quinta-feira, 5 de julho de 2012

Super (2010)

Nem todos os super-heróis precisam de ter poderes e filmes como Defendor, Special e Kick-Ass já o provaram. Super, de James Gunn, vem apenas reforçar a ideia embora não tenha nada que já não tenha sido explorado anteriormente. Será fácil encontrar imensas semelhanças a Kick-Ass, e mesmo não sendo do mesmo calibre, também tem o seu certo encanto, é sempre divertido desfrutar de um pouco de violência excessiva em nome da justiça.

Frank (Rainn Wilson) é um pobre desgraçado que vê a sua vida virada do avesso quando a mulher, Sarah (Liv Tyler), o deixa por um traficante de droga. Após ter recorrido à polícia, sem sucesso, decide utilizar métodos menos ortodoxos para tentar salvar a mulher, enquanto espanca alguns criminosos pelo caminho. Frank, agora conhecido como Crimson Bolt, combate o crime com a ajuda de uma chave de tubos. A única pessoa que acaba por descobrir a sua verdadeira identidade é Libbie (Ellen Page), uma rapariga viciada em banda desenhada que faria de tudo para se tornar parceira do Crimson Bolt, e consegue-o embora por vezes sofra de ataques momentários de psicopatia.

O filme não é dotado de grande qualidade, mas consegue ser engraçado em certas alturas, as cenas de violência são bastante gráficas, ridículas e em excesso, cada uma melhor que a anterior e tal se podia esperar quando a arma de eleição é algo tão grosseiro. Tudo melhora com a introdução da personagem de Ellen Page, que interpreta uma rapariga que tudo sabe sobre super-heróis e a ideia de se tornar na ajudante de um dá-lhe uma energia e vontade homicida incrível, e com um desempenho deste só se pode dar os parabéns à actriz. Rainn Wilson não fica atrás, desempenhando o papel de um homem miserável que pouco tem por dar graças e que desenvolve um grande espírito de justiça. O argumento é simples e engraçado, com diálogos que roçam a idiotice mas melhoram o factor cómico. A nível de realização, para James Gunn não será um aperfeiçoamento tendo em conta o seu projecto anterior, Slither, no entanto consegue atingir um certo nível de consistência.  

Para quem se diverte com bastante violência e momentos cómicos, este é uma escolha a ter em consideração, que irá proporcionar um bom entretenimento. Também para quem aprecia o tipo de filmes como os já mencionados, Kick-Ass e Defendor, o que não deverá ser visto como um plágio mas mais como uma nova adição a um género bastante peculiar.


Título Original: Super (EUA, 2012)
Realizador: James Gunn
Argumento: James Gunn
Intérpretes: Rainn Wilson; Ellen Page; Liv Tyler; Kevin Bacon; Gregg Henry; Michael Rooker
Música: Tyler Bates
Fotografia: Steve Gainer
Género: Acção; Crime; Comédia
Duração: 96 minutos



terça-feira, 3 de julho de 2012

Anonymous (2011)

Já não há nada sagrado neste mundo. Num tempo em que se ridicularizam Igrejas e cultos e se critica abertamente governos e celebridades (a liberdade de expressão a isso permite, e ainda bem) nem Shakespeare escapa ao escrutínio público. E se o mais famoso dramaturgo de todos os tempos não fosse o autor das obras que lhe têm vindo a ser creditadas? A ideia não é nova, mas deve ser a primeira vez que é adaptada ao grande ecrã. Em tempo de teorias da conspiração tudo serve para atrair o público. Brincar com a identidade de Shakespeare de maneira mais ou menos séria não é excepção. Mas comecemos pelo início.

Um táxi rasga as ruas a uma velocidade vertiginosa. Chove a potes. O carro pára à porta de um teatro e dele sai um homem já de certa idade que, ao que parece, está atrasado para uma representação. Sobe ao palco e apresenta ao público que o ouve a velha teoria Oxfordiana que afirma que William Shakespeare não foi, de facto, o autor das obras que lhe são atribuídas. Corta-se então para a história, e do teatro passa-se para a Londres do século XVI. A premissa, já apresentada, e o rumo do filme estão traçados. Foge-se ao estilo de whodunit (nem chega a ser um mistério a autoria das peças e sonetos) e envereda-se pela intriga política. Motivado pela sucessão do trono, Edward de Vere, Conde de Oxford, divulga as muitas peças que escreveu através de Ben Jonson, dramaturgo contemporâneo. O estatuto social do primeiro não lhe permite reclamar a sua obra, a necessidade do segundo em se manter longe da prisão torna-o o veículo perfeito para que tal aconteça. Entre eles anda Shakespeare, actor fanfarrão e quase analfabeto, bebendo e ganhando fama à custa dos dois. Elizabete está também longe da imagem de Rainha Virgem, parindo bastardos a torto e a direito. E por detrás de quase todos encontram-se os Cecil, pai e filho, conselheiros reais que ambicionam a subida de Jaime da Escócia ao trono inglês. Em teoria parece complicado, na prática é bem mais fácil seguir a teia do seria de esperar. Mesmo quando se metem pelo meio flashbacks que pouco mais fazem do que quebrar o ritmo da acção e divagações de gente bêbeda em pubs ora exultando, ora negando o génio de Shakespeare.

É engraçado encontrar Roland Emmerich longe do seu habitual "cinema-catástrofe". Não que o alemão seja um cineasta particularmente competente, mas longe do género que geralmente explora mostra ser capaz de apresentar um filme, pelo menos, mais sério do que os seus projectos anteriores. O orçamento continua astronómico e a direcção de actores mediana (os desempenhos variam dentro do elenco), mas Anonymous é mais do que gente famosa a tentar salvar o Mundo. Apenas Inglaterra, se tanto. Os pontos fracos da fita são contrabalançados com algumas decisões inteligentes, como a de colocar o veterano Derek Jacobi a narrar o prólogo. O figurino e a direcção artística são de louvar. A fotografia e o som também. Só onde a técnica não consegue chegar é que a obra treme um pouco, o suficiente para se estranhar a farsa e o enredo. O melhor que se pode dizer é que se acaba o filme com menos relutância em aceitar Shakespeare como uma fraude do que quando se inicia. O que sobra é estória.


Titulo Original: Anonymous (Alemanha/Reino Unido, 2011)
Realizador: Roland Emmerich
Argumento: John Orloff
Intérpretes: Rhys Ifans, Vanessa Redgrave, Sebastian Armesto, Rafe Spall, David Thewlis, Edward Hogg, Xavier Samuel, Sam Reid, Jamie Campbell Bower, Joely Richardson
Música: Harald Kloser, Thomas Wanker
Fotografia: Anna Foerster
Género: Drama, Histórico, Thriller
Duração: 130 minutos


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chronicle (2012)

Toda a premissa de uma história de super-heróis baseia-se no factor moralidade da personagem que obtém os poderes sobre-humanos, ou seja, que os usará para combater as injustiças e o crime. Claro, tal factor nunca é muito explorado e simplesmente supõem-se que se trata de uma personagem de bom carácter que só pensa em praticar boas acções, excepto se for o vilão, que apenas vive para a destruição sem sentido e o caos. Chronicle, de Josh Trank, vem por de parte todas essas suposições e trás ao de cima uma nova - e se um grupo de adolescentes normais, nos tempos actuais, recebessem um conjunto de habilidades telecinéticas que lhes permitisse fazer o impossível? Seria muito difícil de imaginar o pior? 

Andrew (Dane DeHaan) é um típico jovem socialmente desajeitado, cujo as únicas amizades se resumem a Matt (Alex Russel), um primo complacente, e pertence a uma família disfuncional, onde o pai é um reformado bêbedo que liberta as frustrações no filho e a mãe incapacitada com uma doença terminal. Quando é quase forçado a ir a uma festa pelo primo, os dois acompanhados por Steve (Michael B. Jordan) encontra um buraco suspeito no meio dos bosque, no qual entram e encontram um artefacto que lhes atribui a capacidade de controlar objectos com a mente. Abrem assim a porta para alcançar o impossível, tudo nas mãos de adolescentes emocionalmente instáveis.

Não há muitos filmes do estilo found footage que se possam considerar bons, desde Blair Witch Project tem sido um género em ascensão e como o já mencionado não foi algo que me agradou, tenho, por hábito, baixas expectativas. No entanto, este foi uma agradável surpresa. Estive disposto a descartar a ideia de um adolescente, que não é portador de grandes fundos monetários, possuir uma câmara de filmar de 500-700$, para mim é a grande falha em todo o enredo. Mas, isso à parte, é um filme bastante realista, leva a sério todo o dilema de o que fazer se por mero acaso se ganha super poderes, e sinceramente seria difícil acreditar que a primeira ideia a vir à cabeça seria combater o crime, não, aliás neste filme tal ideia nem chega a ver a luz do sol. Em vez disso, limitam-se a praticar e usar os poderes para pregar partidas inofensivas e divertirem-se, como adolescentes normais fariam. Resumindo, o argumento consegue ser bastante cuidadoso, não revela a mais nem a menos, toda a origem e identificação do artefacto que as personagens encontraram é mantida na escuridão de modo a dar a sensação de realidade, a juntar o facto de ser tudo apenas imagens que foram gravadas com uma câmara de mão por um grupo de amigos. As actuações também são bastantes boas, tanto que realmente senti empatia por algumas delas, e todo o ambiente trágico do inevitável fim torna-se bastante credível. Os efeitos especiais, são óptimos para o pretendido e tendo em conta o baixo orçamento, foi uma grande conquista, não chegam a ser muito extravagantes durante maior parte do filme, mas o suficiente para manter o público entretido e intrigado.

O tema inclinado para os super-heróis, e visto que é algo contado do ponto de vista de adolescentes, é perfeito para um público alvo mais jovem e consegue recriar atitudes e comportamentos típicos de uma vida sem grandes responsabilidades nem consideração pelas consequências, ainda mais quando se deixam governar pelas emoções e hormonas instáveis, o que naturalmente costuma dar mau resultado. Em retrospectiva, acho que nem as sábias e inspiradoras palavras de Ben Parker conseguiriam incutir algum bom senso na cabeça das personagens.

Finalmente, é um filme a ver, sem dúvida, óptimo conceito, excelente argumento, e acima de tudo uma execução impressionante. Com a pouca afluência de qualidade nos filmes do género, este sim, é uma lufada de ar fresco, digno de umas quantas visualizações.


Título Original: Chronicle (EUA/Reino Unido, 2012)
Realizador: Josh Trank
Argumento: Max Landis; Josh Trank
Intérpretes: Dane DeHaan; Alex Russel; Michael B. Jordan; Michael Kelly; Ashley Hinshaw; Bo Petersen; Anna Wood
Fotografia: Matthew Jensen
Género: Ficção-Cientifica, Thriller; Drama
Duração: 84 minutos




Restless (2011)

Ao contrário do grosso de cineastas que tentam explorar a perda da inocência das suas personagens, Gus Van Sant tenta, acima de tudo, preservá-la. A primeira opção é quase sempre a mais fácil, mas os grandes cineastas podem dar-se ao luxo de explorar a outra via e criar verdadeiros hinos à catarse. Restless é exemplo disso mesmo, misto de alegria juvenil e sentimentalismo latente. Juntar um rapaz obcecado por funerais (Henry Hopper) a uma rapariga com um cancro em fase já terminal (Mia Wasikowska) só poderia dar nisso, mesmo que pelo meio exista o fantasma de um piloto japonês (Ryo Kase) que, por vezes, parece existir apenas pela sua própria vontade. Não que o resultado final não seja fascinante, até porque o é, mas esperar algo diferente seria irrealista.

A geração de cineastas independentes que surgiu durante os anos 80 foi pródiga em gente capaz de fazer sua toda a dor do mundo e disfarçá-la debaixo de camadas e camadas de simbolismo, por vezes, obscuro. Do rapaz que perdeu os pais num acidente de carro e se vê limitado pelos fantasmas que cria à rapariga com três meses de vida e uma mãe alcoólica é difícil evitar pensar que mal terão feito os protagonista de Restless para sofrerem o destino que Jason Lew e Gus Van Sant lhes decidiram dar. A verdade é que más coisas acontecem a gente boa mais frequentemente do que seria desejável, e que ambas as personagens, por muito mal que se encontrem, continuam a ter pessoas que se preocupam com elas.

Belo? Claro. Idílico? Também. Perfeito? Não. As falhas no argumento multiplicam-se e acaba por não se perceber se o fantasma do kamikaze que Enoch vê é real ou produto da sua imaginação. Perto do final, Annabel também diz ser capaz de o ver, mas, mais uma vez, resta saber se não passou de um artifício para aliviar a ansiedade do namorado em relação à sua iminente partida. Restless acaba, no entanto, por ser um interessante exercício de cinema, sendo capaz, no momento próprio, de troçar do melodrama em que por vezes quase cai. A banda sonora (fantástica escolha de cantigas, e uma das próximas a servir de playlist no meu leitor de música) e a fotografia pouco saturada ajudam à atmosfera lírica da película, não atrapalhando o efeito pretendido por Van Sant. Seja como for, Restless faz bem à alma, mesmo que, no fundo, pareça o feel good de todo um rol de filmes coming-of-age.


Titulo Original: Restless (EUA, 2011)
Realizador: Gus Van Sant
Argumento: Jason Lew
Intérpretes: Henry Hopper, Mia Wasikowska, Ryo Kase, Schuyler Fisk, Jane Adams
Música: Danny Elfman
Fotografia: Harris Savides
Género: Drama, Romance
Duração: 91 minutos



domingo, 1 de julho de 2012

Trailer de "The Man with the Iron Fists"

Foi divulgado o primeiro trailer de The Man with the Iron Fists. Realizada por RZA, fundador dos Wu-Tang Clan, e com um elenco encabeçado por nomes como Russell Crowe, Jamie Chung e Lucy Liu a fita tem estreia prevista nos EUA para o final deste ano.