quarta-feira, 11 de julho de 2012

Red Riding Hood (2011)

À falta de ideias novas reciclam-se estórias antigas. Só à luz desta máxima se explica a recente tendência hollywoodesca de adaptar a chick flick todo o material possível e imaginável. Nem os contos infantis escapam à corrente, sexualizados ao limite do permitido e redesenhados segundo os moldes românticos de Twilight, percusor da moda. Red Riding Hood é cópia a papel químico da saga de vampiros e lobisomens pinga-amores, reciclando a fonte original e adaptando à sua realidade os lugares-comuns do género em que se enquadra, indo, inclusive, buscar a realizadora do primeiro tomo da série ja mencionada. Catherine Hardwicke quis repetir o sucesso, mas a coisa não lhe correu de feição. Aqui vale tudo para fazer render o thriller, desde desrespeitar os canônes do whodunnit, fornecendo pistas impossíveis ao espectador, até reduzir virtualmente todas as aparições da fera a matanças inócuas. Desde cedo é fácil perceber o rumo que a estória inevitavelmente vai tomar e a ordem pela qual as personagens irão ser mortas. E entre anacronismos e buracos no argumento vai-se fazendo a fita, quebrando o espírito do mistério sem nunca, no entanto, dificultar a sua resolução, negando qualquer traço de originalidade que pudesse existir.

É fácil encontrar os motivos que levam alguém a gostar de Red Riding Hood. Complicado é percebê-los. Amanda Seyfried tem talento para mais, mas continua a errar na escolha de papéis, Shiloh Fernandez e Max Irons são abomináveis como protagonistas masculinos, safando-se pela aparência, e nem Virginia Madsen, Julie Christie e Lukas Haas escapam a este cemitério na forma de filme. Billy Burke, reciclado da saga Twilight, é caso à parte, passando rapidamente dos 8 aos 80: ou nem aparece em cena, ou, quando aparece, resolve intrigas e mistérios qual deus ex machina, qual quê. O que torna ainda mais estranho que o pior da fita passe mesmo pelo sotaque imbecil que Gary Oldman adopta para a sua personagem. As referências ao material original que se foram desencantar ao baú são, na sua globalidade, despropositadas e diminuem ainda mais, se possível, o valor da fita. O resultado final é lamentável. Pior, parece que as adolescentes de hoje em dia têm o desejo bizarro de serem mordidas por criaturas de caninos afiados.


Titulo Original: Red Riding Hood (Canadá/EUA, 2011)
Realizador: Catherine Hardwicke
Argumento: David Johnson
Intérpretes: Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas, Julie Christie, Adrian Holmes
Música: Alex Heffes, Brian Reitzell
Fotografia: Mandy Walker
Género: Fantasia, Mistério, Terror, Thriller
Duração: 100 minutos


Wimbledon (2004)

Poucos são os eventos desportivos capazes de atrair a cobertura que cabe ao Torneio de Wimbledon. Vedetas internacionais da modalidade disputando o prémio maior perante bancadas completamente preenchidas e uma aristocracia insular que observa a rede quase misturada com os seus súbditos. A difusão dos mídia só veio alargar a festa, com transmissões televisivas e comentarios de antigas estrelas do desporto (no filme é John McEnroe que faz as vezes de analista de serviço). Parece emocionante, não é? Alguém deve ter achado o mesmo e decidiu produzir uma comédia romântica entre dois tenistas durante o Torneio. Aliás, e melhor ainda, entre uma jovem estrela em ascensão (Kirsten Dunst) e um já mais velho praticante da modalidade que nunca alcançou o estrelato, apesar de ter estado lá perto (Paul Bettany), que se conheceram quando o segundo entrou por engano no quarto de hotel da primeira. É curioso o timing do encontro: Peter Colt, prestes a terminar a carreira profissional, conhece Lizzie Bradbury durante a primeira participação da americana no Grand Slam inglês. O resto são peripécias típicas de uma comédia romântica pouco mais do que sofrível, papel químico de uma fórmula usada até à exaustão, interrompida apenas por breves momentos de ténis com bolas introduzidas na imagem durante a pós-produção. Se o aceitarmos como isso, Wimbledon é engraçado. Caso contrário, não fará muito sentido perder tempo a vê-lo.

Todos os cinéfilos têm os seus guilty pleasures. Wimbledon é um dos meus. Como comédia não é particularmente divertido, como filme romântico não traz nada de novo ao género. E, contudo, vejo-me quase sempre obrigado a parar o que quer que esteja a fazer no momento em que vejo o filme na programação de um qualquer canal da cabo que o decida transmitir em dia de poucas ideias. Há coisas assim na vida, e esta é uma delas. Todos nós temos, pelo menos, um amigo que não consegue explicar as suas escolhas e outro mais causídico na defesa dos seus argumentos. Em relação a Wimbledon, vejo-me no meio das duas figuras, dividido entre o ridículo de gostar de um exercício de cinema de mérito duvidoso e a ainda mais descabida consciência da sua falta de qualidade. Algo de muito errado se passa quando o maior pecado de uma fita passa pelo desperdício de elenco, relegando nomes como James McAvoy, Bernard Hill ou Sam Neill para papéis secundários com pouca ou nenhuma expressão na história. Mas como em tudo neste Mundo, os cães ladram e caravana passa, atirando-me de novo para o sofá sempre que Peter Colt, tenista mediano, caminha pela primeira e última vez rumo ao court central londrino, pronto para derrotar em nome do Reino Unido e da sua amada a arrogante vedeta americana que lhe faz frente. E tudo isto enquanto ouve uma vozinha dentro da sua cabeça dizendo-lhe que está velho e o melhor seria mesmo desistir. É obra! O resto fica para pensar noutro dia, na presença de melhores filmes.


Titulo Original: Wimbledon (EUA/França/Reino Unido, 2004)
Realizador: Richard Loncraine
Argumento: Adam Brooks, Jennifer Flackett, Mark Levin
Intérpretes: Paul Bettany, Kirsten Dunst, Sam Neill, Jon Favreau, Bernard Hill, Eleanor Bron, Nikolaj Coster-Waldau, Austin Nichols, James McAvoy
Música: John Colby, Ed Shearmur
Fotografia: Darius Khondji
Género: Comédia, Desporto, Romance
Duração: 98 minutos


terça-feira, 10 de julho de 2012

La Piel Que Habito (2011)

Almodóvar, nome maior da cinematografia espanhola, não é um cineasta vulgar. Autor num tempo de realizadores, as dinâmicas e romances insólitos entre protagonistas são peça central da sua obra. Em La Piel Que Habito não se quebra a regra, aliando-se a violência ao sexo, o masculino ao feminino naquela que será, porventura, a obra mais artística e perturbadora do passado recente do espanhol. Em jeito quase hitchcockiano, Almodóvar conduz o seu público através de um labirinto meticulosamente construído dentro da estória, controlando na perfeição o tempo em que cada pedaço de informação é divulgado.

Baseado em Mygale (Tarântula) de Thierry Jonquet, a fita assume desde cedo contornos de thriller psicossexual. A rapariga trancada num quarto, prisioneira de um Frankenstein moderno, ajuda a essa formulação. Presume-se que Vera (Elena Anaya) é amante do rico médico dono da propriedade, Robert (Antonio Banderas), mesmo que, em retrospectiva, nada nos seja mostrado nesse sentido. Marilia (Marisa Paredes), a governanta é cúmplice na trama, por motivos na altura desconhecidos. O que levaria alguém, ainda para mais uma mulher, a manter trancada dentro de um quarto artisticamente minimalista uma jovem aparentemente inocente? Através de flashbacks, confidências e sonhos vai-se descobrindo o passado e os segredos de cada personagem, os acontecimentos em comum entre eles e a relação que são forçados a ter uns com os outros. Vera nem sempre foi Vera, Robert não abomina as suas criações/aberrações, Marilia tem demasiado a esconder da sua vida. Almodóvar constrói um thriller competente, fazendo valer os seus galões de brilhante realizador, sobretudo, nos primeiros 40 minutos da fita. O acumular da tensão é notável, a tentativa de suicídio, o retorno do filho pródigo, a faísca que, ardendo, impulsiona a estória. Assentar um filme numa sensação de desconforto que nunca chega a desaparecer não é fácil. Nem com a chegada de Zeca, El Tigre, personagem insólita, a aura se dissipa. O melhor que o ladrão vestido de felídeo selvagem consegue fazer é arrancar alguns risos nervosos à audiência antes de também ele contribuir para a tensão vivida naquela casa.


Almodóvar volta a assumir-se como um dos melhores realizador da actualidade. Capaz de tirar o melhor dos seus actores, capta com a sua câmara o que de mais verdadeiro as suas personagens conseguem transmitir. Elena Anaya, deslumbrante, e Jan Cornet no papel de Vicente complementam-se bem e entregam interpretações de enorme qualidade. Até Banderas surge em bom nível, viril e sexual como de costume, encarnando de forma credível o cientista louco que lhe coube no filme. Entre o descontrolo e a frieza, a musa masculina do cineasta espanhol vai levando a sua avante, calando, por momentos, aqueles que o acusam de vir a perder o fulgor de outros tempos. Os secundários, mais discretos, não se afastam da competência dos principais. Todos eles vão vivendo, convivendo e sobrevivendo numa Toledo quente e quase turística, a ritmos diferentes que, infelizmente para uns, felizmente para outros, se cruzam, formando e desfazendo triângulos de vértices e lados diferentes. Aliás, a figura geométrica é mesmo conceito recorrente na fita, pautando as relações entre as personagens, guiando dinâmicas entre trios, raramente surgindo em cena mais do que três figuras em simultâneo.

Longe do dramalhão, La Piel Que Habito aproxima-se mais do romance de faca e alguidar. Mas uma faca e alguidar cirúrgicos. Tudo no filme tem propósito. Nada aparece por acaso. Almodóvar esperou quase trinta anos para apresentar a sua obra mais artística e bizarra. Em campos hitchcockianos o espanhol guia-se bem, mantendo algumas das características mais marcantes que já nos habituamos a ver no seu cinema. Estética visual vibrante e rica (a direcção de fotografia é soberba), mulheres fortes, mesmo que não nasçam assim, romances estranhos e arriscados. O rasto que fica atrás é de sangue e sofrimento, o futuro é incerto. O sadismo e o voyeurismo como objectos de estudo do cinema. Deste lado da tela, nós, público, que observamos personagens que nos são desconhecidas; do outro, Robert, que observa num ecrã gigante oportunamente montado no seu quarto uma mulher que ele mesmo criou mas que a cada dia que passa vai sabendo menos quem é. Pode nem ser o melhor trabalho de Almodóvar, mas é um dos que mais prazer dá ver.


Título Original: La Piel Que Habito (Espanha, 2011)
Realizador: Pedro Almodóvar
Argumento: Pedro Almodóvar, Agustín Almodóvar (baseado no romance de Thierry Jonquet)
Intérpretes: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Blanca Suárez, Eduard Fernández
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Género: Drama, Terror, Thriller
Duração: 117 minutos


domingo, 8 de julho de 2012

American Reunion (2012)

Após 13 anos desde o primeiro filme, o elenco original regressa para uma última aparição. Para quem já conhecia os primeiros filmes e já era fã, será difícil resistir à tentação de ver American Reunion, de Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg. Embora possa não fazer justiça a certas expectativas, o sentimento de nostalgia será algo constante ao longo da visualização.

Pouco mais de 10 anos após acabado o secundário, Jim, Oz, Finch, Kevin e Stifler voltam à sua cidade natal para participar na reunião da turma. Agora todos mais velhos, alguns casados e com filhos, no entanto não irá correr tudo como planeado, já que velhos hábitos são difíceis de esquecer.

Infelizmente, não é capaz de superar os seus dois primeiros antecessores, ao que parece a utilização das mesma piadas até à exaustão não é um bom alicerce em sequelas. No entanto foi tudo pelo que estava à espera, o desgraçado do Jim com um azar dos diabos, Finch com o seu ar pseudo-intelenctual, Kevin com as sua inseguranças e Stifler que não mudou nada nos últimos 10 anos. American Reunion, acima de tudo, aposta na nostalgia, com muito déjà vu, e perde toda a novidade e o encanto que atraiu o público nos primeiros filmes, e mesmo assim consegue ser um bom fina, para quem cresceu a ver os filmes da série American Pie, de certeza que irão concordar. E só de pensar que foram filmes de à 10 anos atrás, quando parece que foi ontem a ultima vez que os vi, mas são anos que se nota bem nas caras dos protagonistas. 

O argumento é cheio de elementos semelhantes a certos acontecimentos nos dois primeiros filmes e apoia-se bastante nas características imutáveis das personagens, e embora repetitivo, consegue ser bastante satisfatório. Jon Hurwitz e Hayden Sclossberg conseguem um bom trabalho na realização, ao evocar tudo o que era transmitido pelo primeiro filme, claramente com os fãs em mente. Este filme resume-se a isso mesmo, os fãs, é feito exclusivamente para eles, quem não gostou do primeiro também não irá gostar deste, e quem não viu nenhum dos anteriores é favor de ir vê-los, é um filme feito para relembrar os bons velhos tempos, para quem após estes anos todos ainda não perdeu o sentido de humor rude e imaturo.

Recomendo apenas a fãs dos filmes anteriores, as outras pessoas não irão gostar, visto ser quase uma réplica dos seus antecessores, é para pessoas que não só prezam a continuidade como gostam de ter algo como um tie-in mais completo da vida dos protagonistas.


Titulo Original: American Reunion (EUA, 2012)
Realizador: Jon Hurwitz; Hayden Schlossberg
Argumento: Adam Herz; Jon Hurwitz; Hayden Schlossberg
Intérpretes: Jason Biggs; Alyson Hannigan; Chris Klein; Thomas Ian Nicholas; Tara Reid; Seann William Scott; Mena Suvari; Eddie Kaye Thomas; Jennifer Coolidge; Eugene Levy
Música: Lyle Workman
Fotografia: Daryn Okada
Género: Comédia
Duração: 113 minutos


sábado, 7 de julho de 2012

Trailer de "Savages"

Já estreou nos EUA mas só chega às salas nacionais dia 27 de Setembro. Savages, o mais recente filme de Oliver Stone, conta a história de dois pequenos traficantes de droga cuja namorada foi raptada pelo líder de um cartel mexicano. Vale a pena visitar o canal do Youtube da fita.