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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Godzilla, a Lenda II

Godzilla vs Zilla

GODZILLA, de Robert Emmerich, foi a primeira reimaginação do original de 1954 para o público internacional. Com um monstro maior, mais amistoso e geralmente menos ameaçador. Tão distante do seu predecessor que também é apresentado em GODZILLA: FINAL WARS, como Zilla, "o monstro que os americanos achavam ser Godzilla".


Podia reflectir bastante sobre as mudanças abruptas que esta personagem sofre nas suas longas-metragens, como a sua personalidade e o próprio aspecto físico sofrem alterações constantes. Mas não vale a pena, a única mudança digna de nota é a do Godzilla de Emmerich, um filme que falha em muitos aspectos, seja o argumento imbecil ou as personagens irritantes. No entanto, a adaptação de 1998 incomoda-me, em primeiro lugar, com o design pouco imaginativo do monstro. A influência de Jurrassic Park (1993) é mais que clara, até somos presenteados com grupo maior, mais hilariante de velociraptors, Godzilla é reduzido uma lagartixa gigante (T-Rex?), tão ameaçadora como uma iguana domestica. Antes uma personagem orgulhosa, agora um simples animal selvagem que só chateia por ser grande.

Godzilla pode ter alterado a identidade do rei dos monstros, mas dificilmente será esse o único motivo do fracasso que é o filme. O argumento é medonho, ninguém parece saber o que está a fazer, as personagens têm demasiados momentos de completa morte cerebral, e Jean Reno no papel de francês condescendente, magnifico. Emmerich faz um trabalho menos que medíocre, já pouco espero dele, mas ainda assim me desilude, sequências tão incoerentes e noções absurdas de espaço não me permitem desfrutar deste filme. Não se trata de ser ou não um filme do Godzilla, obviamente não é, trata-se, sim, de uma fraca tentativa a um filme cómico e trágico, que não é cómico nem trágico. Apenas um autêntico aborrecimento.

Um Último Confronto

Felizmente, o Zilla não durou muito e uns anos mais tarde Godzilla surge por uma última vez, para afirmar a sua posição dominante como Rei dos Monstros. Num guerra em grande escala com os seus maiores inimigos, Godzilla: Final Wars, de Ryûhei Kitamura, relembra-nos do que realmente resplandece nos filmes do seu franchise, puro divertimento. Antes do novo reboot da Legendary Pictures tomar as rédeas, Final Wars promete diversão caótica e disparatada, sem preocupações.


As suas raízes de destruição insensata já foram abandonadas à muito, Godzilla luta para proteger o mundo, a qualquer custo. Desta vez, contra extraterrestres que o querem conquistar, e os seus monstros de estimação. Juntamente com a Earth Defence Force, nenhuma cidade está a salvo da destruição que se avizinha. Derrotando um a um, à volta do planeta, Godzilla é rápido e determinado, até ter de enfrentar o mais forte dos seus adversários, Monstro X. - Entretenimento garantido à custa de integridade. Mas devíamos ter de nos preocupar com tais trivialidades? Tendo em conta o que já sabemos que vamos ver. Acredito que não.

Talvez a adaptação de 1998 perca ainda mais pela falta de consciência dos seus objectivos. Enquanto Final Wars ganha, na medida em que é objectivo nas suas intenções e não promete para lá disso. Penso que, quando todo o franchise foi direccionado para o público mais novo, tornou-se mais complicado revertê-lo às suas origens mais maturas e Godzilla (1998) sofreu por isso. Aí Final Wars lembra, antes de mais, os disparatados cartoons e anime, com o que realmente gostávamos de ver quando éramos mais novos. Um exercício em nostalgia - a melhor maneira que tenho para o descrever - que rapidamente se engrena com as vinte e muitas memórias anteriores.


Título Original: Godzilla (EUA/Japão, 1998)
Realizador: Roland Emmerich
Argumento: Dean Devlin, Roland Emmerich
Intérpretes: Matthew Broderick, Jean Reno, Maria Pitillo, Hank Azaria, Kevin Dunn, Michael Lerner
Música: David Arnold, Michael Lloyd
Fotografia: Ueli Steiger
Género: Acção, Ficção Científica, Thriller
Duração: 139 minutos


 

Título Original: Gojira: Fainaru uôzu (Japão/Austrália/China, 2004)
Realizador: Ryûhei Kitamura
Argumento: Isao Kiriyama, Ryûhei Kitamura, Wataru Mimura, Shogo Tomiyama
Intérpretes: Masahiro Matsuoka, Rei Kikukawa, Don Frye, Maki Mizuno, Kazuki Kitamura, Kane Kosugi
Música: Keith Emerson, Nobuhiko Morino, Daisuke Yano
Fotografia: Takumi Furuya
Género: Acção, Aventura, Ficção Científica
Duração: 125 minutos


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Godzilla, a Lenda I

Com cerca de 60 anos de existência, mais de 40 horas no grande ecrã e um total de 29 filmes, Godzilla tornou-se num ícone gigantesco da cultura japonesa. Inicialmente retratado como uma ameaça, subsequentemente alternando entre os papeis de herói e anti-herói, Godzilla sofreu grandes mudanças ao longo do tempo, salvando e destruindo a Humanidade como bem lhe aprouver. 


Um monstro, produto da arrogância do Homem e um símbolo alegórico referente ao uso de armas nucleares, instável, massivo e altamente destrutivo. Godzilla oferece momentos de bom entretenimento, algumas confusões disparatadas e destruição em grande escala. Para lhe fazer uma pequena homenagem vou então falar um pouco sobre este símbolo e o seu trajecto, a sua história, num formato que parece agradar todos hoje em dia, uma trilogia.

O Inicio 

«Now i am become death, the destroyer of worlds»

- Bhagavad-Gita

GOJIRA, de Ishiro Honda, juntamente com King Kong (1933), são os pioneiros dos filmes de monstros gigantes, verdadeiras obras do cinema cujo sucesso ainda é explorado. Dando vida ao monstro mais reconhecido mundialmente, Gojira é o começo de uma longa lista de filmes, séries de TV, jogos, brinquedos, roupa e, basicamente, tudo onde se possa colocar Godzilla. O Rei dos Monstros provou-se contra tudo e todos, e parece que nem o tempo é obstáculo para impedir, ou até mesmo debilitar, o seu poder.

A premissa é bastante simples. O uso de armamento nuclear enfurece e fortalece uma antiga criatura, conhecida como Godzilla. Este ataca incessantemente a população de Tokyo, apesar dos esforços para o impedir. Sem nenhuma fraqueza aparente, Godzilla possui um poder catastrófico e sacrifícios terão de ser feitos para salvar a humanidade. 

A maior questão será - o que faz este filme ser tão bom? O seu entre-linhas que espelha o trauma do povo japonês pós-2º Guerra Mundial, causado pelos americanos. Ou a sua qualidade como um filme, como sendo interessante, com uma execução bastante boa e capaz de entreter? Embora o seu ritmo seja inconsistente, ocasionalmente lento demais, seria fácil achar que talvez a mensagem inerente fosse a razão, mas a verdade é que não temos que analisar tão fundo para realmente apreciar este filme.

Acredito que Gojira vale, em primeiro lugar, pela sua qualidade como filme, algo que se perde nas restantes sequelas. Pode não ser o melhor filme, mas funciona como um bom filme de terror/sci-fi e entretém do início ao fim, com um uso inteligente e eficaz de efeitos visuais, numa época onde ainda não éramos abençoados com a magia do CGI. Aí é onde este filme se destaca com a sua própria magia.


Título Original: Godzilla (Japão, 1954)
Realizador: Ishirô Honda
Argumento: Takeo Murata, Ishirô Honda, Shigeru Kayama
Intérpretes: Akira Takarada, Momoko Kôchi, Akihiko Hirata, Takashi Shimura, Fuyuki Murakami
Música: Akira Ifukube
Fotografia: Masao Tamai
Género: Terror, Ficção-Científica, 
Duração: 98 minutos