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sábado, 6 de abril de 2013

Porto Surf Film Festival, Dia 3

Nunca imaginei acabar uma Páscoa a ver filmes de surf. O Porto Surf Film Festival trocou-me as voltas e proporcionou-me a inesperada oportunidade. Testemunho passado - e que bem passado - pelo Wladimir Jr. Ribeiro, calhou-me assistir às duas últimas sessões do festival. E não saí desiludido do auditório da Biblioteca Almeida Garrett.

A BROKEDOWN MELODY, de Chris Malloy (EUA, 2004)

Antologia de histórias e vivências ligadas ao surf enquanto filosofia - e, na sua maioria, afastadas da sua vertente competitiva -, A BROKEDOWN MELODY mantém grande parte das características geralmente associadas ao subgénero. Assumir-se-á, assim, como um híbrido entre documentário e fita de desporto, misturando narrações em voz-off com planos de gente a praticar a modalidade em vários pontos do globo.

Mas filmar da Jamaica ao Peru, envolvendo tantas localizações e pessoas diferentes, poderá ter-se revelado um projecto demasiado ambicioso. Nasce dessa multiplicidade de situações a sensação de uma fita algo desconjuntada, falta de um fio condutor claro e capaz de ligar todos os seus componentes. Ficam, contudo, a magnífica fotografia de David Homcy, Sonny Miller e Scott Soens - há momentos em que as cores quase extravasam os limites do contraste -, a banda sonora interessantíssima, com músicas de Eddie Vedder, Jack Johnson e Kings of Convenience, e a ideia de que A Brokedown Melody consegue, mesmo que apenas a espaços, ser um obra elegante e de rara beleza. (ATF)


SURFING WITH THE ENEMY, de Scott Braman e Adam Preskill (Cuba/EUA, 2011)

Dois cineastas norte-americanos a rodarem em Cuba; a ideia já daria, por si só, pano para mangas. Mas o que Scott Braman e Adam Preskill descobriram no seio da comunidade surfista cubana é algo de verdadeiramente incrível. O título, SURFING WITH THE ENEMY, apropria-se ao resultado. Resta é descobrir quem é o inimigo no meio disto tudo. Passem-se algumas linhais gerais do filme em revista, não se fosse despejar no leitor informação sem especial sentido: em Cuba, surfar, se não proibido, é visto com maus olhos pelas autoridades. O perigo de alguém se escapulir da ilha com a ajuda de uma prancha é grande - a distância para outros países, o Haiti, a Jamaica, ou até mesmo os EUA, não é enorme -, e desagrada os responsáveis de Havana. O medo é tanto, aliás, que não se pode, sequer, estar perto da praia à noite. Outrossim, as associações e organizações privadas não são permitidas. A comunidade surfista é, portanto, semi-clandestina, para além de pouco desenvolvida.

O que torna ainda mais caricato que a meio surjam uns quantos oficiais do governo - produtores de TV, historiadores e funcionários de ministérios - a gabarem o espírito empreendedor dos surfistas, apoiando a prática da modalidade. Percebe-se também daí o lado activista da obra - e o envolvimento de Lance Henriksen enquanto narrador -, expondo a paranóia de um regime, dirigida neste caso em particular contra um grupo relativamente restrito de pessoas. No final, explica-se o porquê de tanta rigidez: um membro do governo confessa que os surfistas pertencem à vanguarda da sociedade, associada à rebeldia e ao desejo de maior abertura. O medo deixa de ser que eles surfem para os EUA, para passar a que eles mudem Cuba a partir de dentro. Fechou-se com chave de ouro. (ATF)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Porto Surf Film Festival, Dia 2

A primeira edição de Porto Surf Film Festival continua pelo seu segundo dia. A proximidade à Páscoa não ajuda na adesão do público, mas ainda se preenchem algumas cadeira. E se o primeiro dia foi uma surpresa, no segundo esperava uma qualidade semelhante. Assim o foi.

Começou o dia com um filme bastante peculiar, SINGLEFIN: YELLOW, e acabamos com umas viagens às águas mais frias dos países nórdicos, com SEA FEVER.

SINGLEFIN: YELLOW, de Jason Baffa (EUA, 2005)

Neste pequeno filme de uma hora, seguimos os caminho de uma prancha de surf amarela especial enquanto é passada de mão em mão por diversos surfistas, usada nas mais diversas condições aquáticas. Funcionando quase como algo simbólico, esta prancha amarela aguarda eternamente pelo próximo fanático de surf para a levar a um lugar diferente.

Um filme bem feito que transmite bem a sua mensagem, que há muitas coisas que todos os surfistas partilham e não são só as pranchas. Com umas imagens bonitas com um ambiente relaxado que acaba por transmitir tudo o que realmente importa neste desporto. SINGLEFIN: YELLOW é, definitivamente, um que vale a pena ver, não só pelos amantes do surf. (WJR)


THICKER THAN WATER, de Jack Johnson, Chris Malloy, Emmett Malloy (EUA, 2000)

Este documentário é bastante agradável de se ver, é um conceito simples, imagens de um grupo de pessoas a praticar surf nos mais variados lugares, ao som de musica boazinha. Talvez a simplicidade da coisa e o efeito relaxante da música sejam o que torna este pequeno filme diferente, talvez o rumo indefinido de toda o filme e as gravações amadoras sejam o que impeça o publico de gostar. A divergência de opiniões em relação a THICKER THAN WATER é capaz de ser consideravelmente grande, mas por cá nem se achou mau de todo.

Thicker Than Water não passa de uma tentativa satisfatória a algo consistente, não tem muito para dar, mas o que dá ainda é bastante sólido e por isso não penso que seja uma completa perda de tempo, embora não valha mais que a primeira visualização. (WJR)

SEA FEVER, de Ken O'Sullivan (Irlanda, 2009)

SEA FEVER é um documentário mais focada num só local, Irlanda, e explora toda a história do surf de alguns indivíduos e do país, assim como uma das maiores ondas que lá reside. Certamente, é um filme bastante direto ao assunto e é competente no que transmite, conhece-mos famílias ligadas ao surf, alguns dos melhores locais e muita ligação entre gerações através deste desporto.

Temos também a oportunidade de ver algumas das condições mais desconfortáveis para a prática do surf, sendo um país nórdico é muito complicada encontrar céu limpo e pouco vento à beira mar. Algumas das imagens que provêm destas condições são muito bem conseguidas e atrairão o mais atento dos observadores. (WJR)

domingo, 31 de março de 2013

Porto Surf Film Festival, Dia 1


Começou dia 30, o Porto Surf Film Festival, e a redacção teve o prazer de marcar presença nesta sua primeira edição. Este pequeno festival traz-nos uma diversificada compilação de filmes e documentários sobre o surf, um tema que pode parecer, inicialmente, focado num certo público alvo mas poderá surpreender muitos que arrisquem comparecer.

Neste primeiro dia foram exibidos ONE WINTER STORY, de Sall Lundberg e Elizabeth Pepin, e THE ENDLESS SUMMER II, de Bruce Brown. Acredito que as primeiras exibições foram um bom presságio para o que estava para vir nos próximos dias.

ONE WINTER STORY, de Sall Lundberg e Elizabeth Pepin (EUA, 2006)

A história de Sarah Gerhardt e tudo o que levou à sua conquista de uma das maiores ondas do mundo, a onda de Mavericks. Este documentário biográfico da primeira mulher a surfar uma onda desta magnitude acaba por se tornar em algo bastante sentimental e inspirador, não só pelo desafio como pelas diversas dificuldades que teve que ultrapassar ao longo da vida e que levaram aos seus grandes feitos, sejam eles académicos ou no desporto.

O que torna mais dificil a sua visualização será o excesso de granulado nas imagens, uma escolha talvez pouco pensada, visto que muitas dessas imagens seriam bastante deslumbrantes sem esse aspecto. No entanto, é um filme bem construído, com um desenvolvimento apropriado para o tempo de filme que tem. (WJR)

THE ENDLESS SUMMER II, de Bruce Brown (EUA, 1994)
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Bruce Brown volta quase 30 anos depois com a sequela de um dos seus grandes trabalhos. Este traz-nos uma hora e meia de imagens simplesmente magnificas, a ocasional piadinha, um pouco de cultura e muito surf.

Aqui seguimos a viagem à volta do globo de dois fanáticos do surf pelos melhores locais para se praticar o desporto. Embora pelo caminho as desventuras sejam muitas, o destino é alcançado e são acompanhados por diversas caras familiares do primeiro filme. As duas personagens pouco importam para o cenário, a única coisa a saber é que um é o completo oposto do outro e passam o Verão a surfar nos sítios mais fantásticos.

O filme garante a qualquer público um tempo bem passado, sempre com um sorriso na boca, e nunca cansa referir que as imagens em altura de surf são espectaculares, definitivamente uma grande melhoria do primeiro em muitos aspectos. (WJR)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Programa do Porto Surf Film Festival

Pode até parecer estranho, mas o Porto vai mesmo receber um festival de Cinema dedicado ao surf. Pois que venha ele! O Porto Surf Film Festival decorrerá de 29 a 31 de Março, no Auditório Municipal da Biblioteca Almeida Garrett. O programa, que mistura ficção com documentários, já foi divulgado:

Dia 29 de Março | Sexta-Feira
ONE WINTER STORY, de Sally Lundburg e Elizabeth Pepin | 21h
THE ENDLESS SUMMER II, de Bruce Brown | 22h15

Dia 30 de Março | Sábado
SINGLE FIN YELLOW, de Jason Baffa | 16h
THICKER THAN WATER, de Jack Johnson, Chris Malloy, e Emmett Malloy | 18h15
FINNSURF, de Aleksi Raij | 21h
SEA FEVER, de Ken O'Sulivan | 22h15

Dia 31 de Março | Domingo
THE LOST WAVE, de Sam Boyer, Sam George e Paul Taublieb | 16h
CASTLES IN THE SKY, de Taylor Steele | 17h15
A BROKEDOWN MELODY, de Chris Malloy | 21h
SURFING WITH THE ENEMY, de Scott Braman e Adam Preskill | 22h15

Para mais informações - bilheteira e comunicados -, podem consultar o site oficial do festival.