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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

300: Rise of an Empire (2014)

Do realizador Noam Murro e com a participação de Zack Snyder, nasce a sequela do filme 300 na tentativa de recriar o sucesso entre o público. 300: RISE OF AN EMPIRE retrata a continuação da guerra entre a Grécia e a Persa mas desta feita, pela prespecitva ateniense.


Themistokles (Sullivan Stapleton) é um general ateniense encarregado de unir a Grécia e preparar a defesa contra a ofensiva militar persa liderada por Xerxes (Rodrigo Santoro). A acção vai se desenrolar em paralelo com a do primeiro filme mas desta vez, no mar onde a poderosa frota persa controlada por Artemisia (Eva Green) dominava. Mais uma vez, os gregos são colocados numa situação de uma colossal desvantagem numérica que Themistokles tem que lidar, usando astucia e estratégias militares para impedir o avanço persa.

O filme anterior era apenas sobre guerreiros bem treinados em combate diário com inovadoras cenas de acção que impressionam o espectador e não deixava de transmitir um certo heroísmo pelo sacrifício destes trezentos heróis. Este filme no entanto, trata-se apenas de sangue em 3D. Do início ao fim somos banhados no constante sangue que jorra dos ferimentos dos persas enquanto são trinchados em slow motion aleatório e planos que mais parecem retirados de um jogo gore, onde as personagens deverão decerto ser descendentes de deuses pois de outra forma não sei como seriam capazes de sobreviver certos feitos definitivamente inumanos.

Não sei se a ideia era transmitir o misticismo inerente a mitologia grega mas certos pontos do enredo podem ser consideradas simplesmente treta. A tentativa de ilustrar a transformação de Xerxes em Rei-Deus que tão cedo me deixou céptico em relação ao resto do filme e a estranha cena de sexo são dois bons exemplos disso.

No entanto, a inferioridade de 300: O Início de um Império em comparação com o filme de 2004 não o impediu de receber boas críticas, certamente influenciadas pelo papel de Eva Green como Artemisa, capitã da frota persa que viveu a infância torturada e abusada por captores gregos, sendo afectada por um ódio profundo e uma sede de vingança pela Grécia. A grande actuação da viciosa e implacável Artemisa conseguia sempre prender a atenção, e constitui um ponto positivo do filme.

Para os que apreciaram o filme antecessor, deverão ser capazes de ver este filme com algum interesse. Se não são fãs do sague e violência do primeiro, será um filme a evitar pois é apenas um aumento no gore a juntar a maus efeitos especiais e piores slow motions.


Título Original: 300: Rise of an Empire (EUA, 2014)
Realizador: Noam Murro
Argumento: Zack Snyder, Kurt Johnstad
Intérpretes: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, David Wenham, Rodrigo Santoro
Música: Junkie XL
Fotografia: Simon Duggan
Género: Acção, Fantasia
Duração: 102 minutos


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Maleficent (2014)

Cruel, impiedosa e vingativa. Quem se recorda do açucarado clássico da Disney The Sleeping Beauty, decerto se lembra também da torpe vilã, Malévola a fada malvada. Essa, que tão somente por lhe faltar um simples convite à celebração do nascimento de uma princesa, era capaz de semear o caos em todo um reino. Um modelo para os vilões que a sucederam, que acaba por se tornar o alicerce para a dualidade existencial entre o bem e o mal já vislumbrada por Tchaikovsky no seu segundo ballet.


Em 1959 chega-nos, pois, o colorido e encantador (mas, por vezes, assustador) desenho animado que se tornou um marco para a animação cinematográfica ao ser o mais dispendioso cartoon produzido pela Walt Disney Pictures até à data.

Cinco décadas depois estreia nas salas de cinema a mais recente adaptação em live-action desse mesmo clássico, MALEFICENT. Um verdadeiro passeio alegórico pela catarse nostálgica que era a Bela Adormecida.

Incluindo a participação de Angelina Jolie (cuja prestação é digna de louvor)  no papel de protagonista, o filme conta a história que todos conhecemos ao revés adoptando uma inovadora perspectiva, a de Malévola. Lamentavelmente, aquilo que podia ter sido um passeio agradável por The Moors e redondezas converteu-se numa prova de 400 com barreiras, a qual em cada obstáculo parecia quebrar mais e mais a essência do conto de fadas.

Em primeiro lugar, sente-se o tempo marcadamente acelerado em Maleficent. Quase como se houvesse alguma pressa por parte de Robert Stromberg em projectar no pano a mixórdia de ideias que lhe passavam pela cabeça. Segundo, a metragem (a meu ver) sofre de incoerência em vários instantes, por exemplo, levando a cabo o âmago da questão: a dualidade bem vs mal/ amor vs ganância. Por que motivo a fada malvada, após ter sido atraiçoada pelo humano que amava (e já depois de ter lançado a maldição sobre Aurora), continuou a olhar pela princesa, inclusive salvando-a em algumas situações? Assuntos filosóficos à parte, note-se a inutilidade da construção da "barreira" de metal, a qual tanto trabalho deu àqueles pobres plebeus encarregues pelo rei, que se empenharam dia e noite, incessantemente! Tudo isto para chegar lá a nossa antagonista/protagonista e desviar-se com incrível facilidade dos espinhos de metal.

Ponto número três, as batalhas anti-climáticas...

Com o arsenal tecnológico ao dispor das grandes companhias de produção dos dias que correm, não creio que fosse pedir muito temperarem as poucas cenas de acção com uma pitada de épico. Mesmo num clássico da Disney. Infelizmente não é o caso, pelo menos não em Maleficent. Atrevo-me, mesmo, a dizer que o original de 1959 consegue reproduzir a batalha final de forma mais sublime.

Sem embargo, o filme não é imerecido de alguns feitos. Ele é visualmente deslumbrante, evocando mesmo certos elementos característicos de um James Cameron. Joga com as personagens do conto, de forma a inverter os papeis de herói e de vilão, procurando sempre introduzir o seu quê moralista no final que não a díade princepe/princesa. E acima de tudo, ele tenta. Tenta ser diferente da fórmula Disney que durante tanto tempo enfeitiçou o grande ecrã dando início, possivelmente, a uma nova fórmula mágica.

Perplexo perante esta nova adaptação daquele que considero ser o mais icónico dos títulos da era das princesas Disney, faço das palavras de Paulo Coelho as minhas: «Em cada instante das nossas vidas temos um pé nos contos de fadas e outro no abismo». Neste sentido, Maleficent aparenta estar na corda bamba, mas consegue equilibrar-se  nos limites do plausível.


Título Original: Maleficent (EUA, 2014)
Realizador: Robert Stromberg
Argumento: Linda Woolverton (baseado no filme Sleeping Beauty)
Intérpretes: Angelina JolieElle FanningSharlto Copley 
Música: James Newton Howard
Fotografia: Dean Semler
Género: Acção, Fantasia
Duração: 97 minutos


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Horns (2014)

HORNS, de Alexandre Aja, promete surpreender com humor e verdadeiros momentos alucinantes, não  fosse a falta de organização e coerência este seria o filme do ano. O filme, adaptado do romance de Joe Hill King com o mesmo nome, com duas horas, prolonga-se demasiado mesmo não tendo tempo suficiente para tudo.


Quando a sua namorada, Merrin (Juno Temple), é violada e assassinada, Ig Perrish (Daniel Radcliffe) é defrontado com acusações de toda a comunidade. Sem provas para determinar o que realmente aconteceu, apenas existem especulações e Ig é forçado a viver atormentado. Após uma das suas piores noites, Ig cresce um par de cornos. Um par de cornos que fazem com que todos sucumbam aos seus desejos mais íntimos e confessem os seus maiores segredos. Ig apercebe-se do poder que possui e parte a procura do verdadeiro culpado pela morte de Merrin, mesmo que pelo caminho cause algum caos.

Daniel Radcliffe volta em grande com mais um desempenho interessante, no papel de Ig Perrish consegue dar dinâmica a uma personagem com muita inconsistência. Juntamente com Alexandre Aja, Horns estaria bem encaminhado para se tornar num favorito, uma boa mistura de comédia negra com a quantidade certa de drama trágico. Infelizmente não há coerência suficiente no enredo e o desenvolvimento é muito  indeciso. As personagens giram a volta de um tornado confuso de emoções, que nem o talento dos actores consegue apaziguar e ficamos com alguns momentos pouco convincentes e estranhos. Um argumento com uma das tentativas mais fracas a causar algum tipo mistério, o que imediatamente cortou muito do interesse. Felizmente, Radcliffe e Juno Temple surpreendem pela positiva ao criar alguma química como casal com o pouco que lhes é dado, colocados entre a espada e a parede (neste caso o argumento confuso e as personagens instáveis), conseguem dar algum sentido a muita da desorganização. 

Talvez o melhor aspecto desta visão fantasiosa sejam os seus ocasionais momentos de loucura e prazeres caóticos, Alexandre Aja apenas triunfa na execução destes, deixando muito a desejar no resto do filme. Quando não somos entretidos pelos devaneios, somos aborrecidos pelos momentos mais melodramáticos que nem convencem nem comovem. Este vaivém entorpecido acaba por se tornar cansativo até ao momento que decide esquecer o seu rumo e despenhar-se. Apenas resta o sentimento de que falta mais qualquer coisa e no entanto parece ter coisas a mais.

Horns acaba por agradar ou enfastiar em intervalos, talvez o suficiente para dividir muitas opiniões. O desempenho do elenco e o esforço na realização são os botes salva-vidas, sem os quais esta fantasia diabólica seria mais um trágico naufrágio. 


Título Original: Horns (EUA/Canadá, 2014)
Realizador: Alexandre Aja
Argumento: Keith Bunin, Joe Hill (romance)
Intérpretes: Daniel Radcliffe, Max Minghella, Joe Anderson, Juno Temple, James Remar, David Morse, Heather Graham
Música: Robin Coudert
Fotografia: Frederick Elmes
Género: Drama, Fantasia
Duração: 120 minutos


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

El laberinto del Fauno (2006)


Não é preciso procurar muito a fundo na filmografia de Guillermo del Toro para perceber que, a dada altura, a guerra se tornou um dos seus principais motores. E que a dimensão da guerra acompanha, em regra, o crescendo dos próprios filmes: à guerra civil espanhola seguiu-se a entre o Bem e o Mal, parando-se, por agora, numa autêntica guerra inter-dimensional. E é exactamente por esse motivo que EL LABERINTO DEL FAUNO surge como um passo algo anacrónico - e deslocado - no percurso do mexicano. Desde logo, porque se intromete entre duas adaptações de comics (e lá está o confronto entre o Bem e o Mal, entre a Humanidade e os monstros), retomando o pano que serve de fundo a El espinazo del Diablo (a diferença entre as duas obras prender-se-á, fundamentalmente, com as feridas ainda estarem abertas em El laberinto, enquanto que El espinazo se encontram já em processo de cicatrização). Mas, e mais importante ainda, também porque quebra a natural tendência de expansão em relação às produções que o emolduram, assumindo-se, à primeira vista, como uma guerra "menor".


Contudo, indiferente a essas questões, El laberinto apresenta-se como o melhor filme que del Toro assina em nome próprio. Ou, para os que não o vêem como tal, pelo menos como o mais humanista e pessoal do espólio. Note-se que a verdadeira luta se faz pela preservação da inocência de Ofelia - e, nesse sentido, não deixa de ser curioso um dos significados atribuídos por del Toro ao labirinto, enquanto símbolo da viagem espiritual da protagonista: «I can ascribe two concrete meanings of the labyrinth in the movie. One is the transit of the girl towards her own center, and towards her own, inside reality, which is real. [...] And I have found that [the inner] reality is as important as the one that I’m looking at right now». O próprio Vidal parece admiti-lo ao desvalorizar a resistência dos republicanos, que mais cedo ou mais tarde seriam vencidos, escolhendo debruçar-se, gradualmente, na que lhe é oferecida pela sua enteada.

Poderíamos argumentar que a mesma luta interior/exterior do/pelo protagonista se estende aos restantes trabalhos de del Toro - e, julgo, não seria disparate nenhum, vejam-se os casos de Hellboy com a sua natureza demónica, de Blade com o vampirismo, ou de Becket, de Pacific Rim, com a morte do seu irmão -, mas em El laberinto aproxima-se mais do público pela dimensão mais reduzida do ambiente que a rodeia.

Será essa a grande virtude de El laberinto (que advém, exactamente, da maior concentração espacial/pessoal): del Toro, que sempre foi mais storyteller do que director de actores, mostra-se capaz de construir personagens de raiz como nunca antes o tinha feito (e como nunca o voltou a fazer desde então). É essa a essência da fábula que desenha, a relação que as personagens, reais e/ou imaginárias, estabelecem entre si. Não será, pois, por acaso que o Fauno entra em cena como um peão absolutamente ambíguo, de intentos insidiosos, algures entre o maniqueísmo da realidade fora da qual existe: é ele o símbolo máximo da batalha travada entre a imaginação de Ofelia e a pressão dos que tentam que ela a abandone.

Devido a essa simbologia e ambiguidade constantes, bem como por o ter visto (e sentido) inúmeras vezes, é-me mais complicado escrever sobre El laberinto do que sobre qualquer outro dos títulos de del Toro. A interpretação do seu conteúdo dependerá, em muito, do que cada um escolha ver e entender daquele universo perdido entre árvores e ruínas. Se é brilhante? Sempre acreditei que sim. Mas mesmo que não o seja, a capacidade demonstrada em esbater barreiras - entre géneros, entre mundos, e, sobretudo, entre pessoas - torna-o um filme de público, hábil em reunir paixões e seguidores. E, parece-me, para del Toro tanto já bastará.


Título Original: El laberinto del Fauno (Espanha/EUA/México, 2006)
Realizador: Guillermo del Toro
Argumento: Guillermo del Toro
Intérpretes: Ivana Baquero, Segi López, Maribel Verdú, Doug Jones, Ariadna Gil
Música: Javier Navarrete
Fotografia: Guillermo Navarro
Género: Drama, Fantasia, Guerra, Terror
Duração: 118 minutos


quarta-feira, 27 de março de 2013

A Última Vez Que Vi Macau (2012)

Nunca fui a Macau.

O filme começa e surge logo, quase a matar, Cindy Scrash - a Irene de Morrer Como Um Homem - a cantar You Kill Me para a câmara. A câmara, leia-se, o público. Andam uns tigres pelo fundo, enjaulados, e percebe-se que a cena tem qualquer coisa de cabaret. Uns planos depois, um jogo de paintball - uma guerra fictícia -, em que um dos participantes acaba morto. E põe-se Guerra da Mata a caminho de Macau, sem perceber muito bem o porquê da coisa. Agora pergunta o caro leitor que esquisitice em forma de filme será esta. E pergunta muito bem, que o caso não é para menos. Trata-se, afinal, de A ÚLTIMA VEZ QUE VI MACAU, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, fita fabulosa e incrivelmente singular na sua construção.


Continuando onde ficamos, mete-se Guerra da Mata em Macau, a pedido de Cindy - que aqui é Candy, a piscar o olho à do Andy Warhol -, que teme pela sua vida. A moça envolveu-se com os homens errados e viu-se numa alhada. E não é que Guerra da Mata é o único em quem ela confia para a salvar? O gostinho a film noir - o whiskey, as sombras, a própria donzela em apuros - que fica desses momentos iniciais permanecerá durante o resto do filme. Esta Macau - a que Guerra da Mata ao princípio não reconhece e que Rodrigues nunca visitara antes - é, na sua essência, um cemitério de filmes e estrelas, uma terra com o espírito intimamente ligado ao Cinema. Não se estranhem, por isso, as meias de Jane Russell - que morreu enquanto se filmava A Última Vez Que Vi Macau - a flutuar à entrada da gruta dos piratas, ou a música - retirada de Macao, de Josef von Sternberg - com que Candy abre a estória.

É também através dessas referências cinematográficas, sempre criteriosas - não fosse João Pedro Rodrigues o realizador que disse, numa entrevista, não gostar de filmes de citações -, que se desmonta a obsessão de conhecer a cara aos protagonistas. Não chega a haver uma materialização, no sentido convencional, do sujeito: vêem-se mãos e pés, ouvem-se vozes incorpóreas que narram, reflectem, planeiam e explicam. Da mesma forma, não se assiste às mortes das personagens, nem às suas metamorfoses. Essa ideia de construir uma casa com paredes e telhado - as convenções, os cânones do(s) género(s) -, mas não lhe dar recheio - as caras, as mortes - será, porventura, o mais desconcertante para o espectador em A Última Vez Que Vi Macau. Porque se quem vê caras não vê corações, quem não as vê tem, normalmente, ainda mais dificuldade em os perceber.

O documentário que não o é - mas que poderia tê-lo sido, olhando para a curta Alvorada Vermelha - e o noir sem enchimento: João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata manejam habilmente as regras e expectativas, filmando uma terra que, existindo, não passa de uma ilusão. E que, exactamente por ser uma miragem - com os néons, os casinos, os fogos-de-artificio, o exotismo de uma figura que dá pelo nome de Madame Lobo e as gaiolas douradas -, custa ainda mais a abandonar. O que se consegue em A Última Vez Que Vi Macau, com os seus mistérios por desvendar e caminhos por percorrer, é realmente algo de único.

Nunca fui a Macau. Minto, já lá estive. E gostei imenso do que vi.


Título original: A Última Vez Que Vi Macau (França/Macau/Portugal, 2012)
Realizador: João Pedro Rodrigues, João Rui Guerra da Mata
Argumento: João Pedro Rodrigues, João Rui Guerra da Mata
Intérpretes: João Rui Guerra da Mata, Cindy Scrash, João Pedro Rodrigues
Género: Crime, Documentário, Drama, Fantasia, Mistério
Duração: 85 minutos




sábado, 16 de março de 2013

Jack the Giant Slayer (2013)

Não há como negar o interesse renovado que o Digital e a CGI provocaram nos contos-de-fadas. As potencialidades oferecidas pelas tecnologias na (re)criação de novos - e velhos - universos revelaram-se por si só mais do que suficientes para seduzir uns quantos realizadores de renome a aventurarem-se por aqueles terrenos. Bryan Singer é uma das mais recentes adições à lista - que já vai longa -, com o seu JACK THE GIANT SLAYER.


Cedo se percebe o rumo pretendido para o filme. Orientando para um público jovem - Jack é tão cool que se passeia pelo pé-de-feijão de casaco de couro -, usa e abusa-se dos habituais lugares-comuns e convenções do género. Previsível e vulgar, há, contudo, um aparente cuidado em trabalhar essas noções - e a do boy meets girl é especialmente bem aproveitada - a favor da narrativa. Essa inteligência, habitualmente demonstrada nas obras de Singer, permite a Jack the Giant Slayer manter-se à tona.

E não fosse o norte-americano um cineasta inteligente - mesmo quando os filmes não lhe saem tão bem -, o caldo estaria entornado. De um argumento algo desinspirado consegue tirar um par de cenas bem conseguidas, excepções num filme incapaz de se arrancar da mediania. E se a direcção de actores deixa algo a desejar - já para não falar do 3D, que aqui não consegue ser mais do que um estorvo -, é a habilidade de Singer que impede males maiores.

Subtilmente simétrico, recheado de aventura e humor infantil, Jack the Giant Slayer, não sendo um filme extraordinário - nem para lá perto caminhar -, cumpre, pelo menos, com o que se lhe pede.


Título original: Jack the Giant Slayer (EUA, 2013)
Realizador: Bryan Singer
Argumento: Darren Lemke, Christopher McQuarrie, Dan Studney, David Dobkin
Intérpretes: Nicholas Hoult, Eleanor Tomlinson, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Eddie Marsan, Ian McShane, Bill Nighy
Música: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Género: Aventura, Drama, Fantasia
Duração: 114 minutos


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Beasts of the Southern Wild (2012)

«Once there was a Hushpuppy, and she lived with her daddy in The Bathtub.»

Quem tiver por hábito seguir mais de perto o Mundo do Cinema - e o da Academia, que nem sempre lhe corresponde - verifica facilmente que todos os anos há pelo menos um candidato mais independente aos principais prémios. Ao percorrer as listas deste ano encontramos a escolha em BEASTS OF THE SOUTHERN WILD, de Benh Zeitlin. Deixando desde já clara a sua qualidade acima da média - não vá o leitor pensar que é falta de mérito, ficando-se pelo caminho -, a fita (re)abre, contudo, algumas questões interessantes.


A ruralidade norte-americana, numa comunidade afastada da sociedade - ou da nossa sociedade, que eles lá terão a deles -, vista pelos olhos de uma menina de cinco anos. Sem hospitais, serviços ou aparente civilização, os habitantes da Banheira vão levando vidas simples mas felizes. Até que chega a tempestade. A metáfora - que se traduz no realismo da intempérie - leva o Mundo exterior àquela gente que não compreende, forçando-lhes um estilo de vida que não é o seu. E a menina de cinco anos, cada vez mais sozinha, vai descobrindo as suas forças.

Benh Zeitlin encontrou uma forma de filmar a pobreza nos EUA diferente da de cineastas como David Gordon Green - que entretanto se mudou para os subúrbios -, Debra Granik, ou até William Friedkin com o seu Killer Joe, sem, no entanto, lhe retirar o devido peso dramático. A fábula que aqui se constrói encontra expressão na sua câmara trémula, consumando-se - como, por exemplo, naquele magnífico prólogo - num autêntico espectáculo visual. Das influências neorrealistas às Fantásticas, Zeitlin demonstra rara maturidade nas imagens que capta - e no binómio som-imagem que com tanto cuidado elabora ao longo da obra -, transformando a pobreza e degradação da Banheira num mundo mágico.

Numa época em que tanto se discute o indie - não tanto a nível de orçamento como de corrente estilística, fotografia e banda sonora à cabeça - como um Cinema em si, separado do Outro, Beasts of the Southern Wild surge como forma de provar a universalidade da Arte no tratamento de alguns problemas mais delicados. Entre o visceral e o encantador, o filme de Zeitlin mantém-se poderoso do primeiro ao último segundo, puxando para si o espectador e recusando deixá-lo partir. E se no fim se caminha para a desolação, a percepção do destino muito se deve à intensidade de intérpretes como Quvenzhané Wallis e Dwight Henry - e dos restantes não-actores do elenco -, irrepreensíveis no seu esforço. O futuro é incerto, no mínimo, mas aquela gente mantém-se unida. Não será essa a essência da comunidade?


Título original: Beasts of the Southern Wild (EUA, 2012)
Realizador: Benh Zeitlin
Argumento: Benh Zeitlin, Lucy Alibar (baseado na peça de Lucy Alibar)
Intérpretes: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Gina Montana, Levy Easterly, Lowell Landes, Pamela Harper
Música: Dan Romer, Benh Zeitlin
Fotografia: Ben Richardson
Género: Drama, Fantasia
Duração: 93 minutos


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

The Haunted World of El Superbeasto (2009)

Tenho para mim, desde que vi pela primeira vez o videoclip da Dragula, que o Rob Zombie é a personagem carnavalesca perfeita. Um homem de maquilhagem putrefacta e longas barbas, que assina um vídeos em que aparecem os mais diversos monstros. Mas se com o passar dos anos Zombie se foi desmultiplicando em cada vez menos máscaras, em THE HAUNTED WORLD OF EL SUPERBEASTO recupera-as. Começando logo pelo protagonista.


Até porque nem é a primeira vez que uma personagem de um dos filmes de Zombie fica conhecida por nunca mostrar a face. Se em Halloween, o assassino era quem escondia a cara - acentuando o tal carácter de monstro -, aqui é o (anti-)herói que anda mascarado. El Superbeasto, mistura de pornógrafo javardo com caçador de monstros, torna-se assim uma espécie de reflexo distorcido do próprio Zombie - a tal máscara, de filme de terror em filme de terror -, dividindo-se em ocupações e talentos.

Ou pode ser que se esteja a complicar demasiado a coisa , e que The Haunted World of El Superbeasto não passe de um esforço de divertir através da sua rudimentar animação pensada para adultos e carregadinha de exploitation do primeiro ao último minuto. Curiosamente - ou talvez nem tanto, analisando o que ficou para trás -, pouco mais de uma hora de bonecada profana e algo reprovável revela-se o melhor que Zombie já realizou. E como é Carnaval, ninguém levará a mal.


Título Original: The Haunted World of El Superbeasto (EUA, 2009)
Realizador: Rob Zombie
Argumento: Rob Zombie, Tom Papa (baseado na banda-desenhada de Rob Zombie)
Intérpretes: Tom Papa, Sheri Moon Zombie, Paul Giamatti, Geoffrey Lewis, Rosario Dawson, Danny Trejo, Bill Moseley, Sid Haig
Música: Tyler Bates
Género: Acção, Animação, Aventura, Comédia, Fantasia, Terror
Duração: 77 minutos



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

The Devil's Carnival (2012)

O ressurgimento do musical como género cinematográfico, através da sua vertente jukebox - da qual Moulin Rouge!, de Baz Luhrmann, se assume ainda hoje um dos expoentes máximos -, deu a Terrance Zdunich a oportunidade de concretizar os seus projectos em filmes. Depois de Repo! The Genetic Opera - aquela distopia em que as empresas podiam recuperar os órgãos que financiavam em caso de incumprimento -, THE DEVIL'S CARNIVAL encaixa-se novamente na linha obscura que marcava o seu antecessor, sofrendo de muitos dos mesmos defeitos.


Não que não haja um cuidado visível a nível visual - caracterização, figurino e direcção artística resultam muito bem em relação ao ambiente geral da história -, mas a realização de Darren Lynn Bousman - que repete a cadeira ocupada no tal Repo! The Genetic Opera - deixa-se dominar pela lógica videoclip. A vontade de filmar as canções como singles, e que leva à repetição exaustiva da fórmula plano dos intérpretes-plano da narrativa, mancha o filme, reduzindo-o a um objecto de curiosidade fugaz.

Zdunich e Bousman aprenderam, no entanto, a limitar a duração das suas fitas, dividindo-as em supostos capítulos. No fim sobra a certeza de que os poucos momentos de inesperada originalidade - e aquele em que uma das personagens diz, em jeito de queixume, «a rebel in Hell, how original» é particularmente engraçado - não chegam, infelizmente, para compensar o resto de The Devil's Carnival. E se alguns temas ficam no ouvido - o que já acontecia no filme anterior -, a simples lembrança do seu lugar na narrativa basta para nos fazer sentir culpados por os querer cantar.


Título Original: The Devil's Carnival (EUA, 2012)
Realizador: Darren Lynn Bousman
Argumento: Terrance Zdunich
Intérpretes: Emilie Autumn, Dayton Callie, Briana Evigan, Sean Patrick Flanery, Jessica Lowndes, Bill Moseley, Paul Sorvino, Alexa Vega, Terrance Zdunich
Música: Saar Hendelman, Terrance Zdunich
Fotografia: Joseph White
Género: Fantasia, Musical, Terror
Duração: 56 minutos


domingo, 13 de janeiro de 2013

John Dies at the End (2012)

Em tempos, já tive a oportunidade de visualizar alguns filmes bastante tresloucados e ficar um pouco abismado com o que acabo de ver. No entanto, depois de JOHN DIES AT THE END, a minha cabeça já tinha dado tantas voltas que nem encontrava palavras para o descrever, até que uma só - e só uma - me vem à cabeça, incrível. Esta adaptação do livro de David Wong, será, até à data, o filme mais insanamente fantástico que já tive o prazer de presenciar. Algo como isto raramente aparece, com tudo o que é necessário para se tornar num filme de culto e uma delicia para o público.

Existe uma nova droga a circular nas ruas, ninguém sabe de onde vem nem do que é feita, e chamam-lhe Soy Sauce. Numa sequência de acontecimentos bizarros incompreensíveis, David Wong (Chase Williamson) e John (Rob Mayes) são levados para um mundo de infinitas possibilidades, no qual já nada parece real e a barreira entre a sanidade e a completa loucura quase nem existe. Para David e John lidar com a situação aparentemente descontrolada, proporcionada pelo soy sauce, será o desafio da vida deles.


Difícil será conseguir agora  dar a entender a amplitude da confusão maravilhosa que existe neste filme. Desde o inicio que ficamos agarrados a ele, quase como se fosse uma droga, e até ao fim é uma montanha russa de hora e meia. Acima de tudo, é extremamente divertido de ver - à imenso tempo que não me divertia tanto a ver um filme - e facilmente, e de bom grado, se vê mais do que uma vez. A representação dos efeitos do soy sauce, as actuações por parte do elenco surpreendente e todo o ambiente e emoção transmitidos pelo filme deixaram me perplexo e com a sensação que estava sobre o efeito de alguma substância alucinogéna. Um ritmo acelerado, um argumento hilariante, actores competentes e uma imaginação saída da mente de um louco, os ingrediente perfeitos para uma das experiências mais dementes e divertidas alguma vez apresentada em filme.

John Dies at the End fica a perder na sua aparente produção de baixo orçamento, com efeitos especiais que, embora contribuam para a sua singularidade, abatem um pouco as sensações que tenta transmitir. Tirando uma falha técnica aqui e ali, nada consegue tirar ao filme aquilo que mais atrai, a sua genialidade. Para mim uma das maiores surpresas foi o realizador, Don Coscarelli, quem diria que o realizador de Phantasm, e os seus seguimentos, voltaria a ser responsável por algo tão competente após quase 40 anos.

Em última análise, apenas gostaria de recomendar vivamente este filme. Infelizmente não tem estreia marcada para Portugal e pouca será a sua distribuição em salas mundiais, se conseguirem por as mãos num DVD não hesitem em levá-lo para casa.


Título Original: John Dies at the End (EUA, 2012)
Realizador: Don Coscarelli
Argumento: Don Coscarelli (baseado no livro de David Wong)
Intérpretes: Chase Williamson; Rob Mayes; Paul Giamatti; Clancy Brown; Glynn Turman; Doug Jones; Fabianne Therese; Jimmy Wong; Jonny Weston
Música: Brian Tyler
Fotografia: Mike Gioulakis
Género: Comédia, Fantasia, Terror
Duração: 99 minutos


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

The Amazing Spider-Man (2012)

Em 2002, Sam Raimi trouxe-nos uma das melhores adaptações da Marvel até à data, Spider-Man, seguido de 2 sequelas, mas após a sua retirada do quarto filme os produtores acharam, por bem, fazer um reboot completo da saga, com novo realizador e novos actores. THE AMAZING SPIDER-MAN, de Marc Webb, agora com uma nova história traz novas possibilidades que poderão, ou não, agradar os fãs.

Peter Parker (Andrew Garfield) descobre um segredo bem guardado sobre o seu pai, que trabalhava em conjunto com o Dr. Curtis Connor (Rhys Ifans). Quando tenta infiltrar-se nos laboratórios da Oscorp para entrar em contacto com Dr. Connor, é acidentalmente mordido por uma aranha radioactiva, consequentemente ganhando poderes extraordinários. Após conseguir falar com Dr.Connor e partilhar com ele a formula desenvolvida pelo seu pai, Connor põe a formula em pratica  sofrendo efeitos semelhantes aos de Peter, embora mais extremos.

Definitivamente uma abordagem completamente diferente, mais fiel à banda desenhada, da versão de Raimi. Talvez a maior fraqueza de The Amazing Spider-Man encontra-se no argumento, coisas que necessitariam de maior ênfase foram substituídas por cenas menos importantes e mais alongadas. Toda a transformação que Peter sofre é tratada de forma muito banal, assim como o facto de ser bastante mais despreocupado em relação à sua identidade secreta, que a certa altura deixa de ser tão secreta ou pelo menos bastante óbvia. No entanto, visualmente, o filme é apelativo, com uns efeitos especiais espectaculares que agradam qualquer um. As interpretações por parte das personagens, ainda que bem razoáveis, deixam um pouco a desejar e a certa altura são um pouco ambíguas e confusas. Andrew Garfield desempenha razoavelmente bem o papel de spider-man, mas com as inconsistências emocionais, que a personagem parece ter, é difícil perceber o que ele está para lá a fazer. Para uma personagem supostamente irónica mas simultâneamente tímida, este parece um pouco trapalhão e inseguro. Gostei particularmente de como optaram pelo lançador de teias criado por Peter, algo que é retratado na banda desenhada e que na versão de Raimi foi ignorado.

Apenas aqueles que prefiram uma abordagem mais fiel ao universo da Marvel, irão ver este filme como uma melhoria em relação ao de 2002, talvez não completamente, mas a um certo nível. No entanto, quem espera um upgrade significativo terá uma desilusão, mas geralmente não fica muito atrás do de Raimi e mesmo que não seja excelente ainda dá para rir de algumas situações, nem que seja pelo ridículo delas.


Título Orignal: The Amazing Spider-Man (EUA, 2012)
Realizador: Marc Webb
Argumento: James Vanderbilt; Alvin Sargent; Steve Kloves
Intérpretes: Andrew Garfield; Emma Stone; Rhys Ifans; Denis Leary; Martin Sheen; Sally Field; Chris Zylka
Música: James Horner
Fotografia: John Schwartzman
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Duração: 136 minutos



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

Após 9 anos de espera, Peter Jackson regressa com mais um capítulo de uma das melhores sagas de fantasia das últimas décadas. THE HOBBIT, a prequela de Lord Of The Rings, chega finalmente e o resultado poderá não estar a altura das expectativas. Com a grande aderência do público é de esperar uma afluência de desilusões, talvez não para todos, mas a grande maioria não receber o que, provavelmente, esperava.

The Hobbit, passa-se 60 anos antes dos acontecimentos em LotR e acompanha Bilbo Baggins (Martin Freeman) numa aventura pela Terra Média, com companhia de um grupo de Anões e Gandalf (Ian McKellen). O grupo procura derrotar o dragão, Smaug, que se apoderou do reino dos Anões à 150 anos atrás. Surgem caras familiares e O Anel faz a sua primeira aparição assim como um grande Mal que ameaça aterrorizar a Terra Média.

Como já tinha sido anunciado, The Hobbit será uma trilogia a concluir nos próximos 3 anos, numa tentativa de seguir os passos da trilogia anterior. No entanto, a qualidade poderá não seguir os mesmo passos. Agora em 3D e em 48 fps, é uma experiência única, diferente de pessoa para pessoa, embora possa ser um desafio para os olhos se habituarem à nitidez. Para mim foi como estar a ver um clip de um video jogo de aventura bastante extenso, principalmente nas cenas de acção, com coreografias e efeitos especiais tão perfeitos que parecem mesmo tirados de um jogo. E para agravar a situação, tudo culminava numa típica boss fight, o que me deixou boquiaberto, mas não num bom sentido. Isto é bastante claro na sequência de fuga do reino dos goblins, parecendo muito artificial e previsível, destruindo completamente o trabalho dos efeitos especiais que são de cortar a respiração.

"BOSS FIGHT"

O ponto alto do filme é o facto de se integrar na perfeição à imagem de LotR, os cenários, personagens e ambiente, foram criados com um pormenor incrível o que me faz crer que Jackson ainda não perdeu o jeito. As actuações são óptimas, julgo não haver nenhuma que não deixasse a desejar. A banda sonora de Howard Shore, fantástica como sempre, traz boas memórias e uma enorme nostalgia, um trabalho digno de admiração. Assim como os cenários que são grandiosos e com a banda sonora dão aquela sensação de algo épico que até agora só LotR nos proporcionava, algo que inicialmente agarrou uma legião de fãs à obras de Tolkien. Mas embora tenha muito de bom, também tem muito de mau, o que deitou abaixo muitas das expectativas catastroficamente grandes.  

Existem diversos error que impedem este filme de sobressair, e o primeiro que gostava de referir é o pouco ênfase que é dado ao desenvolvimento das personagens, nomeadamente de Bilbo Baggins, que tem súbitas epifanias e surtos de coragem aos quais não é dada a importância devida, aliás grande parte das suas aparições em cenas pareciam um pouco insignificantes. O maior problema será definitivamente a artificialidade de certos elementos, seguido da fraca coesão entre algumas cenas que nos impedem de absorvidos pela história e facilmente nos perdemos. Não se trata de um filme mau, nada disso, até é bastante bom, mas as falhas são impossíveis de ignorar e num filme que cria expectativas tão altas isto é um erro fatal. De certa forma, é compreensível, ao contrário de LotR, que se apoiava em três livros, The Hobbit tem apenas um como apoio e a necessidade(?) de o estender para uma trilogia parece-me um pouco forçado, uma tentativa de ordenhar até ao último cêntimo a obra de Tolkien. 

Temos então um começo razoável a esta nova trilogia, resta esperar pelo futuro. Não é o que se esperava, algo majestoso, mas ainda se safa e poderá descer um pouco as expectativas para os seguintes e impedir, assim, uma desilusão em massa. Confio que Jackson ainda tem truques na manga e os seguintes serão uma melhoria, à altura do universo de Tolkien.


Título Original: The Hobbit: An Unexpected Journey (EUA/Nova Zelândia, 2012)
Realizador: Peter Jackson
Argumento: Fran Walsh; Philippa Boyens; Peter Jackson; Guillermo Del Toro; J.R.R. Tolkien (The Hobbit
Intérpretes: Ian McKellen; Martin Freeman; Richard Armtage; Ken Stott; Graham McTavish; William Kircher; Dean O'Gorman James Nesbitt; Stephen Hunter; Aidan Turner; John Callen; Christopher Lee
Música: Howard Shore
Fotografia: Andrew Lesnie
Género: Fantasia, Aventura
Duração: 169 minutos


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Brave (2012)

É curioso como BRAVE, a mais recente produção da Pixar, nasce da necessidade de explorar um nicho de mercado deixado anos ao abandono pela companhia. Não será por isso de estranhar que Merida seja uma espécie de proto-feminista que, imagine-se a afronta, quer poder escolher com quem casar. Ela que atira como uma profissional e monta o seu cavalo deixando a sua desgrenhada cabeleira ruiva solta ao vento é, afinal de contas, uma princesa escocesa com a responsabilidade de manter a paz entre os quatro clãs do seu reino. A sua mãe bem lhe ensinou que é dever das rainhas fazerem-se ouvir; o rei só lá está, quanto mais não seja, para caçar ursos e entreter os convidados. É transparente a vontade de seguir Tangled, radicalizando-o.

Os três realizadores apostam numa história mais simples - mas nem por isso menos adulta - do que o comum nos filmes do estúdio. O que significa que, apesar de se perder algum tempo (demasiado?) a apresentar as personagens e a narrativa, o storytelling é reduzido em relação aos anteriores filmes da Pixar, tornando tudo muito directo. Sabe-se o que se quer e para onde se vai desde o primeiro minuto.

Brave é uma animação que, à primeira vista, não se parece com uma animação. Veja-se o nível de detalhe dos primeiros establishing shots, o realismo da paisagem em toda a sua profundidade. A pormenorização estende-se às personagens, principalmente a Merida e aos seus cabelos ruivos. E aos olhos, sempre os olhos, janelas da alma e elemento essencial da trama. Contudo, quanto mais nos aventuramos no filme, mais fácil se torna descobrir nele falhas. E a animação acaba por parecer o que sempre foi. Apesar de menos marcante do que a maioria dos seus antecessores, Brave é uma aposta ganha. E isso, juntamente com os divertidos sotaques dos highlanders, bastará para o ver.


Título Original: Brave (EUA, 2012)
Realizador: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell
Argumento: Mark Andrews, Brenda Chapman, Steve Purcell, Irene Mecchi
Intérpretes: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, Craig Ferguson
Música: Patrick Doyle
Género: Animação, Acção, Aventura, Comédia, Família, Fantasia
Duração: 93 minutos



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Immortals (2011)

Uma das culturas mais afectadas pelas ondas de fervor histórico que periodicamente assolam Hollywood é a da Antiga Grécia. Rica em História, lendas e mitologia, fornece material suficiente às fornalhas da indústria, obrigadas pelo lucro a produzir mais em quantidade do que em qualidade. Já se escrevia sobre a discrepância entre potencial e produto final a propósito de Clash Of The Titans (remake do clássico com Laurence Olivier e Maggie Smith), filme de formato e temática semelhantes aos do mais recente IMMORTALS. Pegar em personagens lendárias - sejam elas deuses, semi-deuses ou humanos - e colocá-las num modelo narrativo ao jeito do cinema norte-americano de acção/aventura há muito que não constitui novidade. Desta feita foi a vez de Teseu. Favorecido pelos deuses, o seu objectivo é impedir que o rei Hipérion use o mítico arco de Épiro para libertar os titãs e subjugar a Humanidade.

Se também na premissa se retoma o template utilizado noutras produções, Immortals destaca-se, no entanto, na sua vertente mais visual, com Tarsem Singh a afirmar que pretendia dar à imagem a aura de uma pintura Renascentista. Os constantes jogos de luz e sombra - utilização abundante do chiaroscuro - dão à película uma interessante componente gráfica, apesar de, por vezes, demasiado escura, impossibilitando o acompanhamento da acção. O tratamento da imagem assemelha-se ao de 300, de Zack Snyder, revelando-se, contudo, ligeiramente mais cansativo de assistir. Singh desperdiça parte do elenco (John Hurt e Freida Pinto têm talento para mais, Stephen Dorff continua mediano) e coloca Henry Cavill como um Teseu que nem aquece, nem arrefece, frente-a-frente a um Mickey Rourke cada vez mais habituado a fazer de vilão atormentado pela morte da família.

Num filme sobre mitologia Clássica que figura proeminentemente deuses e titãs Singh toma algumas liberdades curiosas em relação à estória. Algumas, como as de tornar o Minotauro um homem (monstruoso, é verdade, mas mesmo assim apenas um homem) ou de desfigurar e mutilar as hordas de Hipérion, acentuam o carácter derivativo de Immortals. No fundo, acabam por resumir bem o espírito do próprio filme: não sendo particularmente bom - ou sequer razoável -, encaixa-se perfeitamente no modelo que se propôs seguir.


Título Original: Immortals (EUA, 2011)
Realizador: Tarsem Singh
Argumento: Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides
Intérpretes: Henry Cavill, Mickey Rourke, Freida Pinto, Stephen Dorff, Luke Evans, John Hurt, Joseph Morgan, Anne Day-Jones, Isabel Lucas
Música: Trevor Morris
Fotografia: Brendan Galvin
Género: Ação, Drama, Fantasia
Duração: 110 minutos



 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Abraham Lincoln: Vampire Hunter (2012)

Está provado que Timur Bekmambetov gosta de teorias da conspiração. Depois de sociedades secretas que matam para repor a ordem no Mundo (Wanted), poderes ocultos que batalham entre si nas ruas de Moscovo (Night Watch e Day Watch) e cosmonautas numa Lua habitada por perigosas criaturas (serviu como produtor de Apollo 18) chegou a vez de se debruçar sobre a História Americana, terreno tão fértil em intrigas e mistérios. O título diz tudo, ABRAHAM LINCOLN: VAMPIRE HUNTER coloca um dos mais célebres presidentes norte-americanos a aviar vampiros à machadada. Isto do revisionismo Fantástico parece ter virado moda. Deixam-se cair as subtilezas e delicadezas e mergulha-se de cabeça no género.

Bekmambetov faz do movimento uma das suas imagens de marca. Não é incomum encontrar no seu trabalho sequências estilizadas em câmara lenta, por vezes escusadas e demasiado extensas. A atracção do público pelo cinético explica a utilização que o realizador faz da técnica. A realização é segura, marcada por interpretações razoáveis (Benjamin Walker e Mary Elizabeth Winstead competentes como o casal Lincoln, Rufus Sewell a merecer mais destaque). O argumento de Seth Grahame-Smith, adaptado do seu romance homónimo, peca pelo largo período de tempo que aborda - isto de fazer um filme que toca quase todos os momentos da vida de Lincoln, mas que não quer ser um biopic é coisa complicada - e pela redundância a que se expõe.

O enredo explora, no entanto, algumas noções interessantes. A escravatura como condição natural do Homem - Adam chega a enumerar as vezes que viu homens a fazer de outros seus escravos - e o próprio vampirismo como servilismo. Lincoln vai repetindo que ninguém será livre até todos o serem, mas também ele serve uma causa: a de exterminar vampiros. Tudo muito nobre, muito justo, entrando numa Guerra Civil contra o Sul senhorial governado pelas criaturas que fazem dos escravos seu alimento. Com Spielberg prestes a estrear o seu Lincoln - esse um biopic assumido - Abraham Lincoln: Vampire Hunter corre o risco de ser rapidamente olvidado. No fundo, tem-se aqui um filme de acção equilibrado; pedir mais é exagerar.


Titulo Original: Abraham Lincoln: Vampire Hunter (EUA, 2012)
Realizador: Timur Bekmambetov
Argumento: Seth Grahame-Smith (adaptado do seu romaance homónimo)
Intérpretes: Benjamin Walker, Dominic Cooper, Mary Elizabeth Winstead, Anthony Mackie, Rufus Sewell, Jimmi Simpson, Erin Wasson, Marton Csokas
Música: Henry Jackman
Fotografia: Caleb Deschanel
Género: Acção, Fantasia, Terror, Thriller
Duração: 105 minutos


 

domingo, 23 de setembro de 2012

Livid (2011)

A dupla de realizadores, Alexandre Bustillo e Julien Maury, responsável pelo L'intérieur, vem mostrar a sua versatilidade no mundo do cinema de terror. Se o projecto anterior da dupla era terror de extrema violência, Livid é um completo oposto, sendo que se trata de terror com um ambiente mais melancólico que evolui para algo mais ameaçador e inquietante.

Lucy (Coulloud) é uma jovem que está em período de treino para ajudar idosos incapacitados que vivam sozinhos. Quando visita a Srª.Jessel (Marie-Claude Pietragalla), que se encontra num coma e vive sozinha numa grande mansão, a sua supervisora Catherine Wilson (Catherine Jacob) diz-lhe que a velha senhora tem um tesouro escondido algures na mansão mas que nunca ninguém o encontrou. Lucy acaba por confiar esta informação com o namorado, William (Félix Moati), e o irmão do mesmo, Ben (Jérémy Kapone), que imediatamente decidem que deveriam ir à procura do tesouro com o objectivo de melhorarem as suas vidas. Infelizmente os planos correm mal quando os três descobrem que o tesouro não é o que imaginavam e ficam presos na mansão, enquanto são perseguidos por seres sedentos de sangue.

Talvez não seja fácil de captar logo desde o inicio, mas não estamos perante o nosso típico filme de terror. Alexandre Bustillo e Julien Maury conseguiram criar algo original, o que é difícil de encontrar no cinema de terror moderno. No entanto, é uma história que acaba por ser mal contada e poderá passar despercebida aos que não estejam tão atentos aos pormenores, isto mostra um pouco de imaturidade na concepção do argumento. O filme segue um ritmo continuo até uma certa parte e depois disso o ritmo aumenta e diminui de forma frenética e muito inconsistente, o que é uma pena já que é criada uma certa expectativa para algo bastante bom e acaba por se derrubar sobre si mesmo, principalmente num filme com uma potencialidade enorme como este. Todo o filme tem um ambiente escuro, gótico, e com elementos de fantasia, ao estilo conto-de-fadas dos irmãos Grimm, o que de certeza irá fazer lembrar Guillermo Del Toro. O cenário principal, a mansão, é perfeito, todos os elementos que o constituem e que vão aparecendo ao longo do filme enquadram-se muito bem no ambiente, juntando a isso temos também uma fotografia bonita e apropriada que torna toda a experiência da visualização muito mais aprazível.

Certamente uma lufada de ar fresco para os amantes do terror, mesmo com muitas da falhas, quase imperdoáveis, continua a agradar. Ao Livid é necessário dar uma hipótese e ver de mente aberta e pronta a qualquer eventualidade que possa não ser tão boa como outras partes do filme. Não é perfeito mas dá gosto ver.


Título Original: Livide (França, 2011)
Realizador: Alexandre Bustillo; Julien Maury
Argumento: Alexandre Bustillo; Julien Maury
Intérpretes: Chlóe Coulloud; Félix Moati; Jérémy Kapone; Catherine Jacob; Béatrice Dalle; Chlóe Marcq
Música: Raphael Gesqua
Fotografia: Laurent Barès
Género: Terror, Fantasia
Duração: 88 minutos



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Midnight in Paris (2011)

«Ninotchka, it's midnight. One half of Paris is making love to the other half.» - Mentiria se por aqui escrevesse que esta mítica tirada, de Melvyn Douglas a Greta Garbo em Ninotchka, não é uma das minhas preferidas de toda a história do Cinema. Simultâneamente, descreve bem o ambiente de Paris, algo entre o romantismo e a beleza mística de outros tempos e gerações. MIDNIGHT IN PARIS, de Woody Allen, vive muito dessa aura. À meia-noite, na Paris de Allen, param carros que nos levam de bom-grado a festas de outros tempos. Confesso, não seria uma cidade em que não me agradasse viver.

Não é segredo que o principal amor de Allen, a par da música e da sua mulher, é Nova Iorque. Tanto, que a cidade é cenário e personagem de grande parte da sua obra. Paris já tinha merecido também o seu olhar atento, assim como Veneza. Seguiu-se Barcelona há coisa de dois ou três anos, e em 2012 será a vez de Roma. Mas voltemos a Paris. Depois de Everyone Says I Love You a lente de Allen voltou-se de novo para a Cidade das Luzes. Gil, um americano com ambição de ser escritor, está em Paris de férias com a família da sua noiva. Como ele próprio diz, já lá esteve antes, mas escolheu não ficar. Caricatura do próprio realizador (ou será antes um alter-ego?), é distraído e neurótico ao estilo do seu criador. É fácil deixarmo-nos levar por este argumentista que abomina as os seus próprios argumentos e sonha com outra era, repleta de gente mais interessante do que a com quem convive. Owen Wilson surge refrescante, longe do seu habitual papel de adorável idiota. E depois há Rachel McAdams que, mesmo tapada por Marion Cotillard (a francesa é de outro nível), aparece em bom nível no papel de noiva insuportável, mimada pelos pais e inconsciente nas consequências das suas acções. Os três à frente de ilustre gente como Michael Sheen (quase irreconhecível), Corey Stoll, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates e Adrien Brody. E até Carla Bruni, primeira-dama francesa à data da rodagem, tem direito a papel neste elenco de luxo.

Midnight in Paris tem alguns momentos deliciosos de cinema. O encontro de Gil com o grupo surrealista liderado por um Dalí obcecado por rinocerontes é um deles. As psicoses e inexplicáveis surtos de loucura de Hemingway também são de destacar. Mas, no fim, ficará para sempre ligada à obra a possibilidade que ela nos oferece de visitar o nosso imaginário. Todos nós temos períodos preferidos, plenos de ídolos e personalidades que, de uma forma ou de outra, nos marcaram - a nossa Época Dourada. O que nos esquecemos é que quem por lá viveu também terá tido a sua, e por aí adiante. É mais fácil criticar o presente, admirando em retrospectiva o passado, do que o tentar mudar. Não será a melhor obra de Woody Allen,  mas, discutivelmente, é uma das mais próximas na última década ao seu estilo. E uma das que mais prazer dá - pelo menos a mim deu - ver. Este ano haverá mais, se tudo correr como o esperado. A cidade é que será outra.


Título Original: Midnight in Paris (Espanha/EUA, 2011)
Realizador: Woody Allen
Argumento: Woody Allen
Intérpretes: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Kathy Bates, Kurt Fuller, Mimi Kennedy, Michael Sheen, Carla Bruni, Alison Pill, Yves Heck, Corey Stoll, Tom Hiddleston, Léa Seydoux, Adrien Brody
Fotografia: Darius Khondji
Género: Comédia, Fantasia, Romance
Duração: 94 minutos


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ted (2012)

A estreia de Seth MacFarlane como realizador de uma longa metragem para o grande ecrã. Já conhecido por várias séries televisivas de animação, Family Guy, American Dad e Johnny Bravo, entre outros. Normalmente, nos seus projectos, Seth MacFarlane segue sempre o mesmo tipo de comédia, baseado em piadas raciais, situações ridiculamente aleatórias e troça constante da cultura pop, o que seria de esperar agora em Ted (2012). Um filme que segue um rumo já bastante previsível, no entanto cumpre todas as expectativas e não desilude o público que já sabia o que estava para vir.

John Bennett (Mark Wahlberg) era um rapaz com poucos amigos, até que no natal pede um desejo e um milagre acontece, Ted (voz de Seth MacFarlane), o seu urso de peluche, ganha vida. Ambos fazem um pacto para serem os melhores amigos para sempre e agora John, um adulto de 35 anos, continua a viver com o seu melhor amigo. Infelizmente, Lori (Mila Kunis), a namorada de John, já não consegue aguentar os comportamentos imaturos e irresponsáveis de Ted e John, que se vê forçado a escolher entre a namorada e o melhor amigo.
Numa análise geral, Ted é comédia bastante rude e completamente despropositada, exactamente aquilo que se queria. O filme vale pelas gargalhadas provocadas pelas situações completamente irreais e ridículas. Ted é a personagem mais grosseira e imprópria, o que é estranho tendo em conta o facto de ele ser um urso de peluche, no entanto é capaz de fazer tudo, desde beber, fumar e até ter relações sexuais. John é um adulto completamente imaturo que mesmo aos 35 anos age como uma criança e é incapaz de se separar do melhor amigo, mas é muitas vezes chamado à razão por Lori que tenta apelar à responsabilidade do namorado. Em termos de comédia é bastante parecido com Family Guy, é impossível não reparar nas semelhanças das piadas, não só isso mas também com os cameos que lhe são típicos, neste filme contamos com a participação de Norah Jones e Sam J. Jones, cujo o trabalho como Flash Gordon nas série dos anos 80 é como uma inspiração para John e Ted.

Mark Wahlberg demonstra mais uma vez não ser um actor de grande calibre mas dá conta do recado quando se trata de causar umas boas gargalhadas, acompanhado por Mila Kunis, que também não demonstrou tudo o que tinha e ficasse por um desempenho mediano. Algo também a não esquecer será Patrick Stewart como narrador, participação pouco relevante mas é sempre engraçado quando nos lembramos de Avery Bullock. Faltava o argumento mais bem construído, o foco excessivo nas piadas faz com que o filme não passe disso, hora e meia de piadas constantes, entre as quais há pouca coesão.

Mesmo com todas as falhas óbvias na concepção continua a ser um filme a ver, se gostam Family Guy ou American Dad então irão, definitivamente, adorar Ted. Fonte de bastantes gargalhadas e é, mais uma vez, um daqueles que vistos em grupo com amigos é ainda melhor.


Título Original: Ted (EUA, 2012)
Realizador: Seth MacFarlane
Argumento: Seth MacFarlane; Alec Sulkin; Wellesley Wild
Intérpretes: Mark Wahlberg; Mila Kunis; Seth MacFarlane; Sam J. Jones; Joel McHane; Norah Jones; Patrick Stewart
Música: Walter Murphy
Fotografia: Michael Barrett
Género: Comédia, Fantasia
Duração: 106 minutos