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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Varda em 8 fotogramas

Uma das sequências mais brilhantes do Cinema de Agnès Varda, no seu primeiro filme.








LA POINTE-COURTE (1955), de Agnès Varda

Silvia Monfort e Philippe Noiret interpretam um casal em busca da harmonia - Ele traiu-a, Ela não foi capaz do mesmo - numa visita à terra natal dele. Na sequência reproduzida, Ele vai buscá-la à estação de comboios. Filmada sempre de costas, as caras só são descobertas quando Ela lhe pergunta se a dela não mudou durante o tempo em que estiveram afastados. Momento de pura poesia.

(fonte das imagens: Doc Alliance Films)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Agnès Varda à borla

Não é todos os dias que se tem a oportunidade de ver - ou rever - parte da obra de Agnès Varda. E, ainda por cima, à borla. O site Doc Alliance Films disponibiliza dezassete documentários da influente realizadora para visualização gratuita até 17 de Fevereiro.

Numa altura em que se fala muito sobre mulheres cineastas - com Kathryn Bigelow à cabeça do grupo -, será mais do que nunca justo relembrar Varda, uma das derradeiras representantes do Rive Gauche. Entre os filmes disponíveis contam-se LA POINTE COURTE, BLACK PANTHERS, DAGUERRÉOTYPES e o já aqui referido LES PLAGES D'AGNÈS.

O resto do catálogo pode ser consultado aqui.

domingo, 6 de janeiro de 2013

A vida em praias

Ao sexto dia, a primeira epifania cinéfila do ano. E logo pelas mãos - ou melhor, pela câmara - de uma velhinha octogenária. De estranhar, não fosse a idosa em questão dar pelo nome de Agnès Varda, uma das derradeiras representantes do Rive Gauche, movimento artístico contemporâneo da Nouvelle Vague. Nas quase duas horas de LES PLAGES D'AGNÈS, realizadas, escritas e narradas por esta Senhora Cinema, sempre viva e bem-disposta, ensina-se muito sobre Arte, e não só, a miúdos e graúdos.


Agnès aborda oitenta anos de vida através das praias que visitou e onde viveu. Da fuga da Bélgica para uma cidade costeira francesa - imortalizada em alguns dos seus filmes -, das areias Californianas às da ilha que pisava frequentemente com o marido Jacques Demy. Dos tempos que viveu em Paris e das fitas que dirigiu na sua rua de lá. Oitenta anos de histórias que recorda com maravilhosa delicadeza e liberdade, recusando, contudo, prender-se ao saudosismo e a nostalgia. Ou não fosse a sua lente uma das mais activas de sempre, pronta a capturar a verdade das coisas e a injustiça escondida na sociedade. Momento particularmente tocante - e excepção à regra que tenta manter durante o filme - é aquele em que recorda os amigos que já partiram - vivos nas muitas fotografias que deles tirou, algumas em exposição -, entristecendo-se ao lembrá-los; ou quando fala dos últimos meses de Jacques Demy, por quem realizou Jacquot de Nantes, baseado na sua infância. Agnès tem muito a ensinar, sobretudo por achar ter ainda mais a aprender.

No Dia de Reis, e através de uma prenda de Natal - como é bom ter gente que sabe do que gostamos -, finalmente percebi que, quando crescer, gostaria de ser como Agnès Varda. Visitar as suas praias, perder-me na sua obra, entregar-me às causas como ela se entregou e ainda entrega. Mas receio que tal me esteja vedado; a mim, ou a qualquer outro que o tente. É que Agnès, como todas as figuras da sua envergadura, é impossível de emular, única nas suas particularidades, virtudes e defeitos. A ela - e a quem me ofereceu o DVD, edição da Midas Filmes - um muito obrigado!

António Tavares de Figueiredo