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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Persepolis (2007)

De Marjane Satrapi só conheço, infelizmente, os filmes dirigidos a meias com Vincent Paronnaud. Não posso, pois, compará-los nem com as novelas gráficas que lhes serviram de base, nem com os seus trabalhos posteriores, a solo. Erro crasso, lacuna a suprir urgentemente, eu sei, amigo leitor. Posso, contudo, comparar PERSEPOLIS a Poulet aux prunes, a segunda obra da dupla, e a partir daí (tentar) tirar as minhas conclusões.


Escreva-se que, à primeira vista, a principal diferença entre os dois filmes reside na utilização da cor. A monocromia de Persepolis, com o negro muito acentuado, contrasta com a explosão colorida de Poulet aux prunes. Mais, o negro em Persepolis, de tão cerrado, parece oprimir frequentemente as suas personagens - recorde-se, a propósito, o inspirado plano que fecha o rosto de Marjane nos véus da polícia religiosa; o negro elimina e sobrepõe-se a (quase) tudo o resto. Em Poulet aux prunes não existem esses constrangimentos: é tudo mais aberto, mais feliz, mais despreocupado.

Outra das questões relevantes prende-se com o onirismo e a realidade presentes em ambos os trabalhos, e com o seu peso relativo. Persepolis e Poulet aux prunes constroem-se em torno das memórias familiares de Satrapi. Mas enquanto que no segundo essas recordações se erguem entre sonhos e fantasias, atingindo, a espaços, contornos Jeunetianos, no primeiro elas fundam-se, sobretudo, na realidade, mesmo quando, a certa altura, somos encarados por Deus (e Marx). Persepolis é, dessa maneira, um objecto muito mais denso do que o seu sucessor, talvez pela sua história ser, também ela, mais urgente e próxima à autora.

Mas é exactamente aí que o desconhecimento da obra individual quer de Satrapi, quer de Paronnaud, se faz sentir com maior intensidade: é-me impossível saber ao certo a contribuição de cada um deles para a equação final. Será que a presença de Satrapi se prende mais ao raconto, e a de Paronnaud ao lado estético? Será que Paronnaud limitou-se a ser a porta de entrada de Satrapi numa indústria desconhecida?

Seja como for - e, em última análise, essas interrogações são de somenos importância para o que aqui pretendemos -, Persepolis não tem medo de se assumir como a obra imensa que é. Marjane acaba uma estrangeira tanto no seu Irão como no Ocidente. Ali, pela liberdade que lhe roubam, asfixiando-a; aqui, por não se identificar com um estilo de vida para o qual não foi educada. Resistindo ao niilismo, resta-lhe apenas permanecer fiel à sua identidade cultural e às promessas feitas.

Será Persepolis o filme culturalmente mais relevante da última década? Ao misturar Arte e entretenimento, História e estória, Política e Religião, apelando, simultaneamente, a audiências ocidentais e iranianas, merece, pelo menos, alguma consideração nesse sentido. Por os regimes ainda se sucederem e as guerras continuarem a existir, urge (re)descobrir este monumento sociopolítico. E ouvir muito atentamente aquilo que Marjane tem para nos dizer.

[Persepolis é hoje exibido na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, às 21h00, integrado no QUÓRUM: Ciclo Cinema & Política. Oportunidade de ouro para ver, ou rever, uma das obras mais actuais do Cinema contemporâneo.]


Título Original: Persepolis (EUA/França, 2007)
Realizador: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud
Argumento: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud
Intérpretes: Chiara Mastroianni, Danielle Darrieux, Catherine Deneuve, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites 
Música: Olivier Bernet
Género: Animação, Biografia, Drama
Duração: 96 minutos



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Black & White 2013, Dia 2: o Deus-Maquinista no comando do moralismo universal

Encontro-me com o João, um dos amigos locais, numa cervejaria de esquina, pouco visível ao transeunte mais distraído. Fico com o benefício de escolher a mesa. Que seja uma cabine nos fundos, então. Ainda os finos não encontraram o caminho da mesa e já se fala dos planos dos mestres, de Bergman, Tarkovsky e Reis. Gajo culto, este João. A conversa lembra-me algo que Edgar Pêra escreveu sobre Paulo Rocha: numa das aulas, o último rumava em direcção à tela, de joelhos, oferecendo um braço em troca do olho de Dreyer para tirar planos. O João que, confessa-me, também não acha nada mal o negócio faustiano sugerido por Rocha, despede-se com o resto do seu fino e a certeza de que nestas terras lusitanas ninguém fotografa Cinema tão bem como o Rui Poças. Concordo. E ponho-me a ouvir discussões alheias.

Ao balcão fala-se do Porto. Do clube, claro está! Nota mental: guardar um dia destes para escrever sobre o Porto - a cidade, claro está! - lá no blog. Resisto à tentação de dar uma vista de olhos ao catálogo. Quero manter o desafio de seguir o festival em modo guerrilha, deixar-me guiar pelos deuses do celulóide. Estar na sala às horas marcadas e abrir os olhos, só e apenas. Ao balcão ainda se berra sobre o Porto. O caderno, esse, fica na mala; prefiro escutar o ambiente que me rodeia, saborear o momento. A vida trata-me bem. Merda, tenho de pedir ao Luís a tal entrevista! A ver se o encontro na Católica.

O Sol já se põe quando regresso ao campus. O telemóvel vibra-me no bolso. Nem de propósito, uma mensagem do Luís. O gajo deve ser bruxo! Vou ter com ele. Diz que nos dá a entrevista com todo o gosto, que é um prazer. E despede-se num abrir e fechar de olhos, sempre apressado. Desço ao bar. Mais amigos. Uns quase de infância, outros de boémias noitadas nos Leões. Pergunta-se pelo paradeiro (incerto) de conhecidos em comum, fala-se de música, festarolas e, sobretudo, Cinema. Chamam-me doido por preferir Truffaut a Godard (um «tu não sabes o que dizes» roda a mesa). Começa uma sessão competitiva de audio - à qual falto -, e aproveito para esticar as pernas. Mais reencontros, mais abraços partilhados, mais parvoíces disparadas para o ar ao desbarato. O Junior, bracarense semanal, telefona-me. Garante-me que chega sem falta amanhã, que ainda apanha os dois últimos grupos de vídeo a competição. Desligo mesmo a tempo: toca a sineta. Vão começar os filmes.

HOTEL AMENITIES (Espanha, 2012), de Julia Guillén Creagh, abre bem a sessão. Dois amantes, ambos casados com outras pessoas, encontram-se pela primeira vez num quarto de hotel. Conheceram-se online e pretendem agora consumar o caso. Só que o Universo é um sacana moralista que parece não os querer deixar concretizar o desejo carnal. Os telemóveis tocam nas piores alturas possíveis; primeiro o dela, depois o dele. São os respectivos cônjuges. Um momento de dúvida para, no final, a porta se fechar com o aviso para não incomodar o par. O resto não se precisa de saber.

Já PELUQUERO FUTEBOLERO (Espanha, 2012), de Juan Manuel Aragon, vive principalmente do seu argumento. Não revelando nada de novo, aproveita, ainda assim, os elementos à disposição para criar uma história divertida pelos seus contornos absurdos. Vale pelas gargalhas e pela (passageira) interrogação se a desorientação do homem que, acabado de trair o clube, vai cortar o cabelo não passará de um conflito interior?

Menos objectivos - até porque não precisam de o ser - são MILK GLASS (Rússia, ?), de Egor Chichkanov, DOUBLE TAKE (Suécia, ?), de J. Tobias Anderson, e DELL' AMMAZZARE IL MAIALE (Itália, 2011), de Simone Massi. Sobre os dois primeiros, a conversa é rápida: o de  Chichkanov é um videoclipe - bem filmado, é verdade, mas um videoclipe, ainda assim -, a roçar o artsy-fartsy, enquanto que o de Anderson é uma montagem em split-screen de cenas de Intermezzo: A Love Story, de Gregory Ratoff, decompondo campos-contra-campos de Leslie Howard e Ingrid Bergman (acabei por gostar do resultado). Relativamente ao de Massi, sobre o qual já tive a oportunidade de escrever a propósito de um outro evento, confirmei duas suspeitas: primeiro, que o trabalho técnico da animação é, de facto extraordinário - já para não falar da sonorização -; segundo, que falta significado à obra, viajando-se apenas entre camadas.

NEGOTIATING REPRESENTATION IN ISRAEL AND PALESTINE (Israel/Palestina/Reino Unido, ?), de Huw Wahl, parece-me um objecto com mais valor social/humanitário do que cinematográfico. Não fosse o magnífico trabalho de som - de uma riqueza enorme -, pouco havia a espremer, em Cinema, do conjunto de stills de fotojornalistas narrado pelos próprios. Salva-se a mensagem da liberalização da imagem enquanto ferramenta da consciência social (e global). Melhor na combinação da mensagem com a linguagem cinematográfica é ANDERSARTIG (Alemanha, 2011), de Dennis Stein-Schomburg, animação de traço delicado contada pela única sobrevivente de um bombardeamento a um orfanato alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Relato impressionante de uma juventude perdida, suportada pela leveza etérea que lhe dá forma.

Guardou-se o melhor para o fim. DEUS ET MACHINA (Espanha, 2012), de Koldo Almandoz, é uma obra rara no modo como se desenha. Um homem chega a uma fábrica de manhã e põe a funcionar o Mundo - trata-se de um Deus-Maquinista encantado pela Natureza que gere, mas descontente com os homens que O gerem. Se calhar Nietzsche enganou-se e Deus, afinal, não morreu: escolheu foi demitir-se daquele emprego ingrato e deixar as responsabilidades para outro.

António Tavares de Figueiredo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Black & White 2013, Dia 1: Macau, o frio, o adeus e a dança

Saio do carro a correr. Porra, o primeiro dia e já estou atrasado! Levanto a acreditação de imprensa - e vejo na mesa a do Junior, que só deve chegar lá para sexta -, e olho para o relógio. Com a brincadeira de ficar na faculdade a falar do campeonato do Porto já não vou a tempo da sessão das 15h00. Menos mal que são os vencedores do ano passado (conheço-os quase todos). Aproveito para conhecer o campus da Católica.

Ou assim contava fazer. Mal saio do edifício das Artes esbarro com uma cara conhecida. O Luís continua o mesmo: magro, com barba e sempre apressado. Pergunta-me se vou à sessão de sexta à noite, que não posso faltar. Mas que raio há de tão importante na sexta à noite? Vai apresentar a curta dele, diz-me, que tenho mesmo de ir. Deixo-o descansado: na sexta até o Junior, amigo em comum, vai! Despede-se - tem sempre muito que fazer - e marca um café para um dos dias do festival. Desisto de dar a minha volta de reconhecimento. Vou é procurar um sítio para me sentar e dar uma vista de olhos pelo programa, que isto de cobrir um certame sem saber ao que se vai não tem jeitinho nenhum.

A Católica é agradável nesta altura do ano. Encontro um banco aquecido pelo Sol e ponho-me a folhear o catálogo. Lá está o Luís Costa e o seu FONTELONGA! Foda-se, não lhe pedi uma entrevista para o blog. Enfim, alguma coisa se há-de arranjar. Recebo uma mensagem. É do Xico, outro dos amigos a estudar na área. Promete-me, também ele, um cafezinho, mas só a partir de amanhã: hoje não tem aulas. Olho novamente para o relógio. Está quase na hora da sessão das 17h00. Decido-me a encontrar a sala.

O auditório não é difícil de encontrar. Mas tenho de descer não-sei-quantos lanços de escadas com uma mala pesadíssima. Entro, escolho um lugar, e, para minha surpresa, mais um reencontro. No palco, diante de mim, uma cara conhecida das fitas nos Passos, Meca dos cinéfilos portuenses. Trocamos "olás", separados por filas de cadeiras, que o tempo não permite outras cortesias. Cabe-lhe apresentar a artist talk de Tomé Quadros, prata-da-casa e jurado nesta edição do Black & White. Fala-se de Macau, de macaístas e macaenses, do choque-transformado-em-fusão cultural, dos Dóci Papiaçam di Macau. E passa-se aos filmes, que são o que verdadeiramente importa.

O trabalho dos Dóci Papiaçam di Macau lembrou-me, quase de imediato, duas coisas: uma foi o teatro chinês, super-exagerado e altamente estilizado, de que Guerra da Mata fala em A Última Vez Que Vi Macau, seu e de João Pedro Rodrigues; a outra, a teoria da fixação do teatro, defendida por Manoel de Oliveira. Mas se a primeira é rapidamente comprovada à medida que as fitas - na sua grande maioria falsos-trailers, auto-satíricos na utilização de estereótipos e lugares-comuns - vão passando, a segunda cedo cai por terra. É que aqui o Cinema não terá tanto o objectivo fixar a obra, como de expandir, através da multimédia, a mensagem do grupo: a preservação do Patuá macaense, o crioulo local.

Reduzidos ao chiste mencionado na apresentação, os trabalhos dos Dóci Papiaçam di Macau, não obstante o seu valor na divulgação de uma identidade cultural muito própria, acabam por se reduzir à curiosidade que encerram em si, enquanto paródias assumidas. Mais interessante pareceu-me, contudo, um dos documentários do próprio Tomé Quadros - em antevisão no início da sessão -, CHÁ GORDO, sobre a prática social que reúne à mesa as famílias macaenses. Aguardo com algum entusiasmo a oportunidade de o ver.

Pausa na programação. E novo intervalo alargado. Começo a pensar no formato a dar à cobertura do festival. Que se lixe, vai ser uma crónica! Começo a desenhar, mentalmente, estas linhas. No Bar das Artes tiro da mala o fiel caderninho - companheiro de rascunhos - e escrevo não sei quantos parágrafos que sei necessitarem de séria revisão quando me apanhar no conforto de casa. Reconheço uma outra amiga (mais uma!), esta mais antiga. Não sabia que conhecia tanta a gente a estudar por estes lados. Vem na minha direcção; ainda bem, não me apetecia nada ter de me levantar para fazer o caminho contrário. Pergunta-me o que faço por aqueles lados, que decerto não estudo ali, ou já me teria visto. Mostro-lho a acreditação e falo-lhe do blog, meio orgulhoso do feito. Pá, deixa de ser parvo, a conversa não lhe interessa, penso para mim. Ela senta-se, contudo, à mesa, admiradíssima por eu editar uma página sobre Cinema. Pomos a conversa em dia, até que alguém a chama. Outro café prometido. Decido guardar o caderno e ir esticar as pernas.

Mal passo a porta que dá para o exterior cruzo-me com o Nuno Reis, do Antestreia. Ficamos a fazer horas cá fora até ao início da sessão da noite. Filmes em circuito comercial, críticos de eleição na blogosfera nacional, festivais e eventos a acompanhar, resenhas em atraso nos respectivos espaços, passam-se todos os tópicos da praxe em revista. Já não nos víamos há largos meses - desde o Fantasporto - e assunto não falta. A malta começa a entrar. Os filmes vão começar.

A edição deste ano abre com 89 MM OD EUROPY (Polónia,1993), de Marcel Lozinski, nomeado em meados da década de 90 ao Oscar de Melhor Curta-Metragem Documental. Escolha interessante. Trabalhadores dos caminhos-de-ferro a trocarem as rodas as carruagens enquanto os passageiros os observam (um deles fotografando-os). A primeira associação que vem à cabeça é o Cinema Novo, trazido pelas Novas Vagas, carregado de consciência social. Findo o filme, apresenta-se o festival e o júri deste ano. Batem-se palmas de minuto a minuto. E corta-se para os seis títulos a concurso nesta primeira leva.

WARMTH (Bielorrússia, 2010), de Victor Asliuk, é, apesar do título, um filme frio. Ambientado numa fábrica de botas, oscila entre grandes-planos fechados na cara dos trabalhadores e uma visão mais distante do vapor que preenche o espaço. Aliás, é nesse fumo ubíquo que o melhor do filme se descobre, na visão impessoal - mal contrariada pelas pessoas, próximas de ferramentas - daquele mundo industrial. Igualmente frio pareceu-me NEST (Geórgia, 2011), de Tornike Bziava. Dele destaco a solidão inicial do protagonista, um velho viúvo com um filho divorciado, e um plano extraordinariamente belo: o pai, sentado na cama, aperta a gravata ao filho, num dos gestos mais íntimos possíveis.

Bem mais alegres são THE FEAST (Alemanha, ?), de Boris Seewald, e FROM DAD TO SON (Alemanha, 2011), de Nils Knoblich. O primeiro, experimental, cola várias coreografias num espectáculo visual frenético e, diga-se com toda a justiça, feliz. O segundo, animação paralelepípeda, história de um pai agricultor com o filho preso, conseguiu deixar-me com um sorriso nos lábios, apesar das óbvias limitações técnicas.

O primeiro português a competir, Vasco Mendes, surpreendeu pela positivo. O seu FOR THOSE WHO STAY (Portugal, ?) terá sido, porventura, o melhor do dia. Muito graças aos magníficos planos em contra-luz daquele bar de aeroporto, onde a despedida é para os que não embarcam. Nem o facto de, no final, parecer um anúncio a uma qualquer marca de cerveja o prejudicou: quem filma assim merece o maior dos elogios. No pólo oposto ficou LOOKING FOR SOMETHING (PART ONE: A WINTER VISIT) (Alemanha, ?), de Fjodor Donderer, feito entre imagens granuladas e uma pretensiosa narração filosófica-ambiental. A retórica ficou, no entanto, longe de convencer.

António Tavares de Figueiredo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

8 ½ Festa do Cinema Italiano 2013: depois do aperitivo, os amuse-bouches?

Continuando o tema gastronómico, se os primeiros filmes de um festival podem ser considerados o seu aperitivo, as curtas-metragens serão amuse-bouches. Fitas para ver de um só trago e ir digerindo à medida que vão surgindo. Mas, como na culinária, também no Cinema a mão que mexe a panela tem a sua importância no resultado final. E se pudemos provar uma ou outra pérola gourmet - confeccionadas com os melhores ingredientes e a técnica mais apurada - entre os pratos seleccionados pelo 8 ½ Festa do Cinema Italiano, encontrou-se, igualmente, na ementa uns quantos menos comestíveis, faltos do cuidado exigido à cozinha deste calibre. Outro houve, ainda, que se revelou simplesmente estranho, inesperada iguaria, recomendável para gastrónomos de palato treinado e espírito aberto.

Perdoe-nos, o caro leitor, o anacronismo na habitual ordem da refeição - sobre isso, só podemos acrescentar que a ocasião faz o ladrão -, e desfrute do banquete preparado. Para ler - e comer - numa só dentada.

O bom.

Sempre me disseram que devia reservar no prato o melhor para o fim da refeição. Não fosse, no entanto, o apetite - o meu e o do leitor - perder-se nas espinhas encravadas na garganta, é exactamente por aí que me proponho começar. E logo com CARGO (2012), de Carlo Sironi, filme sobre as redes de tráfico de mulheres que operam na Europa. Ou, melhor, sobre uma dessas mulheres traficadas - a carga -, forçada a prostituir-se numa autoestrada. Se a temática tem sido recorrente nas vagas mais recentes do realismo social, Sironi surpreende, no entanto, pela forma como a filma, afastando-se do acto em si para se concentrar noutros problemas relacionados. Por isso não me admiro que o melhor do filme se encontre num momento de rara cumplicidade entre a prostituta grávida e o chulo/moço-de-recados que julga ser o pai da criança - e que belas interpretações de Lidiya Liberman e Flavius Gordea -, no qual ela lhe confessa que momentos antes lhe chamara stronzo em ucraniano. O melhor da selecção.

Não é difícil imaginar TERRA (2012), de Piero Messina, a ter sucesso em festivais. Pelo menos foi essa a sensação com que fiquei após o ver. O que pode indicar uma de duas coisas - e porque não um pouco de ambas? -: ou é, de facto, um filme muito bem feito, com valores de produção sólidos, ou deixa-se cair num pretensiosismo tal, que às tantas já ninguém percebe o que por lá se passa. Mesmo admitindo que Terra possa sucumbir ao peso da sua própria ambiguidade, é de louvar a inteligência de Messina na construção deste purgatório marítimo e a direcção de fotografia de Diana G. Palombaro, absolutamente deslumbrante. E esperar que a próxima obra do realizador se concretize em algo mais inteligível.

Menos conseguido do que os filmes anteriores - até pela maneira como foi filmado -, mas igualmente interessante, é LA COLPA (2011), de Francesco Prisco. Partindo da ideia de discriminação - com dois polícias a quererem revistar a mala de um indivíduo árabe - para a de preconceito inconsciente, com o advogado que defendeu o árabe a ser também ele levado por comportamentos semelhantes, Prisco explora de forma eficaz o medo irracional associado aos traumas de uma sociedade pós-9/11. Falha, contudo, na construção coerente da sua mensagem, ora negando a utilidade da estereotipagem, ora validando-a. Ultrapassando a condescendência - que tenta esconder sem sucesso -, revela-se uma obra curiosa, embora nem por isso mais necessária. Para mim, um bom menos, daqueles quase a passar para a negativa.

O mau.

CUSUTU ‘N CODDU (2012), de Giovanni La Parola, lembrou-me, pela paleta de cores de que dispõe, os acid westerns de Jodorowsky. Sirva a comparação como uma espécie de elogio - o único possível -, com as cores a dançarem nos limites do contraste e saturação. Pouco sobra desse exercício estético, propositado ou não, resumindo-se o filme a um chorrilho de disparates incapaz de o sustentar. O pior da sessão, e um dos mais indigestos do festival.

TRAINING AUTO GENO (2011), de Astutillo Smeriglia, peca, sobretudo, pelo seu humor brejeiro. Fora isso, funciona como uma engraçada abordagem à questão homens versus mulheres, embora nem por isso mais correcta - as mulheres querem todas casar-se, os homens só pensam em sexo -, tentando colocar em evidência algumas das diferenças entre os géneros. Não sendo bem sucedido no seu objectivo, essa ligeireza que assume logo à partida permite-lhe, pelo menos, parecer menos mau do que Cusutu 'n coddu.

O estranho.

Resistindo à tentação de incluir Terra nesta secção, não consegui o mesmo em relação a DELL' AMMAZZARE IL MAIALE (2011), de Simone Massi. Não que o filme seja péssimo, mas a imagética que manipula torna-o um exercício, no mínimo, bizarro e algo confuso. Personagens que se transformam noutras personagens, saindo do seu corpo, existindo nas suas sombras, espaços que são cães, travellings por camadas de estória - do mais desorientador que já experimentei em animação -, tudo na obra contribui para a formação de um objecto surreal, penetrante e intenso. O que me faz desconfiar que, provida de um significado concreto, a obra poderia ser ainda melhor; não o tendo, é apenas esquisita.

António Tavares de Figueiredo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

The Haunted World of El Superbeasto (2009)

Tenho para mim, desde que vi pela primeira vez o videoclip da Dragula, que o Rob Zombie é a personagem carnavalesca perfeita. Um homem de maquilhagem putrefacta e longas barbas, que assina um vídeos em que aparecem os mais diversos monstros. Mas se com o passar dos anos Zombie se foi desmultiplicando em cada vez menos máscaras, em THE HAUNTED WORLD OF EL SUPERBEASTO recupera-as. Começando logo pelo protagonista.


Até porque nem é a primeira vez que uma personagem de um dos filmes de Zombie fica conhecida por nunca mostrar a face. Se em Halloween, o assassino era quem escondia a cara - acentuando o tal carácter de monstro -, aqui é o (anti-)herói que anda mascarado. El Superbeasto, mistura de pornógrafo javardo com caçador de monstros, torna-se assim uma espécie de reflexo distorcido do próprio Zombie - a tal máscara, de filme de terror em filme de terror -, dividindo-se em ocupações e talentos.

Ou pode ser que se esteja a complicar demasiado a coisa , e que The Haunted World of El Superbeasto não passe de um esforço de divertir através da sua rudimentar animação pensada para adultos e carregadinha de exploitation do primeiro ao último minuto. Curiosamente - ou talvez nem tanto, analisando o que ficou para trás -, pouco mais de uma hora de bonecada profana e algo reprovável revela-se o melhor que Zombie já realizou. E como é Carnaval, ninguém levará a mal.


Título Original: The Haunted World of El Superbeasto (EUA, 2009)
Realizador: Rob Zombie
Argumento: Rob Zombie, Tom Papa (baseado na banda-desenhada de Rob Zombie)
Intérpretes: Tom Papa, Sheri Moon Zombie, Paul Giamatti, Geoffrey Lewis, Rosario Dawson, Danny Trejo, Bill Moseley, Sid Haig
Música: Tyler Bates
Género: Acção, Animação, Aventura, Comédia, Fantasia, Terror
Duração: 77 minutos



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Frankenweenie (2012)

Aqui no estaminé andávamos esquecidos do talento de Tim Burton para o Humanismo. Não que desgostássemos completamente das suas obras mais artificiais - houve aqui quem tenha achado alguma graça a Alice in Wonderland (2010) ou a Dark Shadows (2012), aquela soap-opera tornada filme -, mas sentíamos a falta da veia que marcou a carreira do cineasta norte-americano no seu início. Burton parece ter ouvido os nosso lamentos, e deu luz a uma antiga ideia sua, este FRANKENWEENIE. O mesmo conceito que lhe valeu o despedimento da Disney na década de 80 - acharam-no muito negro para a miudagem -, produzido pelo gigante do entretenimento que o descartara décadas antes, em animação a preto-e-branco e formato familiar.


Um miúdo que tem como único amigo o seu cão, ressuscita-o após ter assistido ao seu atropelamento. Como a Feira de Ciências da escola se aproxima - e a competição é feroz -, os seus colegas de turma, ao descobrirem o segredo, vão fazer de tudo para reproduzir a experiência prometeica. É desta premissa tocante que nasce o filme; não se encontra, contudo, a ela limitado, cultivando morais em campos mais distantes. Lida-se com o luto (e a sua ausência) e com o medo em relação ao desconhecido. Não será por acaso que, ao ser despedido, o professor de ciências - personagem a fazer lembrar Vincent Price, sonorizada por Martin Landau - diz com pesar que hoje em dia todos se julgam cientistas. Ao receio pelo que não se conhece junta-se o pedantismo de disparar inanidades sobre o que não se sabe. Burton reconhece e expõe o defeito social, apelando ao conhecimento.

Não se estranhe, pois, que Burton imprima o seu estilo em cada momento desta sua segunda adaptação da estória - a primeira teve a forma de curta-metragem em live action -, reconduzindo frequentemente o público a outros momentos do seu trabalho. Cria-se uma nostalgia em relação ao que ficou para trás - que se prolonga através do regresso de algum do seu cast regular e da evocação de personagens lendárias do género - e que tarda em abandonar o espectador. Desse modo - e para quem gosta dos habituais mecanismos burtonianos - é complicado não adorar aquela pequena cidade, que parece toda ela extraída do imaginário clássico do Cinema de Terror, e quem lá habita. Entre o gótico e o expressionista, há em Frankenweenie um idealismo doce e inocente que nos faz recuar no tempo. É o regresso do Burton clássico.


Título Original: Frankenweenie (EUA, 2012)
Realizador: Tim Burton
Argumento: John August (baseado no argumento de Leonard Ripps e na ideia original de Tim Burton)
Intérpretes: Charlie Tahan, Catherine O'Hara, Martin Short, Martin Landau, Winona Ryder
Música: Danny Elfman
Fotografia: Peter Sorg
Género: Animação, Comédia, Ficção-Científica, Terror
Duração: 87 minutos


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Brave (2012)

É curioso como BRAVE, a mais recente produção da Pixar, nasce da necessidade de explorar um nicho de mercado deixado anos ao abandono pela companhia. Não será por isso de estranhar que Merida seja uma espécie de proto-feminista que, imagine-se a afronta, quer poder escolher com quem casar. Ela que atira como uma profissional e monta o seu cavalo deixando a sua desgrenhada cabeleira ruiva solta ao vento é, afinal de contas, uma princesa escocesa com a responsabilidade de manter a paz entre os quatro clãs do seu reino. A sua mãe bem lhe ensinou que é dever das rainhas fazerem-se ouvir; o rei só lá está, quanto mais não seja, para caçar ursos e entreter os convidados. É transparente a vontade de seguir Tangled, radicalizando-o.

Os três realizadores apostam numa história mais simples - mas nem por isso menos adulta - do que o comum nos filmes do estúdio. O que significa que, apesar de se perder algum tempo (demasiado?) a apresentar as personagens e a narrativa, o storytelling é reduzido em relação aos anteriores filmes da Pixar, tornando tudo muito directo. Sabe-se o que se quer e para onde se vai desde o primeiro minuto.

Brave é uma animação que, à primeira vista, não se parece com uma animação. Veja-se o nível de detalhe dos primeiros establishing shots, o realismo da paisagem em toda a sua profundidade. A pormenorização estende-se às personagens, principalmente a Merida e aos seus cabelos ruivos. E aos olhos, sempre os olhos, janelas da alma e elemento essencial da trama. Contudo, quanto mais nos aventuramos no filme, mais fácil se torna descobrir nele falhas. E a animação acaba por parecer o que sempre foi. Apesar de menos marcante do que a maioria dos seus antecessores, Brave é uma aposta ganha. E isso, juntamente com os divertidos sotaques dos highlanders, bastará para o ver.


Título Original: Brave (EUA, 2012)
Realizador: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell
Argumento: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell, Irene Mecchi
Intérpretes: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, Craig Ferguson
Música: Patrick Doyle
Género: Animação, Acção, Aventura, Comédia, Família, Fantasia
Duração: 93 minutos



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ParaNorman (2012)

«It's all fun and games until someone raises the dead.»

A animação tem sido um campo cada vez menos destinado exclusivamente às crianças. PARANORMAN, produzido pela Laika - estúdio que há uns anos maravilhou meio Mundo com Coraline, de Henry Selick -, comprova essa tendência, combinando elementos de terror clássico com uma história que requer alguma maturidade para ser entendida. Não que o filme se demarque completamente da audiência infantil, mas nota-se a aproximação progressiva (quase como o que se tentou há duas ou três décadas) da indústria do género a um público mais adulto.


Parte homenagem cinematográfica ao Terror - as referências vão desde os anos 50 aos 80 -, parte moral a ser apreendida, a sequência que abre ParaNorman, das melhores do ano dentro do género, deixa logo claros dois dos seus principais objectivos: introduzir os mais jovens a um tipo de filmes (Terror) que, porventura, ainda não conhecerão, e reunir os mais crescidos com a sua criança interior. De resto, há qualquer coisa de burtoniano na narrativa - o menino inadaptado, marginalizado pela sociedade por um dom que não escolheu possuir e que o torna diferente - ao mesmo tempo que se brinca com algumas convenções do género. Os estereótipos do atleta burro, da loira desmiolada, do arauto e até mesmo da marrona - todos enunciados em The Cabin In the Woods, da dupla Goddard/Whedon - são subvertidos a favor da história e da meta que se pretende alcançar. A diferença é bonita e merece ser abraçada.

Chris Butler e Sam Fell dirigem um fantástico conjunto de vozes, cedidas por um ecléctico grupo de actores, enumerado na nostálgica sequência final, que acrescentam uma outra dimensão à expressividade das figuras, já de si incríveis. A película é catapultada para outro plano - um capaz de colocar a Laika a competir com gigantes como a Pixar ou a DreamWorks - pelo cuidado com que lida com todos os aspectos da produção cinematográfica envolvidos, da direcção artística à fotografia, passando pela excelente banda sonora de Jon Brion. Se calhar até já o escrevi algures nestas linhas, mas vale a pena repeti-lo: ParaNorman é, sem dúvida, um dos melhores do ano.


Título Original: ParaNorman (EUA, 2012)
Realizador: Chris Butler, Sam Fell
Argumento: Chris Butler
Intérpretes: Kodi Smit-McPhee, Tucker Albrizzi, Anna Kendrick, Casey Affleck, Christopher Mintz-Plasse, Leslie Mann, Jeff Garlin, Elaine Stritch, Bernard Hill, Alex Borstein, John Goodman
Música: Jon Brion
Fotografia: Tristan Oliver
Género: Animação, Aventura, Comédia, Família, Fantasia, Terror
Duração: 92 minutos


sexta-feira, 30 de março de 2012

Evangelion 1.0: You Are (Not) Alone (2007)

O filme que marca um novo inicio à famosa série de anime de 1995, Neon Genesis Evangelion, que procura recontar a história original. É o primeiro de quatro filmes planeados sendo que o ultimo terá uma conclusão diferente da série original.

Existem seres monstruosos, aparentemente mecânicos, denominados de Angels, que buscam a destruição da raça humana. NERV é uma organização criada para somente para eliminação desses seres usando os EVAS, máquinas humanóides controladas por jovens pilotos. Não é claro se a destruição dos Angels é a única motivação da organização.

Quem já é familiarizado com a série original irá notar um grande update em todo o visual, contudo, não sendo já um fã da série, o filme será muito aborrecido. Penso que há muito, senão demasiado, desenvolvimento emocional de personagens e muito pouco contributo para a história em si, uma desproporção que é muito difícil de deixar passar, com um excesso no factor melodramático. Maior parte do filme é, basicamente, lamentações repetidas da personagem principal, que limita-se a queixar-se de tudo e a ter súbitos acessos de raiva. De resto, desde a banda sonora, aos cenários e a toda a arte visual é um filme que entretém qualquer fã do anime de género, no entanto para os restantes não irá ser tão aprazível.



Título Original: Evangerion Shin Gekijôban: Jo (Japão, 2007)
Realizador: Masayuki; Kazuya Tsurumaki; Hideaki Anno
Argumento: Hideaki Anno; Yoshiki Sakurai
Intérpretes (vozes): Megumi Ogata; Megumi Hayashibara; Kotono Mitsuishi
Música: Shirô Sagisu
Género: Anime; Drama; Ficção-Científica; Mecha





quarta-feira, 28 de março de 2012

Afro Samurai: Ressurection (2009)

A adaptação animada da manga de sucesso, Afro Samurai, regressa com uma longa-metragem de animação. Novamente com produção de Samuel L. Jackson, que volta a dar a voz a Afro e Ninja Ninja, os dois protagonistas da série original.

Pegando onde a série original deixou, Afro após ganhar a fita nº1 passa anos isolado do mundo numa tentativa de deixar para trás o seu passado de assassino assim como a fita nº1. Agora Afro vê-se obrigado a voltar ao campo de batalha outra vez em busca do possuidor da fita nº1 da qual tinha abdicado, mas agora simplesmente para recuperar os restos do seu pai, os quais foram roubados da campa, com a companhia de Ninja Ninja volta a enfrentar o seu passado que parece não querer deixá-lo em paz.

Se já a série original tinha uns visuais fantásticos, Afro Samurai: Ressurection veio melhora-los, mais uma vez com uma banda sonora alucinante e recheado de acção e sangue. Infelizmente este filme altera alguns dos acontecimentos passados na série original, o que para os fãs será um pouco confuso e potencialmente irritante, algo que parece um pouco mal concebido mas também abre portas para uma visão diferente e mais aprofundada da história.

Contudo, é bastante divertido e cheio de acção, sendo, portanto, uma fonte sólida de entretenimento. Definitivamente é algo que fãs de anime de estilo seinen não devem perder, nem que seja só pelas falas ridículas e comportamentos estranhos de Ninja Ninja.


Título Original: Afro Samurai: Ressurection (Japão/EUA, 2009)
Realizador: Fuminori Kizaki
Argumento: Eric S. Calderon; Leo Chu; Eric Garcia; Yasuyuki Muto; Takashi Okazaki
Intérpretes: Samuel L. Jackson; Lucy Liu; Yuri Lowenthal
Música: RZA
Género: Acção; Anime; Aventura; Gore
Duração: 101 minutos



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Oscar's Adventures!

Numa tentativa de apelar às boas práticas ambientais dos mais jovens e obter um projecto escolar inovador, ou seja, simplesmente para ter a melhor classificação possível, apresentamos esta curta-metragem de animação 3D realizada pelos alunos do 12º ano do Agrupamento de Escolas da Senhora da Hora nº2. Podem não achar lá grande coisa ou que tem muitos, para não dizer imensos, erros, mas a verdade é que nenhum dos produtores se importa visto que esta obra-prima(?) cumpriu com os seus objectivos, o que já é uma grande vitória.

"Oscar,O Urso Polar apercebe-se do estado negativo em que se encontra o planeta Terra e decide fazer algo de forma a contrariar esta situação. Com a ajuda do seu avião dirige-se a uma cidade onde irá sensibilizar as pessoas para boas práticas ambientais.

Entretanto, do outro lado do planeta, um inofensivo e indefeso pinguim sofre na pele as consequências da degradação ambiental. Conseguiram e o seu fiel companheiro escapar ao terrível destino que os espera?"