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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A Nightmare on Elm Street (2010)


«Now, why won't you just fucking die?»

A crescente necessidade de reutilizar velhos clássicos e adapta-los para o público o moderno, numa tentativa, por vezes fraca, de amealhar mais uns trocos sobrepõem-se à necessidade de criar algo com qualidade. Muitas vezes destroçando o que tentam reimaginar a já duradoura vaga de reboots não deixam a salvo nenhuma das boas memórias que tivemos em frente ao ecrã quando éramos mais novos. A Nightmare On Elm Street (1984), de Wes Craven, não escapou ileso e teve a sua readaptação em A NIGHTMARE ON ELM STREET (2010), realizado por Samuel Bayer. Sem gosto nem surpresa, desfere mais um golpe num franchise que já há muito cometeu suicídio. Juntamente Friday the 13th, Halloween, Texas Chainsaw Massacre e muitos outros, ninguém está a salvo. Numa industria onde o dinheiro fala mais alto todas as vacas são ordenhadas sem consideração.


Originalidade é o que falta neste reboot, derrubado pela inexistência de conteúdo novo, com um argumento desinteressante, uma realização medíocre e um elenco de fantoches descartáveis sem talento,ou assim deram a entender. Somos defrontados com o mais genérico dos filmes de terror, quase obrigados engolir a receita que já todos provamos em demasia. Cenas, literalmente, copiadas do filme original e personagens genéricas sem qualquer tipo de personalidade. Será quase como ver hora e meia de gado a ser guiado para o matadouro, um matadouro lento, com problemas de voz e indecisão sobre a sua própria identidade. 

Freddy Krueger (Jackey Earle Haley), um dos vilões mais cruéis e ameaçadores volta para aterrorizar os nossos sonhos, desta vez com uma nova táctica, aborrecer-nos de morte. Agora com uma origem ligeiramente diferente poderá ser apenas mais uma alma atormentada a procura de retribuição? Ainda bem que não. No entanto Freddy é reduzido a mais um mero assassino com poderes sobrenaturais, sem mistério e completamente exposto desde o inicio. Para Jackey Earle Haley talvez os sapatos de Robert Englund sejam demasiado grandes para encher, tanto a sua pequena estatura e voz de fumador crónico não o beneficiam nos diálogos, já por si fracos.

A Nightmare On Elm Street falha ultimamente na completa falta de qualquer personagem que cause algum tipo de destaque, indeciso na escolha do herói e confuso no caminho que segue o enredo. Nunca chega a haver um sentimento claro de urgência ou perigo e as cenas mais assustadoras dificilmente são eficazes. Tudo perde interesse muito rápido, onde nada de emocionante acontece é complicado manter os olhos abertos - se o Freddy me assombrasse eu estava morto nos primeiros 10 minutos de filme.

Para um remake que tenta incessantemente ser diferente, pouco é realmente reinventado ou acrescentado. No que é apenas mais um ponto baixo do terror, A Nightmare On Elm Street se perderá nos anais do género como uma das mais fracas adições a um franchise clássico mas fundamentalmente ultrapassado.    


Titulo Original: A Nightmare On Elm Street (EUA, 2010)
Realizador: Samuel Bayer
Argumento: Wesley Strick; Eric Heisserer, Wes Craven (história original) 
Intérpretes: Jackey Earle Haley, Kyle Gallner, Rooney Mara, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Clancy Brown
Música: Steve Jablonski
Fotografia: Jeff Cutter
Género: Terror
Duração: 95 minutos


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Halloween (1978)

Finalmente, chegamos ao dia dos monstros e dos espíritos, e qual seria a melhor maneira de o celebrar do que com Halloween (1978), de John Carpenter, uma das grandes mentes do cinema de terror. O filme que mais marcou o género de terror slasher e que ainda hoje influência o mesmo. Introduzindo Michael Myers, o antagonista mais psicopático e mal compreendido da história do terror.

Após ter morto a irmã mais velha à facada, Michael Myers, de 6 anos, é institucionalizado durante 15 anos. Na noite antes do dia das bruxas, Michael foge e volta à sua terra natal, mas mesmo com os avisos do seu psicólogo, Dr. Sam Loomis, já será tarde demais. Principalmente para os jovens desprevenidos de Haddonfield, Illinois, que quando menos esperarem serão as presas de Myers durante a noite de Halloween.

Definitivamente, a obra-prima de Carpenter que com este filme deu à luz uma longa linhagem de slashers de terror após a grande influência de Psycho, de Alfred Hitchcock. O argumento é muito bom, acompanhado da realização inspirada de Carpenter, que dificilmente mostrará tanto potencial em projectos posteriores. As actuações são óptimas e as personagens são credíveis e fáceis para o público se identificar com elas, principalmente e curiosamente com Myers. O filme é low-budget e no entanto é surpreendentemente marcante e memorável.

Ao contrário do que se possa pensar, não é muito puxado para a violência extrema e gore, tal foi evoluindo mais tarde em filmes inspirados o Halloween. No entanto é um filme de verdadeiro terror, consegue literalmente deixar os cabelos em pé e dar arrepios na espinha, juntando um climax acelerado e de ferver o sangue. É, portanto, o filme que merece o lugar no pódio e a ultima e mais importante menção neste Especial de Halloween, não por partilhar o mesmo nome do dia, mas sim por ser um filme perfeito para ver dadas as circunstâncias.

Sendo um filme que define o seu género, irá pertencer à filmoteca obrigatória do blog. Com uma recomendação especial para ser visto hoje, por quem tenha disponibilidade, ou então o mais rápido possível, se nunca o viram.


Título Original: Halloween (EUA, 1978)
Realizador: John Carpenter
Argumento: John Carpenter; Debra Hill
Intérpretes: Donald Pleasence; Jamie Lee Curtis; Nancy Kyes; P.J Soles; Charles Cyphers; Tony Moran; Sandy Johnson
Música: John Carpenter
Fotografia: Dean Cundey
Género: Terror, Thriller
Duração: 91 minutos



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

The Texas Chain Saw Massacre (1974)

Em sequência deste Especial Halloween, mais um slasher de terror merecedor de menção será sem dúvida The Texas Chain Saw Massacre, de Tobe Hooper. Introduziu mais uma figura antagonista inesquecível, Leatherface, acompanhado de uma família de homicidas canibais que nos trazem momentos de completo horror. Apesar de ser low-budget, continua a ser uma das grandes influências no cinema de terror e aclamado tanto por críticos como pelos amantes do género.

Cinco jovens, a caminho do cemitério para visitar a campa do avô. No entanto as coisas não correm como previsto, quando são abordadas por personagens sinistras e acabam sendo perseguidos por uma família de sádicos, incluindo um que usa máscaras feitas da cara das suas vitimas e constrói mobília com os ossos. Os jovens vão sendo apanhados um a um, presos num pesadelo aparentemente inacabável. 

The Texas Chainsaw Massacre traz ao de cima uma história aterrorizadora, e por isso à que dar merito a Tobe Hooper e Kim Henkel, por terem criado um enredo bastante apelativo para o público sedento de sangue. O factor low-budget não afecta de qualquer maneira a qualidade do filme, que é um dos mais marcantes do cinema de terror, e chega a dar-lhe um toque mais realista, que por sua vez permite que o observador interiorize os acontecimentos e se consiga imaginar neles. Estamos perante um verdadeiro ambiente de terror e isso é o que trouxe o sucesso nas bilheteiras e nas críticas. A cinematografia também é boa, tanto para a época como para o tipo de equipamento usado e com tão pouco dinheiro é algo surpreendente. As actuações são bastantes credíveis e Marilyn Burns demonstra uma grande capacidade pulmonar, com um óptimo desempenho que realmente transmite um sentimento de puro terror.

Um verdadeiro ícone de terror. Com este Especial Halloween será provável que me repita, mas são casos em que estamos perante verdadeiros filme de terror que marcaram gerações e definiram o género e este é um desses casos. Recomendo para todos, mesmo que não sejam apreciadores deste tipo de filme, assim poderão viver o verdadeiro terror que este filme transmite, para quem gosta e nunca tenha visto, será uma excelente adição que nunca perde o encanto mesmo após uma segunda ou terceira visualização.


Título Original: The Texas Chain Saw Massacre (EUA, 1974)
Realizador: Tobe Hooper
Argumento: Kim Henkel, Tobe Hooper
Intérpretes: Marilyn Burns; Allen Dazniger; Paul A. Partain; William Vail; Teri McMinn; Gunnar Hansen; Edwin Neal; John Dugan
Música: Wayne Bell; Tobe Hooper
Fotografia: Daniel Pearl
Género: Terror; Thriller
Duração: 83 minutos



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Friday The 13th (1980)

Mais um ícone do terror nos anos 80 e que até hoje ainda tem impacto, Friday the 13th. Mesmo não sendo aquilo que se possa chamar de um bom filme, consegue ainda ser bastante memorável. Fez sucesso nas bilheteiras o que levou à criação de uma imensidade de sequelas que de certo modo degradaram toda a imagem do original. 

Um grupo de conselheiros do campo de férias em Crystal Lake são subitamente atacados um a um por um assassino desconhecido. Sem maneira de identificar o assassino resta fugir, mas entretanto são descobertos segredos assombrosos acerca do passado do campo Crystal Lake.

Friday the 13th não tem muito a seu favor. O trabalho de Sean S. Cunningham não é nada de especial, quase não existe qualquer tipo de enredo e as actuações são de torcer o nariz. No entanto é um filme que conseguiu arrecadar bastante nas bilheteiras e aglomerar uma base de fãs bastante extensa. Porque? Simplesmente por ser um daqueles filmes de terror que por muito maus que sejam conseguem cativar e são de facto divertidos de ver. A quantidade de gore é de agradar ao público, o que seria de esperar sendo algo encarregue a Tom Savini, que já tinha feito um ótimo trabalho em Dawn Of The Dead. Com as cenas de morte explicitas, uma quantidade abundante de clichés, música arrepiante e um ambiente de cortar à faca, literalmente, tornam isto num clássico, indiscutivelmente. Penso que será uma boa demonstração de que para termos um bom filme de terror, não são necessários efeitos muito elaborados ou planos planeados a pente fino. São as próprias imagens rudes e pouco trabalhadas que trazem o toque certo para este género específico.

Com o sucesso veio o declínio. As sequelas que daqui vieram ficaram gradualmente piores e até agora já conta com 12 filmes no total, incluindo o crossover com Nightmare On Elm Street e o remake de 2009. Esclareço também que ao contrário daquilo que se pensa, Jason Voorhees não é o antagonista deste filme, mas sim das sequelas, isto é importante para quem nunca viu o original. Embora o símbolo mais associado ao franchise seja o assassino imortal que usa uma máscara de hóquei, ele nunca aparece no primeiro filme e muitos se esquecem deste facto.

Graças ao seu estatuto de um clássico do cinema de terror é merecedor de menção aqui no blog para este Halloween, assim como recomendado para uma possível maratona de filmes de terror. Para quem nunca viu e é gosta do género então recomendo vivamente.


Título Original: Friday The 13th (EUA, 1980)
Realizador: Sean S. Cunningham
Argumento: Victor Miller; Sean S. Cunningham; Ron Kurz
Intérpretes: Betsy Palmer; Adrienne King; Jeannine Taylor; Robbi Morgan; Kevin Bacon
Música: Harry Manfredini
Fotografia: Barry Abrams
Género: Terror
Duração: 95 minutos



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A Nightmare On Elm Street (1984)

A Nightmare On Elm Street é o filme que marcou o género de terror, um clássico verdadeiramente genuíno e o primeiro merecedor de menção neste Especial Halloween aqui no Matinée. Uma verdadeira pérola de Wes Craven, que deu vida ao terror nos anos 80 e que criou um franchise extenso ao longo dos últimos 20 anos. Juntando um conceito original e um novo vilão, que viria a tornar-se num dos melhores, temos uma obra-prima do género.

Nancy Thompson (Heather Langenkamp), Tina Gray (Amanda Wyss), Rod Lane (Jsu Garcia) e Glen Lantz (Johnny Depp) estão a ser perseguidos por assassino que os ataca durante os sonhos, Freddy Krueger. Sem forma de combater esta ameaça, aparentemente imparável, a única maneira de sobreviver é não adormece. No entanto o cansaço acaba por atingir todos, resta descobrir qual o motivo por detrás das mortes e tentar impedir que Freddy os apanhe.

Em 1978 foi Halloween que que subiu ao pódio dos melhores filmes de terror, dois anos depois veio Friday The 13th. Juntos, com A Nightmare On Elm Street, temos o trio supremo do terror slasher. Freddy é, na minha opinião, o vilão mais icónico, indestrutível, absolutamente perturbador e simplesmente cruel. Mas o que o torna mais atractivo é a sua personalidade psicopática, sempre com as piadas que tornam toda a situação ainda mais doentia. Para adicionar à equação, Freddy também tem uma aparência grotesca que só o tornam mais intimidador.   

Robert Englund em A Nightmare On Elm Street

Um enredo original e único, imenso gore misturado com efeitos bastante bons e um vilão aterrorizador, e temos a receita perfeita para um óptimo filme de terror. Tanto a argumentação e realização, por parte de Wes Craven, são muito bons e funcionam na perfeição. No entanto a melhor actuação vem de Robert Englund como Freddy, que embora com menos foco do que nas sequelas que viriam depois, consegue ser o mais memorável, enquanto que as restantes actuações se mantêm pelo satisfatório, o que é observado regularmente nos filmes de terror. Mas nem tudo pode ser perfeito e mesmo com as pequenas falhas consegue ser um dos melhores, trazendo uma agradável lufada de ar fresco para os adeptos do terror.

Continua a ser, provavelmente, o meu favorito. Se nunca viram, é um must see , embora não acredite que haja alguém que nunca tenha visto, muito menos que nunca tenha ouvido falar. Definitivamente um ponto alto no cinema de terror e perfeito para a noite de Halloween.


Título Original: A Nightmare On Elm Street (EUA, 1984)
Realizador: Wes Craven
Argumento: Wes Craven
Intérpretes: John Saxon; Ronee Blakley; Heather Langenkamp; Amanda Wyss; Jsu Garcia; Johnny Depp; Robert Englund
Música: Charles Bernstein
Fotografia: Jacques Haitkin
Género: Terror
Duração: 91 minutos



sexta-feira, 13 de abril de 2012

My Soul To Take (2010)

Um típico teen slasher thriller à estilo Wes Craven é tudo que um fã de filmes de terror poderia desejar ver, com pérolas como Nightmare On Elm Street (1984) e a tetralogia Scream é impossível não ter grandes expectativas e tal é aplicado a My Soul To Take. 

Riverton é uma pequena cidade assombrada por um serial killer, o Riverton Ripper, que sofre de transtorno dissociativo de identidade, sendo que uma das personalidades é um assassino. Este acaba por tentar matar a mulher grávida mas é aparentemente morto por polícias, que na ambulância a caminho do hospital, são atacados pelo assassino que afinal não estava morto e a ambulância despista-se e o assassino desaparece, curiosamente sete crianças nascem nessa mesma noite. 16 anos mais tarde Riverton Ripper não é nada mais que uma lenda local e as realizam anualmente uma espécie de ritual para garantir que o assassino não volta para os matar. Reza a lenda que as personalidades do assassino foram divididas pelas crianças que nasceram na noite em que desapareceu, escusado será dizer que todos começam a morrer um a um e o pior de tudo é que o assassino está constantemente entre eles desde que nasceram.

O argumento está cheio de elementos típicos de Wes Craven que relembram os seus antigos filmes, mas acima de tudo tem potencial que infelizmente não foi explorado ao máximo, seria de esperar com um grande grau de entretenimento que nos deixasse agarrados à cadeira, no entanto perde demasiado em actuações fracas e com explicações inconsistentes do tema em questão, as multi-personalidades que reencarnam nos bebés. Um dos poucos pontos a favor é a clara semelhança a Scream, cheio de reviravoltas, principalmente no clímax mas acaba por ser um pouco excessivo e perde a sua integridade. Ainda assim, mesmo com reviravoltas, todo o final é previsível e o filme ainda tenta pelo meio confundir o espectador mas para pessoas que já conhecem o género será difícil não conseguir adivinhar quem é quem. 

Resumindo, não é bem a qualidade terrorifica que se esperaria de Wes Craven, mas também não se perde por completo, continua a ser um filme de terror que não perdiam nada em ver. São raros os momentos de saltar a espinha mas os que há nem são maus, no entanto se procuram um filme de terror de boa qualidade como outros do mesmo realizador, este não é para vocês.


Título Original: My Soul To Take (EUA, 2010)
Realizador: Wes Craven
Argumento: Wes Craven
Intérpretes: Max Thieriot; John Magaro; Denzel Whitaker; Zena Grey; Nick Lashaway; Paulina Olszinski; Jeremy Chu
Música: Marco Beltrami
Fotografia: Petra Korner
Género: Terror; Thriller
Duração: 107 minutos



terça-feira, 20 de março de 2012

Shiver (2012)

O Fantasporto 2012 contou com umas quantas antestreias mundiais e Shiver, de Julian Richards, foi uma delas. Recheada com um elenco de actores moderadamente conhecidos, entre os quais, Danielle Harris (Halloween, Urban Legend e Boy Scout), John Farrat (Wolf Creek e Savages Crossing) e Casper Van Dien (Starship Troopers e Sleepy Hollow), mas infelizmente acompanhados de um argumento pouco imaginativo e original. 

 É o nosso típico filme sobre um psicopata aparentemente imparável e obcecado por mulheres jovens, as quais ele usa para ganhar a ilusão de poder semelhante a um deus, isto até que se encontra com a personagem principal, Wendy (Danielle Harris) que é a única que lhe escapa e parece ser imune a qualquer tentativa de assassinato. Sem esquecer também o papel do detective encarregue do caso (Casper Van Dien) que, como é óbvio, desenvolve uma relação mais íntima com a personagem principal. 

Mais uma vez, é um daqueles temas que já foi tão batido que o público consegue prever os acontecimentos mesmo sem ver o filme, com um assassino que ninguém consegue matar porque é invencível, uma personagem principal feminina que consegue ser ainda mais invencível e gira tudo à volta deste conceito, nada de novo portanto. As actuações são medianas, nada de extraordinário, e a realização também nem é nada má, contudo não é isso que chegará para tornar isto num êxito de bilheteira, é simplesmente um pouco tedioso. 

 Não se perde nada em ir vê-lo, será, no entanto, apenas mais uma adição à lista infindável de thrillers de psicopatas obssessivo-compulsivos. Até chega a ser melhor que muitos outros, nomeadamente Savages Crossing onde John Farrat também é o antagonista, por isso se acham que estão com vontade de ver um thriller que entretenha durante uma hora e meia provavelmente esta seria uma boa escolha. 


Título Original: Shiver (EUA, 2012)
Realizador: Julian Richards
Argumento: Robert D. Weinbach; Brian Harper
Intérpretes: Danielle Harris; John Farrat; Casper Van Dien; Ray Dawn Chong
Música: Richard Band
Fotografia: Zoran Popovic
Género: Thriller
Duração: 92 minutos



quarta-feira, 7 de março de 2012

The Theatre Bizarre (2011)

Muitas vezes o público é intimidado pelos trailers dos filmes ou até mesmo pelas sinopses, sendo feito acreditar que estará prestes a ver uma coisa de um nível de terror tremendo, mas quando acaba de o visualizar apenas uma questão vem à cabeça: 'É só isto?', e este é um desses casos. Baseado no lendário teatro Grand Guignol de Paris, vemos agora Theatre Bizarre, de Douglas Buck, Buddy Giovinazzo, David Gregory, Karim Hussain, Tom Savini e Richard Stanley, que consiste numa antologia de seis pequenos contos de terror que culminam numa história principal. 

O filme começa com uma rapariga jovem que que decide visitar o interior de um teatro que julga estar abandonado, depressa descobre que tal não é o caso e aparentemente à uma peça a decorrer à qual ela assiste. Nisto, a ela são contadas seis histórias diferentes que no teatro são representadas por fantoches, cada um dos realizadores do filme é independentemente responsável por cada uma dessas histórias, e por um narrador que no inicio da peça é representado por um fantoche.

A primeira história, "Mother of Toads", é sobre um casal que se encontra a passar férias em França, infelizmente as coisas não correm como planeado quando são vitimas de acontecimentos estranhos causados por uma bruxa francesa e pela curiosidade insaciável do marido - escusado será dizer que 'a curiosidade matou o gato'. De todos, este será provavelmente o pior e mais aborrecido segmento do filme, já que os assuntos são pouco aprofundados e um tanto vagos. Vale pelas suas breves referências a Lovecraft mas com actuações muito pouco favoráveis.

Na segunda história, "I Love You", continua como algo completamente aborrecido e ridículo, sobre um casal que se vê separado, visto que a mulher, que confessa ser uma oferecida, se farta do marido e decide ir-se embora com um amigo do mesmo, o que leva a que o marido tenha um surto de raiva e violência. Mais uma vez, muito mau, com más actuações.

A seguinte história, "Wet Dreams", sobe a fasquia e revela não ser tão má como as anteriores, com actuações ainda pouco satisfatórias. É sobre as desavenças de um casal, onde o marido é infiel e tem sonhos em que é castrado, e onde a mulher sonha com a morte do marido e da amante, culminando num final que quebra todas as barreiras da realidade e da sanidade.

A quarta história, "The Accident", demonstra o ponto de vista de uma criança face a acontecimentos chocantes, outra vez, muito pouco satisfatória e aborrecido, num assunto que teria potencial para ser mais explorado.

A penúltima história, "Vision Stains", volta com um assunto bem interessante e com cenas bem mais macabras que as sequências anteriores. Trata-se de uma mulher, que após descobrir que consegue absorver as memórias das outras pessoas no momento das suas mortes ao transferir o liquido ocular das vitimas para ela, e decide tornar-se uma biografa, desejo esse que a leva a quebrar os limites do que é permitido a um mero mortal.

Finalmente, a sexta e ultima história, "Sweets", é definitivamente a mais bizarra e perturbante, explorando o vicio de comida de um casal que é levado ao limite. Nesta sequência vemos como um fetiche pode afectar o ser humano que não o sabe controlar.

Tudo acaba com o regresso ao teatro do inicio do filme onde ao longo das histórias ocorreu uma transformação bizarra e inexplicável, tanto ao narrador fantoche como à jovem rapariga na plateia.

Resumindo, é uma antologia pouco satisfatória para não dizer fraca e se procuram algo mais agressivo ou mais coeso aconselho a procurar noutro lado. Numa visão geral poderá-se dizer que entre todas as histórias  há uma ligeira referência religiosa e aos sete pecados mortais, embora um pouco incoerente e nada precisa. 


                                                          Título original: The Theatre Bizarre
Realizador: Douglas Buck; Buddy Giovinazzo; David Gregory; Karim Hussain; Jeremy Kasten; Tom Savini; Richard Stanley
Argumento: Zach Chassler; Richard Stanley; Scarlett Amaris; Emiliano Ranzani; Buddy Giovanazzo; John Esposito; Douglas Buck; Karim Hussain; David Gregory
Intérpretes: Udo Kier; Virginia Newcomb; Shane Woodward; Catriona MacColl; Victoria Maurette; André Hennické; Suzan Anbeh; Debbie Rochon; Tom Savini; James Gill; Lena Kleine; Mélodie Simard; Kaniehtiio Horn; Lindsay Goranson; Guilford Adams
Música: Simon Boswell; Susan DiBona; Pierre Marchand; Mark Raskin
Fotografia: Eduardo Fierro; John Honoré; Karim Hussain; Michael Kotschi
Género: Gore, Terror
Duração: 114 minutos


sexta-feira, 18 de março de 2011

Zibahkhana (2007)

Em 2007, Omar (Ali) Khan decidiu escrever, produzir e realizar Zibahkhana, um filme de zombies paquistanês que, a dada altura, se transforma, quase que por magia, num mórbido slasher film. Para sermos justos, Zibahkhana tem muito pouco de zombies; opta antes por nos (tentar) fazer imaginar como seria um The Karachi Chain Saw Massacre. Coisa boa, portanto.

A premissa do filme é simples: cinco estudantes paquistaneses, na ânsia de irem ver um concerto da melhor banda do país, mentem aos pais, alugam uma carrinha, e decidem-se meter-se por um atalho que os leva a um bosque no meio do nada. O aborrecido (para eles, pelo menos) é que tudo lhes começa a correr mal, numa sucessão de eventos a fazer lembrar a Lei de Murphy: entre mortos-vivos que lhes aparecem subitamente na estrada, e ficarem sem gasolina no meio do bosque (que, no máximo, nos faz lembrar uma bouça), os cinco estudantes são perseguidos por um assassino psicótico armado com um mangual, e que dá, ironicamente, pelo nome de Baby; no meio deste frenesim, há ainda tempo para receberem na sua carrinha o irmão de Baby, num não lá muito subtil piscar de olho ao burgo do célebre Leatherface.

Zibahkhana é um candidato a filme de culto como só alguns filmes verdadeiramente maus o conseguem ser - o que, de resto, já seria expectável vindo de um filme co-produzido pela mítica distribuidora britânica Mondo Macabro. Francamente, Zibahkhana não nos faz esperar mais nada vindo de Omar Khan, nem, muito menos, dos seus actores. Contudo, nem tudo é mau no primeiro filme de gore paquistanês: o argumento, escrito a meias (literalmente) entre o inglês e o urdu, e que, durante a maior parte do filme, cai no nonsense absoluto, tem o condão de proporcionar ao espectador (algumas) boas gargalhadas. E o que mais poderíamos pedir dum filme deste tipo?

No geral, Zibahkhana é um bom filme para ver com os amigos num dia em que vos apeteça rir a bandeiras despregadas. No entanto, se quiserem um filme de zombies, gore ou terror um pouco mais 'sério', optem por outro: Zibahkhana dificilmente cumprirá esse papel. Nos dias que correm, podem encontrá-lo (muito) esporadicamente nos canais TVCine, sob o nome Terra de Zombies.



IMDb: 5.6/10
Rotten Tomatoes: 49% liked it (3.3/5 average rating)