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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

As várias faces de Georges e Anne

Se o Carnaval é por excelência a época dos disfarces, porque não festejá-lo com as diferentes faces de Georges e Anne, o casal (quase) constante na obra de Michael Haneke?

Georg e Anna Schober (Dieter Berner e Birgit Doll), em THE SEVENTH CONTINENT [DER SIEBENTE KONTINENT] (1989)

Georg e Anna (Ulrich Mühe e Susanne Lothar), em FUNNY GAMES (1997)

Georges e Anne Laurent (Thierry Neuvic e Juliette Binoche), em CODE INCONNU: RÉCIT INCOMPLET DE DIVERS VOYAGES (2000)

Georges e Anne Laurent (Daniel Duval e Isabelle Huppert), em LE TEMPS DU LOUP (2003)

Georges e Anne Laurent (Daniel Auteuil e Juliette Binoche), em CACHÉ (2005)

George e Ann (Tim Roth e Naomi Watts), em FUNNY GAMES (2007)

Georges e Anne (Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva), em AMOUR (2012)

De 1989 a 2012, sete filmes e seis vidas diferentes para Georges e Anne.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Amour (2012)

O primeiro plano de AMOUR, que irrompe pela tela sem pedir licença a ninguém, não só arromba a porta da casa, como também a própria audiência. E fá-lo com uma certa dose de violência que na altura quase passa despercebida mas que, inevitavelmente, voltará para nos assombrar. Abrem-se portas e janelas - há que deixar sair o cheiro - que nos mostram logo o final da história. O fim está já traçado ainda o filme não começou e não há nada que possamos fazer para o alterar. Resta-nos, pois, sentar e sofrer este Amor - e que fique bem claro que ele existe e está impresso em cada segundo do que vemos - que aqui se inicia e termina em Morte. Ou não fosse esta uma obra de Michael Haneke, realizador votado a objectos de um pragmatismo trágico tal que raramente guardam em si espaço para simbolismos ou subtilezas.


Mas se antes o austríaco optava pelo choque, em Amour vence o espectador através da crueldade calma e gentil com que filma a velhice. A passividade com que se é obrigado - de bom grado - a assistir à lenta degradação daquele casal é absolutamente desarmante. O Amor de mãos dadas com o Sacrifício e o Tempo, em jeito de anti-romance. O díptico Jean-Louis Trintignant/Emmanuelle Riva espelha bem essa condição do filme, entregando-se de corpo e alma à fragilidade senescente das respectivas personagens. Também nos seus olhares, gestos e expressões há Amor, neles que parecem conhecer-se há uma vida.

Numa análise cuidada, o que Haneke cria aqui - e que lhe valeu uma segunda Palma em Cannes - não é um filme bonito. É, contudo, algo muito mais poderoso e comovente, uma demonstração cabal de honestidade que roça a brutalidade e se estende aos planos aparentemente mais inocentes - conceito ao qual, na verdade, Haneke acaba sempre por se furtar no seu trabalho - e ângulos mais inesperados. Quando no fim se regressa àquela casa já não há Amor, só silêncio. Porque o Amor do austríaco mora nas pessoas e não nos objectos que elas tocam. E assim se é, fácil e progressivamente, derrotado pelo melhor filme do ano. E que gosto dá sê-lo por algo tão brilhante como Amour.


Título Original: Amour (Alemanha/Áustria/França, 2012)
Realizador: Michael Haneke
Argumento: Michael Haneke
Intérpretes: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, Rita Blanco
Fotografia: Darius Khondji
Género: Drama
Duração: 127 minutos