quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Black Swan (2010)

 
Nomeado para Melhor filme dos Oscars 2010, e no contexto do Halloween (embora de forma pouco ortodoxa), surge-nos o thriller psicológico BLACK SWAN. Este filme conta a história de uma bailarina de uma prestigiada companhia de ballet, Nina Sayers (Natalie Portman) e o seu papel na ilustre produção de Swan Lake, na qual foi nomeada a protagonizar, tendo de personificar dois opostos morais: o cisne branco e seu gémeo identico, o cisne negro.
 
 
O problema surge nesse mesmo ponto, pois Nina, frágil, inocente, controlada adequa-se perfeitamente ao cisne branco, mas não ao outro. E a palavra "perfeitamente" não foi usado ao acaso, o problema da personagem em não conseguir dar vida ao cisne negro é esse mesmo, ela deseja ser demasiado perfeita, é demasiado controlada, o cisne negro necessita de alguém "solto", relaxado, sexy sem receio. É aqui que entra Lily (Mila Kunis), perfeita repreentação do cisne negro na vida real. E é nessa oposição de personalidades que realmente começa a intriga. (e algumas cenas que muitos gostaram certamente de ver).

A pressão do papel começa a afectar Nina, aliada à sua já existente faceta auto destrutiva e à própria condição de um dia-a-dia de uma bailarina, repleto de sacrifícios físicos e psicológicos, assim como a pressão do manipulador director da produção Thomas Leroy (Vincent Cassel) e ao ambiente abafado e controlado que vive em casa à mercê de sua mãe.

Todos este factores levam-nos numa viagem visualmente deslumbrante de nos prender ao lugar, onde é por vezes difícil distinguir o que é verdade do que é ilusão graças ao trabalho do grande realizador Darren Aronofsky e do brilhante argumento. O final do filme vai de encontro à própria história do Swan Lake, sendo que, após Nina demonstrar que também tem realmente um lado negro dentro de si que a possibilita de encarnar o cisne negro na perfeição, acaba por morrer por sua própria mão, mostrando que a sua determinação por ser perfeita é superior à própria vontade de viver. Com uma brilhante actuação de Natalie Portman e repleto de cenas capazes de "brincar" com a interpretação do espectador, assim como deixá-lo a reflectir sobre o que acabou de testemunhar, é fácil perceber toda a atenção que este filme recebeu no ano em que estreou.


Título Original: Black Swan (EUA, 2010)
Realizador: Darren Aronofsky
Argumento: Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin
Intérpretes: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder
Música: Clint Mansell
Fotografia: Matthew Libatique
Género: Drama, Mistério, Terror, Thriller
Duração: 108 minutos


Antichrist (2009)


ANTICHRIST é  primeira entrada na Depression Trilogy de Lars von Trier. Ele retrata o angustiante luto de uma casal que vive a morte de um filho de uma forma luciférica e pseudo-depravada, procurando a convalescença da sua sanidade mental ao mesmo tempo que curam o seu coração despedaçado e concertam uma relação praticamente desfeita.


Após o funeral da criança, Ela (Charlotte Gainsbourg) torna-se incapacitada pelo sofrimento, dando início a todo um tratamento psicoterapêutico por Ele (o seu marido, interpretado por Willem Dafoe) exercido. Após um período nada produtivo de reabilitação em casa, durante o qual Ela se tenta libertar da dor causada pela perda, bem como da dependência que viria a criar em fármacos psiquiátricos, Ele decide experimentar terapia de exposição (também conhecido como Flooding) numa cabana isolada na floresta à qual deram o nome de "Eden".

A trama segrega-se em três momentos fundamentais (mágoa, dor e desespero) que apelam à sensibilidade humana de quem os experiencia, indagando materializar a emotividade expressiva de cada uma das partes procedendo segundo uma evolução antitética.

Antichrist foge, um-tanto-ou-quanto, da convencionalidade do género, manifestando-se como uma forma de arte gótica assente num simbolismo teológico cristão, uma pintura arrepiante da psique humana que promete 108 minutos de reflexão crítica acerca de algumas das mais controversas temáticas que horrorizam a humanidade.


Título Original: Antichrist (Alemanha/Dinamarca/França/Itália/Polónia/Suécia, 2009)
Realizador: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Intérpretes: Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg
Música: Kristian Eidnes Andersen
Fotografia: Anthony Dod Mantle
Género: Drama, Terror
Duração: 108 minutos


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Thirst (2009)


Para os que se sentem cansados dos pálidos vampiros que continuam a invadir a nossa televisão nos dias que correm, a Coreia do Sul envia-nos o antídoto na forma de THIRST, um drama e uma dolorosa história de amor.


Sang-hyeon (Kang-ho Song) um padre católico e altruísta que se voluntaria para encontrar uma vacina para um vírus que assolava a área, acaba por contrair a doença, forçando-o a beber sangue para regredir os sintomas da enfermidade que ameaçava mata-lo. Obcecado pela religião, Sang-hyeon enfrenta um dilema ético sobre se deve ou não matar para sobreviver. Mesmo decidindo beber sangue apenas dos que já não o necessitam, o vampirismo causa uma evolução dos sentidos e da forma física e aquando do reencontro com os amigos de infância, Tae-ju (Ok-bin Kim) causa no padre uma nova sensação, a tentação da qual nenhum dos seus exercícios de autodisciplina o pode livrar.

São esses os pontos essenciais em que toca Thirst: tentação, culpa e pecado, num filme recheado de gore e cenas sexuais explicitas (e talvez demasiado longas) que levam este filme para o género da pornografia. Aconselho a ver este filme, pois contém um enredo interessante e atractivo com uma boa faixa sonora e cenas que nos fazem perguntar o que foi que acabamos de ver da maneira que só a Ásia tem para nos oferecer, lembrando-nos ainda do Terror que vampiros podem fazer surgir nas suas vítimas que pouco ou nada podem fazer contra estas criaturas nocturnas tão bem armadas para predar humanos, e com uma sede de poder e prazer infinitas.


Título Original: Bakjwi (Coreia do Sul, 2009)
Realizador: Chan-wook Park
Argumento: Chan-wook Park, Seo-Gyeong Jeong (baseado no livro Thérèse Raquin, de Émile Zola)
Intérpretes: Kang-ho Song, Ok-bin KimIn-hwan Park
Música: Yeong-wook Jo
Fotografia: Chung-hoon Chung
Género: Drama, Terror, Thriller
Duração: 133 minutos


Let The Right One In (2008)


 
LET THE RIGHT ONE IN (2008), de Tomas Alfredson, adaptado do romance com o mesmo nome, de John Ajvide Lindqvist, surpreende pela incrível história, óptima realização e duas actuações de topo por parte dos protagonistas. Uma abordagem sombria e, ao mesmo tempo, calorosa às romance de vampiros que promete derreter corações e gelar o sangue. 

Oskar (Kåre Hedebrant) é um rapaz solitário que vive atormentado pelos colegas de turma e pais despreocupados. Eli é um(a) vampiro(a) sedento(a) de sangue e com a eterna aparência de uma rapariga de 12 anos. Ambos encontram conforto um no outro e começam uma relação amorosa que leva Oskar a enfrentar os seus medos e a superar a angústia do dia-a-dia.


Tomas Alfredson brilha com o seu trabalho neste filme, uma realização sincronizada, com todos os elementos cruciais, O ambiente, as personagens a historia, tudo parece funcionar em harmonia. Será mesmo um filme terror? Talvez um romance mais deformado que o habitual, com a necessária violência inerente. Onde o diálogo é escasso e as imagens são mais importantes que palavras, e aprofundam o que nunca se chega a ouvir.

A imagem é cinzenta e gélida, a transmitir o sentimento de pobreza e solidão, contrabalançada apenas pelo calor dos laços criados pelos protagonistas, num contraste de cores e emoções, As próprias protagonistas são completos opostos, atraídos apenas pela angustia e sofrimento que partilham e que acabam por se complementar. Tanto Kåre Hedebrant e Lina Leandersson, com desempenhos exemplares nos papeis de Oskar e Eli, cativam logo desde o inicio, com uma grande complexidade e boa química. No entanto, não é tudo beijinhos e abraços, pois estamos perante um filme de vampiros e Let the Right One In encara-os com a seriedade que um monstro realmente merece. Somos abençoados com o terror que um verdadeiro vampiro deve causar. Sangue não falta e há cenas suficientemente assustadoras e doentias para nos manter atentos ao que possa estar ao virar da esquina.

Em geral, Let the Right One In tem tudo o que se possa querer num bom filme de terror, fascinante, original e arrepiante, com o seu toque especial que culmina numa das experiências mais satisfatórias dos últimos 10 anos no cinema de terror, daquelas que tão cedo não abandonam a nossa memória.


Título Original: Låt Den Rätte Komma In (Suécia, 2008)
Realizador: Tomas Alfredson
Argumento: John Ajvide Lindqvist
Intérpretes: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, 
Música: Johan Söderqvist
Fotografia: Hoyte Van Hoytema
Género: Drama, Romance, Terror
Duração: 115 minutos


El Orfanato (2007)


Descrever EL ORFANATO, de J.A. Bayona, numa só palavra levar-me-ia, talvez, a escolher "executório". Escoltando uma narrativa fantasista, linear e simplista, este é mais um título de Terror que não desaponta em teor de sustos, apesar do sentimento de monocromia que dele advém.


Em El Orfanato o espectador é convidado a acompanhar o mistério  em redor de um orfanato fechado por mais de uma década e reaberto por Laura (Bélen Rueda), ex-residente dessa instituição, que planeava torná-lo numa instalação para crianças com deficiência. Após decidir mudar-se com o seu filho adoptivo Simón e marido, Carlos (Fernando Cayo), começam as assombrações. Simón é uma criança de sete anos que afirma conseguir ver um menino que usa um saco como máscara chamado Tomás. Tomás denuncia a verdade a Simón acerca da sua mãe e comunica ainda que ele iria morrer.

Contando com a produção de  Guillermo del Toro, o filme apresenta elementos típicos que seriam de esperar pelo cineasta mexicano, desde o apelo à fantasia transmitido por todo um ambiente singular e único, invocações de aparições do oculto e cenários enigmáticos, até ao recurso a personagens infantis remetendo para a inocência das crianças enquanto catalisador empático, qual ponte metafórica entre o observador e a película. Não obstante, não pude deixar de sentir pela falta da expressividade visual e do ambiente característicos do mexicano.

Numa trama que tem mais de belo que de assustador, apesar de não padecer nesta última característica sempre que a vicissitude o demanda, a história atinge o seu clímax num final penoso, mas reconfortante. "Um conto de amor. Uma história de terror."


Título Original: El Orfanato (Espanha, 2007)
Realizador: J.A. Bayona
Argumento: Sergio G. Sánchez
Intérpretes: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Geraldine Chaplin
Música: Fernando Velázquez
Fotografia: Oscar Faura
Género: Drama, Mistério, Terror, Thriller
Duração: 105 minutos