por se demonstrar complicado quando THE DARK KNIGHT RISES é posto em comparação com o seu antecessor The Dark Knight, que não só foi bastante aclamado mas também subiu a fasquia para níveis que seriam impossíveis de ultrapassar. 

Uma nova ameaça tenta tomar controlo sobre Gotham, Bane (Tom Hardy). Para combater este mal, Bruce Wayne (Christian Bale) volta do seu isolamento para tornar a assumir a sua antiga persona, Batman. No entanto, Bane demonstra ser um adversário muito acima das capacidades deste Batman abatido por feridas antigas, o que levará Bruce numa busca pela regeneração física e mental para que consiga salvar Gotham dos planos malignos de Bane.


Começando do principio, as expectativas para este terceiro e ultimo filme da saga eram inimaginavelmente grandes. Depois do grande sucesso que foi o anterior, dificilmente Nolan conseguiria estar à altura e tal se verificou, não se trata de algo que ultrapasse a qualidade cinematográfica de The Dark Knight mas garanto que é definitivamente um final apropriado para uma trilogia soberba. Tem tudo o que se poderia querer, um vilão carismático e poderoso, planos grandiosos de destruição em massa que apenas Nolan nos pode proporcionar e, claro, o herói com problemas de garganta que todos temos vindo a adorar.

Como já referi, não é de certeza livre de falhas, falhas essas que são demasiado evidentes para serem ignoradas e roubam todo o ímpeto que o filme ganha. Surpreendentemente, todas as falhas fatais ocorrem na ultima hora de filme em vários níveis. O vilão, inicialmente ameaçador, acaba reduzido a uma mera sombra do que julgamos que é, os planos de destruição massiva sofrem um desfecho pouco satisfatório e confuso, o nosso herói parece perder noção do que se passa, aparvalha, e o suposto contributo da Catwoman (Anne Hathaway) é completamente fútil e desnecessário para todo o enredo. Quase parece que chegaram a meio do argumento e regrediram mentalmente, uma total desilusão. Tudo é tratado como e explicado da maneira mais confusa possível, acabando por tirar toda a energia acumulada em quase duas horas de filme, deixando o público insatisfeito.

Nem tudo é perdido e ainda se aproveita bastante do entretenimento e êxtase que o filme proporciona. Sendo realista, o peso das expectativas e das exigências por parte dos fãs terá influenciado o resultado final e a necessidade de atingir algo de calibre superior revelou ser areia demais para Nolan, que mesmo com a pressão gigantesca continua a oferecer-nos uma experiência cinematográfica excelente. The Dark Knight Rises pode ter ficado aquém da grandeza, mas não deixa de ser o final de uma grande trilogia, que até à data provou, vezes sem conta, ser a melhor saga de super-heróis transferida para o cinema.  


Título Original: The Dark Knight Rises (EUA/Reino Unido, 2012)
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan; Jonathan Nolan; David S. Goyer
Intérpretes: Christian Bale; Gary Oldman; Tom Hardy; Joseph Gordon-Levitt; Anne Hathaway; Morgan Freeman
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Wally Pfister
Género: Acção, Thriller, Crime
Duração: 165 minutos



domingo, 30 de dezembro de 2012

Life of Pi (2012)

É difícil balizar a dimensão Fantástica em LIFE OF PI. Ang Lee - que se vai revelando, acima de tudo, um contador de histórias - estica-a e deforma-a, extraindo-lhe o significado, negando-a numa primeira fase - através do pai, um homem da Ciência -, para depois a reencontrar na Natureza. Há tigres que partilham pequenos botes com miúdos naufragados, alforrecas e baleias que dão brilho à noite e ilhas carnívoras. O real e o imaginado fundem-se com tamanha perfeição que se torna impossível encontrar os pontos que os unem. O que passa diante dos nossos olhos é a extensão do que poderia ter passado e do que ainda está por passar - ideias que aqui se confundem -, num elogio às potencialidades do sonho e da imagem como narradoras.


Talvez por isso - e a par do inusitado da estória - o maior destaque da fita vá para a direcção de fotografia de Claudio Miranda, que se tem vindo a evidenciar, sobretudo, na exposição da beleza no Digital. As cores, sempre nos limites da saturação e do contraste, combinam-se em matizes impecavelmente idealizadas, pintadas em maravilhosos quadros vivos. Essa qualidade pitoresca, que se manifesta através da fixação mental dos fotogramas, cria todo um conjunto de texturas - e a sensação ganha ainda mais força, quer-me aparecer, pelo uso abundante de dissolves, adicionando e subtraindo-se camadas à imagem - em redor de uma narrativa excessivamente moralista. Acrescentando o 3D, e admitindo que em Life of Pi o uso da tecnologia faz sentido como em poucos outros filmes, obtém-se um objecto cinematográfico incrivelmente curioso e animado.

Ang Lee utiliza os elementos visuais como principal veículo da narrativa. A dimensão plástica não é tratada como uma dimensão em si, mas como meio preferencial do esbatimento das fronteiras entre as outras. Não será à toa que surgem, amiúde, planos em que o Céu e o Mar se tocam, fundindo-se - e em que o barco flutua entre os dois, como que suspenso em etérea leveza -, ou aquele impressionante travelling mental de Pi que vai das estrelas ao fundo do oceano em total fluidez. Quando o filme se prepara para terminar - encerrando, igualmente, a magia - é apresentada uma outra versão da estória, mais verosímil e sem imagética, perguntando-se ao espectador em qual delas prefere acreditar. Um último apelo à fé e inocência que se esperam, naquele ponto, cultivadas na audiência.

Mas é precisamente à audiência que cabe uma última análise a Life of Pi, um exame sério às duas horas de filme que teve pela frente. A moral que se prega - escondida sob uma falsa-escolha - invade cada segundo da fita, em tons de catecismo. O paternalismo - e isto de ter demasiados -ismos numa só peça nunca é bom - do «vais ouvir uma história que te vai fazer acreditar em Deus» torna-se aborrecido e tira parte do brilhantismo ao filme. O talento de Ang Lee chega à fábula e permite-lhe criar uma das obras mais belas do ano. Só que falta-lhe algo, porventura - e não querendo escrever que se insulta a inteligência do público, por não crer ser essa a sua intenção - o espaço para uma decisão livre. No fim, as cores morrem com a Fantasia e nós abandonamos a sala toldados por uma escolha que nunca chegou a ser nossa. E se na retina fica a beleza da visão, na mente ecoa uma simples pergunta, será que os filmes têm alma? Deixo a resposta para os membros da Academia, mais habituados a estes caminhos filosóficos do que eu.


Título Original: Life of Pi (China/EUA, 2012)
Realizador: Ang Lee
Argumento: David Magee (baseado no romance de Yann Martel)
Intérpretes: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain, Tabu, Rafe Spall, Gérard Depardieu
Música: Mychael Danna
Fotografia: Claudio Miranda
Género: Aventura, Drama
Duração: 127 minutos



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

The Amazing Spider-Man (2012)

Em 2002, Sam Raimi trouxe-nos uma das melhores adaptações da Marvel até à data, Spider-Man, seguido de 2 sequelas, mas após a sua retirada do quarto filme os produtores acharam, por bem, fazer um reboot completo da saga, com novo realizador e novos actores. THE AMAZING SPIDER-MAN, de Marc Webb, agora com uma nova história traz novas possibilidades que poderão, ou não, agradar os fãs.

Peter Parker (Andrew Garfield) descobre um segredo bem guardado sobre o seu pai, que trabalhava em conjunto com o Dr. Curtis Connor (Rhys Ifans). Quando tenta infiltrar-se nos laboratórios da Oscorp para entrar em contacto com Dr. Connor, é acidentalmente mordido por uma aranha radioactiva, consequentemente ganhando poderes extraordinários. Após conseguir falar com Dr.Connor e partilhar com ele a formula desenvolvida pelo seu pai, Connor põe a formula em pratica  sofrendo efeitos semelhantes aos de Peter, embora mais extremos.

Definitivamente uma abordagem completamente diferente, mais fiel à banda desenhada, da versão de Raimi. Talvez a maior fraqueza de The Amazing Spider-Man encontra-se no argumento, coisas que necessitariam de maior ênfase foram substituídas por cenas menos importantes e mais alongadas. Toda a transformação que Peter sofre é tratada de forma muito banal, assim como o facto de ser bastante mais despreocupado em relação à sua identidade secreta, que a certa altura deixa de ser tão secreta ou pelo menos bastante óbvia. No entanto, visualmente, o filme é apelativo, com uns efeitos especiais espectaculares que agradam qualquer um. As interpretações por parte das personagens, ainda que bem razoáveis, deixam um pouco a desejar e a certa altura são um pouco ambíguas e confusas. Andrew Garfield desempenha razoavelmente bem o papel de spider-man, mas com as inconsistências emocionais, que a personagem parece ter, é difícil perceber o que ele está para lá a fazer. Para uma personagem supostamente irónica mas simultâneamente tímida, este parece um pouco trapalhão e inseguro. Gostei particularmente de como optaram pelo lançador de teias criado por Peter, algo que é retratado na banda desenhada e que na versão de Raimi foi ignorado.

Apenas aqueles que prefiram uma abordagem mais fiel ao universo da Marvel, irão ver este filme como uma melhoria em relação ao de 2002, talvez não completamente, mas a um certo nível. No entanto, quem espera um upgrade significativo terá uma desilusão, mas geralmente não fica muito atrás do de Raimi e mesmo que não seja excelente ainda dá para rir de algumas situações, nem que seja pelo ridículo delas.


Título Orignal: The Amazing Spider-Man (EUA, 2012)
Realizador: Marc Webb
Argumento: James Vanderbilt; Alvin Sargent; Steve Kloves
Intérpretes: Andrew Garfield; Emma Stone; Rhys Ifans; Denis Leary; Martin Sheen; Sally Field; Chris Zylka
Música: James Horner
Fotografia: John Schwartzman
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Duração: 136 minutos



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

On the Road (2012)

Este ON THE ROAD é, no máximo, um caso curioso de paixão pelo movimento. Pelo beat, está claro. Nota-se que Walter Salles gosta do material que tem em mãos, mas fica a dúvida se alguma vez se sente confiante o suficiente para o explorar adequadamente. Fica-se, pois, preso a uma sucessão de episódios - alguns bem mais memoráveis do que outros - que causam alguma estranheza ao espectador e que acabam por não resultar lá muito bem em conjunto.

Mas se é verdade que se entrou aqui a matar em relação à fita, também o será que ela tem as suas virtudes. A imortalização de Neal Cassady por Jack Kerouac como um novo herói folk norte-americano encontra paralelo na visão romântica que Sal Paradise - escritor alter-ego do escritor - mantém de Dean Moriarty. As viagens, os encontros e desencontros, as despedidas, a roda-viva de personagens com quem se cruzam e convivem. E as drogas, o álcool, o tabaco e as orgias. É no cruzamento entre o excesso e a abstinência que o filme encontra a sua maior qualidade.


Salles pisca o olho ao road movie. A representação nómada da contra-cultura, obstinada a não ficar presa a um só lugar, encontra paralelo na do também seu Diarios de motocicleta, sobre Che Guevara e sua viagem pela América do Sul. Brindar ao Oeste significa andar para a esquerda no mapa; para quem começa em Nova Iorque, como é o caso dos protagonistas, tal significa todo um país para explorar. Viver no carro de mochila feita para o que der e vier. Estende-se, no entanto, a narrativa muito para além do necessário, esticando a duração do filme ao ponto de se arriscar perder a atenção da audiência no meio do frenesim. O brasileiro entra também ele no movimento, na loucura daquela juventude, jogando com a velocidade da montagem, por vezes um vaivém de planos colados em sufoco. Curiosamente, não consegue transpor esse espírito cinético para a estrutura externa da obra, quebrando o seu ritmo nos interstícios e arrastando-a penosamente para lá do interessante.

On the Road tem o potencial de se converter, num futuro mais ou menos próximo, em filme de culto junto da audiência adolescente, a par do que Control - infinitamente superior e igualmente com o protagonismo de Sam Riley - fez há alguns anos. Haverá quem resgate do fundo do armário boinas e golas-altas pretas e vá a encontros de poesia em cafés escurecidos pelo fumo de mil cigarros (ups, logo agora que não se pode fumar indoors). A rebeldia dos ícones culturais atrai sempre a malta jovem - na qual, de resto, me incluo também -, mas esta falha em cativar. Da sua natureza episódica, entre uma maioria de momentos mais discretos e comezinhos, surgem algumas das melhores sequências do filme, caso, por exemplo, das que contam com a fantástica presença de Viggo Mortensen e Amy Adams. Mas o melhor está mesmo reservado para o fim, quando Sal escreve, finalmente e de chofre, o seu livro num rolo de folhas corrido que se espalha por todo o chão do seu quarto. Quase vale a pena ver On the Road por esses breves minutos, que sabendo a pouco, são reveladores do talento de Salles como realizador. Quase. Porque se fôssemos somar - e, sobretudo, subtrair - câmaras ao filme o resultado da conta seria tendencialmente negativo. Leva cinco delas de boa vontade e um aviso acerca do seu grave desequilíbrio. O resto é apenas movimento.


Título Original: On the Road (Brasil/EUA/França/Reino Unido, 2012)
Realizador: Walter Salles
Argumento: Jose Rivera (baseado no livro de Jack Kerouac)
Intérpretes: Sam Riley, Garrett Hedlund, Kristen Stewart, Tim Sturridge, Kirsten Dunst, Danny Morgan, Alice Braga, Amy Adams, Viggo Mortensen, Steve Buscemi, Elisabeth Moss, Terence Howard, Tiio Horn
Música: Gustavo Santaolalla
Fotografia: Eric Gautier
Género: Aventura, Drama
Duração: 124 minutos


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

Após 9 anos de espera, Peter Jackson regressa com mais um capítulo de uma das melhores sagas de fantasia das últimas décadas. THE HOBBIT, a prequela de Lord Of The Rings, chega finalmente e o resultado poderá não estar a altura das expectativas. Com a grande aderência do público é de esperar uma afluência de desilusões, talvez não para todos, mas a grande maioria não receber o que, provavelmente, esperava.

The Hobbit, passa-se 60 anos antes dos acontecimentos em LotR e acompanha Bilbo Baggins (Martin Freeman) numa aventura pela Terra Média, com companhia de um grupo de Anões e Gandalf (Ian McKellen). O grupo procura derrotar o dragão, Smaug, que se apoderou do reino dos Anões à 150 anos atrás. Surgem caras familiares e O Anel faz a sua primeira aparição assim como um grande Mal que ameaça aterrorizar a Terra Média.

Como já tinha sido anunciado, The Hobbit será uma trilogia a concluir nos próximos 3 anos, numa tentativa de seguir os passos da trilogia anterior. No entanto, a qualidade poderá não seguir os mesmo passos. Agora em 3D e em 48 fps, é uma experiência única, diferente de pessoa para pessoa, embora possa ser um desafio para os olhos se habituarem à nitidez. Para mim foi como estar a ver um clip de um video jogo de aventura bastante extenso, principalmente nas cenas de acção, com coreografias e efeitos especiais tão perfeitos que parecem mesmo tirados de um jogo. E para agravar a situação, tudo culminava numa típica boss fight, o que me deixou boquiaberto, mas não num bom sentido. Isto é bastante claro na sequência de fuga do reino dos goblins, parecendo muito artificial e previsível, destruindo completamente o trabalho dos efeitos especiais que são de cortar a respiração.

"BOSS FIGHT"

O ponto alto do filme é o facto de se integrar na perfeição à imagem de LotR, os cenários, personagens e ambiente, foram criados com um pormenor incrível o que me faz crer que Jackson ainda não perdeu o jeito. As actuações são óptimas, julgo não haver nenhuma que não deixasse a desejar. A banda sonora de Howard Shore, fantástica como sempre, traz boas memórias e uma enorme nostalgia, um trabalho digno de admiração. Assim como os cenários que são grandiosos e com a banda sonora dão aquela sensação de algo épico que até agora só LotR nos proporcionava, algo que inicialmente agarrou uma legião de fãs à obras de Tolkien. Mas embora tenha muito de bom, também tem muito de mau, o que deitou abaixo muitas das expectativas catastroficamente grandes.  

Existem diversos error que impedem este filme de sobressair, e o primeiro que gostava de referir é o pouco ênfase que é dado ao desenvolvimento das personagens, nomeadamente de Bilbo Baggins, que tem súbitas epifanias e surtos de coragem aos quais não é dada a importância devida, aliás grande parte das suas aparições em cenas pareciam um pouco insignificantes. O maior problema será definitivamente a artificialidade de certos elementos, seguido da fraca coesão entre algumas cenas que nos impedem de absorvidos pela história e facilmente nos perdemos. Não se trata de um filme mau, nada disso, até é bastante bom, mas as falhas são impossíveis de ignorar e num filme que cria expectativas tão altas isto é um erro fatal. De certa forma, é compreensível, ao contrário de LotR, que se apoiava em três livros, The Hobbit tem apenas um como apoio e a necessidade(?) de o estender para uma trilogia parece-me um pouco forçado, uma tentativa de ordenhar até ao último cêntimo a obra de Tolkien. 

Temos então um começo razoável a esta nova trilogia, resta esperar pelo futuro. Não é o que se esperava, algo majestoso, mas ainda se safa e poderá descer um pouco as expectativas para os seguintes e impedir, assim, uma desilusão em massa. Confio que Jackson ainda tem truques na manga e os seguintes serão uma melhoria, à altura do universo de Tolkien.


Título Original: The Hobbit: An Unexpected Journey (EUA/Nova Zelândia, 2012)
Realizador: Peter Jackson
Argumento: Fran Walsh; Philippa Boyens; Peter Jackson; Guillermo Del Toro; J.R.R. Tolkien (The Hobbit
Intérpretes: Ian McKellen; Martin Freeman; Richard Armtage; Ken Stott; Graham McTavish; William Kircher; Dean O'Gorman James Nesbitt; Stephen Hunter; Aidan Turner; John Callen; Christopher Lee
Música: Howard Shore
Fotografia: Andrew Lesnie
Género: Fantasia, Aventura
Duração: 169 minutos


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Brave (2012)

É curioso como BRAVE, a mais recente produção da Pixar, nasce da necessidade de explorar um nicho de mercado deixado anos ao abandono pela companhia. Não será por isso de estranhar que Merida seja uma espécie de proto-feminista que, imagine-se a afronta, quer poder escolher com quem casar. Ela que atira como uma profissional e monta o seu cavalo deixando a sua desgrenhada cabeleira ruiva solta ao vento é, afinal de contas, uma princesa escocesa com a responsabilidade de manter a paz entre os quatro clãs do seu reino. A sua mãe bem lhe ensinou que é dever das rainhas fazerem-se ouvir; o rei só lá está, quanto mais não seja, para caçar ursos e entreter os convidados. É transparente a vontade de seguir Tangled, radicalizando-o.

Os três realizadores apostam numa história mais simples - mas nem por isso menos adulta - do que o comum nos filmes do estúdio. O que significa que, apesar de se perder algum tempo (demasiado?) a apresentar as personagens e a narrativa, o storytelling é reduzido em relação aos anteriores filmes da Pixar, tornando tudo muito directo. Sabe-se o que se quer e para onde se vai desde o primeiro minuto.

Brave é uma animação que, à primeira vista, não se parece com uma animação. Veja-se o nível de detalhe dos primeiros establishing shots, o realismo da paisagem em toda a sua profundidade. A pormenorização estende-se às personagens, principalmente a Merida e aos seus cabelos ruivos. E aos olhos, sempre os olhos, janelas da alma e elemento essencial da trama. Contudo, quanto mais nos aventuramos no filme, mais fácil se torna descobrir nele falhas. E a animação acaba por parecer o que sempre foi. Apesar de menos marcante do que a maioria dos seus antecessores, Brave é uma aposta ganha. E isso, juntamente com os divertidos sotaques dos highlanders, bastará para o ver.


Título Original: Brave (EUA, 2012)
Realizador: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell
Argumento: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell, Irene Mecchi
Intérpretes: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, Craig Ferguson
Música: Patrick Doyle
Género: Animação, Acção, Aventura, Comédia, Família, Fantasia
Duração: 93 minutos



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ParaNorman (2012)

«It's all fun and games until someone raises the dead.»

A animação tem sido um campo cada vez menos destinado exclusivamente às crianças. PARANORMAN, produzido pela Laika - estúdio que há uns anos maravilhou meio Mundo com Coraline, de Henry Selick -, comprova essa tendência, combinando elementos de terror clássico com uma história que requer alguma maturidade para ser entendida. Não que o filme se demarque completamente da audiência infantil, mas nota-se a aproximação progressiva (quase como o que se tentou há duas ou três décadas) da indústria do género a um público mais adulto.


Parte homenagem cinematográfica ao Terror - as referências vão desde os anos 50 aos 80 -, parte moral a ser apreendida, a sequência que abre ParaNorman, das melhores do ano dentro do género, deixa logo claros dois dos seus principais objectivos: introduzir os mais jovens a um tipo de filmes (Terror) que, porventura, ainda não conhecerão, e reunir os mais crescidos com a sua criança interior. De resto, há qualquer coisa de burtoniano na narrativa - o menino inadaptado, marginalizado pela sociedade por um dom que não escolheu possuir e que o torna diferente - ao mesmo tempo que se brinca com algumas convenções do género. Os estereótipos do atleta burro, da loira desmiolada, do arauto e até mesmo da marrona - todos enunciados em The Cabin In the Woods, da dupla Goddard/Whedon - são subvertidos a favor da história e da meta que se pretende alcançar. A diferença é bonita e merece ser abraçada.

Chris Butler e Sam Fell dirigem um fantástico conjunto de vozes, cedidas por um ecléctico grupo de actores, enumerado na nostálgica sequência final, que acrescentam uma outra dimensão à expressividade das figuras, já de si incríveis. A película é catapultada para outro plano - um capaz de colocar a Laika a competir com gigantes como a Pixar ou a DreamWorks - pelo cuidado com que lida com todos os aspectos da produção cinematográfica envolvidos, da direcção artística à fotografia, passando pela excelente banda sonora de Jon Brion. Se calhar até já o escrevi algures nestas linhas, mas vale a pena repeti-lo: ParaNorman é, sem dúvida, um dos melhores do ano.


Título Original: ParaNorman (EUA, 2012)
Realizador: Chris Butler, Sam Fell
Argumento: Chris Butler
Intérpretes: Kodi Smit-McPhee, Tucker Albrizzi, Anna Kendrick, Casey Affleck, Christopher Mintz-Plasse, Leslie Mann, Jeff Garlin, Elaine Stritch, Bernard Hill, Alex Borstein, John Goodman
Música: Jon Brion
Fotografia: Tristan Oliver
Género: Animação, Aventura, Comédia, Família, Fantasia, Terror
Duração: 92 minutos


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Skyfall (2012)

Não será de todo errado escrever que em SKYFALL se ensaia um regresso ao passado. Não que seja particularmente antiquado ou datado, mas o desejo de impor um certo classicismo no filme é evidenciado desde cedo, logo durante o prólogo turco que pisca o olho a From Russia with Love. Chegam os créditos iniciais (tema de Adele, nova coqueluche da pop britânica) e o sentimento permanece. Nota-se a vontade de Sam Mendes de imprimir com a sua câmara - o cano da arma - uma nostalgia em relação aos anteriores capítulos da franquia, fundindo-a com uma multiplicidade de referências a outros filmes do género. O herói arrasado pela vida e a casa de infância que arde (referências claras ao Batman de Nolan), as longas perseguições, os movimentos da câmara, o vilão extravagante e bigger than life - esta bem literal, com a personagem a evitar que a Morte a reclame -, são todos pontos a partir dos quais a película deriva, mas que não deixa que se sobreponham à sua identidade. Mendes, de resto, e sem arriscar, reafirma a sua reputação de talentoso realizador, criando um conjunto de cenas muito inteligentes - como é o caso, por exemplo, da sequência em Xangai, iluminada por neóns que se projectam nas personagens (já dizia Nolan, outra vez ele, que o Cinema convencional possui profundidade suficiente sem ter de recorrer ao 3D) - que se insere num bom blockbuster de acção. A qualidade de Mendes como timoneiro revela-se igualmente nas pessoas por quem se escolheu rodear. Direcção artística, banda sonora e montagem, todas bem acima da média, elevam o filme a nível técnico; mas o maior destaque tem de ir, obrigatoriamente, para a bela fotografia de Roger Deakins, abundante em planos a contraluz e sombras, responsável por grande parte da obscuridade que rodeia Skyfall.


Daniel Craig, na sua terceira aparição como James Bond, combina a boa forma física de George Lazenby e o humor clássico (e algo piroso, diga-se de passagem) de Roger Moore, enveredando por um registo e charme diferentes dos de Pierce Brosnan. Mas nisso já se reparara nos dois filmes anteriores. Do outro lado da barricada, o Oscarizado Javier Bardem veste a pele do antagonista Silva, todo ele maneirismos e carga homoerótica. Ciberterrorista - há algo nele que faz lembrar Julian Assange, e não será necessariamente a cabeleira loira -, recupera a postura excêntrica de alguns dos vilões clássicos da franquia, distanciando-se, em simultâneo, dos da era Craig, mais sóbrios e contidos. Judi Dench, como M, completa a tríade, a "mãe" - é curioso como Silva a trata, inclusive por esse título; Bond fica-se pelo mais formal parente fonético (ma'am) - das forças que se opõe e que lutam por ela. São três interpretações seguras que, num filme negro, roubam espaço às Bond Girls da praxe - resta a dúvida se podemos considerar M uma -, que se veem reduzidas a aparecer por mera necessidade logística. A sedução é outra, entre inimigos.

Mendes situa este Skyfall nessa terra de ninguém, mas cada vez mais ocupada, entre o blockbuster puro e o cinema de autor; há quem lhe chame blockbuster de autor. Rótulos à parte, trilha-se aqui uma estrada agradável - a obra de Mendes é repleta destes caminhos, quer de predição, quer de redenção, que dão prazer percorrer -, com direito a uma road trip de Bond e M, num Aston Martin restaurado, à Escócia que viu nascer para o Cinema o icónico agente secreto britânico. O resultado final não desilude, apesar de caminharmos impiedosamente para um desfecho que desde cedo se faz anunciar. Cinquenta anos e vinte e três filmes depois, Bond continua bem vivo e pronto para as curvas. Afinal, o passatempo dele sempre é a ressurreição.


Título Original: Skyfall (EUA/Reino Unido, 2012)
Realizador: Sam Mendes
Argumento: Neal Purvis, Robert Wade, John Logan (baseado nas personagens de Ian Fleming)
Intérpretes: Daniel Craig, Judi Dench, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Albert Finney, Ben Whishaw, Ola Rapace
Música: Thomas Newman
Fotografia: Roger Deakins
Género: Acção, Aventura, Crime, Thriller
Duração: 143 minutos


sábado, 8 de setembro de 2012

Total Recall (2012)

Não sai aos seus, mas degenera.

Há qualquer coisa neste TOTAL RECALL que nunca chega a bater certo. Durante duas horas é constante a sensação de que algo de errado se passa no ecrã. Pior ainda será para quem tenha bem presente na memória o Total Recall de há duas décadas, inacreditavelmente superior a este e bem mais próximo ao conto original de Philip K. Dick que lhe serviu de inspiração. Adaptadas da mesma fonte, são mais as diferenças que separam as duas películas do que as semelhanças que as unem.

Da estória, então, nem se fala. Numa época em que a grande maioria da superfície da Terra foi destruída por uma guerra química, a vida faz-se entre Londres e a Austrália. A primeira continua a metrópole, a segunda colónia habitada por trabalhadores mal pagos e gente de gosto e origem duvidosa. Doug Quaid (Colin Farrell) é um dos que viaja diariamente entre os dois continentes, residente nos bairros de lata da Colónia e trabalhador numa das fábricas londrinas. A sua rotina repete-se, mas Quaid começa a sentir que lhe falta algo. Vítima de um pesadelo recorrente com uma mulher que não é a sua esposa, decide visitar a Rekall, empresa que implanta memórias na mente dos seus clientes, esbatendo permanentemente a linha que separa a realidade da fantasia. À imagem do primeiro, a memória e a percepção da realidade são temas centrais neste Total Recall; não chegam a ser convenientemente explorados, mas estão lá. A vida dupla, a opressão do governo, a sobrepopulação também. Afinal de contas, continua a ser uma adaptação, embora liberal, de uma obra de Philip K. Dick, e o escritor nunca se refreou de escrever ficção-científica com fundo social. É de lamentar a direcção que a equipa de argumentistas decidiu dar à obra, mas aí o assunto já será outro. A direcção de Len Wiseman pauta-se pelos mesmos princípios de mediocridade, desperdiçando planos e enquadramentos em movimentos de câmara absurdos. As cenas de fuga pelas cidades parecem saídas de um videojogo de plataformas, tal como a sequência em que Quaid despacha 10 polícias, obsoleta até para o meio em que foi inspirada.

Sobra pouco para aproveitar e recordar neste Total Recall. Perderam-se boas ideias na construcção das cidades, mesmo que fossem óbvias maquetas de outras vistas em filmes do género. A favela da Colónia, inspirada na L.A. multicultural de Blade Runner, perde-se em planos-sequência de perseguições e panorâmicas inseridas nos momentos errados. Já Londres, branca, inspirada na estética utópica da cidade-modelo futurista, quase retirada de um fotograma de I, Robot, construída em altitude,  nunca é merecedora de particular destaque na película. As duas ligadas por um elevador sugestivamente chamado A Queda, que, também sugestivamente, passa pelo núcleo do planeta. As ideias mal aproveitadas precipitam-se umas atrás das outras e deixam um gosto amargo no espectador. Não é de estranhar a meia-dúzia de referências ao antecessor, o outro Recall, colocadas à pressão no filme e gritantes na denúncia da sua origem - a prostituta de três mamas, a senhora gorda à frente de Quaid na alfândega, cópia a papel químico do disfarce do outro Quaid para entrar em Marte, a referência ao Planeta Vermelho. O protagonista chega a ser melhor, mas mesmo isso é contrabalançado por duas péssimas escolhas nos papéis femininos. E nem Bill Nighy ou Bryan Cranston, figuras maiores em lados opostos, parecem dispostos a salvar a fita.

Há duas décadas Verhoeven fez mais com, teoricamente, menos à disposição. Já bem dentro de um novo milénio, o objectivo parece passar mais por mostrar os avanços tecnológicos alcançados na indústria do que fazer justiça à estória. Para isso, mais vale ir a Marte.


Título Original: Total Recall (EUA, 2012)
Realizador: Len Wiseman
Argumento: Kurt Wimmer, Mark Bomback, Ronald Shusett, Dan O'Bannon, Jon Povill (baseado no conto de Philip K. Dick)
Intérpretes: Colin Farrell, Kate Beckingsale, Jessica Biel, Bryan Cranston, Bill Nighy
Música: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Paul Cameron
Género: Acção, Aventura, Ficção Científica
Duração: 118 minutos